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domingo, outubro 02, 2011
Al Qaeda manda recado para Ahmadinejad parar de levantar suspeitas sobre 11/9-28/09/2011
Uma semana depois de o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, voltar a levantar suspeitas sobre os ataques terroristas de 11/9, a rede Al Qaeda, que assumiu a autoria dos atentados, mandou um recado ao líder do Irã: ele deve encerrar suas teorias de conspiração sobre o 11/9. As informações são do “The New York Times”.
A mensagem foi enviada em um artigo publicado na revista online Inspire, publicação em língua inglesa que a Al Qaeda possui e distribui para seguidores, de acordo com o jornal norte-americano, que não especificou a data exata da publicação. No texto, a rede terrorista criticou Ahmadinejad por questionar o 11/9 e responsabilizar o governo americano pelos atentados.
“O governo iraniano afirmou, por meio de seu presidente Ahmadinejad, que não acredita que a Al Qaeda foi a autora dos atentados de 11/9, e sim os Estados Unidos”, diz o artigo, cuja autoria foi atribuída a Abu Suhail. “Então, nós perguntamos: por que o Irã sustenta essa crença ridícula que não se sustenta pela lógica nem pelas evidências?”.
O artigo exige que Ahmadinejad pare seus esforços para provar que uma conspiração está por trás dos ataques. O artigo teria sido publicado no número 17 da revista, edição comemorativa dos 10 anos dos ataques.
Por diversas ocasiões o presidente iraniano questionou os ataques de 11/0, sugerindo que tudo teria sido inventado pelos Estados Unidos. Na semana passa, quando esteve em Nova York para participar da Assembleia Geral da ONU, ele voltou a questionar os atentados em uma entrevista à Associated Press. Segundo ele, dois aviões não poderiam ter derrubado as Torres Gêmeas.
Fonte: folha online
A mensagem foi enviada em um artigo publicado na revista online Inspire, publicação em língua inglesa que a Al Qaeda possui e distribui para seguidores, de acordo com o jornal norte-americano, que não especificou a data exata da publicação. No texto, a rede terrorista criticou Ahmadinejad por questionar o 11/9 e responsabilizar o governo americano pelos atentados.
“O governo iraniano afirmou, por meio de seu presidente Ahmadinejad, que não acredita que a Al Qaeda foi a autora dos atentados de 11/9, e sim os Estados Unidos”, diz o artigo, cuja autoria foi atribuída a Abu Suhail. “Então, nós perguntamos: por que o Irã sustenta essa crença ridícula que não se sustenta pela lógica nem pelas evidências?”.
O artigo exige que Ahmadinejad pare seus esforços para provar que uma conspiração está por trás dos ataques. O artigo teria sido publicado no número 17 da revista, edição comemorativa dos 10 anos dos ataques.
Por diversas ocasiões o presidente iraniano questionou os ataques de 11/0, sugerindo que tudo teria sido inventado pelos Estados Unidos. Na semana passa, quando esteve em Nova York para participar da Assembleia Geral da ONU, ele voltou a questionar os atentados em uma entrevista à Associated Press. Segundo ele, dois aviões não poderiam ter derrubado as Torres Gêmeas.
Fonte: folha online
segunda-feira, setembro 19, 2011
terça-feira, setembro 13, 2011
Liberdade religiosa é arma essencial contra terrorismo, diz historiador-11/09/2011
Nos dez anos de políticas fracassadas que se seguiram ao 11 de Setembro, os EUA não avançaram em nada na promoção da liberdade religiosa no mundo, uma causa polêmica que o ex-diplomata e historiador Thomas Farr diz ser preciso abraçar em nome da segurança nacional.
Farr, pesquisador do Berkley Center, em Washington, foi de 1999 a 2003 o primeiro diretor do escritório do Departamento de Estado americano para Liberdade Religiosa Internacional, que foi criado após aprovação de lei sobre o tema.
À Folha ele afirmou que o 11 de Setembro poderia não ter acontecido se a Arábia Saudita --origem de vários dos terroristas que participaram dos ataques-- permitisse a exposição de várias versões do islamismo e de outras formas de pensamento em pé de igualdade. "A liberdade religiosa tem que ser considerada uma medida profilática contra o terrorismo", disse.
Farr defende que religiosos devem ser tratados como qualquer outro grupo de interesses, com liberdade para discutir e fazer lobby por suas visões na esfera política --desde que respeitados limites relacionados a violência e coerção.
FOLHA - A Lei de Liberdade Religiosa Internacional (IRF) foi aprovada em 1998. Poderia ter sido usada de alguma forma para evitar o 11 de Setembro?
THOMAS FARR- Não por meio da lei em si, pois ela era muito nova e liberdade religiosa não é algo que pode ser imposto ou que se desenvolva rapidamente.
Mas é possível argumentar que Osama bin Laden teria tido menos motivação para partir para o terrorismo se tivesse crescido em uma Arábia Saudita com liberdade religiosa. Em vez de ter sido exposto exclusivamente ao wahhabismo e aos estudos de Sayyid Qutb [um dos pais do funtamentalismo islâmico moderno], ele teria tido também acesso a outras visões islâmicas mais moderadas, a visões não islâmicas, ao pensamento liberal e etc na mesma proporção. É isso que liberdade religiosa significa, igualdade sob a lei para todas as idéias e atores religiosos, dentro de limites. Bin Laden poderia ter se tornardo profundamente religioso, mas talvez sem o sentido de obrigação religiosa que comandava ataques.
Então podemos argumentar que liberdade religiosa é uma medida profilática contra o extremismo, a violência e o terrorismo de bases religiosas. A política americana não pode impor isso a ninguém. Mas pode encorajar os países que já veem o valor da liberdade religiosa a se aprofundarem nesse caminho.
O sr. defende que grupos religiosos devem ter a chance de expor e defender suas visões na esfera pública como qualquer outro grupo de interesses. Isso pode tirar violência de grupos mais extremistas e transforma-la em ação política?
Podemos ter visões religiosas e políticas violentas também. Mas em um ambiente aberto e democrático há limites à defesa de interesses. Não posso exigir que minha mulher seja queimada e enterrada comigo quando eu morrer em nome da religião, seria fundamentalmente antidemocrático. Há limites, em geral relacionados a violência e coerção. A questão é que ao receber ideias e grupos religiosos na esfera pública, tende-se a oferecer vantagens a aspectos menos radicais, mais democráticos e mais pró-direitos humanos, porque esses argumentos são bem sucedidos e angariam apoio fora do grupo religioso. É benéfico ter participação de grupos religiosos na política, inclusive com lobby.
Quais as consequência do 11 de Setembro para a visão da religião na política externa americana?
Inicialmente, houve um crescimento enorme da atenção ao tema. Antes, era comum considerar religião um assunto privado, difícil demais, e ela foi de certa forma "exilada". A atenção em si é positiva. O problema é que em vez de aumentar, em muitos lugares a liberdade religiosa diminuiu. Na China, por exemplo, passou o governo a acusar os uigures islâmicos do norte de terrorismo, de forma a oprimi-los. Pequim se aproveitou do fato de que uigures foram capturados lutando contra forças ocidentais no Afeganistão para incrementar uma política já existente de repressão.
Muitos islâmicos nos EUA afirmam que a perseguição religiosa aqui também aumentou, e com razão. Isso é incrível, porque essas pessoas são na verdade a maior razão pela qual não tivemos outro ataque aqui.
Tomamos o caminho inverso --em vez de promover liberdade religiosa, passamos a oprimi-la em nome da luta contra o terrorismo. E o resultado da opressão religiosa é justamente o extremismo.
Passados dez anos, as coisas melhoraram?
Não. As coisas não estão melhores, pois muito poucos membros do governo veem a promoção da liberdade religiosa como prevenção ao terrorismo. O argumento está começando a ser aceito, mas palavras não são suficientes, e não vemos ação. Há alguma defesa contra a perseguição religiosa, mas com fundamentos de direitos humanos. Isso não é negativo, mas não funciona como uma política em si.
Desde o 11 de Setembro os EUA teve governos de direita e de esquerda. Houve diferenças no tratamento da religião lá fora?
Todos os governos até agora fracassaram em promover liberdade religiosa. De certa forma, [o ex-presidente George W.] Bush foi uma decepção maior, pois ele tinha uma devoção pessoal à religião e falava do assunto constantemente.
[Mas] a direita rejeita grupos religiosos [islâmicos] porque teme que sejam terroristas ou porque querem favorecer a visão cristã, e a esquerda quer esvaziar completamente a política de qualquer visão religiosa porque argumenta que a questão é muito divisiva e pouco democrática.
Houve muito trabalho, há relatórios, há gente envolvida, mas não há nenhuma ação política como resultado desses governos.
A Primavera Árabe renovou a importância da liberdade religiosa de alguma forma?
O fato de que religião é importante está se tornando cada vez mais parte do diálogo sobre a Primavera Árabe. Inicialmente, julgaram o movimento no Egito secularista, partindo de jovens insatisfeitos mas desassociados da religião. Mas descartar o fator religioso foi uma besteira, como sempre é.
Sou otimista em relação ao Egito. Acho que o desenvolvimento da democracia vai impor limites à Irmandade Muçulmana, assim como a outros grupos mais liberais do que eles. Mas se os egípcios não levarem em conta a questão da religião no Estado da forma correta, vão fracassar. O mesmo pode ser dito sobre a Líbia, a Síria e todos os outros.
Parte da hesitação dos EUA na resposta inicial aos movimentos se deveu ao medo do fator religioso. Os EUA tendem a dizer que religião é assunto interno e não querem se envolver. Isso é absurdo.
Mas os outros governos também acham que é assunto interno e rejeitam envolvimento americano...
É claro que temos que ser cuidadosos quando outros países não querem nosso envolvimento. Mas acredito que podemos convencer os egípcios de que queremos estar envolvidos de forma positiva, ajudando a desenvolver os aspectos religiosos da sociedade civil. Todo país precisa disso para ser bem sucedido como democracia. Portanto, temos que superar a resistência ao envolvimento nos assuntos internos dos outros com o argumento de que é do interesse de seu governo e de seus atores políticos contar com nossa ajuda. Os egípcios costumam receber US$ 2 bilhões por ano dos EUA, e não consideram isso uma interferência indevida. Só temos que distribuir esse montante com mais sabedoria.
Fonte: folha online
Farr, pesquisador do Berkley Center, em Washington, foi de 1999 a 2003 o primeiro diretor do escritório do Departamento de Estado americano para Liberdade Religiosa Internacional, que foi criado após aprovação de lei sobre o tema.
À Folha ele afirmou que o 11 de Setembro poderia não ter acontecido se a Arábia Saudita --origem de vários dos terroristas que participaram dos ataques-- permitisse a exposição de várias versões do islamismo e de outras formas de pensamento em pé de igualdade. "A liberdade religiosa tem que ser considerada uma medida profilática contra o terrorismo", disse.
Farr defende que religiosos devem ser tratados como qualquer outro grupo de interesses, com liberdade para discutir e fazer lobby por suas visões na esfera política --desde que respeitados limites relacionados a violência e coerção.
FOLHA - A Lei de Liberdade Religiosa Internacional (IRF) foi aprovada em 1998. Poderia ter sido usada de alguma forma para evitar o 11 de Setembro?
THOMAS FARR- Não por meio da lei em si, pois ela era muito nova e liberdade religiosa não é algo que pode ser imposto ou que se desenvolva rapidamente.
Mas é possível argumentar que Osama bin Laden teria tido menos motivação para partir para o terrorismo se tivesse crescido em uma Arábia Saudita com liberdade religiosa. Em vez de ter sido exposto exclusivamente ao wahhabismo e aos estudos de Sayyid Qutb [um dos pais do funtamentalismo islâmico moderno], ele teria tido também acesso a outras visões islâmicas mais moderadas, a visões não islâmicas, ao pensamento liberal e etc na mesma proporção. É isso que liberdade religiosa significa, igualdade sob a lei para todas as idéias e atores religiosos, dentro de limites. Bin Laden poderia ter se tornardo profundamente religioso, mas talvez sem o sentido de obrigação religiosa que comandava ataques.
Então podemos argumentar que liberdade religiosa é uma medida profilática contra o extremismo, a violência e o terrorismo de bases religiosas. A política americana não pode impor isso a ninguém. Mas pode encorajar os países que já veem o valor da liberdade religiosa a se aprofundarem nesse caminho.
O sr. defende que grupos religiosos devem ter a chance de expor e defender suas visões na esfera pública como qualquer outro grupo de interesses. Isso pode tirar violência de grupos mais extremistas e transforma-la em ação política?
Podemos ter visões religiosas e políticas violentas também. Mas em um ambiente aberto e democrático há limites à defesa de interesses. Não posso exigir que minha mulher seja queimada e enterrada comigo quando eu morrer em nome da religião, seria fundamentalmente antidemocrático. Há limites, em geral relacionados a violência e coerção. A questão é que ao receber ideias e grupos religiosos na esfera pública, tende-se a oferecer vantagens a aspectos menos radicais, mais democráticos e mais pró-direitos humanos, porque esses argumentos são bem sucedidos e angariam apoio fora do grupo religioso. É benéfico ter participação de grupos religiosos na política, inclusive com lobby.
Quais as consequência do 11 de Setembro para a visão da religião na política externa americana?
Inicialmente, houve um crescimento enorme da atenção ao tema. Antes, era comum considerar religião um assunto privado, difícil demais, e ela foi de certa forma "exilada". A atenção em si é positiva. O problema é que em vez de aumentar, em muitos lugares a liberdade religiosa diminuiu. Na China, por exemplo, passou o governo a acusar os uigures islâmicos do norte de terrorismo, de forma a oprimi-los. Pequim se aproveitou do fato de que uigures foram capturados lutando contra forças ocidentais no Afeganistão para incrementar uma política já existente de repressão.
Muitos islâmicos nos EUA afirmam que a perseguição religiosa aqui também aumentou, e com razão. Isso é incrível, porque essas pessoas são na verdade a maior razão pela qual não tivemos outro ataque aqui.
Tomamos o caminho inverso --em vez de promover liberdade religiosa, passamos a oprimi-la em nome da luta contra o terrorismo. E o resultado da opressão religiosa é justamente o extremismo.
Passados dez anos, as coisas melhoraram?
Não. As coisas não estão melhores, pois muito poucos membros do governo veem a promoção da liberdade religiosa como prevenção ao terrorismo. O argumento está começando a ser aceito, mas palavras não são suficientes, e não vemos ação. Há alguma defesa contra a perseguição religiosa, mas com fundamentos de direitos humanos. Isso não é negativo, mas não funciona como uma política em si.
Desde o 11 de Setembro os EUA teve governos de direita e de esquerda. Houve diferenças no tratamento da religião lá fora?
Todos os governos até agora fracassaram em promover liberdade religiosa. De certa forma, [o ex-presidente George W.] Bush foi uma decepção maior, pois ele tinha uma devoção pessoal à religião e falava do assunto constantemente.
[Mas] a direita rejeita grupos religiosos [islâmicos] porque teme que sejam terroristas ou porque querem favorecer a visão cristã, e a esquerda quer esvaziar completamente a política de qualquer visão religiosa porque argumenta que a questão é muito divisiva e pouco democrática.
Houve muito trabalho, há relatórios, há gente envolvida, mas não há nenhuma ação política como resultado desses governos.
A Primavera Árabe renovou a importância da liberdade religiosa de alguma forma?
O fato de que religião é importante está se tornando cada vez mais parte do diálogo sobre a Primavera Árabe. Inicialmente, julgaram o movimento no Egito secularista, partindo de jovens insatisfeitos mas desassociados da religião. Mas descartar o fator religioso foi uma besteira, como sempre é.
Sou otimista em relação ao Egito. Acho que o desenvolvimento da democracia vai impor limites à Irmandade Muçulmana, assim como a outros grupos mais liberais do que eles. Mas se os egípcios não levarem em conta a questão da religião no Estado da forma correta, vão fracassar. O mesmo pode ser dito sobre a Líbia, a Síria e todos os outros.
Parte da hesitação dos EUA na resposta inicial aos movimentos se deveu ao medo do fator religioso. Os EUA tendem a dizer que religião é assunto interno e não querem se envolver. Isso é absurdo.
Mas os outros governos também acham que é assunto interno e rejeitam envolvimento americano...
É claro que temos que ser cuidadosos quando outros países não querem nosso envolvimento. Mas acredito que podemos convencer os egípcios de que queremos estar envolvidos de forma positiva, ajudando a desenvolver os aspectos religiosos da sociedade civil. Todo país precisa disso para ser bem sucedido como democracia. Portanto, temos que superar a resistência ao envolvimento nos assuntos internos dos outros com o argumento de que é do interesse de seu governo e de seus atores políticos contar com nossa ajuda. Os egípcios costumam receber US$ 2 bilhões por ano dos EUA, e não consideram isso uma interferência indevida. Só temos que distribuir esse montante com mais sabedoria.
Fonte: folha online
Jornalistas da Reuters relembram dia com Bush no 11 de setembro-11/09/2011
Dois jornalistas da agência Reuters viajaram com o então presidente norte-americano George W. Bush em 11 de setembro de 2011, em uma jornada que começou como uma mera visita à Flórida para promover a educação.
Arshad Mohammed
"Senhor presidente, o senhor tem conhecimento das notícias de que um avião bateu em Nova York?"
Eu fiz essa pergunta para Bush em uma sala de aula na Flórida, onde, sem eu saber, ele tinha acabdo de ouvir que a segunda torre do World Trade Center tinha sido atingida por um avião.
Esses minutos na escola Emma E. Booker ilustraram as alegrias e tristezas de fazer parte da mídia que viaja a todos os lugares com o presidente.
De uma lado, estávamos presenciando a história em tempo real, vendo o chefe da Casa Branca Andrew Card cochichar no ouvido de Bush o ataque, e tendo acesso direto ao presidente para perguntar à vontade.
De outro lado, o fluxo de informações é extremamente controlado e nossas perguntas com frequência não são respondidas.
Sabíamos que a primeira torre tinha sido atingida, mas não sobre a segunda, e não tínhamos ideia de que Bush tinha sido alertado por Card.
Bush não respondeu minha pergunta, e pouco depois surgiu na biblioteca da escola para dizer: "Hoje nós tivemos uma tragédia nacional. Dois aviões bateram no World Trade Center, em um aparente ataque terrorista ao nosso país".
Pego de surpresa pelo ataque, Bush deu uma resposta inicial e passou o restante do dia voando no Força Aérea Um fugindo de um inimigo incerto ao invés de retornar imediatamente para Washington, um movimento que levantou dúvidas sobre sua liderança em meio a uma crise.
Apenas dias depois, quando ele visitou os destroços do World Trade Center, ele se recuperou com um discurso dramático e improvisado, prometendo punir quem tinha feito aquilo.
FORÇA AÉREA EM DESTINO MISTERIOSO
Na escola, antes de entrarmos no Força Aérea Um, uma equipe da segurança e cães farejadores checaram os jornalistas, uma medida não habitual, uma vez que já havíamos passado por uma triagem, o que sugeria que o Serviço Secreto não queria arriscar.
Poucos minutos após a decolagem, ficou claro que não estávamos voltando para casa, pois não passamos de novo pela costa, como havíamos feito um dia antes ao chegar à Flórida. Ao invés disso, voamos por cima da terra, a uma altitude bem acima da normal.
Estávamos vendo imagens ao vivo dos ataques em uma televisão a bordo.
Não tínhamos ideia de para onde estávamos indo, até que um assessor de imprensa nos disse que nosso destino era a Base da Força Aérea Barksdale, na Louisiana, onde Bush iria fazer um comunicado, e que poderíamos noticiar o que ele diria, mas não o lugar onde estava.
Em terra, não havia toda a pompa e cerimônia que normalmente aguardam o presidente.
Em vez disso, Bush desceu do Boeing 747, com soldados ao redor, e um oficial em um momento ordenou bruscamente a outro "vai para aquela asa, agora!"
Foi como se os militares, com toda a sua força, temessem que o avião do presidente não estivesse seguro em meio a uma grande pista em uma base onde sua presença era um segredo.
Proibidos de usar nossos telefones celulares para que as ligações não fossem rastreadas e "entregassem" a localização de Bush, repórteres foram levados a uma sala de entrevistas sem janelas. Assessores correram para montar um pódio com duas bandeiras para Bush fazer um comunicado que poderíamos depois divulgar como realizado em uma "localização não conhecida."
Enquanto esperávamos, alguém afirmou que notícias da chegada de Bush foram dadas em uma emissora de TV local. Rapidamente confirmando essa informação com um oficial da Força Aérea, um assessor nos disse que podíamos ligar para nossos editores.
Após prometer "caçar e punir aqueles responsáveis por esses ataques covardes," Bush voltou ao Força Aérea Um com muito menos pessoal, deixando para trás assessores, agentes do Serviço Secreto e membros da imprensa, incluindo eu, que voariam a Washington em um avião reserva da Força Aérea.
Steve Holland
A maioria dos membros da imprensa da Casa Branca que estavam na Flórida para cobrir Bush se encontraram abandonados. A aviação civil foi bloqueada e apenas no dia seguinte desistimos de voltar para casa, fretamos ônibus e nos enchemos de petiscos para uma viagem durante a madrugada de volta a Washington.
Presos no trânsito na manhã seguinte, a primeira sensação que tivemos além das imagens de TV foi uma vista do Pentágono a partir da rodovia I-395. Fumaça ainda subia aos céus em uma grande escoriação no edifício, feita por um avião sequestrado.
A Casa Branca estava cercada por um cordão militar. Helicópteros sobrevoavam. Soldados carregavam rifles e confrontavam os transeuntes. Havia uma sensação de que os Estados Unidos estavam em guerra.
Anos depois, os norte-americanos reparariam na habilidade de Bush de estudar os fatos e tomar rapidamente uma decisão - rápido até demais, diriam alguns. Mas esse líder, o que decide, ainda não tinha aparecido até setembro de 2001.
No final, foi um presidente que demorou meses para decidir sobre sua política em relação às células-tronco e, após obter um grande corte de impostos do Congresso na primavera passada, parecia mais aplicado em se definir em relação aos assuntos internos.
RASTRO DE FUMAÇA
Bush completou sua transformação em líder de guerra em 14 de setembro, em uma visita ao Marco Zero, no Sul de Manhattan.
O Força Aérea Um pousou em Nova Jersey, em vez de Nova York, por medidas de segurança, e Bush e seus assessores voaram de helicóptero para Manhattan. Sentia-se o cheiro de combustão das torres gêmeas a quilômetros de distância, e um rastro de fumaça que passava a Estátua da Liberdade, símbolo da abertura dos EUA ao mundo, era uma dolorosa imagem.
No chão, uma grossa camada de pó cobria as calçadas e as ruas a quarteirões do Marco Zero. Uma fileira de bombeiros, com seus casacos cobertos por poeira, estava em silêncio ao longo da carreata, em uma breve pausa na procura para encontrar os restos mortais de seus colegas. A estabilidade dos edifícios próximos era incerta, o que aumentava a preocupação.
Onde uma vez estavam as torres, havia apenas morte e destruição. Vigas subiam em ângulos estranhos. Pilhas de escombros estavam por toda a parte.
Bush não tinha planos para discursar para os bombeiros enquanto ele andava com o então prefeito de Nova York, Rudy Giuliani, mas gritos de "EUA, EUA" da multidão o fizeram mudar de ideia.
Ele escalou os restos de um caminhão de bombeiros, colocou sua mão no ombro de um deles, chamado Bob Beckwith, e falou em um alto-falante as palavras que definiriam o restante de seu mandato na Casa Branca.
"Posso ouvir vocês! O restante do mundo ouve vocês! E as pessoas --e as pessoas que derrubaram esses edifícios nos ouvirão em breve."
Fonte: folha online
Arshad Mohammed
"Senhor presidente, o senhor tem conhecimento das notícias de que um avião bateu em Nova York?"
Eu fiz essa pergunta para Bush em uma sala de aula na Flórida, onde, sem eu saber, ele tinha acabdo de ouvir que a segunda torre do World Trade Center tinha sido atingida por um avião.
Esses minutos na escola Emma E. Booker ilustraram as alegrias e tristezas de fazer parte da mídia que viaja a todos os lugares com o presidente.
De uma lado, estávamos presenciando a história em tempo real, vendo o chefe da Casa Branca Andrew Card cochichar no ouvido de Bush o ataque, e tendo acesso direto ao presidente para perguntar à vontade.
De outro lado, o fluxo de informações é extremamente controlado e nossas perguntas com frequência não são respondidas.
Sabíamos que a primeira torre tinha sido atingida, mas não sobre a segunda, e não tínhamos ideia de que Bush tinha sido alertado por Card.
Bush não respondeu minha pergunta, e pouco depois surgiu na biblioteca da escola para dizer: "Hoje nós tivemos uma tragédia nacional. Dois aviões bateram no World Trade Center, em um aparente ataque terrorista ao nosso país".
Pego de surpresa pelo ataque, Bush deu uma resposta inicial e passou o restante do dia voando no Força Aérea Um fugindo de um inimigo incerto ao invés de retornar imediatamente para Washington, um movimento que levantou dúvidas sobre sua liderança em meio a uma crise.
Apenas dias depois, quando ele visitou os destroços do World Trade Center, ele se recuperou com um discurso dramático e improvisado, prometendo punir quem tinha feito aquilo.
FORÇA AÉREA EM DESTINO MISTERIOSO
Na escola, antes de entrarmos no Força Aérea Um, uma equipe da segurança e cães farejadores checaram os jornalistas, uma medida não habitual, uma vez que já havíamos passado por uma triagem, o que sugeria que o Serviço Secreto não queria arriscar.
Poucos minutos após a decolagem, ficou claro que não estávamos voltando para casa, pois não passamos de novo pela costa, como havíamos feito um dia antes ao chegar à Flórida. Ao invés disso, voamos por cima da terra, a uma altitude bem acima da normal.
Estávamos vendo imagens ao vivo dos ataques em uma televisão a bordo.
Não tínhamos ideia de para onde estávamos indo, até que um assessor de imprensa nos disse que nosso destino era a Base da Força Aérea Barksdale, na Louisiana, onde Bush iria fazer um comunicado, e que poderíamos noticiar o que ele diria, mas não o lugar onde estava.
Em terra, não havia toda a pompa e cerimônia que normalmente aguardam o presidente.
Em vez disso, Bush desceu do Boeing 747, com soldados ao redor, e um oficial em um momento ordenou bruscamente a outro "vai para aquela asa, agora!"
Foi como se os militares, com toda a sua força, temessem que o avião do presidente não estivesse seguro em meio a uma grande pista em uma base onde sua presença era um segredo.
Proibidos de usar nossos telefones celulares para que as ligações não fossem rastreadas e "entregassem" a localização de Bush, repórteres foram levados a uma sala de entrevistas sem janelas. Assessores correram para montar um pódio com duas bandeiras para Bush fazer um comunicado que poderíamos depois divulgar como realizado em uma "localização não conhecida."
Enquanto esperávamos, alguém afirmou que notícias da chegada de Bush foram dadas em uma emissora de TV local. Rapidamente confirmando essa informação com um oficial da Força Aérea, um assessor nos disse que podíamos ligar para nossos editores.
Após prometer "caçar e punir aqueles responsáveis por esses ataques covardes," Bush voltou ao Força Aérea Um com muito menos pessoal, deixando para trás assessores, agentes do Serviço Secreto e membros da imprensa, incluindo eu, que voariam a Washington em um avião reserva da Força Aérea.
Steve Holland
A maioria dos membros da imprensa da Casa Branca que estavam na Flórida para cobrir Bush se encontraram abandonados. A aviação civil foi bloqueada e apenas no dia seguinte desistimos de voltar para casa, fretamos ônibus e nos enchemos de petiscos para uma viagem durante a madrugada de volta a Washington.
Presos no trânsito na manhã seguinte, a primeira sensação que tivemos além das imagens de TV foi uma vista do Pentágono a partir da rodovia I-395. Fumaça ainda subia aos céus em uma grande escoriação no edifício, feita por um avião sequestrado.
A Casa Branca estava cercada por um cordão militar. Helicópteros sobrevoavam. Soldados carregavam rifles e confrontavam os transeuntes. Havia uma sensação de que os Estados Unidos estavam em guerra.
Anos depois, os norte-americanos reparariam na habilidade de Bush de estudar os fatos e tomar rapidamente uma decisão - rápido até demais, diriam alguns. Mas esse líder, o que decide, ainda não tinha aparecido até setembro de 2001.
No final, foi um presidente que demorou meses para decidir sobre sua política em relação às células-tronco e, após obter um grande corte de impostos do Congresso na primavera passada, parecia mais aplicado em se definir em relação aos assuntos internos.
RASTRO DE FUMAÇA
Bush completou sua transformação em líder de guerra em 14 de setembro, em uma visita ao Marco Zero, no Sul de Manhattan.
O Força Aérea Um pousou em Nova Jersey, em vez de Nova York, por medidas de segurança, e Bush e seus assessores voaram de helicóptero para Manhattan. Sentia-se o cheiro de combustão das torres gêmeas a quilômetros de distância, e um rastro de fumaça que passava a Estátua da Liberdade, símbolo da abertura dos EUA ao mundo, era uma dolorosa imagem.
No chão, uma grossa camada de pó cobria as calçadas e as ruas a quarteirões do Marco Zero. Uma fileira de bombeiros, com seus casacos cobertos por poeira, estava em silêncio ao longo da carreata, em uma breve pausa na procura para encontrar os restos mortais de seus colegas. A estabilidade dos edifícios próximos era incerta, o que aumentava a preocupação.
Onde uma vez estavam as torres, havia apenas morte e destruição. Vigas subiam em ângulos estranhos. Pilhas de escombros estavam por toda a parte.
Bush não tinha planos para discursar para os bombeiros enquanto ele andava com o então prefeito de Nova York, Rudy Giuliani, mas gritos de "EUA, EUA" da multidão o fizeram mudar de ideia.
Ele escalou os restos de um caminhão de bombeiros, colocou sua mão no ombro de um deles, chamado Bob Beckwith, e falou em um alto-falante as palavras que definiriam o restante de seu mandato na Casa Branca.
"Posso ouvir vocês! O restante do mundo ouve vocês! E as pessoas --e as pessoas que derrubaram esses edifícios nos ouvirão em breve."
Fonte: folha online
Cinco mitos sobre o 11/09-05/09/2011
WASHINGTON - Todos nós lembramos onde estávamos em 11 de setembro de 2001 quando a al-Qaeda lançou seus terríveis ataques sobre os Estados Unidos. Na década desde então, nem um monte de comissões, livros, filmes e reportagens foi capaz de encerrar equívocos sobre o que o 11/09 significou, a resposta dos EUA e a natureza da contínua ameaça. Como o aniversário se aproxima, vamos enfrentar alguns dos mitos mais persistentes.
1 - O 11 de Setembro era inimaginável
Em 2002, a Casa Branca descreveu o 11/09 como um "novo tipo de ataque que não foi previsto. Um compreensível resposta ao ser pego de surpresa, talvez - mas o ato é que a possibilidade de aviões seqüestrados colidirem com prédios não era nem inimaginável, nem não imaginada. A ideia data de pelo menos 1972, quando seqüestradores, durante um incidente doméstico, balearam o copiloto de um voo da Southern Airways e ameaçaram lançar o avião contra uma instalação nuclear em Oak Ridge, no Tennessee.
Depois da explosão no World Trade Center em 1993, uma equipe de consultores (eu inclusive) contratada pelo centro para explorar futuras ameaças ao local indentificou um avião colidindo com uma das torres como um cenário possível. Em 1994, seqüestradores de um jato da Air France teriam considerado lançar a aeronave contra a Torre Eiffel. E um plano terrorista descoberto em 1995 envolvendo Ramzi Youssef, um dos mentores do ataque ao World Trade Center em 1993, e Khalid Sheik Mohammed, o auto-descrito arquiteto do 11/09, pensaram em lançar um avião carregado de explosivos na sede da CIA. No entanto, os ataque de 11/09 transformaram nossas percepções sobre plausibilidade. Cenários terroristas considerados absurdos até 11 de setembro de 2001 se tornaram presumíveis um dia depois; mesmo uma chance de 1% de algo acontecer era motivo suficiente para levar a possibilidade a sério. Esse ambiente sem ceticismo multiplicou os medos públicos e os gastos com segurança. Enquanto isso, terroristas realizaram mais ataques previsíveis de baixa tecnologia em trens de passageiros e metrôs.
2 - Os ataques foram um êxito estratégico da al-Qaeda
Um ataque audacioso e sem precedentes, o 11/09 certamente foi um êxito tático. Mas foi também um erro de cálculo estratégico.
Aos olhos de Osama bin Laden, os Estados Unidos eram uma potência vazia. Apesar da aparente força militar da nação, na sua visão, os americanos não tinham estômago para derrotas, e um ataque terrorista devastador no território dos EUA levaria os americanos a saírem do Oriente Médio. Em sua fatwa de 1996 declarando guerra aos EUA, Bin Laden mencionou que os EUA retirou suas forças do Líbano depois do ataque de 1983 ao quartel da Marinha em Beirute. E em 1993, após 18 soldados terem sido mortos em um único dia em Mogadíscio num ataque pelo qual a al-Qaeda reivindicou crédito, os Estados Unidos apressadamente saíram da Somália.
Muitos dos comandantes da al-Qaeda descordaram, prevendo que um raivoso país concentraria sua fúria no grupo terrorista e em seus aliados, mas Bin Laden seguiu adiante. Quando os EUA fizeram exatamente o que os outros temiam, Bin Laden mudou o disco, afirmando que ele sempre teve a intenção de provocar os EUA a entrar em uma guerra que galvanizaria todo o Islã contra ela. Isso também não aconteceu.
3 -Washington exagerou na reação
Na década depois do 11 de Setembro, os EUA foram alvo de muito menos ataques terroristas do que qualquer década voltando até os anos 60 - tornando fácil agora ver o 11/09 como um golpe de sorte dos terroristas e a resposta americana como excessiva.
Naquele momento, porém, ninguém sabia quantos outros ataques estavam a caminho. Uma ação imediata era necessária para destruir a iniciativa terrorista responsável pelo 11/09; nenhum governo, republicano ou democrata, poderia ter esperado para ver se os ataque foram uma anomalia. Isso significava melhorar a inteligência, fortalecer a segurança em casa e usando a força militar no exterior - única maneira pela qual os EUA poderiam rapidamente destruir os campos de treinamento da al-Qaeda e interromper planos futuros.
A invasão do Iraque pelos EUA não foi, a rigor, uma reação exagerada ao 11/09. A guerra do Iraque foi uma decisão estratégica do governo Bush de tirar um governo hostil e uma possível ameaça. O fato de que a invasão foi retratada como parte da guerra global ao terrorismo - em um esforço para ganhar apoio político doméstico - não a faz ser isso. Na realidade, a guerra foi um enorme desvio de recursos para os EUA e um incentivo para o recrutamento da al-Qaeda.
4 - Um ataque terrorista nuclear é quase inevitável
Pouco depois dos ataques de 11 de setembro, uma fonte da CIA chamada de Dragonfire disse que terroristas da al-Qaeda tinham contrabandeado armas nucleares para Nova York. A fonte terminou se mostrando enganada, mas nas sombras do 11/09 a capacidade nuclear da al-Qaeda se tornou uma obsessão. Apesar da demonstração da Coreia do Norte de que possuia armas nucleares e do suposto programa de armas nucleares do Irã, em 2008 o então diretor da CIA Michael Hayden identificou a al-Qaeda como a "preocupação nuclear número 1" da agência.
Embora todo mundo concorde que os líderes da al-Qaeda têm aspirações militares, não há evidências de que a organização tenha tido alguma vez qualquer capacidade nuclear. O medo fez da al-Qaeda a maior potência nuclear terrorista, mesmo sem que ela possua sequer uma ogiva. É uma lição sobre como o terrorismo funciona.
5 - As liberdades civis nos EUA foram dizimadas após os ataques
Defensores das liberdades civis temeram, compreensivamente, que o 11/09 levasse a restrições típicas de Estados-policiais sobre as liberdades individuais nos EUA. Ao contrário, a Constituição foi respeitada já que o governo soube traçar um caminho intermediário.
A detenção preventiva de suspeitos de terrorismo, procedimento comum em vários países democráticos, foi rejeitada. O governo prendeu Jose Padilla, um cidadão americano e membro da al-Qaeda, como "combatente inimigo", mas esse caso terminou sendo levado aos tribunais. E esforços domésticos de inteligência foram aprimorados, mas o Congresso rejeitou a ideia de um serviço doméstico de inteligência separado - um MI5 americano.
Ainda assim, autoridades nacionais foram empurrados para a ação preventiva contra o terrorismo em vez de uma abordagem tradicional de aplicação da lei. Às autoridades federais foi garantida maior discrição na abertura de casos relacionados a terrorismo, e o FBI deu início a milhares de investigações. Não é surpreendente que apenas um pequeno percentual tenha resultado em processos. Os ataques de 11/09 levaram sim a uma expansão da autoridade do Executivo, mais notadamente ao passar por cima de procedimentos estabelecidos em 1978 para assegurar que o monitoramento eletrônico fosse autorizado judicialmente. O Congresso em 2008 restaurou a vigilância judicial, mas não de forma tão poderosa quanto antes.
Onde os valores americanos não prevaleceram foi no tratamento de combatentes estrangeiros e suspeitos detidos no exterior que foram mantidos em prisões secretas, mandados para países onde enfrentaram a tortura ou, em alguns casos, submetidos a interrogatórios coercivos equivalentes a tortura nas mãos de americanos.
* Brian Michael Jenkins é assessor do presidente da Rand Corporation e co-editor do livro "The Long Shadow of 9/11: America's Response to Terrorism" e escreveu este artigo para o Washington Post
Fonte: oglobo online
1 - O 11 de Setembro era inimaginável
Em 2002, a Casa Branca descreveu o 11/09 como um "novo tipo de ataque que não foi previsto. Um compreensível resposta ao ser pego de surpresa, talvez - mas o ato é que a possibilidade de aviões seqüestrados colidirem com prédios não era nem inimaginável, nem não imaginada. A ideia data de pelo menos 1972, quando seqüestradores, durante um incidente doméstico, balearam o copiloto de um voo da Southern Airways e ameaçaram lançar o avião contra uma instalação nuclear em Oak Ridge, no Tennessee.
Depois da explosão no World Trade Center em 1993, uma equipe de consultores (eu inclusive) contratada pelo centro para explorar futuras ameaças ao local indentificou um avião colidindo com uma das torres como um cenário possível. Em 1994, seqüestradores de um jato da Air France teriam considerado lançar a aeronave contra a Torre Eiffel. E um plano terrorista descoberto em 1995 envolvendo Ramzi Youssef, um dos mentores do ataque ao World Trade Center em 1993, e Khalid Sheik Mohammed, o auto-descrito arquiteto do 11/09, pensaram em lançar um avião carregado de explosivos na sede da CIA. No entanto, os ataque de 11/09 transformaram nossas percepções sobre plausibilidade. Cenários terroristas considerados absurdos até 11 de setembro de 2001 se tornaram presumíveis um dia depois; mesmo uma chance de 1% de algo acontecer era motivo suficiente para levar a possibilidade a sério. Esse ambiente sem ceticismo multiplicou os medos públicos e os gastos com segurança. Enquanto isso, terroristas realizaram mais ataques previsíveis de baixa tecnologia em trens de passageiros e metrôs.
2 - Os ataques foram um êxito estratégico da al-Qaeda
Um ataque audacioso e sem precedentes, o 11/09 certamente foi um êxito tático. Mas foi também um erro de cálculo estratégico.
Aos olhos de Osama bin Laden, os Estados Unidos eram uma potência vazia. Apesar da aparente força militar da nação, na sua visão, os americanos não tinham estômago para derrotas, e um ataque terrorista devastador no território dos EUA levaria os americanos a saírem do Oriente Médio. Em sua fatwa de 1996 declarando guerra aos EUA, Bin Laden mencionou que os EUA retirou suas forças do Líbano depois do ataque de 1983 ao quartel da Marinha em Beirute. E em 1993, após 18 soldados terem sido mortos em um único dia em Mogadíscio num ataque pelo qual a al-Qaeda reivindicou crédito, os Estados Unidos apressadamente saíram da Somália.
Muitos dos comandantes da al-Qaeda descordaram, prevendo que um raivoso país concentraria sua fúria no grupo terrorista e em seus aliados, mas Bin Laden seguiu adiante. Quando os EUA fizeram exatamente o que os outros temiam, Bin Laden mudou o disco, afirmando que ele sempre teve a intenção de provocar os EUA a entrar em uma guerra que galvanizaria todo o Islã contra ela. Isso também não aconteceu.
3 -Washington exagerou na reação
Na década depois do 11 de Setembro, os EUA foram alvo de muito menos ataques terroristas do que qualquer década voltando até os anos 60 - tornando fácil agora ver o 11/09 como um golpe de sorte dos terroristas e a resposta americana como excessiva.
Naquele momento, porém, ninguém sabia quantos outros ataques estavam a caminho. Uma ação imediata era necessária para destruir a iniciativa terrorista responsável pelo 11/09; nenhum governo, republicano ou democrata, poderia ter esperado para ver se os ataque foram uma anomalia. Isso significava melhorar a inteligência, fortalecer a segurança em casa e usando a força militar no exterior - única maneira pela qual os EUA poderiam rapidamente destruir os campos de treinamento da al-Qaeda e interromper planos futuros.
A invasão do Iraque pelos EUA não foi, a rigor, uma reação exagerada ao 11/09. A guerra do Iraque foi uma decisão estratégica do governo Bush de tirar um governo hostil e uma possível ameaça. O fato de que a invasão foi retratada como parte da guerra global ao terrorismo - em um esforço para ganhar apoio político doméstico - não a faz ser isso. Na realidade, a guerra foi um enorme desvio de recursos para os EUA e um incentivo para o recrutamento da al-Qaeda.
4 - Um ataque terrorista nuclear é quase inevitável
Pouco depois dos ataques de 11 de setembro, uma fonte da CIA chamada de Dragonfire disse que terroristas da al-Qaeda tinham contrabandeado armas nucleares para Nova York. A fonte terminou se mostrando enganada, mas nas sombras do 11/09 a capacidade nuclear da al-Qaeda se tornou uma obsessão. Apesar da demonstração da Coreia do Norte de que possuia armas nucleares e do suposto programa de armas nucleares do Irã, em 2008 o então diretor da CIA Michael Hayden identificou a al-Qaeda como a "preocupação nuclear número 1" da agência.
Embora todo mundo concorde que os líderes da al-Qaeda têm aspirações militares, não há evidências de que a organização tenha tido alguma vez qualquer capacidade nuclear. O medo fez da al-Qaeda a maior potência nuclear terrorista, mesmo sem que ela possua sequer uma ogiva. É uma lição sobre como o terrorismo funciona.
5 - As liberdades civis nos EUA foram dizimadas após os ataques
Defensores das liberdades civis temeram, compreensivamente, que o 11/09 levasse a restrições típicas de Estados-policiais sobre as liberdades individuais nos EUA. Ao contrário, a Constituição foi respeitada já que o governo soube traçar um caminho intermediário.
A detenção preventiva de suspeitos de terrorismo, procedimento comum em vários países democráticos, foi rejeitada. O governo prendeu Jose Padilla, um cidadão americano e membro da al-Qaeda, como "combatente inimigo", mas esse caso terminou sendo levado aos tribunais. E esforços domésticos de inteligência foram aprimorados, mas o Congresso rejeitou a ideia de um serviço doméstico de inteligência separado - um MI5 americano.
Ainda assim, autoridades nacionais foram empurrados para a ação preventiva contra o terrorismo em vez de uma abordagem tradicional de aplicação da lei. Às autoridades federais foi garantida maior discrição na abertura de casos relacionados a terrorismo, e o FBI deu início a milhares de investigações. Não é surpreendente que apenas um pequeno percentual tenha resultado em processos. Os ataques de 11/09 levaram sim a uma expansão da autoridade do Executivo, mais notadamente ao passar por cima de procedimentos estabelecidos em 1978 para assegurar que o monitoramento eletrônico fosse autorizado judicialmente. O Congresso em 2008 restaurou a vigilância judicial, mas não de forma tão poderosa quanto antes.
Onde os valores americanos não prevaleceram foi no tratamento de combatentes estrangeiros e suspeitos detidos no exterior que foram mantidos em prisões secretas, mandados para países onde enfrentaram a tortura ou, em alguns casos, submetidos a interrogatórios coercivos equivalentes a tortura nas mãos de americanos.
* Brian Michael Jenkins é assessor do presidente da Rand Corporation e co-editor do livro "The Long Shadow of 9/11: America's Response to Terrorism" e escreveu este artigo para o Washington Post
Fonte: oglobo online
Análise: O mundo após o 11 de setembro-11/09/2011
LIONEL BARBER
DO "FINANCIAL TIMES"
Na manhã de 11 de setembro de 2001, as perspectivas dos Estados Unidos pareciam tão ensolaradas quanto o límpido céu azul sobre o centro de Manhattan. O preço do petróleo cru de Brent estava em US$28 o barril, o governo federal tinha um superávit orçamentário, a economia americana estava dando uma virada (embora de modo imperceptível) após o crash das empresas ponto.com. O país mais poderoso do mundo estava em paz.
Dez anos mais tarde, o preço do petróleo está em torno de US$115 o barril, o déficit orçamentário dos EUA é projetado para chegar a US$1,58 bilhão em 2011, o maior na história do país; a economia continua a enfrentar problemas profundos, após o crash financeiro de 2008; e os serviços militar e de inteligência americanos continuam em guerra, lutando contra insurgências e terrorismo islâmico radical, desde o Afeganistão e o Paquistão até o Níger e o Iêmen.
O almirante William Mullen, presidente do Estado-Maior Conjunto e prestes a deixar o cargo, descreveu a dívida nacional como a maior ameaça à segurança nacional dos EUA. O rebaixamento recente da classificação de crédito dos EUA, feito pela agência Standard & Poor's, parece confirmar o escorregar constante para baixo da superpotência. E, embora não exista narrativa linear conectando os ataques de setembro de 2001 à difícil situação econômica atual dos Estados Unidos, o custo da "guerra global ao terror" que se seguiu aos ataques que, já computada a inflação, chega a mais de US$ 2 trilhões já equivale a duas vezes o custo da Guerra do Vietnã.
A resposta do presidente George W. Bush ao ataque às torres gêmeas e ao Pentágono foi lançar duas guerras, contra o Afeganistão e o Iraque _um unilateralismo beligerante às expensas das alianças e das leis internacionais, e uma promoção quase evangélica da democracia liberal no Oriente Médio. As políticas intransigentes de sua administração fraturaram alianças na Europa e desencadearam uma queda acentuada na consideração em que a América é tida no exterior.
Do lado positivo dessa contabilidade, a América escapou até agora de outro ataque terrorista em seu próprio solo. Outros países não foram igualmente afortunados. As explosões de bombas em Bali (2002), Madri (2005) e Londres (2005) não foram em escala comparável ao 11 de setembro, mas fizeram várias centenas de vítimas. A Al Qaeda sofreu derrotas, mas não está inteiramente nocauteada.
Dezenas de CDs de computador recuperados no esconderijo de Osama bin Laden em Abbottabad, no Paquistão, sugerem que o líder da Al Qaeda, morto em maio deste ano em um ataque ousado de comandos da marinha americana, estava planejando outro ultraje espetacular, possivelmente para coincidir com o aniversário do 11 de setembro, neste fim de semana.
Ademais, o despertar árabe deste ano jogou por terra a ideia de que o Oriente Médio com a exceção de Israel seja congenitamente incapaz de aderir à democracia. Um a um, os autocratas da região, desde Zine el-Abidine Ben Ali, na Tunísia, até Hosni Mubarak, no Egito, vêm sendo derrubados por manifestantes que reivindicam dignidade, liberdade e empregos.
É verdade que a queda de Muammar Gaddafi, na Líbia, foi precipitada por rebeliões armadas que contaram com a ajuda de aviões de guerra da Otan; mas o presidente Bashar al-Assad, da Síria, pode tornar-se o próximo líder a sentir na nuca o sopro quente das ruas árabes.
A questão é se o muito vilipendiado Bush estava certo ao argumentar que o status quo autocrático no Oriente Médio gerava uma incubadora de terrorismo radical islâmico, representando, consequentemente, um perigo real e imediato aos Estados Unidos. Se a resposta for "sim", então as falhas de sua administração se deveram menos a um diagnóstico falho, e mais a questões de execução.
Uma segunda pergunta relacionada é se a resposta militar da administração ao 11 de setembro representou um desvio caro e desproporcional de atenção e recursos, em um momento em que a forma do mundo estava sendo modificada pela ascensão de atores novos e poderosos, mais especialmente a China.
No período que se seguiu ao ataque às torres gêmeas, um alinhamento geopolítico comparável aos de 1815, 1945 ou 1989 pareceu estar tomando forma. Os EUA formou uma coalizão contra o terrorismo, coalizão que incluiu rivais como Rússia e China, além de países que no passado haviam sido vistos como párias, como Cuba, Irã e Sudão.
A resposta militar foi igualmente eficaz. Tendo identificado os responsáveis pelos ataques, os EUA montaram uma campanha improvisada e brilhante para derrubar o Taleban no Afeganistão. Forças especiais americanas se uniram a senhores de guerra e usaram poderio aéreo avassalador para quebrar o regime de Cabul em questão de semanas.
Embora os líderes especialmente o mulá Omar e Bin Laden tenham escapado, a rede Al Qaeda foi atacada e enfraquecida de modo implacável.
Em um ano os EUA tinham perdido a superioridade moral. O erro de Bush foi deixar claro que a mudança de regime no Iraque era apenas um passo no combate ao que ele descreveu como um "eixo do mal" que incluía o Irã, a Coreia do Norte e potencialmente outros adversários suspeitos de abrigarem ou darem apoio a terroristas. Da noite para o dia, os EUA passaram a ser retratados como país fora-da-lei.
Provocou receios a divulgação, em 2002, de uma doutrina revista de segurança nacional que rejeitava os conceitos de contenção e dissuasão da Guerra Fria. No lugar deles era proposta uma estratégia "voltada para frente" de ação militar preventiva, mudanças de regime e um novo tipo de guerra que avalizava a tortura e negava aos suspeitos de terrorismo os direitos previstos na Convenção de Genebra.
Assim a Guerra do Iraque foi travada sem o apoio de aliados tradicionais como Canadá, França e Alemanha, sem o apoio do Conselho de Segurança da ONU e sem provas conclusivas de que Saddam Hussein possuísse armas de destruição em massa que representassem uma ameaça imediata aos Estados Unidos. Quanto a aliados, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, dava cobertura política leal, apesar de o secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, ter declarado em tom de pouco caso que as forças do Reino Unido eram redundantes, em termos militares.
A Otan, que pela primeira vez havia evocado seu artigo 5 para convocar todos seus membros à defesa coletiva, foi igualmente deixada em segundo plano. O lema de Washington era "a missão determina a coalizão". Mas alianças seletivas funcionam nos dois sentidos. Até o final da década, aliados europeus estavam recorrendo a artifícios para optar por não participar de operações militares no Afeganistão, Iraque e Líbia. Foi a razão pela qual o secretário de Defesa dos EUA Bob Gates, antes de deixar o cargo este ano, avisou que a Otan estava rapidamente se tornando irrelevante.
Também a Europa emergiu diminuída _e não apenas durante o conflito líbio, em que a Alemanha optou por não participar, quanto Reino Unido e França começaram a ver suas munições se esgotarem em questão de semanas. No início do novo século, fortes com o sucesso do lançamento de uma nova união monetária, os líderes da Europa acordaram planos para fazer da União Europeia a zona econômica mais competitiva do mundo. Vista em retrospectiva, a muito falada agenda de Lisboa marcou uma cúpula de ambições coincidindo com o estouro da bolha ponto.com.
Dez anos depois, o próprio desenho original da união monetária europeia mostrou ser fundamentalmente falho. Os mecanismos de implementação de disciplina orçamentária foram ignorados pelos países membros grandes e pequenos, incluindo a Alemanha; economias periféricas na Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha, que cresceram graças aos juros baixos, foram expostas como sendo pouco competitivas. O contágio nos mercados de títulos agora ameaça espalhar-se para a Itália, um membro "central" da zona do euro.
No segundo mandato de Bush, o discurso abrasivo deu lugar a uma abordagem mais moderada. Como força de ocupação no Afeganistão e Iraque, os EUA foram sugados para dentro do processo de construção nacional que Rumsfeld tinha criticado. Em uma confusão semelhante, o presidente Barack Obama e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, declararam que uma ou as duas dessas missões eram militarmente vitais, mas então agiram como se fossem discricionárias, determinando um cronograma (político) para a retirada de suas tropas.
Os contadores vão avaliar em perto de US$2 trilhões a conta coletiva das guerras no Afeganistão e Iraque, em termos já ajustados para a inflação; mas Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial e ex-vice-secretário de Estado dos EUA, argumenta que um país tão rico quanto os Estados Unidos pode arcar com esse custo.
Em 1948, diz Zoellick, o PIB per capita nos EUA era um quarto do que é hoje. No entanto, os americanos apoiaram prontamente a doutrina do presidente Truman para escorar as democracias na Europa e combater o comunismo em todo o mundo, ao custo de bilhões de dólares.
Se as sementes da transformação democrática vão ou não deitar raízes no Iraque é algo mais discutível. O muito elogiado "aumento forte e repentino" das tropas americanas no país salvou o Iraque do caos e da possível dissolução, mas as relações entre os grupos étnicos do país curdos, sunitas e a maioria xiita continuam precárias.
É possível afirmar que a deposição de Saddam Hussein permitiu que o Irã se tornasse a potência regional dominante, exercendo influência através do governo xiita em Bagdá. Enquanto isso, as ambições nucleares de Teerã continuam irrefreadas.
E o 11 de setembro não consolidou os esforços para fazer frente a outra ameaça séria à estabilidade regional, uma ameaça que ainda não foi resolvida: o conflito israelo-palestino.
Nem Bush, nem Obama conseguiram romper o impasse em torno dos territórios ocupados da Faixa de Gaza e Cisjordânia, além do status de Israel. Sucessivos primeiros-ministros israelenses, desde Ariel Sharon até Benjamin Netanyahu, vêm usando a guerra ao terror em proveito próprio, argumentando que concessões prejudicam a segurança de Israel e que entidades como o Hamas que ganhou as eleições na Faixa de Gaza em 2005, sem dificuldade são terroristas fazendo-se passar por representantes legítimos dos palestinos.
A despeito do foco sobre o combate ao terrorismo, os EUA ainda estavam alertas para as tendências geopolíticas mais amplas. O avanço mais importante se deu entre os EUA e a Índia, com a assinatura, em 2008, do acordo "123" de cooperação nuclear civil. A nova parceria estratégica entre Washington e Nova Déli não apenas oferece um contrapeso à ascensão da China, como também ao Paquistão, o aliado de longa data mas cada vez mais impossível de controlar que os EUA têm no sul da Ásia, também dotado de armas nucleares.
Contrastando com tudo isso, as relações sino-americanas equivalem a pouco mais que uma convivência intranquila. Pequim vê Washington, na melhor das hipóteses, como "nem amigo nem inimigo", e os EUA tomarem consciência com atraso do desafio lançado pela China a sua hegemonia no Pacífico. Pequim vem aplicando pressão a contragosto a seu vizinho nuclear norte-coreano, mas o fervor nacionalista faz com que a liderança continue neurálgica em relação ao Taiwan e agudamente sensível a disputas territoriais com o Japão, Coreia do Sul e Vietnã.
No final, o fato geopolítico mais importante dos últimos dez anos se deu não no campo de batalha, mas no sistema financeiro. A crise global dos bancos foi fruto de regulamentação falha e incentivos perversos aos bancos para que vendessem hipotecas a americanos pobres que não tinham meios de saldar esses financiamentos, e, também, da alavancagem gigantesca no sistema financeiro.
Essas distorções foram criadas em parte pelos desequilíbrios globais movidos pelo fato de americanos viverem com crédito barato e exportadores e poupadores chineses contribuírem para um enorme superávit de conta corrente.
Até o Grande Crash de 2008, esse carrossel financeiro continuava girando sempre, acontecesse o que acontecesse. Graças aos baixos custos da mão-de-obra, a China exportou deflação para o resto do mundo. A China financiou o déficit de conta corrente dos EUA ao reciclar seu próprio superávit em títulos do Tesouro americano. Hoje, três anos depois de iniciada a crise financeira, a economia mundial foi posta de ponta-cabeça. Os EUA estão enfraquecidos, a Europa foi jogada de escanteio e a Ásia se encontra em ascensão, por enquanto.
Considere a tendência histórica mais ampla. A participação da Ásia na economia global, em termos da paridade do poder de compra, vem subindo constantemente, passando de 8% em 1980 para 24% no ano passado. Vistos como um todo, os mercados acionários asiáticos hoje respondem por 31% da capitalização de mercado global, à frente da Europa, com 25%, e quase iguais aos EUA, com 32%. No ano passado a China superou a Alemanha, tornando-se a maior exportadora do mundo. Hoje os bancos chineses estão entre os maiores do mundo, em termos de capitalização de mercado.
Os números relativos às importações são igualmente reveladores: o mundo em desenvolvimento está se tornando um motor da economia global. Desde o consumo de cimento até o de ovos, a China lidera o mundo, e ela acaba de superar os EUA, tornando-se o maior mercado mundial de carros.
O apetite voraz da China por commodities está criando novas rotas comerciais, especialmente com potências emergentes como o Brasil. No ano passado a China superou os EUA como maior parceira comercial do Brasil. A América Latina, região que no passado era conhecida principalmente pela instabilidade, emergiu da crise praticamente ilesa. A pobreza vem diminuindo, as classes médias estão crescendo e os mercados de ativos estão a todo vapor.
Condoleezza Rice, que foi assessora de segurança nacional e secretária de Estado de Bush, certa vez descreveu a multipolaridade como uma teoria de rivalidade, um mal necessário. Em termos econômicos, a multipolaridade anuncia uma nova ordem em que a interdependência é a norma, e os EUA, embora ainda sejam avassaladoramente grandes, já não ocupam o papel de potência hegemônica.
Quanto ao legado do 11 de setembro, Gerard Lyons, economista chefe do Standard Chartered Bank, diz que as três palavras mais importantes nos últimos dez anos não foram "guerra ao terror", mas "made in China". Se as tendências atuais se mantiverem, ele acrescenta, as três palavras mais importantes da década atual serão "propriedade da China".
TRADUÇÃO DE CLARA ALLAIN
Fonte: folha online
DO "FINANCIAL TIMES"
Na manhã de 11 de setembro de 2001, as perspectivas dos Estados Unidos pareciam tão ensolaradas quanto o límpido céu azul sobre o centro de Manhattan. O preço do petróleo cru de Brent estava em US$28 o barril, o governo federal tinha um superávit orçamentário, a economia americana estava dando uma virada (embora de modo imperceptível) após o crash das empresas ponto.com. O país mais poderoso do mundo estava em paz.
Dez anos mais tarde, o preço do petróleo está em torno de US$115 o barril, o déficit orçamentário dos EUA é projetado para chegar a US$1,58 bilhão em 2011, o maior na história do país; a economia continua a enfrentar problemas profundos, após o crash financeiro de 2008; e os serviços militar e de inteligência americanos continuam em guerra, lutando contra insurgências e terrorismo islâmico radical, desde o Afeganistão e o Paquistão até o Níger e o Iêmen.
O almirante William Mullen, presidente do Estado-Maior Conjunto e prestes a deixar o cargo, descreveu a dívida nacional como a maior ameaça à segurança nacional dos EUA. O rebaixamento recente da classificação de crédito dos EUA, feito pela agência Standard & Poor's, parece confirmar o escorregar constante para baixo da superpotência. E, embora não exista narrativa linear conectando os ataques de setembro de 2001 à difícil situação econômica atual dos Estados Unidos, o custo da "guerra global ao terror" que se seguiu aos ataques que, já computada a inflação, chega a mais de US$ 2 trilhões já equivale a duas vezes o custo da Guerra do Vietnã.
A resposta do presidente George W. Bush ao ataque às torres gêmeas e ao Pentágono foi lançar duas guerras, contra o Afeganistão e o Iraque _um unilateralismo beligerante às expensas das alianças e das leis internacionais, e uma promoção quase evangélica da democracia liberal no Oriente Médio. As políticas intransigentes de sua administração fraturaram alianças na Europa e desencadearam uma queda acentuada na consideração em que a América é tida no exterior.
Do lado positivo dessa contabilidade, a América escapou até agora de outro ataque terrorista em seu próprio solo. Outros países não foram igualmente afortunados. As explosões de bombas em Bali (2002), Madri (2005) e Londres (2005) não foram em escala comparável ao 11 de setembro, mas fizeram várias centenas de vítimas. A Al Qaeda sofreu derrotas, mas não está inteiramente nocauteada.
Dezenas de CDs de computador recuperados no esconderijo de Osama bin Laden em Abbottabad, no Paquistão, sugerem que o líder da Al Qaeda, morto em maio deste ano em um ataque ousado de comandos da marinha americana, estava planejando outro ultraje espetacular, possivelmente para coincidir com o aniversário do 11 de setembro, neste fim de semana.
Ademais, o despertar árabe deste ano jogou por terra a ideia de que o Oriente Médio com a exceção de Israel seja congenitamente incapaz de aderir à democracia. Um a um, os autocratas da região, desde Zine el-Abidine Ben Ali, na Tunísia, até Hosni Mubarak, no Egito, vêm sendo derrubados por manifestantes que reivindicam dignidade, liberdade e empregos.
É verdade que a queda de Muammar Gaddafi, na Líbia, foi precipitada por rebeliões armadas que contaram com a ajuda de aviões de guerra da Otan; mas o presidente Bashar al-Assad, da Síria, pode tornar-se o próximo líder a sentir na nuca o sopro quente das ruas árabes.
A questão é se o muito vilipendiado Bush estava certo ao argumentar que o status quo autocrático no Oriente Médio gerava uma incubadora de terrorismo radical islâmico, representando, consequentemente, um perigo real e imediato aos Estados Unidos. Se a resposta for "sim", então as falhas de sua administração se deveram menos a um diagnóstico falho, e mais a questões de execução.
Uma segunda pergunta relacionada é se a resposta militar da administração ao 11 de setembro representou um desvio caro e desproporcional de atenção e recursos, em um momento em que a forma do mundo estava sendo modificada pela ascensão de atores novos e poderosos, mais especialmente a China.
No período que se seguiu ao ataque às torres gêmeas, um alinhamento geopolítico comparável aos de 1815, 1945 ou 1989 pareceu estar tomando forma. Os EUA formou uma coalizão contra o terrorismo, coalizão que incluiu rivais como Rússia e China, além de países que no passado haviam sido vistos como párias, como Cuba, Irã e Sudão.
A resposta militar foi igualmente eficaz. Tendo identificado os responsáveis pelos ataques, os EUA montaram uma campanha improvisada e brilhante para derrubar o Taleban no Afeganistão. Forças especiais americanas se uniram a senhores de guerra e usaram poderio aéreo avassalador para quebrar o regime de Cabul em questão de semanas.
Embora os líderes especialmente o mulá Omar e Bin Laden tenham escapado, a rede Al Qaeda foi atacada e enfraquecida de modo implacável.
Em um ano os EUA tinham perdido a superioridade moral. O erro de Bush foi deixar claro que a mudança de regime no Iraque era apenas um passo no combate ao que ele descreveu como um "eixo do mal" que incluía o Irã, a Coreia do Norte e potencialmente outros adversários suspeitos de abrigarem ou darem apoio a terroristas. Da noite para o dia, os EUA passaram a ser retratados como país fora-da-lei.
Provocou receios a divulgação, em 2002, de uma doutrina revista de segurança nacional que rejeitava os conceitos de contenção e dissuasão da Guerra Fria. No lugar deles era proposta uma estratégia "voltada para frente" de ação militar preventiva, mudanças de regime e um novo tipo de guerra que avalizava a tortura e negava aos suspeitos de terrorismo os direitos previstos na Convenção de Genebra.
Assim a Guerra do Iraque foi travada sem o apoio de aliados tradicionais como Canadá, França e Alemanha, sem o apoio do Conselho de Segurança da ONU e sem provas conclusivas de que Saddam Hussein possuísse armas de destruição em massa que representassem uma ameaça imediata aos Estados Unidos. Quanto a aliados, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, dava cobertura política leal, apesar de o secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, ter declarado em tom de pouco caso que as forças do Reino Unido eram redundantes, em termos militares.
A Otan, que pela primeira vez havia evocado seu artigo 5 para convocar todos seus membros à defesa coletiva, foi igualmente deixada em segundo plano. O lema de Washington era "a missão determina a coalizão". Mas alianças seletivas funcionam nos dois sentidos. Até o final da década, aliados europeus estavam recorrendo a artifícios para optar por não participar de operações militares no Afeganistão, Iraque e Líbia. Foi a razão pela qual o secretário de Defesa dos EUA Bob Gates, antes de deixar o cargo este ano, avisou que a Otan estava rapidamente se tornando irrelevante.
Também a Europa emergiu diminuída _e não apenas durante o conflito líbio, em que a Alemanha optou por não participar, quanto Reino Unido e França começaram a ver suas munições se esgotarem em questão de semanas. No início do novo século, fortes com o sucesso do lançamento de uma nova união monetária, os líderes da Europa acordaram planos para fazer da União Europeia a zona econômica mais competitiva do mundo. Vista em retrospectiva, a muito falada agenda de Lisboa marcou uma cúpula de ambições coincidindo com o estouro da bolha ponto.com.
Dez anos depois, o próprio desenho original da união monetária europeia mostrou ser fundamentalmente falho. Os mecanismos de implementação de disciplina orçamentária foram ignorados pelos países membros grandes e pequenos, incluindo a Alemanha; economias periféricas na Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha, que cresceram graças aos juros baixos, foram expostas como sendo pouco competitivas. O contágio nos mercados de títulos agora ameaça espalhar-se para a Itália, um membro "central" da zona do euro.
No segundo mandato de Bush, o discurso abrasivo deu lugar a uma abordagem mais moderada. Como força de ocupação no Afeganistão e Iraque, os EUA foram sugados para dentro do processo de construção nacional que Rumsfeld tinha criticado. Em uma confusão semelhante, o presidente Barack Obama e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, declararam que uma ou as duas dessas missões eram militarmente vitais, mas então agiram como se fossem discricionárias, determinando um cronograma (político) para a retirada de suas tropas.
Os contadores vão avaliar em perto de US$2 trilhões a conta coletiva das guerras no Afeganistão e Iraque, em termos já ajustados para a inflação; mas Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial e ex-vice-secretário de Estado dos EUA, argumenta que um país tão rico quanto os Estados Unidos pode arcar com esse custo.
Em 1948, diz Zoellick, o PIB per capita nos EUA era um quarto do que é hoje. No entanto, os americanos apoiaram prontamente a doutrina do presidente Truman para escorar as democracias na Europa e combater o comunismo em todo o mundo, ao custo de bilhões de dólares.
Se as sementes da transformação democrática vão ou não deitar raízes no Iraque é algo mais discutível. O muito elogiado "aumento forte e repentino" das tropas americanas no país salvou o Iraque do caos e da possível dissolução, mas as relações entre os grupos étnicos do país curdos, sunitas e a maioria xiita continuam precárias.
É possível afirmar que a deposição de Saddam Hussein permitiu que o Irã se tornasse a potência regional dominante, exercendo influência através do governo xiita em Bagdá. Enquanto isso, as ambições nucleares de Teerã continuam irrefreadas.
E o 11 de setembro não consolidou os esforços para fazer frente a outra ameaça séria à estabilidade regional, uma ameaça que ainda não foi resolvida: o conflito israelo-palestino.
Nem Bush, nem Obama conseguiram romper o impasse em torno dos territórios ocupados da Faixa de Gaza e Cisjordânia, além do status de Israel. Sucessivos primeiros-ministros israelenses, desde Ariel Sharon até Benjamin Netanyahu, vêm usando a guerra ao terror em proveito próprio, argumentando que concessões prejudicam a segurança de Israel e que entidades como o Hamas que ganhou as eleições na Faixa de Gaza em 2005, sem dificuldade são terroristas fazendo-se passar por representantes legítimos dos palestinos.
A despeito do foco sobre o combate ao terrorismo, os EUA ainda estavam alertas para as tendências geopolíticas mais amplas. O avanço mais importante se deu entre os EUA e a Índia, com a assinatura, em 2008, do acordo "123" de cooperação nuclear civil. A nova parceria estratégica entre Washington e Nova Déli não apenas oferece um contrapeso à ascensão da China, como também ao Paquistão, o aliado de longa data mas cada vez mais impossível de controlar que os EUA têm no sul da Ásia, também dotado de armas nucleares.
Contrastando com tudo isso, as relações sino-americanas equivalem a pouco mais que uma convivência intranquila. Pequim vê Washington, na melhor das hipóteses, como "nem amigo nem inimigo", e os EUA tomarem consciência com atraso do desafio lançado pela China a sua hegemonia no Pacífico. Pequim vem aplicando pressão a contragosto a seu vizinho nuclear norte-coreano, mas o fervor nacionalista faz com que a liderança continue neurálgica em relação ao Taiwan e agudamente sensível a disputas territoriais com o Japão, Coreia do Sul e Vietnã.
No final, o fato geopolítico mais importante dos últimos dez anos se deu não no campo de batalha, mas no sistema financeiro. A crise global dos bancos foi fruto de regulamentação falha e incentivos perversos aos bancos para que vendessem hipotecas a americanos pobres que não tinham meios de saldar esses financiamentos, e, também, da alavancagem gigantesca no sistema financeiro.
Essas distorções foram criadas em parte pelos desequilíbrios globais movidos pelo fato de americanos viverem com crédito barato e exportadores e poupadores chineses contribuírem para um enorme superávit de conta corrente.
Até o Grande Crash de 2008, esse carrossel financeiro continuava girando sempre, acontecesse o que acontecesse. Graças aos baixos custos da mão-de-obra, a China exportou deflação para o resto do mundo. A China financiou o déficit de conta corrente dos EUA ao reciclar seu próprio superávit em títulos do Tesouro americano. Hoje, três anos depois de iniciada a crise financeira, a economia mundial foi posta de ponta-cabeça. Os EUA estão enfraquecidos, a Europa foi jogada de escanteio e a Ásia se encontra em ascensão, por enquanto.
Considere a tendência histórica mais ampla. A participação da Ásia na economia global, em termos da paridade do poder de compra, vem subindo constantemente, passando de 8% em 1980 para 24% no ano passado. Vistos como um todo, os mercados acionários asiáticos hoje respondem por 31% da capitalização de mercado global, à frente da Europa, com 25%, e quase iguais aos EUA, com 32%. No ano passado a China superou a Alemanha, tornando-se a maior exportadora do mundo. Hoje os bancos chineses estão entre os maiores do mundo, em termos de capitalização de mercado.
Os números relativos às importações são igualmente reveladores: o mundo em desenvolvimento está se tornando um motor da economia global. Desde o consumo de cimento até o de ovos, a China lidera o mundo, e ela acaba de superar os EUA, tornando-se o maior mercado mundial de carros.
O apetite voraz da China por commodities está criando novas rotas comerciais, especialmente com potências emergentes como o Brasil. No ano passado a China superou os EUA como maior parceira comercial do Brasil. A América Latina, região que no passado era conhecida principalmente pela instabilidade, emergiu da crise praticamente ilesa. A pobreza vem diminuindo, as classes médias estão crescendo e os mercados de ativos estão a todo vapor.
Condoleezza Rice, que foi assessora de segurança nacional e secretária de Estado de Bush, certa vez descreveu a multipolaridade como uma teoria de rivalidade, um mal necessário. Em termos econômicos, a multipolaridade anuncia uma nova ordem em que a interdependência é a norma, e os EUA, embora ainda sejam avassaladoramente grandes, já não ocupam o papel de potência hegemônica.
Quanto ao legado do 11 de setembro, Gerard Lyons, economista chefe do Standard Chartered Bank, diz que as três palavras mais importantes nos últimos dez anos não foram "guerra ao terror", mas "made in China". Se as tendências atuais se mantiverem, ele acrescenta, as três palavras mais importantes da década atual serão "propriedade da China".
TRADUÇÃO DE CLARA ALLAIN
Fonte: folha online
Militares dos EUA enfrentam melhor o terrorismo, mas treinam menos para guerra convencional-05/09/2011
WASHINGTON - Os ataques do 11 de Setembro transformaram o Pentágono ao causar estragos no seu simbólico edifício e criar as condições para duas guerras longas e custosas que reordenaram a forma de combate das Forças Armadas americanas.
Em comparação a dez anos atrás, o Exército hoje é maior, está mais ligado à CIA, mais acostumado a enfrentar terroristas e é mais respeitado pela opinião pública americana. Mas seus membros também estão cada vez mais cansados da guerra, se suicidam num ritmo alarmante e treinam menos para a guerra convencional.
A parte destruída do Pentágono foi recuperada com notável rapidez, depois que o Boeing 757 da American Airlines sequestrado se chocou contra sua ala oeste, o que provocou um incêndio no edifício e a morte de 184 pessoas. Mas se recuperar da tensão de combater no Iraque e no Afeganistão tomará muito mais tempo, possivelmente décadas.
Os líderes do Pentágono terão que se adaptar a uma nova era de austeridade depois de uma década em que o orçamento da defesa dobrou até chegar a cerca de US$ 700 bilhões este ano.
O Exército e a Infantaria da Marinha em particular, ambos comprometidos no Afeganistão, terão que lutar para voltar a treinar, armar e revitalizar suas forças a medida que os orçamentos começam a encolher. E os próprios soldados se deparam com um futuro incerto; muitos estão marcados pela depressão mental decorrente da batalha e alguns enfrentam a transição para a vida civil num momento de crise econômica e desemprego alto. O custo da atenção aos veteranos será mais alto.
Como colocou Robert Gates pouco antes de sua renúncia do cargo de secretário de Defesa há alguns meses, a paz trará seus próprios problemas.
O problema não era a paz em 11 de setembro de 2001. Naquele momento, os militares se concentravam quase que exclusivamente em ameaças externas. As defesas aéreas vigiavam os aviões e mísseis que poderiam atacar de longe; se prestava pouca atenção à possibilidade de que terroristas sequestrassem aviões de passageiros para usá-los como mísseis. Isso mudou com a criação do Comando Norte dos EUA, em 2002, que agora compartilha com o Departamento de Segurança Nacional a responsabilidade de defender o território americano.
O terrorismo não era um desafio novo em 2001, mas a escala dos atentados do 11 de Setembro provocou uma mudança na mentalidade, da defesa ao ataque. Os EUA invadiram o Afeganistão em 7 de outubro numa campanha militar não convencional coordenada juntamente com a CIA. Esse foi o prelúdio de um dos mais profundos efeitos do 11 de Setembro: uma mudança de ênfase, nas Forças Armadas, da luta convencional, em que um exército combate outro, às caçadas de obscuros terroristas, mais secretas e impulsionadas pelos serviços de inteligência. Essa mudança foi importante, mas ocorreu gradualmente, enquanto os serviços militares se aferravam às suas formas de guerra fria.
Até hoje se debate como os talibãs - que haviam protegido Osama Bin Laden e outras figuras da al-Qaeda antes da invasão dos EUA e foram expulsos de Kabul em questão de semanas - conseguiram se recuperar depois, quando os EUA desviaram seu principal foco de atenção para o Iraque, em 2003. O revés no Afeganistão, junto com a luta mais longa do que o esperado no Iraque, mostrou os limites do poder militar americano depois do 11 de Setembro.
Também ressaltou uma das outras lições-chave na última década de guerras: é preciso mais que o músculo militar para se estabelecer a paz. Se requer que o Departamento de Estado, com seu pequeno exército de diplomatas e especialistas em desenvolvimento, junto com outras agências governamentais, colaborem com o Pentágono.
As forças militares aumentaram na última década, mas o crescimento foi desigual. O Exército passou de cerca de 480 mil membros em 2001 para 572 mil este ano. O número de fuzileiros navais passou de 172 mil para 200 mil. A Força Aérea e a Marinha, por outro lado, tiveram suas tropas reduzidas. A Força Aérea perdeu cerca de 20 mil postos desde 2001 e, a Marinha, aproximadamente 50 mil.
Em termos percentuais, o maior crescimento nas Forças Armadas foi nas unidades de elite, secretas, conhecidas como forças de operações especiais. Elas aumentaram vertiginosamente até alcançar a vanguarda da campanha contra o terrorismo dos militares americanos quase imediatamente depois dos atentados de 11 de Setembro. Ajudaram a derrotar os talibãs no fim de 2001 e, em maio de 2011, coroaram seu trabalho com a incursão da equipe Seal, da Marinha, que matou o líder da al-Qaeda, Osama bin Laden, em seu complexo no Paquistão. E, apesar de o alcance global da al-Qaeda ter diminuído, é provável o crescente papel das forças de operações especiais continue.
- Essa é a mudança mais interessante e importante que, provavelmente, durará - afirmou, em uma entrevista, Michael O'Hanlon, analisa de defesa da Instituição Brookings. - Não escutei muitas pessoas sugerindo que podemos ser reduzidos de novo.
Os fuzileiros, que nunca antes tinham acolhido forças desse tipo, agora tem 2.600 homens sob o Comando de Operações Especiais dos EUA. As outras unidades no comando incluem os Seal, os boina verdes e as tropas de assalto do Exército e os operadores especiais da Força Aérea.
Ao todo, essas forças de operações especiais aumentaram de 45.600 em 2001 a 61.000 hoje, segundo o Comando de Operações Especiais.
Uma década de guerras também produziu suas estrelas militares. O general do Exército David Petraeus serviu três vezes no comando do Iraque e uma vez no Afeganistão antes de aceitar a oferta do presidente Barack Obama para suceder Leon Panetta como o próximo diretor da CIA.
O ex-comandante do Exército no Iraque, general Raymond Odierno, está a ponto de se converter no principal general do Exército, e o atual chefe do Exército, o general Martin Dempsey, que serviu duas vezes no Iraque, deve substituir o almirante da Marinha Mike Mullen como o próximo presidente do Estado Maior Conjunto.
As Forças Armadas, em seu conjunto, são vistas mais favoravelmente pela opinião pública americana. Uma pesquisa do Gallup em junho revelou que o Exército é a instituição nacional mais respeitada: 78% dos entrevistados expressaram uma grande confiança na força. Isso representa 11 pontos acima da média histórica do Gallup, que remonta à década de 70.
A nova estrela tecnológica é o avião teledirigido tipo "drone", como os "Predator", que vigiam o campo de batalha e disparam mísseis contra alvos selecionados. Sua popularidade deu lugar a um esforço para o uso de aviões não tripulados para realizar outras missões, como um bombardeio de longo alcance e o uso de helicópteros de carga pesada.
FONTE: OGLOBO ONLINE
Em comparação a dez anos atrás, o Exército hoje é maior, está mais ligado à CIA, mais acostumado a enfrentar terroristas e é mais respeitado pela opinião pública americana. Mas seus membros também estão cada vez mais cansados da guerra, se suicidam num ritmo alarmante e treinam menos para a guerra convencional.
A parte destruída do Pentágono foi recuperada com notável rapidez, depois que o Boeing 757 da American Airlines sequestrado se chocou contra sua ala oeste, o que provocou um incêndio no edifício e a morte de 184 pessoas. Mas se recuperar da tensão de combater no Iraque e no Afeganistão tomará muito mais tempo, possivelmente décadas.
Os líderes do Pentágono terão que se adaptar a uma nova era de austeridade depois de uma década em que o orçamento da defesa dobrou até chegar a cerca de US$ 700 bilhões este ano.
O Exército e a Infantaria da Marinha em particular, ambos comprometidos no Afeganistão, terão que lutar para voltar a treinar, armar e revitalizar suas forças a medida que os orçamentos começam a encolher. E os próprios soldados se deparam com um futuro incerto; muitos estão marcados pela depressão mental decorrente da batalha e alguns enfrentam a transição para a vida civil num momento de crise econômica e desemprego alto. O custo da atenção aos veteranos será mais alto.
Como colocou Robert Gates pouco antes de sua renúncia do cargo de secretário de Defesa há alguns meses, a paz trará seus próprios problemas.
O problema não era a paz em 11 de setembro de 2001. Naquele momento, os militares se concentravam quase que exclusivamente em ameaças externas. As defesas aéreas vigiavam os aviões e mísseis que poderiam atacar de longe; se prestava pouca atenção à possibilidade de que terroristas sequestrassem aviões de passageiros para usá-los como mísseis. Isso mudou com a criação do Comando Norte dos EUA, em 2002, que agora compartilha com o Departamento de Segurança Nacional a responsabilidade de defender o território americano.
O terrorismo não era um desafio novo em 2001, mas a escala dos atentados do 11 de Setembro provocou uma mudança na mentalidade, da defesa ao ataque. Os EUA invadiram o Afeganistão em 7 de outubro numa campanha militar não convencional coordenada juntamente com a CIA. Esse foi o prelúdio de um dos mais profundos efeitos do 11 de Setembro: uma mudança de ênfase, nas Forças Armadas, da luta convencional, em que um exército combate outro, às caçadas de obscuros terroristas, mais secretas e impulsionadas pelos serviços de inteligência. Essa mudança foi importante, mas ocorreu gradualmente, enquanto os serviços militares se aferravam às suas formas de guerra fria.
Até hoje se debate como os talibãs - que haviam protegido Osama Bin Laden e outras figuras da al-Qaeda antes da invasão dos EUA e foram expulsos de Kabul em questão de semanas - conseguiram se recuperar depois, quando os EUA desviaram seu principal foco de atenção para o Iraque, em 2003. O revés no Afeganistão, junto com a luta mais longa do que o esperado no Iraque, mostrou os limites do poder militar americano depois do 11 de Setembro.
Também ressaltou uma das outras lições-chave na última década de guerras: é preciso mais que o músculo militar para se estabelecer a paz. Se requer que o Departamento de Estado, com seu pequeno exército de diplomatas e especialistas em desenvolvimento, junto com outras agências governamentais, colaborem com o Pentágono.
As forças militares aumentaram na última década, mas o crescimento foi desigual. O Exército passou de cerca de 480 mil membros em 2001 para 572 mil este ano. O número de fuzileiros navais passou de 172 mil para 200 mil. A Força Aérea e a Marinha, por outro lado, tiveram suas tropas reduzidas. A Força Aérea perdeu cerca de 20 mil postos desde 2001 e, a Marinha, aproximadamente 50 mil.
Em termos percentuais, o maior crescimento nas Forças Armadas foi nas unidades de elite, secretas, conhecidas como forças de operações especiais. Elas aumentaram vertiginosamente até alcançar a vanguarda da campanha contra o terrorismo dos militares americanos quase imediatamente depois dos atentados de 11 de Setembro. Ajudaram a derrotar os talibãs no fim de 2001 e, em maio de 2011, coroaram seu trabalho com a incursão da equipe Seal, da Marinha, que matou o líder da al-Qaeda, Osama bin Laden, em seu complexo no Paquistão. E, apesar de o alcance global da al-Qaeda ter diminuído, é provável o crescente papel das forças de operações especiais continue.
- Essa é a mudança mais interessante e importante que, provavelmente, durará - afirmou, em uma entrevista, Michael O'Hanlon, analisa de defesa da Instituição Brookings. - Não escutei muitas pessoas sugerindo que podemos ser reduzidos de novo.
Os fuzileiros, que nunca antes tinham acolhido forças desse tipo, agora tem 2.600 homens sob o Comando de Operações Especiais dos EUA. As outras unidades no comando incluem os Seal, os boina verdes e as tropas de assalto do Exército e os operadores especiais da Força Aérea.
Ao todo, essas forças de operações especiais aumentaram de 45.600 em 2001 a 61.000 hoje, segundo o Comando de Operações Especiais.
Uma década de guerras também produziu suas estrelas militares. O general do Exército David Petraeus serviu três vezes no comando do Iraque e uma vez no Afeganistão antes de aceitar a oferta do presidente Barack Obama para suceder Leon Panetta como o próximo diretor da CIA.
O ex-comandante do Exército no Iraque, general Raymond Odierno, está a ponto de se converter no principal general do Exército, e o atual chefe do Exército, o general Martin Dempsey, que serviu duas vezes no Iraque, deve substituir o almirante da Marinha Mike Mullen como o próximo presidente do Estado Maior Conjunto.
As Forças Armadas, em seu conjunto, são vistas mais favoravelmente pela opinião pública americana. Uma pesquisa do Gallup em junho revelou que o Exército é a instituição nacional mais respeitada: 78% dos entrevistados expressaram uma grande confiança na força. Isso representa 11 pontos acima da média histórica do Gallup, que remonta à década de 70.
A nova estrela tecnológica é o avião teledirigido tipo "drone", como os "Predator", que vigiam o campo de batalha e disparam mísseis contra alvos selecionados. Sua popularidade deu lugar a um esforço para o uso de aviões não tripulados para realizar outras missões, como um bombardeio de longo alcance e o uso de helicópteros de carga pesada.
FONTE: OGLOBO ONLINE
Em uma década, CIA muda o foco e passa ter matar como meta-05/09/2011
WASHINGTON - Atrás de uma porta não identificada na sede da CIA, a agência montou uma nova unidade de contraterrorismo, cujo trabalho é encontrar alvos ligados à al-Qaeda no Iêmen. Um movimento semelhante estava a caminho na Península Arábica, onde trabalhadores da área de construção estão criando um novo caminho secreto para os aviões não tripulados da CIA. Quando os mísseis começarem a cair, marcarão mais uma expansão da missão paramilitar da CIA.
Na década desde o 11 de Setembro, a agência de inteligência dos EUA passou por uma transformação fundamental. Embora a CIA continue reunindo inteligência e produzindo análises sobre uma vasta quantidade de assuntos, seu foco e seus recursos estão crescentemente centrados no frio objetivo contraterrorista de encontrar alvos para capturar ou matar.
Essa transformação foi gradual o bastante para que sua magnitude seja de difícil compreensão. Ataques de aviões não tripulados que já pareceram impossíveis são tão rotineiros que raramente atraem a atenção do público, a menos que um figurão da al-Qaeda seja morto.
Perto do 10º aniversário dos atentados e da chegada do general David Petraeus à direção da CIA, a extensão da reorientação da agência fica mais nítida:
- O programa de aviões não tripulados matou mais de 2 mil insurgentes e civis desde 2001, uma escalada para uma agência que tem um longo histórico de apoio a forças envolvidas em conflitos sangrentos, mas que raramente puxou o gatilho por conta própria. - O Centro de Contraterrorismo da CIA, que tinha 300 empregados no dia dos atentados, agora ultrapassa a filiação à al-Qaeda ao redor do globo. Com cerca de 2 mil pessoas em sua equipe, o CTC responde por 10% da força de trabalho da agência, tem autoridades em quase todas as regiões significativas do mundo e controla a frota de aviões não tripulados, em expansão.
- Até mesmo o ramo mais analítico da agência, que tradicionalmente atuou para oferecer informações para os formuladores de políticas, foi alistado na caçada. Cerca de 20% dos analistas da CIA são agora "artilheiros" que destrincham dados para recrutar, prender ou posicionar os aviões não tripulados. A tarefa demanda tanto que há cinco anos a CIA criou um plano de carreira para a função, o que significa que analistas podem ser promovidos sem ter que deixar esta função.
Críticos, inclusive membros da comunidade de inteligência dos EUA, afirmam que a adesão da CIA a "operações cinéticas", como são chamadas, desviou a agência de sua tradicional missão de espionagem e abalou sua capacidade de avaliar acontecimentos globais, como a Primavera Árabe.
Organizações de grupos de defesa dos direitos humanos vão além, dizendo que a CIA agora funciona como uma força militar além do controle que os EUA historicamente demandaram de suas Forças Armadas. A CIA não admite oficialmente o programa de aviões não tripulados.
- Estamos vendo a CIA se tornar mais uma organização paramilitar sem supervisão e prestação de contas que tradicioanalmente se espera de militares - disse Hina Shamsi, diretora do Projeto de Segurança Nacional da União Americana de Liberdades Civis.
Fonte;oglobo online
segunda-feira, setembro 12, 2011
Os Heróis (Trailer)
Após o inesquecível 11 de setembro de 2001, o Capitão do Corpo de Bombeiros Nick recebe a missão de falar no funeral de oito dos seus homens que morreram nas torres do World Trade Center. Ele pede a ajuda da jornalista e escritora Joan, que aceitará o desafio de escrever sobre homens comuns que nunca viu, mas que as circunstâncias e as memórias de seu capitão os transformaram em heróis do mais alto escalão para o povo americano. Uma bela história de coragem e honra.
Força Especial (Trailer)
Logo após os ataques de 11 de Setembro, uma equipe da CIA altamente treinada é enviada ao deserto do Afeganistão, uma das mais inabitáveis e isoladas regiões do planeta, com a missão de localizar um influente líder muçulmano. Mas a equipe não imagina que esta missão na verdade esconde um outro objetivo. Sinais radioativos foram captados por um satélite, temendo que a Al-Qaeda tenham adquirido armas nucleares, são conduzidos até as montanhas isoladas do deserto, para identificarem o ponto de energia.Rumores sobre uma maldição passa a assombrar os soldados, coisas estranhas passam a acontecer. A equipe corre perigo! Não conseguem identificar quem é o verdadeiro inimigo.
O 11/9, a Al Qaeda e o Tea Party -10/09/2011
MÓISES NAÍM
COLUNISTA DA FOLHA
As reações norte-americanas ao 11 de Setembro se enquadraram em três categorias gerais: resposta militar, segurança interna e interpretação intelectual.
A primeira levou às guerras do Afeganistão e Iraque e, em termos mais amplos, à guerra mundial contra o terrorismo, enquanto a segunda resultou em um esforço muito grande e dispendioso para fortificar as fronteiras dos Estados Unidos e proteger o território norte-americano contra ataques terroristas.
A terceira tem por foco compreender os motivos do 11 de Setembro e o que precisaria ser feito para controlar as forças que conduziram à ascensão do antiamericanismo islâmico homicida.
"Por que eles nos odeiam?" passou a ser uma pergunta a que muita gente tentou responder nos EUA. Um grande tema que emergiu nos debates posteriores ao 11 de Setembro sobre as causas e soluções para essa nova ameaça foi a necessidade de recrutar e mobilizar "o centro muçulmano": os moderados muçulmanos que poderiam compensar os extremistas fanáticos e violentos que tomaram o islã como refém -a Al Qaeda e seus financiadores.
Essa empreitada continua em curso e ainda não se pode determinar se as revoluções da Primavera Árabe resultarão em coalizões mais radicais e mais hostis ao Ocidente, nos governos do Oriente Médio, ou se surgirá uma nova classe de influentes muçulmanos moderados. Porém, passados dez anos do 11 de Setembro, é aparente que para promover a estabilidade mundial precisaremos que outro grupo de moderados desperte e reconquiste a influência perdida para radicais perigosos.
Refiro-me aos moderados do Partido Republicano nos EUA. Precisamos deles tanto quanto precisamos de líderes islâmicos moderados. Os acontecimentos recentes nos EUA -as negociações quanto ao limite para as dívidas federais- demonstram a urgência de um despertar político de uma variedade menos extremista de republicano.
O que representa maior ameaça à segurança internacional e à estabilidade econômica mundial: um grupo cada vez menor de extremistas islâmicos determinado a impor aos outros uma interpretação grotescamente distorcida de uma grande religião ou um grupo de poderosos políticos norte-americanos que acreditam que Darwin, Keynes e a esmagadora maioria dos cientistas que estudam o clima estão errados? É evidente que precisamos do avanço político dos muçulmanos moderados. Mas precisamos de modo igualmente desesperado de republicanos moderados com o poder para resistir e combater a agenda extremista do pequeno grupo que assumiu o controle de seu partido.
Ambos os grupos -os islâmicos radicais e os republicanos radicais dos EUA- defendem agendas que -como demonstram as pesquisas de opinião- não representam a maioria das comunidades que alegam representar.
Essa é uma história de alcance mundial, que conecta o aniversário do 11 de Setembro, a Al Qaeda e o Tea Party a debates muito importantes e atuais, com consequências para todos nós.
Fonte; folha online
COLUNISTA DA FOLHA
As reações norte-americanas ao 11 de Setembro se enquadraram em três categorias gerais: resposta militar, segurança interna e interpretação intelectual.
A primeira levou às guerras do Afeganistão e Iraque e, em termos mais amplos, à guerra mundial contra o terrorismo, enquanto a segunda resultou em um esforço muito grande e dispendioso para fortificar as fronteiras dos Estados Unidos e proteger o território norte-americano contra ataques terroristas.
A terceira tem por foco compreender os motivos do 11 de Setembro e o que precisaria ser feito para controlar as forças que conduziram à ascensão do antiamericanismo islâmico homicida.
"Por que eles nos odeiam?" passou a ser uma pergunta a que muita gente tentou responder nos EUA. Um grande tema que emergiu nos debates posteriores ao 11 de Setembro sobre as causas e soluções para essa nova ameaça foi a necessidade de recrutar e mobilizar "o centro muçulmano": os moderados muçulmanos que poderiam compensar os extremistas fanáticos e violentos que tomaram o islã como refém -a Al Qaeda e seus financiadores.
Essa empreitada continua em curso e ainda não se pode determinar se as revoluções da Primavera Árabe resultarão em coalizões mais radicais e mais hostis ao Ocidente, nos governos do Oriente Médio, ou se surgirá uma nova classe de influentes muçulmanos moderados. Porém, passados dez anos do 11 de Setembro, é aparente que para promover a estabilidade mundial precisaremos que outro grupo de moderados desperte e reconquiste a influência perdida para radicais perigosos.
Refiro-me aos moderados do Partido Republicano nos EUA. Precisamos deles tanto quanto precisamos de líderes islâmicos moderados. Os acontecimentos recentes nos EUA -as negociações quanto ao limite para as dívidas federais- demonstram a urgência de um despertar político de uma variedade menos extremista de republicano.
O que representa maior ameaça à segurança internacional e à estabilidade econômica mundial: um grupo cada vez menor de extremistas islâmicos determinado a impor aos outros uma interpretação grotescamente distorcida de uma grande religião ou um grupo de poderosos políticos norte-americanos que acreditam que Darwin, Keynes e a esmagadora maioria dos cientistas que estudam o clima estão errados? É evidente que precisamos do avanço político dos muçulmanos moderados. Mas precisamos de modo igualmente desesperado de republicanos moderados com o poder para resistir e combater a agenda extremista do pequeno grupo que assumiu o controle de seu partido.
Ambos os grupos -os islâmicos radicais e os republicanos radicais dos EUA- defendem agendas que -como demonstram as pesquisas de opinião- não representam a maioria das comunidades que alegam representar.
Essa é uma história de alcance mundial, que conecta o aniversário do 11 de Setembro, a Al Qaeda e o Tea Party a debates muito importantes e atuais, com consequências para todos nós.
Fonte; folha online
Reação Colateral (2009) Trailer Oficial Legendado.
Durante o mês de agosto de 2001, um mês antes dos ataques terroristas de 11 de setembro, dois irmãos ambiciosos brigam para manter sua próspera companhia em Wall Street. Tom (Josh Hartnett) e Joshua (Adam Scott) encaram a ameaça de um colapso sem precedentes na área financeira. Tom passa a ter sua vida pessoal afetada pelas dificuldades na empresa e tenta a todo o custo, salvar, não só o seu relacionamento com Sarah (Naomie Harris), mas sua própria companhia, mesmo que isto signifique ir contra os interesses de seu principal investidor, Ogilvie (David Bowie). Toda fortuna tem seu preço e neste caso o valor é extremamente alto.
Confira lista de filmes e DVDs sobre os atentados do 11 de Setembro-10/09/2011
Os atentados ocorridos em 11 de Setembro completam dez anos. O fato marcou a vida de muitas pessoas, e mal a poeira catastrófica baixou, cidadãos dos Estados Unidos e do mundo, cada um a sua maneira, buscaram compreender a dor, homenagear os bravos heróis e eternizar as vítimas.
Até hoje, livros e filmes abordam de diferentes ângulos os três momentos da tragédia. O antes, o durante e o depois. Quais os motivos do ataque? O que fazer enquanto a história mudava? E como seguir adiante com a vida?
Nesta data marcante, a Livraria da Folha selecionou entre livros e DVDs, dez relatos únicos sobre o fatídico dia.
A lista inclui nomes como Noam Chomsky, Michael Moore, Ivan Sant'Anna e Oliver Stone.
Aplaudido pelo público que lotou as salas de cinema em todo mundo e aclamado pela crítica por onde passou, Fahrenheit 11 de Setembro usa o humor e um arquivo de imagens nunca antes mostradas para revelar o que se passou no governo Bush, antes, durante e depois dos atentados de 11 de setembro. Ganhador da Palma de Ouro no Festival de Cannes teve recorde histórico nas bilheterias americanas, registrando mais de 117 milhões de dólares em poucas semanas de exibição.
Baseado em fatos reais, sobre o vôo que foi tomado por terroristas em 11 de setembro de 2002, onde os passageiros fizeram o avião cair para evitar uma tragédia maior. Título: Vôo United 93.Diretor: Paul Geengrass.Elenco: Gary Commock, J.J. Johnson, Opal Alladin, Polly Adams, Starla Benford.Estúdio: Universal Pictures.País de produção: EUA, INGLATERRA, FRANÇA .Duração: 110 minutos
As Torres Gêmeas - World Trade Center (2007)
De Oliver Stone, três vezes premiado com o Prêmio da Academia, surge esta inspiradora história real, sobre coragem, família e espírito de solidariedade.O ganhador do Oscar, Nicholas Cage e Michael Peña (Crash) estrelam como John McLoughlin e Will Jimeno, dois policiais de Nova York que ficam soterrados nas ruínas de 11 de setembro de 2001.Enquanto McLoughlin e Jimeno se apóiam um ao outro, numa luta para sobreviver, os acontecimentos de um inimaginável dia se desenvolvem através dos olhos dos dois, de suas carinhosas esposas (Maria Bello e Maggie Gyllenhaal), de sobreviventes e voluntários por toda a cidade. Título: As Torres Gêmeas.Diretor: Oliver Stone.Elenco: Alexa Gerasimovich, Anthony Piccininni, Connor Paolo, Maria Bello, Nicolas Cage.Estúdio: Paramount Filmes.Data de lançamento: 01/04/2007.País de produção: EUA.Duração: 129 minutos.
Paul (John Diehl) é um veterano da Guerra do Vietnã. Mentalmente perturbado, ele passa todo o tempo circulando com sua van pela cidade de Los Angeles, pesquisando qualquer pessoa que lhe pareça suspeita. Sem nenhuma confiança no Governo, Paul procura, desesperadamente, o homem que poderá detonar o "segundo ataque", o novo terrorista que poderá impor aos EUA outra tragédia igual à de 11 de setembro. Para isso, ele conta somente com a ajuda do mendigo Jimmy (Richard Edson). A sobrinha de Paul, Lana (Michelle Williams), após passar anos trabalhando como missionária na África e no Oriente Médio, está de volta a Los Angeles. Idealista e cheia de bons princípios, ela trabalha num albergue para desabrigados administrado por Henry (Wendell Pierce), um amigo de seus pais. A intenção de Lana é entrar em contato com seu tio Paul, e assim reatar os laços de família esquecidos nos anos em que passou viajando pelo mundo. Estas duas pessoas tão diferentes entre si - unidas pelo sangue, mas estrangeiros em seu próprio país - terão de somar todos os seus esforços para buscar os grandes objetivos de suas vidas. Porém, tanto Paul quanto Lana trazem grandes dores escondidas em seus passados, além da sensação de desespero e impotência causada pela grande tragédia de 11 de setembro de 2001. Título: Medo e Obsessão.Diretor: Wim Wenders.Elenco: John Diehl, Michelle Williams, Richard Edson, Shaun Toub, Wendell Pierce.Estúdio: Focus Filmes.Pais de produção:EUA/Alemanha.Duração: 123 minutos.
Fonte: folha online
Até hoje, livros e filmes abordam de diferentes ângulos os três momentos da tragédia. O antes, o durante e o depois. Quais os motivos do ataque? O que fazer enquanto a história mudava? E como seguir adiante com a vida?
Nesta data marcante, a Livraria da Folha selecionou entre livros e DVDs, dez relatos únicos sobre o fatídico dia.
A lista inclui nomes como Noam Chomsky, Michael Moore, Ivan Sant'Anna e Oliver Stone.
Aplaudido pelo público que lotou as salas de cinema em todo mundo e aclamado pela crítica por onde passou, Fahrenheit 11 de Setembro usa o humor e um arquivo de imagens nunca antes mostradas para revelar o que se passou no governo Bush, antes, durante e depois dos atentados de 11 de setembro. Ganhador da Palma de Ouro no Festival de Cannes teve recorde histórico nas bilheterias americanas, registrando mais de 117 milhões de dólares em poucas semanas de exibição.
Baseado em fatos reais, sobre o vôo que foi tomado por terroristas em 11 de setembro de 2002, onde os passageiros fizeram o avião cair para evitar uma tragédia maior. Título: Vôo United 93.Diretor: Paul Geengrass.Elenco: Gary Commock, J.J. Johnson, Opal Alladin, Polly Adams, Starla Benford.Estúdio: Universal Pictures.País de produção: EUA, INGLATERRA, FRANÇA .Duração: 110 minutos
As Torres Gêmeas - World Trade Center (2007)
De Oliver Stone, três vezes premiado com o Prêmio da Academia, surge esta inspiradora história real, sobre coragem, família e espírito de solidariedade.O ganhador do Oscar, Nicholas Cage e Michael Peña (Crash) estrelam como John McLoughlin e Will Jimeno, dois policiais de Nova York que ficam soterrados nas ruínas de 11 de setembro de 2001.Enquanto McLoughlin e Jimeno se apóiam um ao outro, numa luta para sobreviver, os acontecimentos de um inimaginável dia se desenvolvem através dos olhos dos dois, de suas carinhosas esposas (Maria Bello e Maggie Gyllenhaal), de sobreviventes e voluntários por toda a cidade. Título: As Torres Gêmeas.Diretor: Oliver Stone.Elenco: Alexa Gerasimovich, Anthony Piccininni, Connor Paolo, Maria Bello, Nicolas Cage.Estúdio: Paramount Filmes.Data de lançamento: 01/04/2007.País de produção: EUA.Duração: 129 minutos.
Paul (John Diehl) é um veterano da Guerra do Vietnã. Mentalmente perturbado, ele passa todo o tempo circulando com sua van pela cidade de Los Angeles, pesquisando qualquer pessoa que lhe pareça suspeita. Sem nenhuma confiança no Governo, Paul procura, desesperadamente, o homem que poderá detonar o "segundo ataque", o novo terrorista que poderá impor aos EUA outra tragédia igual à de 11 de setembro. Para isso, ele conta somente com a ajuda do mendigo Jimmy (Richard Edson). A sobrinha de Paul, Lana (Michelle Williams), após passar anos trabalhando como missionária na África e no Oriente Médio, está de volta a Los Angeles. Idealista e cheia de bons princípios, ela trabalha num albergue para desabrigados administrado por Henry (Wendell Pierce), um amigo de seus pais. A intenção de Lana é entrar em contato com seu tio Paul, e assim reatar os laços de família esquecidos nos anos em que passou viajando pelo mundo. Estas duas pessoas tão diferentes entre si - unidas pelo sangue, mas estrangeiros em seu próprio país - terão de somar todos os seus esforços para buscar os grandes objetivos de suas vidas. Porém, tanto Paul quanto Lana trazem grandes dores escondidas em seus passados, além da sensação de desespero e impotência causada pela grande tragédia de 11 de setembro de 2001. Título: Medo e Obsessão.Diretor: Wim Wenders.Elenco: John Diehl, Michelle Williams, Richard Edson, Shaun Toub, Wendell Pierce.Estúdio: Focus Filmes.Pais de produção:EUA/Alemanha.Duração: 123 minutos.
Fonte: folha online
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