Mostrando postagens com marcador Literatura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Literatura. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, dezembro 19, 2011

Sacerdotisas do oráculo em Delfos usavam gases tóxicos nas previsões -18/12/2011

Durante a antiguidade, alguns locais reuniam sacerdotes que, inspirados pelas divindades, prediziam o futuro e davam conselhos. Esses lugares sagrados eram conhecidos como oráculos.

Atualmente, outros processos divinatórios --como tarô, runas, i-ching etc-- recebem a mesma nomenclatura, por ter como função revelar o futuro. Dentre os antigos, o mais famoso é o de Delfos, cidade grega que já foi considerada o umbigo do mundo.
Delfos possuía um templo dedicado ao deus Apolo. Muitos peregrinavam por quilômetros para consultar as pitonisas, mulheres que previam acontecimentos familiares e nacionais.
Por anos, especialistas investigaram as ruínas do santuário em busca de uma resposta científica para o fenômeno. A teoria de que as profetisas inalavam vapores subterrâneos caiu em descrédito por algum tempo. Porém, um grupo de cientistas norte-americanos encontrou provas de que elas inalavam uma mistura de gases inebriantes, capazes de levá-las a um estado semelhante ao transe.
A história da pesquisa é narrada pelo jornalista William J. Broad, em "O Oráculo: O Segredo da Antiga Delfos" publicado pela editora Nova Fronteira, em promoção especial, por R$ 19,90, na Livraria da Folha.

No volume, Broad faz uma análise sobre um dos maiores mitos da humanidade. O oráculo era um elemento influente entre os helenos, exercendo poder sobre a vida de filósofos e políticos. A descoberta de que as previsões eram realizadas sob o efeito de gases tóxicos colabora com relatos antigos e derruba outros estudos que haviam sepultado essa tese.
*

"O Oráculo: O Segredo da Antiga Delfos"
Autor: William J. Broad
Editora: Nova Fronteira
Páginas: 348

Fonte; folha online

domingo, setembro 25, 2011

Uma gota de discórdia- 29/08/2009

Crítico do sistema de cotas nas universidades brasileiras esquadrinha a história do racismo

Christian Carvalho Cruz - O Estado de S. Paulo

Cinco anos atrás, ao matricular sua filha em um colégio paulistano, o sociólogo e colunista do Estado Demétrio Magnoli se deparou com uma "aberração". Por orientação do Ministério da Educação, o formulário trazia um campo pedindo a raça do aluno. Magnoli tascou um "humana" na ficha e voltou para casa decidido a escrever Uma Gota de Sangue - História do Pensamento Racial (Editora Contexto, 400 págs., R$ 49,90), que chega às livrarias na quarta-feira, 2.


Libelo contra o que o autor chama de mito das raças - a necessidade de diferenciar seres humanos por sua ancestralidade, por uma única gota de sangue -, o livro mergulha fundo nas origens do racismo e seus desdobramentos nos tempos atuais. "Raças não existem. O que existe é o mito da raça, uma invenção recente, nascida há 150 anos junto com a expansão das potências europeias na África e na Ásia e usada para conquistar poder político e econômico", diz Magnoli.

Uma Gota de Sangue mostra como essa invenção teria sido desinventada no pós-guerra e reinventada pelos movimentos multiculturalistas de 30 anos mais tarde, culminando em um tema caro a Magnoli: a crítica ao sistema de cotas raciais adotadas em universidades públicas brasileiras. Para ele, uma política de Estado que "cria uma clientela eleitoral" e "instala o ódio racial no meio da classe média baixa trabalhadora".
O autor sustenta ainda um polêmico paradoxo: o de que os defensores de leis raciais de hoje resgatam o discurso que ontem ajudou a justificar a segregação entre brancos e negros. "Para os multiculturalistas, a igualdade é uma falsificação, pois não existe no mundo real; no mundo verdadeiro as pessoas não são iguais, dizem. Por isso eles querem abolir a igualdade, preferem a diferença. É um pensamento do século 19", afirma. "Mas raça e igualdade são palavras de mundos distintos. Igualdade é democracia. Raça é diferença. Ou existe igualdade, ou existe raça." A seguir, os principais trechos da entrevista de Magnoli ao Aliás.
UMA IDEIA NA PAREDE – Detalhe da Exposição ‘Ex-Votos’, do Museu Afro Brasil, em São Paulo: ‘Raça serve para exercer controle político’.
A INVENÇÃO DA RAÇA

"O conceito contemporâneo de raça como famílias humanas separadas pela ancestralidade que mantêm relações hierárquicas entre si surgiu e se consolidou no quadro do evolucionismo darwinista da segunda metade do século 19. A ciência oficial criou a raça. Esse período coincidiu, e não por acaso, com o imperialismo europeu na África e na Ásia.
Muitos imaginam que o conceito de raça surgiu com a escravidão moderna. É falso. A ideia de raça não veio para explicar ou justificar a escravidão e sim para explicar e justificar o imperialismo europeu, que vinha na esteira do iluminismo e da ideia de igualdade natural entre os seres humanos. Isso tinha consequências explosivas. Como dominar uma nação se todos são iguais? Não pode haver dominação. Então precisaram de algo que relativizasse a igualdade, que, afinal, ‘é um bom princípio, mas a ciência nos mostra que ele é falso, pois na verdade não existem pessoas iguais’.
Curioso notar que só nas sociedades fundadas sobre a ideia de igualdade se torna necessário invocar o mito da raça. As sociedades fundada sobre a diferença, como todas até o iluminismo, não precisam dele. O ‘racismo científico’ se fez necessário para justificar um dos grandes processos do mundo contemporâneo, o da expansão do poder econômico das grandes nações europeias.
DESINVENÇÃO E REINVENÇÃO
"O conceito de raça foi desinventado no final da 2ª Guerra como reação ao nazismo, ao Holocausto, aos campos de extermínio. O mundo olhou para trás e disse: ‘Essa ideia de que a humanidade está dividida em raças produz sangue em grande escala, não aceitamos mais isso’. A raça então foi desconstruída, combatida nas grandes declarações sobre direitos humanos, algo a ser abolido das sociedades democráticas. Mas 20 ou 30 anos depois ela foi reiventada pelo multiculturalismo e suas políticas descritas como ações afirmativas. Essas políticas voltaram, agora sob a alegação de fazer o bem, às ideias raciais do século 19. No momento em que a genética decifra o DNA e afirma que a raça não existe, que a cor da pele é uma adaptação superficial a diferentes níveis de insolação, e que é controlada por 10 dos 25 mil genes do ser humano, a raça reaparece pelo viés cultural, como algo essencial e imutável de um povo, como gene novamente. A Bolívia, por exemplo, está se reinventando com base num conceito racial, está se tornando um país polarizado entre ameríndios e brancos. No Brasil essa proposta está codificada como Estatuto da Igualdade Racial - uma frase inviável. Raça e igualdade são palavras de universos distintos. Igualdade é democracia. Raça é diferença. Ou existe igualdade ou existe raça. O perigo do multiculturalismo é que ele quer eliminar o mestiço. Os multiculturalistas dizem que ‘esse negócio de igualdade é uma falsificação, pois não existe no mundo real; no mundo verdadeiro as pessoas não são iguais’. Eles querem abolir a igualdade, preferem a diferença. Um pensamento do século 19.
A REVIRAVOLTA OBAMA

"Nos anos 60, o que Martin Luther King fez o tempo todo foi pedir que os Estados Unidos respeitassem o princípio da igualdade previsto na Constituição americana, ou seja, ele pretendia abolir o conceito de raça da política. Barack Obama foi mais longe ao se definir como mestiço. Foi uma afirmação revolucionária, porque a mestiçagem não existe no censo e nas leis americanas. Lá, ou você é branco ou é negro, pois para se fazer leis raciais elimina-se a mestiçagem, definindo claramente a raça de cada um. E a mestiçagem é a indefinição, a não-raça. Então, quando Obama diz que é mestiço, filho de mãe branca e pai negro, ele dá um passo além de Luther King. Não se trata só de eliminar a raça da política, mas também da consciência das pessoas.
O BRASIL SE QUER MESTIÇO
"No Brasil, os racialistas propõem que as estatísticas demográficas tomem pardos e pretos como negros. Eles precisam transformar o quadro intermediário, cheio de tons indefinidos, em algo mais simples, com duas cores, para sustentar o mito da raça. Só que 42% dos brasileiros se dizem pardos, ou seja, não se classificam em raças. Vão dizer que se declarar pardo é uma proteção contra a discriminação racial, que é pior com os negros. Mas comparando os censos de 1940 e 2000 vemos que a proporção de brasileiros que se declaram pretos se reduz e a dos que se declaram brancos também. Dizer que o número de pardos aumenta porque as pessoas querem ‘embranquecer’ para fugir do preconceito é um argumento de quem lê as estatísticas só até a metade. O Brasil caminha para um momento em que 90% da população vai se dizer parda. E esse é o grande problema para lideranças do movimento negro que defendem as leis raciais. Não se faz lei racial num país em que as pessoas não definem sua raça.
NÃO SOMOS RACISTAS

"Há racismo no Brasil. O que não há é um conceito popular de que estamos separados por raças, como nos EUA. Assim, não somos racistas no sentido de a maioria dos brasileiros não interpretar o Brasil pelo prisma da raça; e também no sentido de o Estado brasileiro não ter feito leis raciais ao longo da história. Não somos racistas, embora existam racistas no Brasil. O racismo aparece na operação ilegal de certas instituições, claramente a parte da polícia que ainda prefere parar o jovem negro a parar um jovem branco. Mas o fato é que o racismo no Brasil está sempre ligado à questão socioeconômica. A violência policial baseada no preconceito racial é muito clara nas periferias e favelas. Pessoas que não têm pele branca, mas vivem em bairros de classe média, estão menos sujeitas a uma abordagem racista da polícia. Cada vez que o racismo se manifesta aqui é um escândalo, o que mostra o caráter antirracista da nação. Isso é uma vantagem, mas os defensores de leis raciais acham o contrário. Dizem que é melhor um racismo explícito à la americana do que o racismo envergonhado à la brasileira. O racismo explícito ajuda a definir interesses de raças - necessários aos que se dizem líderes raciais.
A ETERNA QUESTÃO REGIONAL
"No Brasil a desigualdade é essencialmente socioeconômica - e é terrível . Não é racial. A maioria dos pretos e pardos do País está no Norte e no Nordeste, as regiões mais pobres, enquanto a maioria dos que se declaram brancos está no Sul e no Sudeste, as regiões mais ricas. A partir disso algum perturbado poderia sugerir a criação de cotas para nordestinos. Os filhos de Tasso Jereissati, Ciro Gomes e José Sarney adorariam, porque as cotas sempre favorecem a nata do grupo privilegiado por elas. Eu não estou dizendo que não haja maior incidência de pobreza entre pretos e pardos. Há, mas em função do que ocorreu no fim da escravidão - quando os descendentes de escravos, por falta de ensino público abrangente e por falta de reforma agrária, não foram incluídos na sociedade que se modernizava - e não em função do racismo atual.
DISCRIMINAÇÃO REVERSA

"As cotas raciais não são um meio válido para corrigir diferenças socioeconômicas porque nunca reduziram pobreza em lugar nenhum onde foram implantadas. Elas beneficiam a nata do grupo privilegiado. A cota racial para ingresso em universidades públicas não está tirando vaga dos ricos, dos filhos de empresários. Esses, ou fizeram colégios e cursinhos tão bons que conseguirão passar no vestibular mesmo com um número de vagas menor em disputa ou cursarão universidade no exterior. O que a cota faz é instalar uma competição dentro da classe média baixa, uma competição racial dentro de um grupo social que veio do ensino público, entre os filhos de trabalhadores da classe média baixa. São aqueles que terminam o ensino médio. Não sejamos demagogos: vamos tirar os miseráveis dessa história, porque eles não terminarão o ensino médio, eles não serão beneficiados pelas cotas. Então, quem acaba beneficiado é o jovem de classe média baixa da cor ‘certa’ em detrimento do jovem de classe média baixa da cor ‘errada’. É a discriminação reversa.
À CAÇA DE VOTOS E PODER
"Os racialistas dizem estar fazendo justiça social por meio do sistema de cotas. É falso. O que as leis raciais visam é criar zonas de influência política e eleitoral. Isso acontece no Brasil, cada vez mais na Bolívia e em outros lugares onde falar em nome de uma etnia ou raça é desenvolver uma clientela política, é dizer ‘votem em mim porque eu defenderei os interesses desse grupo que eu acabei de definir’. A função é produzir lideranças políticas, carreiras política, poder político. Você não precisa falar para a sociedade como um todo, explicando que vai defender os interesses gerais dos cidadãos e assim competir com um monte de gente que diz a mesma coisa.
FRONTEIRA NO ÔNIBUS

"Ações afirmativas socioeconômicas, como cotas sociais e políticas de melhoria rápida e dramática das escolas públicas nas periferias, ajudariam mais os pobres a ingressar no ensino superior. Fazer isso por meio de ações afirmativas raciais leva o aluno branco a olhar para o lado e pensar: ‘Este é quem não tinha o direito de estar aqui, mas está porque tem a cor que agora virou "certa"; e eu estou separado dele não só pela cor da pele, mas pelas leis deste país, que o colocam num grupo com certos privilégios; ele está aqui porque alguém da minha cor de pele, mas com a mesma renda dele, não está’. Esse é um grande risco: cotas raciais traçam uma fronteira dentro dos ônibus, dentro dos bairros periféricos, no meio do povo, porque vizinhos de bairro e colegas de trabalho com a mesma renda vão se olhar e entender que estão separados pela cor da pele. Isso é instalar no meio do povo o ódio racial."
Fonte: estadao.com.br

domingo, setembro 18, 2011

Descobrimentos transformaram planeta em província ecológica- 18/09/2011

REINALDO JOSÉ LOPES

EDITOR DE CIÊNCIA E SAÚDE
Concorrência desleal vinda da China é reclamação constante. Do setor de calçados de Franca? Das empresas de eletrônicos? Não: dos barbeiros da Cidade do México, no começo do século 17. Os chineses trabalhavam demais e cobravam pouco, diziam.

Os operários da navalha (que também faziam as vezes de dentistas e cirurgiões) estavam longe de ser os únicos representantes do Extremo Oriente na América Espanhola.
A rota da prata pela costa mexicana do Pacífico era patrulhada por samurais japoneses, mercenários filipinos e outros "chinos", como diziam os espanhóis.
Esse retrato amalucado de uma globalização 1.0 está no livro "1493", do jornalista de ciência americano Charles Mann, que acaba de ser lançado nos EUA. O argumento de Mann é simples: a descoberta da América acabou com a trajetória separada dos continentes e transformou a Terra numa única e enorme província ecológica.
Na prática, isso significa que criaturas tão díspares quanto o parasita da malária (africano), a cana-de-açúcar (da Nova Guiné) e o boi (europeu) se juntaram para moldar o ambiente e a história do Brasil, por exemplo.
OLÁ, HOMOGENOCENO

Para Mann, é como se fosse o início de uma nova época geológica, o Homogenoceno -a fase da história da Terra em que o mundo está cada vez mais homogêneo, para o bem ou para o mal.
"Senti que era preciso destacar isso porque hoje você é capaz de ler um livro inteiro de história da Europa e não achar uma única menção à batata", disse Mann à Folha, por telefone. "É claro que não seria certo dizer que a batata criou a Europa moderna, mas não dá para negligenciá-la."
Esse é um dos principais casos de troca-troca ecológico mudando o mundo. Originalmente uma das bases da dieta nos Andes, combustível de civilizações como os incas, a batata acabou com os episódios catastróficos de fome na Europa Ocidental.
Serviço parecido foi realizado pela batata-doce e pelo milho na China imperial. Solos desérticos ou pobres em nutrientes puderam ser cultivados pela primeira vez, levando à explosão populacional que hoje nos parece tão típica do território chinês.
Esse último exemplo mostra como a ascensão do Homogenoceno foi uma faca de dois gumes. O avanço da agricultura chinesa por terras nunca dantes cultivadas também destruiu florestas, provocou erosão e gerou um ciclo interminável de inundações catastróficas no país. E a coisa fica ainda pior quando os astros do intercâmbio continental são micróbios.
Micro-organismos do Velho Mundo ganharam, praticamente sozinhos, a briga entre europeus e indígenas, condenando os nativos antes mesmo que eles disparassem a primeira flecha.
"Meu livro deveria se chamar 'Germes, Germes e Germes', na verdade", brinca Mann. É um trocadilho com "Armas, Germes e Aço", clássico do biogeógrafo Jared Diamond que atribui a vitória dos europeus sobre os ameríndios a esses fatores.
"Diamond dá muito peso à superioridade tecnológica europeia. Ela certamente existia no século 19, mas não tenho tanta certeza quanto ao século 16", diz ele, lembrando que as armas de fogo trazidas pelas caravelas eram instáveis e pouco potentes.
Já a varíola, a gripe e a malária caíram de chofre sobre "solo virgem" --termo usado para designar populações sem imunidade natural contra uma doença, como era, e é, o caso dos índios.
O livro ainda inclui uma crítica sutil a quem acha que culturas e ambientes deveriam ser mantidos no seu estado original. Afinal, diz Mann, as tradições agrícolas -e a cozinha- de aldeões filipinos e quilombolas brasileiros dependem de plantas que vieram d'além-mar.
1493
AUTOR Charles Mann
PREÇO US$ 11,99 (R$ 21), na Amazon.com (versão para Kindle)
AVALIAÇÃO ótimo
Fonte: folha online

domingo, setembro 04, 2011

Milagres

Deus colocou uma barra de ouro na cabeceira de um rabino, que quando acordou e viu o que Deus tinha feito ergueu as mãos para o alto e disse:

— Senhor, quem sou eu para receber esta dádiva?
E diante do silêncio de Deus, o rabino continuou:
— Quem sou eu para ser distinguido desta maneira?
E:
— Quem sou eu para enriquecer assim, da noite para o dia?
E disse mais:
— Quem sou eu, pobre de mim, para merecer um presente tão precioso, quando tantos mais necessitados do que eu não receberam?
E mais:
— Quem sou eu, Senhor, na minha humildade, para ser abençoado por este milagre?
E Deus ficou tão impressionado com os protestos reincidentes do rabino que falou:
— Talvez eu tenha mesmo me enganado, e essa barra de ouro seja para outro rabino...
Ao que o rabino escondeu a barra de ouro dentro da camisola, rapidamente, e disse:
— Quem sou eu para ser a prova de que Deus se engana?
PERFUMES
E tem a parábola do mendigo cego que todos os dias recebia uma esmola de uma mulher que passava, e que ele reconhecia pelo perfume. Cada dia um perfume diferente.
— Mmmm. Violeta — dizia o mendigo, depois de ouvir o tilintar da moeda no seu chapéu.
— Acertou — dizia a mulher.
No outro dia:
— Mmmm. Jasmim. Maravilha.
— Obrigada.
— Mmmm. Rosa.
— Acertou de novo.
Todos os dias a mesma coisa.
— Mmmm. Lírio.
— Mmmm. Cravo.
— Mmmm. Dracena.
Um dia a mulher disse ao mendigo que não tinha nenhuma moeda para lhe dar.
— Não importa — disse o mendigo. — Só o seu perfume de gardênia já me enche de prazer.
— Obrigada!
Até que um dia a mulher resolveu testar o mendigo. Perfumou-se de enxofre e amoníaco e despejou muitas moedas no seu chapéu. E o mendigo ouviu o tilintar das muitas moedas, aspirou fundo e exclamou:
— Mmmm. Flor de laranjeira!

DECIDIDO
(Da série “Poesia numa hora dessas?!”)
Encoste o ouvido num tronco
e ouça o sangue do mundo rodando.
Encoste o ouvido no chão
e ouça o mundo ronronando.
O mundo funciona sozinho
e com destino decidido.
Recolha-se ao seu cantinho
e, claro, limpe o ouvido.

Fonte: blog do Noblat

terça-feira, março 10, 2009

Justiça mantém proibida a venda de biografia de Roberto Carlos


O cantor Roberto Carlos conseguiu mais uma vitória na Justiça nesta terça-feira na polêmica envolvendo a publicação de sua biografia não autorizada.

Por maioria de votos, a 18ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decidiu nesta terça-feira negar o recurso de Paulo Cesar de Araújo, autor do livro "Roberto Carlos em Detalhes", lançado em 2006.
Em janeiro de 2007, o cantor entrou na Justiça contra o autor da obra alegando invasão de privacidade. No mesmo ano, ele conseguiu impedir a comercialização da biografia e que fossem apreendidos 11 mil exemplares.
Araújo buscava com o recurso publicar o livro embargado pela Justiça. Mas, de acordo com a decisão, continua proibida a publicação e comercialização da obra.
O relator do processo, desembargador Pedro Freire Raguenet, e o revisor, desembargador Claudio Dell Orto, na sessão do dia 3 de março, já haviam negado o recurso, mas o desembargador Jorge Luiz Habib pediu vista do processo, adiando por uma semana o julgamento final.
Na sessão desta manhã, Habib votou a favor de Araújo, mas foi voto vencido.

Fonte: Folha online- 10/03/2009

domingo, fevereiro 15, 2009

Literatura


Machado de Assis

«Eu, porém, vos digo que não jureis nunca a verdade, porque a verdade nua e crua, além de indecente, é dura de roer; mas jurai sempre e a propósito de tudo, porque os homens foram feitos para crer antes nos que juram falso do que nos que não juram nada. Se disseres que o sol acabou, todos acenderão velas.»
Machado de Assis, in 'O Sermão do Diabo'

Machado de Assis, de nome completo Joaquim Maria Machado de Assis, nasce em 21 de Junho de 1839, filho legítimo de Francisco José de Assis (brasileiro, carioca, descendente de negros alforriados, pintor e dourador) e da lavadeira Maria Leopoldina Machado de Assis (portuguesa da ilha de São Miguel, Açores), no Morro do Livramento, Rio de Janeiro.

“Machado de Assis é um nome central da literatura brasileira. Perfeita encarnação do homem de letras oitocentista, escreveu ficção, poesia, teatro, ensaio, exerceu a crítica literária e teatral e fundou a Academia Brasileira de Letras, de que seria o primeiro presidente. Os seus romances da fase da maturidade são obras de uma aguda actualidade, que surpreendem ainda pela novidade dos processos de escrita e pela feição trágica do seu singular humorismo. Autor de mais de duas centenas de contos, Machado de Assis é um dos maiores cultivadores do género em língua portuguesa.”
Abel Barros Baptista

domingo, dezembro 07, 2008

Português afiado


Aos 86 anos, e ainda convalescendo de uma grave doença respiratória, o escritor português José Saramago se mostra um obstinado.
O Prêmio Nobel de Literatura desembarcou no Brasil para o lançamento mundial de seu A viagem do elefante. Em entrevista, falou da época turbulenta. "O que ganhou com a experiência de quasemorte?", foi questionado. "Serenidade", disse. E, irônico, acrescentou. "Uma boa doença vale por toda obra do Paulo Coelho." Sobrou para o escritor brasileiro.

sábado, dezembro 06, 2008

Livro- Psicopata: Camaleão Social



São impressionantes os relatos, teorias, estatísticas e conclusões com as quais me deparei ao ler o "O Psicopata - um camaleão na sociedade atual", do espanhol Vicente Garrido.Psicopatia é tratado pela Psiquiatria como um transtorno de personalidade, muito grave, cujos critérios diagnósticos o DSM-IV (manual diagnóstico da Associação Psiquiátrica Americana) enumera:



Ocorrência de um padrão de desrespeito e violação dos direitos dos outros, ocorrendo desde a idade de 15 anos, como indicado por três ( ou mais ) dos seguintes comportamentos:

1) falhas em adaptar-se às normas sociais que regem os comportamentos legais, indicadas pela repetição de atos que são motivos para prisão.

2) propensão para enganar, indicada por mentiras repetitivas, uso decodinomes e manipulação dos outros para benefício ou prazer pessoal.

3) impulsividade ou falha em planejar o futuro.

4) irritabilidade e agressividade, indicado por brigas e agressões repetitivas.

5) desrespeito negligente pela própria segurança ou dos outros.

6) irresponsabilidade, indicada por falhas repetitivas em sustentar um trabalho consistente ou honrar obrigações ( financeiras ou morais ).

7) falta de remorso, indicado pela indiferença ou racionalização ao ter maltratado alguém ou roubado alguma coisa.

Estas características do transtorno antissocial são facilmente reconhecidas e nos fazem acreditar que somente criminosos cruéis e serial killers seriam psicopatas. Vicente Garrido salienta que há os dissimulados, os camaleões:

Muitas outras pessoas são psicopatas e não se dedicam ao crime. Podem viver em nosso prédio, ser nosso marido, esposa ou amante, nosso filho, nosso colega de trabalho, um político... É vital compreender isso, enxergar a magnitude do problema.

Tenho quase certeza de que o leitor deste post conhece um ou mais camaleões psicopatas, basta atentar para alguns de seus traços: têm eloquência e encanto superficial: falam muito, expressam-se com encanto, têm respostas espertas; não têm remorsos, são egocêntricos, mentem e manipulam o outro; são impulsivos, quase sempre irresponsáveis.

Meu primeiro psicopata

Meu primeiro contato com um psicopata se deu quando eu era estudante de medicina, fazia estágio em uma clínica psiquiátrica. Lembro-me com detalhes do caso e do paciente que fora internado enquanto se discutia sua inimputabilidade num crime hediondo.Tratava-se de um jovem de vinte e poucos anos, bancário. Ao rapaz competia levar grande soma de dinheiro vivo para ser depositado no cofre do Banco do Brasil. Era acompanhado por um colega. Apenas algumas quadras separavam as agências, de forma iam os dois, quase todos os dias, carregando uma bolsa recheadíssima.Pois nosso personagem convenceu o colega a sumirem com tudo. Deixaram um fusquinha nas imediações e fugiram com a grana pela BR-40, em direção ao Rio. Num local ermo, entra numa estradinha de terra, mata o amigo e põe fogo no corpo e no carro. Some. Alguns dias depois reaparece e acusa o colega de sequestrá-lo e tentar assassiná-lo. Lutaram e o carro se desgovernou, capotando e se incendiando, explicou. O crime se esclareceu e os advogados alegaram "doença psiquiátrica".Pois bem, acreditem se quiserem, mas o jovem tinha bom papo, era cordial com todos. Entretanto não se mostrava arrependido, dizendo que foi tudo loucura. Jogou papo pra cima de uma jovem psiquiatra que por ele se apaixonou! Conseguiu relaxamento da vigilância e fugiu da clínica. A médica quase morreu de paixão.

O livro do Garrido discorre sobre teorias da psicopatia, causas, etc. Fala do psicopata no mundo dos negócios e das profissões. Está disponível, no Brasil, pelas Edições Paulinas.Temos assunto para mais um post: o psicopata nas organizações/instituições.

Fonte:prascabecas.blogspot.com (Claudio Costa-MG)

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Livros 01


‘Minha vida com a Al Qaeda, história de um espião’

Os amantes das histórias de espionagem não podem perder o livro que acaba de ser lançado nos Estados Unidos. Chama-se “Inside the Jihad: my life with Al Qaeda, a spy’s story” (Por dentro do Jihad: minha vida com a Al Qaeda, história de um espião). Foi escrito por um morroquino, que se identifica pelo pseudônimo Omar Nasiri.
O livro é autobiográfico. Nasiri conta ter espionado grupos terroristas islâmicos, incluindo o de Osama Bin Laden, entre 1994 e 2001. Diz ter agido a soldo dos serviços secretos francês, britânico e alemão. O relato impressiona pela profundidade.

Esparramado ao longo de 440 páginas, o texto assemelha-se ao de uma novela. Mas o autor sustenta que só retratou verdades. Exceto um ou outro detalhe, que teve de modificar para proteger a vida de seus personagens. Incluindo a dele próprio. Escondido atrás de uma nova identidade, Omar Nasiri vive hoje na Alemanha.

Deu-se na Argélia o primeiro contato de Nasiri com um grupo extremista. Infiltrou-se no GIA Argelino. Elaborava o boletim informativo interno do grupo terrorista. Despachava, de resto, ordens para a compra de armas. Em seguida, transferiu-se para o Afeganistão.

Ali, submeteu-se a treinamentos e logo viu-se sob as ordens de alguns dos lugar-tenentes de Bin Laden. Era acompanhado à distância pelo serviço secreto francês, que não o imaginava capaz da façanha. Foi enviado à Europa, com a missão de ajudar a pôr de pé uma célula concebida para atacar bancos e sinagogas.

Em Londres, passou a circular entre estrelas do radicalismo islâmico como Abu Qattaba e Abu Hamza. Reportava-lhes os passos ao serviço secreto britânico. A despeito do esforço do autor para mostrar-se contrário ao terrorismo, Nasiri deixa entrever nas páginas do livro que não passou incólume pelo convívio.

Como no trecho em que retrata os terroristas como “valentes defensores de uma ideologia/religião agredida.” Ou na passagem em que anota: Nos acompamentos, me ensinaram que se deve respeitar os civis, a começar das crianças, das mulheres e dos velhos, que é preciso preservar os edifícios civis, etc.” Em seguida, reconhece: “É verdade que, no campo, cometem-se excessos.

O texto de Nasiri, por detalhista, despertou inúmeras suspeitas. Especialistas ouvidos pela revista Time ruminam uma dúvida: não sabem se estão diante de um personagem real ou de um farsante. Antes de mandar o livro à prensa, a editora Perseus Books submeteu os originais a Michael Scheuer. Trata-se de um ex-diretor da unidade da CIA incumbida de caçar Bin Laden.

“Nunca tinha visto nada sobre esse período (1994 a 2001) que estivesse tão completo e que soasse tão verdadeiro, disse Scheuer ao The New York Times. Referia-se à descrição dos acampamentos de treinamento de terroristas no Afeganistão.


Fonte: blog josias de souza

sexta-feira, novembro 10, 2006

Curiosidades

10/11/2006
Livro revela patrimônio clandestino do tesouro francês

Ansa, em ParisExistiria um rombo de cerca 25 milhões de euros no assim chamado tesouro de guerra da DGSE (contra-espionagem francesa). O "patrimônio clandestino" teria o objetivo de garantir a continuidade de um Estado francês em exílio no caso de uma invasão da França ou de sua destruição por uma bomba atômica. É uma das revelações contidas no livro "Maquinações", com lançamento previsto para segunda-feira na França, do qual fala hoje o jornal "Le Parisien".O fundo, explica uma fonte, foi constituído "a partir das indenizações por danos à França pagos pela Alemanha após a Primeira Guerra Mundial". "Desde 1947 a existência deste patrimônio não foi ocultada dos dirigentes políticos franceses que se sucederam. Este tesouro clandestino não tem qualquer vínculo com o dinheiro depositado à parte, anualmente, proveniente do balanço do Estado".Ainda de acordo com o periódico francês, o tesouro não devia servir para financiar operações. Era uma espécie de reserva escondida para ser eventualmente dividida por um Estado clandestino após uma crise.O tesouro, segundo o "Le Parisien", era administrado por um punhado de agentes especiais "escolhidos a dedo" e que trocavam os números das contas bancárias clandestinas de boca-em-boca. É impossível saber oficialmente no que consiste este patrimônio, mas é provável que sejam créditos bancários espalhados discretamente por bancos do mundo inteiro, escreve o jornal francês.O suposto rombo de teria sido descoberto em 2002. "De fato foram feitos alguns investimentos sem as devidas precauções entre 1995 e 2000, o que levou aos extravios", confirma a DGSE ao jornal.Depois da descoberta do rombo, foram tomadas as medidas necessárias e se instituiu uma comissão específica, com um membro da Corte das Contas, afirmam fontes daquele jornal.

Fonte:folha online