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sábado, outubro 15, 2011

Rumo ao fundo do poço, a política chegou à garagem-15/10/2011

A corrupção, não é de hoje, empurra a política brasileira em direção a um metafórico fundo do poço.

A cada novo escândalo, o brasileiro se pergunta: será que chegamos, finalmente, ao fundo do poço?
Logo surge outro escândalo para informar que a viagem às profundezas terá novas escalas. Pense no que já sucedeu em poucos meses de gestão Dilma.
O fundo do poço da fortuna do Palocci foi seguido pelo fundo do poço da roubalheira dos Transportes...
...Que foi superado pelo fundo do poço da Agricultura dominada por “bandidos”, que foi suplantado pelo Turismo convertido em centro de torrefação de verbas...
A imagem do ministro octagenário espetando na bolsa da Viúva do salário da governanta à conta da festinha no motel tinha cara de fundo do poço.
Súbito, o inacreditável é ultrapassado pelo inaceitável. Escala as manchetes o caso do ministro que recebeu propina no subsolo.
“Por um dos operadores do esquema, eu soube na ocasião que o ministro recebia o dinheiro na garagem”, relata o denunciante.
Ele dá nome ao repassador da verba, que, ouvido, capricha nos detalhes: “Eu recolhi o dinheiro com representantes de quatro entidades aqui do Distrito Federal…”
“[…]…Entreguei ao ministro, dentro da garagem, numa caixa de papelão. Eram maços de notas de 50 e 100 reais.”
O entregador prossegue: “[…] O ministro estava sentado no banco de trás do carro oficial. Ele abriu o vidro e me cumprimentou…”
“…O motorista dele foi quem pegou a caixa com o dinheiro e colocou no porta-malas do carro.”
Abalroado pelos relatos, o ministro com nome de cantor, Orlando Silva (Esportes), entoa um canto usual e algo desafinado.
Declara-se “chocado”, “estupefato, “perplexo”. Chama o denunciante, seu camarada de PCdoB, de “bandido”. Ao mesmo tempo, admite tê-lo recebido em audiência.
Pespega no detrator a pecha de chantagista: “Durante um ano esse sujeito procurou gente do ministério e fez ameaça, insinuação. E qual foi a nossa posição?...”
“…Amigo, denuncie, fale o que você quiser. Por quê? Porque, como nós temos convicção de que o que foi feito foi o correto, nós não tememos.”
Submetido a uma pergunta trivial –por que não denunciou o chantagista à polícia? –o ministro se enrola.
Orlando Silva afirma que “imaginou” que um de seus subordinados pudesse ter levado o assunto às autoridades competentes. “Chegamos a falar sobre essa hipótese.”
O ministro sugere aos repórteres: “Vale a pena olhar qual é a minha declaração de renda, qual é meu patrimônio, qual é minha conta bancária e qual é a dele.”
Enigmático, Orlando Silva indaga: “Qual é a [conta] dele e de outras pessoas que têm relação [com ele]?”
Ficam boiando na atmosfera outras interrogações incômodas: por que diabos o “bandido”, dono de ONG, beliscou verbas do Ministério dos Esportes?
Se o próprio ministro suspeita que a conta de seu companheiro de partido engordou além do razoável, por que não o denunciou?
Esse penúltimo escândalo ainda não leva a política brasileira ao fundo do poço. Mas chega mais perto. Já estamos no subsolo, na garagem.
Aos pouquinhos, vai-se dissipando aquela esperança de que o fundo do poço possa ser, brasileiramente, adiado ao infinito.
O modelo que expõe os governos ao canibalismo dos partidos morreu. O cadáver fede à beira do abismo eterno.
Nesse interminável adiamento do encontro da política com o fundo do poço, o brasileiro, antes habituado a conviver com o inaceitável, esboça sinais de reação.
Organizando-se pela internet, à margem de partidos e entidades, a rapaziada já produziu um par de marchas anticorrupção.
Diz-se que 20 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios é pouca gente. Tolice. Todo grande movimento começa pequenininho.
A ficha da garotada começou a cair. A turma percebeu que quem está cavando o poço é a sociedade. Como? Com a enxada da inércia.
Ao ganhar o meio-fio, um pedaço da sociedade informa que prefere o cabo da vassoura ao cabo da enxada.
Quem não perceber a importância do gesto arrisca-se a perder a beleza do movimento.
Fonte: Blog do Josias de Souza-folha online

domingo, setembro 18, 2011

‘Cadeiômetro’ do CNJ dirá se preso já cumpriu a pena-12/09/2011

O Conselho Nacional de Justiça lançará nesta segunda (12) uma ferramenta eletrônica que vai facilitar a vida dos cerca 500 mil brasileiros presos.

Às 14h, vai ao ar no portal do CNJ uma espécie de “cadeiômetro”, chamado oficialmente de “calculadora virtual de penas.”
Permite calcular, na internet, os prazos da execução das penas de cada condenado. Muitos já têm direito à progressão de regime ou até à liberdade. Mas não sabem.
Qualquer pessoa poderá utilizar o “cadeiômetro”. A ferramenta terá especial utilidade, porém, para familiares de presos e servidores da Justiça.
Servindo-se de dados coletados pela CPI do sistema carcerário, realizada na Câmara, a repórter Lilian Christofoletti revelou, há três anos, uma informação estarrecedora.
Em 2008, o sistema carcerário brasileiro abrigava 9 mil detentos que já haviam cumprido integralmente suas penas.
Sem advogados particulares ou defensores públicos, esses presos eram simplesmente esquecidos atrás das grades.
No início de 2009, o próprio CNJ trouxe à luz dados que corroboraram o flagelo detectado pela CPI.
Em inspeções realizadas nas cadeiras de quatro Estados (RJ, MA, PI e PA), o CNJ verificou que mais de 2.200 presos estavam encarcerados ilegalmente.
Cerca de mil já haviam cumprido suas penas. Outros 1.218 encontravam-se privados de direitos previstos em lei.
Entre eles a concessão de indultos e a progressão do regime fechado para o semi-aberto, que permite trabalhar fora da cadeia durante o dia.
Além de constituir afronta aos direitos humanos, o encarceramento ilegal impõe prejuízos ao contribuinte.
Hoje, cada preso custa ao Estado cerca de R$ 1.500 mensais. De resto, manter enjauladas pessoas que deveriam estar soltas é uma ofensa também ao bom senso.
O Depen (Departamento Penitenciário Nacional), órgão do Ministério da Justiça, estima que as cadeias do país têm capacidade para abrigar cerca 300 mil presos.
Como há 500 mil presidiários amontados nos cárceres, a superlotação é de cerca de 200 mil pessoas.
Numa corrida contra o tempo, o governo federal planeja gastar, até 2013, notáveis R$ 9,6 bilhões na construção de cadeias novas.
Desde 2004, foram abertas no país 81 mil novas vagas nos xilindrós. A maioria (76 mil) graças a investimentos dos Estados.
A despeito dos esforços, o “poder público”, por assim dizer, enxuga gelo. Anualmente, algo como 40 mil mandados de prisão são executados no Brasil.
É nesse cenário conspurcado que surge o “cadeiômetro” do Conselho Nacional de Justiça.
Lançando os seus dados num formulário disponível na web, o preso ou seus prepostos serão informados a quantos dias estão da progressão de regime ou da liberdade.
A calculadora de penas já foi testada por servidores e magistrados. Na tarde desta segunda-feira, o CNJ fará uma demonstração do funcionamento da novidade.
O próprio CNJ já utiliza a ferramenta num multirão carcerário que realiza em São Paulo desde 20 de julho.
O órgão espera calcular, até dezembro, as penas dos cerca de 94 mil condenados que cumprem pena em regime fechado nas cadeias paulistas.
Se funcionar como prometido, o “cadeiômetro” não vai acabar com o acinte da superlotação carcerária. Mas pode levar ao fim dos enjaulados irregulares.
Fonte: blog do Josias de Souza- folha online

Charge

Dilma: ‘Escolhas políticas não desmerecem governos’-16/09/2011

Dilma Rousseff empossou nesta sexta (16) o novo ministro do Turismo, Gastão Vieira (PMDB-MA). Ao encerrar o discurso, disse, dirigindo-se ao neoauxiliar:

"Eu queria dizer, ministro, que escolhas políticas não desmerecem nenhum governo…”
“…É com políticos e partidos políticos, com técnicos e especialistas, que se governa um país tão complexo como o Brasil…”
“…A política bem exercida é uma atividade nobre e imprescindível à sociedade democrática."
Verdade. O que desmerece os governos são as más escolhas políticas. Elas levam a sociedade a perguntar: e se a democracia for só isso?
A cerimônia foi restrita e fechada. Alegou-se que não houve tempo para preparar coisa mais pomposa.
Em meio às muitas ausências, uma presença notável: José Sarney, morubixaba da tribo em que Gastão milita como índio.
Em seu discurso, o novo ministro disse ter ficado “assustadíssimo” ao receber o convite de Dilma.
Natural. Ao tomar conhecimento da novidade, o Brasil também ficou assustado, muito assustado, assustadíssimo.
Fonte; folha online- blog do Josias de Souza

Ofício de Peluso a Dilma reabre a crise STF X Planalto-16/09/2011

Uma mensagem enviada a Dilma Rousseff pelo presidente do STF, Cezar Peluso, reabriu a crise que opõe o Judiciário ao Planalto.

No texto, Peluso pede informações a Dilma sobre a inclusão no Orçamento de 2012 da verba destinada aos reajustes salariais do Judiciário. Coisa de R$ 7,7 bilhões.
Incluídos na previsão orçamentária elaborada pelo Supremo, os recursos haviam sido excluídos da proposta enviada por Dilma ao Congresso.
Peluso chiou em público. Chamou o corte de “equívoco”. Exigiu providências. Há duas semanas, em 2 de setembro, Dilma enviou ao Congresso uma mensagem.
No documento, embora criticasse a demanda do STF, Dilma informara aos congressistas sobre a cifra que o governo passara na lâmina.
No mesmo dia, Peluso dera-se por satisfeito. Classificara o entrevero de “página virada”. Para o STF, estava entendido que a verba seria restituída ao Orçamento.
Deve-se a reabertura da encrenca a declarações feitas pela ministra Miriam Belchior (Planejamento) em audiência pública no Senado.
Falando aos senadores há dois dias, na quarta (14), Miriam disse que o governo não planeja incluir na proposta de Orçamento para 2012 o reajuste do Judiciário.
Afirmou que, quando a programação orçamentária começou a ser discutida, no primeiro semestre, não havia clareza quanto à profundidade da crise.
Agora, já convencido de que o Brasil não está imune aos solavancos que sacodem a Europa e os EUA, o governo prefere não comprometer os R$ 7,7 bilhões.
Peluso enxergou nas declarações da ministra uma quebra de compromisso. Daí o ofício enviado a Dilma. É datado de ontem. Pode ser lido aqui.
Peluso recorda em seu texto a mensagem que Dilma enviara ao Congresso em 2 de setembro. E anota, respeitoso:
“Tenho a honra de solicitar a Vossa Excelência que informe a esta Corte se será, ou não, encaminhada, por essa Presidência, mensagem modificativa à de no 344/2011 [Orçamento de 2012]…”
“…[…] Para incorporar as despesas previstas pelos órgãos do Poder Judiciário da União.” Peluso não deixa dúvidas quanto ao tipo de despesa a que se refere.
Menciona especificamente a “recomposição dos subsídios dos magistrados e da remuneração dos servidores do Poder Judiciário da União.”
Cita a “criação do adicional de qualificação para os técnicos judiciários graduados.”
Dilma ainda não respondeu ao ofício do presidente do Supremo. Em privado, Peluso e seus colegas de tribunal classificam de inaceitáveis os comentários de Miriam Belchior.
Recordam que a Constituição reserva ao STF a atribuição de definir o seu próprio Orçamento. Ao Executivo não cabe senão incorporar os dados ao Orçamento geral.
Por esse raciocínio, apenas o Congresso dispõe de poderes constitucionais para modificar a proposta orçamentária definida pelo STF.
Prevalecendo o impasse, o Supremo não pretende cruzar os braços. Adotará providências jurídicas contra o governo.
Ou seja: a declaração feita por Peluso há duas semanas ganhou sentido novo. A “página foi virada”. Só que para trás.
Fonte; blog do josias de souza- folha online

Governo amplia Bolsa Família e ‘esquece’ analfabetos-17/09/2011

A ministra Tereza Campello (Desenvolvimento Social) anunciará nesta segunda (19) a ampliação do Bolsa Família.

Deve subir de três para cinco o número de filhos que recebem o benefício em cada uma das 12 milhões de famílias inscritas no programa.
O valor permanece inalterado: R$ 32 por filho. Não foi informado, por ora, qual sera o impacto da novidade no Orçamento.
Deve-se a mudança ao esforço do governo de converter em realidade a promessa de Dilma de erradicar a “extrema pobreza.”
Noutra ponta, sumiu dos documentos oficiais um outro compromisso de campanha de Dilma: a erradicação do analfabetismo.
Enunciada em debate televisivo há 11 meses, a promessa virou pó. Agora, em vez de erradicar, o governo fala em “reduzir a taxa de analfabetismo”.
Hoje, os analfabetos são contados em 14 milhões de pessoas. São brasileiros que não sabem ler nem escrever um bilhete simples.
O ministro Fernando Haddad (Educação) declara que a erradicação dos iletrados é desafio a ser concluído em 2020, não no mandato de Dilma. “Tarefa árdua”, diz.
Haddad afirma que não se lembra de ter ouvido Dilma prometer na campanha que erradicaria o analfabetismo.
Quer dizer: conviria ao governo lançar também um programa de erradicação da falta de memória.
Fonte: blog do Josias de Souza- folha online

137 congressistas aguardam julgamento no Supremo-17/09/2011

No Brasil, como se sabe, ninguém é corrupto. Todo mundo é geneticamente honesto. A despeito disso, já nem é preciso ir ao jornal para ler sobre denúncias de corrupção.

Disseminadas, elas aparecem no cardápio do restautante, no catálogo de debutantes. Mas é nas gavetas do STF que se encontra a melhor exposição dos crimes da política.
Guardam processos abertos contra 137 congressistas –115 deputados e 22 senadores. No total, respondem a 87 ações penais e 210 inquéritos. Alguns estrelam mais de um.
Em cada cinco membros do Congresso, um é alvo de acusações no STF. Ao acinte, adiciona-se a avacalhação do foro privilegiado.
O STF deveria cuidar de querelas constitucionais. Não dispõe de estrutura para julgar crimes. Em consequência, só de vez em quando julga-se um ou outro político.
Condenação? Apenas de raro em raro. Em alguns casos, a demora é tanta que a punição se esvai nos desvãos da prescrição.
Nos próximos dias, vai ao plenário do STF um caso que envolve o deputado Paulo Maluf (PP-SP). Relata-o o ministro Ricardo Lewandowaki.
Maluf é acusado de cometer crimes como formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Malfeitos praticados entre 1992 e 1996, na prefeitura de São Paulo.
Eleito deputado, Maluf ganhou mandato, imunidade e prerrogativa de foro. O processo subiu da Justiça Federal de São Paulo para o olimpo do STF.
Decorridos 15 anos, os autos serão, enfim, esmiuçados. Não há, por ora, perspectiva de condenação.
Vai-se decidir apenas se a denúncia da Procuradoria contra Maluf deve ou não ser acolhida. Se for aceita, o deputado converte-se de denunciado em réu.
Inaugura-se, então, uma ação penal sem data para terminar. Coisa parecida com a ação em que é processada a quadrilha do mensalão.
É contra esse pano de fundo que o PT desfralda a bandeira da regulamentação dos meios de comunicação.
Noutros tempos, o partido de Lula e Dilma servi-se da imprensa e defendia o fim do privilégio de foro para os políticos. Súbito, virou réu. E trocou de prioridades
Fonte: blog dop Josias de souza folha online

quarta-feira, março 11, 2009

Premido pela crise, BC corta os juros em 1,5 ponto

Saiu a decisão do Copom. O Comitê de Política Monetária decidiu reduzir a Selic, taxa básica de juros, em 1,5 ponto percentual.
Os juros foram rebaixados de 12,75% para 11,25% ao ano. Voltou-se à taxa que vigorava em março de 2008, a menor da história.
A despeito disso, o Brasil continua ostentando uma das taxas de juros mais azedas do mundo.
Em termos nominais, o Brasil fica mais bem-posto do que Venezuela (17,06%), Rússia (13%), Turquia (11,50%) e Argentina (11,38%).
Considerando-se os juros reais (descontada a inflação), o Brasil ocupa o topo do ranking mundial, com uma taxa de 6,51% ao ano.
Seja como for, o BC pisou no acelerador. De leve. Mas pisou. Dois dias atrás, estimava-se que o Copom desbastaria os juros apenas em 1 ponto percentual.
Evoluiu-se para 1,5 depois quue o IBGE revelou, na véspera, que o PIB do último trimestre de 2008 caira 3,6%. O Copom só volta a se reunir nos dias 28 e 29 de abril.
O próprio governo reconhece que serão nefastos os efeitos da crise sobre a economia brasileira nesse primeiro trimestre de 2009.
Assim, não é despropositado supor que, no final de abril, o BC voltará a manusear a faca.

Fonte: Blog do Josias de Souza ( Folha online)

Paulino lidera ‘malhação’ de Meirelles em Brasília

“O ser humano”, dizia Nelson Rodrigues, “é cego para os próprios defeitos”.
Um vilão jamais se autoproclama vilão. Nem o infame se diz infame.
Os defeitos estão enterrados dentro de cada um, inconfessos.
Mais fácil apontar o dedo para as deficiências alheias.
Tome-se o exemplo do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP).
Presidente da Força Sindical, Paulinho foi protestar defronte do BC.
Pôs-se a malhar um boneco com a cara do mandachuva do BC.
A pretexto de reclamar dos juros, "arrancou" a cabeça de Henrique Meirelles a marteladas.
Meirelles não poderia ter arranjado um inimigo mais conveniente.
Paulinho é, como se sabe, guri travesso. Antes de ser levado a sério como crítico, tem muito a explicar.
Retorne-se, por oportuno, a Nelson Rodrigues:
"O grande ator é inteligente demais, consciente demais, técnico demais..."
"O Canastrão, não. Está em cena como um búfalo da ilha de Marajó..."
"...Sobe pelas paredes, pendura-se no lustre e, se duvidarem, é capaz de comer o cenário".
Ou de martelar cabeças ao ar livre.
Fonte: Blog do Josias de Souza (Folha online)

sábado, março 07, 2009

Protogenes bisbilhotou até a vida amorosa de Dilma- 07/03/2009


Documentos provam que delegado espionou autoridades.
Ele disse a agentes da Abin que agia a 'pedido' de Lula.

A CPI do Grampo recebeu na última quinta-feira (5) o material extraído de um laptop e de um pen drive do delegado Protógenes Queiroz.
Os equipamentos foram apreendidos pela Polícia Federal, em novembro de 2008, num apartamento utilizado por Protógenes no Rio de Janeiro.
Continham o produto de um surpreendente esquema de espionagem cladestina montado por Protógenes à margem da Satiagraha.
O repórter Expedito Filho manuseou o kit de Protógenes: 63 fotografias, 932 arquivos de áudio, 26 arquivos de vídeo e 439 documentos em texto.
A PF chegou aos arquivos eletrônicos de Protógenes numa batida policial em que buscava provas da ação ilegal do delegado, convertido de investigador em investigado.
O resultado do arrastão policial foi dividido pela PF em duas partes. Numa foram colecionadas peças do inquérito da Satigraha, que investigou Daniel Dantas.
São relatórios policiais, gravações telefônicas, vídeos e transcrições que deveriam estar nos autos do inquérito, não na casa do delegado.
A segunda parte do material reúne o pedaço clandestino da engrenagem de bisbilhotice montada por Protógenes.
Há gravações telefônicas de arapongas da Abin com dirigentes da agência, fotos e imagens de pessoas que não estavam sob investigação.
Há também informes de agentes da Abin sobre a vida íntima e profissional de autoridades como Dilma Rousseff e ex-autoridades como José Dirceu.
Por último, há documentos que, protegidos por senhas de acesso, ainda não foram abertos pela PF. Os títulos revelam os alvos: “Tucano”, “FHC” e “Serra”.
Nos seus contatos com a turma da Abin, empurrada para dentro da Satiagraja com o beneplácito do ex-diretor Geral Paulo Lacerda, o delegado se dizia a serviço de Lula.
Em depoimento à PF (veja documento lá no alto),o araponga Lúcio Fábio Godoy de Sá contou que Protógenes o chamou à sala dele.
Explicou que “tratava-se de uma investigação que envolvia espionagem internacional”. Daí o envolvimento da Abin no caso.
Disse mais: “A investigação era de interesse do presidente da República”.
Disse Pior: Que Lula “queria essa investigação porque até o próprio filho do presidente teria sido cooptado por essa organização criminosa...”
O filho a que se referiu Protógenes é Fábio Luís. A alegada “cooptação” talvez seja uma referência a um contrato de 2004.
Foi celebrado entre a Brasil Telecom, à época controlada por Dantas, e a Gamecorp, empresa do primogênito de Lula. Rendia a Fábio Luís R$100 mil por mês.
Vão abaixo exemplos do que foi extraído do computador e do pen drive de Protógenes:
1. Dilma Rousseff: A chefe da Casa Civil, candidata de Lula à presidência, foi espionada pela equipe de arapongas a serviço de Protógenes. A ação é descrita em documento que descreve, em termos grosseiros, até supostas relações amorosas da ministra. O parceiro de Dilma é identificado no texto.
2. José Dirceu: Os arquivos de Protógenes revelam interesse também pelo antecessor de Dilma. José Dirceu é apelidado nos textos de “Zeca Diabo”. Referência ao pistoleiro da novela O Bem Amado. Traz detalhes da movimentação de Dirceu. Coisas assim: “Embarcou ontem, 17/04, para o Panamá. De lá, segue um roteiro internacional de negócios até 10 de maio”. Há referências a supostos negócios de Dirceu e encontros que ele teria mantido com réus do escândalo do mensalão.
3. Mangabeira Unger: Protógenes e sua equipe escarafuncharam as relações do ministro da secretaria de Planejamento de Longo Prazo com Daniel Dantas. Laços conhecidos, que tiveram de ser desfeitos antes da entrada de Mangabeira no governo. Um dos documentos chama-se “Confidencial e Privilegiado". É datado de 11 de janeiro de 2005. Outro texto, “Caso Mangabeira”, traz cópias de contratos assinados entre o professor e o Opportunity de Dantas. Estampa também planilhas de pagamentos feitos pelo banqueiro a Mangabeira entre 2002 e 2005. Menciona, de resto, viagem Mangabeira a Nova York, em 29 de janeiro de 2004, supostamente para se encontrar com arapongas da Kroll, agência de investigação contratada por Dantas para espionar seus adversários.
4. “Políticos associados”: Os textos apreendidos na máquina de Protógenes incluem nessa cateria de “políticos associados” ao Opportunity de Daniel Dantas Mangabeira Unger e dois senadores: Heráclito Fortes DEM-PI) e ACM Jr. (DEM-BA).
5. Pantomima da foto: Em relatório de 12 de junho, com a logomarca da PF e o carimbo de “confidencial”, Protógenes diz estar sendo “alvo de constantes vigilâncias”. Cita episódio ocorrido na noite da véspera, no restaurante Original Shundi, em Brasília. Conta que jantava no estabelecimento quando entrou Nélio Machado, o advogado de Daniel Dantas. Sentou-se em mesa próxima, junto com "pessoas não identificadas". Diz o texto: "[Os advogados] passaram a se comportar em (sic) atitudes suspeitas, o que por dever de ofício obrigou o DPF Queiroz a sacar o celular e fazer o registro fotográfico das pessoas que ali se encontravam". As fotos foram ao computador de Protógenes. O delegado fez circular a versão de que, entre os acompanhantes de Nélio Machado, estavam assessores do presidente do STF, Gilmar Mendes. Era conversa mole. A PF identificou os personagens das fotos. Não há entre eles nenhum auxiliar de Gilmar Mendes.

Fonte: Blog do Josias de Souza(Folha online, 07/03/2009)

sexta-feira, março 06, 2009

Collor diz que agenda de Lula é continuação da sua


‘Eu não sou mais puro nem impuro do que ninguém’
‘Na vida pública, todos estamos sujeitos a percalços’
‘O PT enfrentou problemas sérios com o mensalão’
‘O Mercadante foi vitimado pelo caso dos aloprados’


Dezessete anos depois de ter descido ao verbete da enciclopédia como um defunto político, Fernando Collor está de volta.
Retorna numa vitrine modesta: a presidência da comissão de Infraestrutura do Senado. Posto obtido em aliança com José Sarney, sob aplausos de Lula.
O mesmo Sarney a quem chamara de “ladrão”. O mesmo Lula que o tachara de “ladrão”. As ofensas são reduzidas por Collor a meras “circunstâncias históricas”.
Para justificar-se, puxa analogias do baú. Recorda que Carlos Lacerda, depois de personificar a retórica do ódio, viveu o seu instante de reconciliação com o alvo Juscelino Kubitschek.
Cita um clássico do gênero: as pazes que Luiz Carlos Prestes se permitiu fazer com Getúlio Vargas.
Sob Vargas, Prestes amargara nove anos de cárcere. Sua mulher, Olga Benário, fora enviada à morte, na Alemanha nazista.
A despeito de tudo, em 1945, o líder comunista aderiu ao movimento pela permanência de Getúlio na presidência.
Presidente aos 40, Collor tornou-se ex-presidente aos 42. Hoje, com 59 anos, tenta consertar a biografia. Diz que gostaria de ter nascido na pele de Benjamin Button.
Vem a ser o personagem do último filme de Brad Pitt. Um sujeito que nasce com 80 anos e rejuvenesce à medida que o tempo passa.
De resto, sustenta que a agenda de Lula, como a de Fernando Henrique, não é senão uma continuação do programa do governo dele.

“Tudo o que estava preconizado naquela época vem sendo seguido por todos aqueles que vieram depois de mim...”

“...A questão da abertura, a busca do superávit da balança comercial, a inserção competitiva do Brasil no mercado internacional”.

Vai abaixo a entrevista, dividida em dois blocos:

- O que pretende fazer na comissão de Infraestrutura?
Transitam pela comissão, além das obras do PAC, o controle das agências regulatórias, o pré-sal... Ela é mais importante do que se imagina. Quero ter uma agenda e um programa de trabalho para o horizonte de tempo de dois anos.
- Que interferência a comissão terá nas obras do PAC?
Nosso papel é o de fiscalização. Desde que foi lançado o PAC, defendo a iniciativa com entusiasmo. Além dos investimentos e dos benefícios que trarão à população, muito mais importante é a iniciativa do governo de liderar o processo de desenvolvimento, como indutor. Leva a iniciativa privada a acordar.
- Acha que o PAC caminha bem?
Em algumas regiões as obras sofrem atrasos. Em outras elas estão adiantadas. Vamos acompanhar de perto a execução, ajudando a fazer andar. A oposição diz que o PAC é mera carta de intenções. Não é assim. As coisas estão caminhando.
- Já falou com a ministra Dilma Rousseff?
Liguei pra ela. Estava embarcando pra São Paulo. Solicitei audiência tão logo regresse. Quero levar ao conhecimento dela o programa de trabalho da comissão.
- Pretende encontrar-se com o presidente Lula?
Acho necessário. Não irei só. A bancada do PTB tem a intenção de solicitar uma audiência. Vamos, mais uma vez, reafirmar ao presidente o apoio do PTB.
- Como foi a articulação que o levou à presidência da comissão?
Começou lá atrás, na costura da candidatura do presidente Sarney. Desde o início, a coordenação das hostes do governo foi falha. Houve muitas falhas.
- Que falhas?
Dizia-se que havia um entendimento, firmado há dois anos. O PMDB presidiria a Câmara e o PT o Senado. A gente sabe que, em política, esses compromissos de antanho não costumam se consumar. Houve uma precipitação do PT.
- Tião Viana não deveria ter disputado?
Não entro no mérito da qualificação do candidato. Mas eles, que falaram tanto em respeito à proporcionalidade, deveriam ter verificado que cabe à maior bancada do Senado, no caso a do PMDB, indicar o presidente da Casa. O PT, de forma açodada, lançou a candidatura.
- Está dizendo que quem quebrou a praxe da proporcionalidade foi o PT?
Foi precisamente o PT. Nunca tive nenhuma dúvida de que o PMDB lançaria um candidato. Lançou o presidente Sarney, que superava os limites da sua bancada.
- Qual foi o papel do PTB nesse processo?
Nas conversas iniciais, optamos pela candidatura do presidente Sarney e, como todas as outras legendas, fomos buscar nosso espaço.

Fonte: Blog do Josias de Souza( Folha online)- 06/03/2009

‘Aprovação de Lula mostra que tomei decisão certa’


- Não se constrange de estar na companhia de um Sarney que, no passado, o sr. chamou de ladrão? Não o incomoda apoiar um Lula com quem teve rixas homéricas e que o chamou de ladrão?
Não me constrange. Se olharmos a história do Brasil, veremos que alianças assim já ocorreram. Getúlio com Prestes. Juscelino com Lacerda... São circunstancias históricas que o país vive e que fazem com que os políticos se unam ou se afastem. Quando cheguei aqui, eleito, em 2006, muitos imaginavam que eu sairia atirando. Mas já havia se passado, em relação ao meu embate com Lula, 18 anos. Em relação ao Sarney, 20 anos. Não seria inteligente, pela experiência que acumulei, que eu viesse aqui transbordar sentimentos menos nobres. Além disso, avaliei: a agenda política, social e econômica do presidente Lula começou lá atrás, em 89.
- Acha que a agenda de Lula é continuação da sua?
Sim. Sobretudo na área econômica. Tudo o que estava preconizado naquela época vem sendo seguido por todos aqueles que vieram depois de mim, inclusive o Fernando Henrique Cardoso.
- Que pedaço do seu governo teve sequência nas gestões posteriores?
Tem um discurso do Fernando Henrique, para mim memorável, em que ele tenta desconstruir toda a linha mestra do nosso programa. E ele, logo depois de eleito, adotou esse mesmo programa.
- A que programa se refere?
Eu me refiro, sobretudo, ao programa econômico. A questão da abertura, a busca do superávit da balança comercial, a inserção competitiva do Brasil no mercado internacional. No essencial, tudo o que veio depois é uma mera continuidade.
- Não acha que a aliança entre políticos que se chamavam uns aos outros de ladrão confunde e desalenta o eleitor?
Não penso assim. Se levarmos em consideração a popularidade de que desfruta o presidente Lula, que não é a mesma de dois anos atrás, eu devo ter tomado a atitude correta. O programa de governo dele tem a aprovação de 80% da população.
- Acha que cometeu excessos no passado?
A gente sempre comete excessos. Outro dia assisti no cinema ao filme ‘O Curioso Caso de Benjamin Button’, com o Brad Pitt. E pensei: Como seria bom se a gente nascesse mais velho, com experiência, e fosse regredindo em idade. Seria uma maravilha. A vida real, infelizmente, não é assim. Então, à medida que o tempo vai passando, a gente vai ganhando experiência com base nos tropeços, nos percalços.
- O senador Mercadante afirma que a disputa da comissão de Infraestrutura refez a cena de 20 anos atrás. De um lado PSDB e PT. De outro o PMDB de Renan Calheiros, recém saído de um escândalo, e Collor. O que acha?
É uma leitura de quem olha a política pelo retrovisor. Vejo como uma justificativa para atenuar a derrota a que ele conduziu o partido dele. A condução do processo foi inteiramente equivocada. Ele e o partido dele perderam a presidência do Senado e a comissão. Ele desconsidera que as pessoas, ao longo dos anos, ganharam experiência, conhecimento, têm melhor visão do mundo, fizeram autocrítica, amadureceram.
- Considera-se mais impuro do que o senador Mercadante?
De jeito nenhum. Não sou mais puro nem impuro do que ninguém. Todos nós, que participamos da vida pública, estamos sujeitos a percalços. Ele próprio foi vitimado por um percalço sério, no caso dos aloprados. O partido a que ele pertence enfrentou problemas sérios com o mensalão.
- Acha que essa disputa terá conseqüências?
O senador Mercadante em nada contribui com a conciliação da base de apoio ao governo. No Senado, o governo tem uma maioria fluida. Ele, como líder do partido que lidera a composição das forças de coalizão, não contribui ao fazer essa análise desfocada. Passada a fase da refrega, temos de virar essa página. Quem não sabe virar a página não merece ler o livro. De minha parte, preferia que não tivesse havido a disputa com a senadora Ideli, a quem respeito muito.
- Não foi indelicado ao dizer que a senadora ‘cisca pra dentro’?
É uma expressão típica do Nordeste. Quem é nordestino sabe que, lá, é uma expressão muito usada.
- Usada com que sentido?
Uma galinha ou um galo, quando cisca em busca de alimento, cisca pra fora, afastando as coisas que não interessam. Ciscar pra dentro significa agregar, conciliar. O sentido é positivo. Quando queremos nos referir pejoritivamente a um político dizemos: ‘Esse camarada cisca pra fora o tempo todo’. É desagregador. Não quis ofender.
- Pretende disputar cargos executivos, governo do Estado ou presidência?
Não há pretensão nem previsibilidade de que isso possa acontecer. Meu horizonte agora são os seis anos que me restam de mandato. No final, verei o que fazer.

Fonte: Blog do Josias de Souza (Folha online)

Infância, violência, aborto e uma ‘defesa’ de Deus

Um aviso ao leitor católico, sobretudo ao mais dogmático: interrompa a leitura aqui. O texto contém uma defesa de Deus contra ataques da Igreja.
Sim, sim. Isso mesmo. O repórter tem essa pretensão. Sairá em defesa do Todo Poderoso.
Deus, como se sabe, existe. Mas há muito não vem conseguindo dar expediente em tempo integral.
Num dos momentos de folga de Nosso Senhor, um padrasto do município pernambucano de Alagoinha estuprou a entedeada de 9 anos.
Afora a violência sexual, a menina teve a infância roubada. Pior: viu brotar em seu ventre imaturo uma gravidez. Esperava não um, mas dois bebes.
Vendo que a filha mastigava o pão amassado por Asmodeu, a mãe da menina decidiu pelo aborto. Amparadas por pessoas de bem, mãe e filha foram levadas para o Recife.
Ali, médicos constataram que a gravidez encontrava-se na altura do quarto mês. Ainda era possível interrompê-la. Assim foi feito.
Súbito, o que já era doloroso tornou-se impiedoso. A Igreja pegou em lanças contra o aborto dos dois fetos que habitavam o útero da criança.
Puxa daqui, estica dali o arcebispo de Recife e Olinda, dom José Cardoso Sobrinho, anunciou a excomunhão da mãe da criança e dos médicos que a trataram.
E quanto ao padrasto? Bem, o tarado não procedera direito. Mas o pecado dele, disse dom José Sobrinho, era menos grave do que o cometido pela mãe e pelos médicos.
O arcebispo escorou-se no 6º mandamento do Senhor: ‘Não matarás’. Foi apoiado aqui, pela CNBB; e alhures, pelo Vaticano.
A condenação da Igreja foi feita em nome de Deus. Uma afronta ao 3º mandamento sagrado: ‘Não tomarás o santo nome de Deus em vão’.
Em Êxodo, capítulo 20, versículo seis, o Livro dos livros anota: “Não pronunciarás o nome do Senhor teu Deus em vão, porque o Senhor não deixará impune quem pronunciar seu nome em vão”.
Pois que desçam sobre as cabeças dos clérigos as iras de Jeová. Por misericordioso, o Todo Poderoso não mereve ver o Seu santo nome associado à insensibilidade da Igreja.
Se os sacerdotes continuarem metendo o nome do Padre Eterno em causas assim, tão inglórias, os fiéis acabam se convencendo de que Deus não existe.
Ou, por outra, os cristãos podem ser empurrados para a conclusão de que Deus não merece existir.

Fonte: Blogo do Josias de Souza (Folha online)

domingo, março 01, 2009

Constituição de 88 tem 142 artigos por regulamentar


Grupo integrado pelos 3 Poderes tenta resolver problema


O Congresso, como se sabe, é uma casa de conflitos.
No Congresso Constituinte de 88, o dissenso foi levado às fronteiras do paroxismo.
Respirava-se uma atomosfera efervescente.
O país saía de um jejum de 21 anos, imposto pela ditadura militar, para um banquete democrático.
Nesse ambiente, o constituinte de 88 acabou produzindo uma Constituição apegada ao detalhe.
Foram ao texto direitos que bem caberiam em leis ordinárias.
Para complicar, o lufalufa legislativo de 88 resultou em inúmeros consensos imperfeitos, que levaram a acordos possíveis, não ideais.
Sempre que o impasse ameaçou caminhar para o insolúvel, recorreu-se ao artifício de transferir a encrenca para uma lei complementar.
Levantamento feito pelo gabinete do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) revela o seguinte:
1. Há na Constituição 351 artigos cuja vigência é condicionada à aprovação de uma lei que o complemente;
2. A Câmara e o Senado já cuidaram da regulamentação de 209 artigos;
3. Continuam pendentes de aprovação 142 leis previstas no texto constitucional –62 dispõem de projetos já apresentados; para 80 nem projetos há.
Ou seja, a oito meses de fazer aniversário de 21 anos, a Constituição é, ainda, uma obra inacabada.
Na prática, alguns dos direitos servidos no banquete de 88 não podem ser degustados em sua plenitude.
Como que antevendo a encrenca futura, os próprios constituintes incluíram no texto da Constituição um antídoto para o veneno.
Criou-se o mandado de injunção. É um tipo de recurso usado para requerer ao Judiciário que obrigue o Legislativo a regulamentar os artigos inconclusos.
Acionado, o STF já endereçou ao Congresso um sem-número de decisões em que pede pressa na aprovação de leis complementares específicas.
Na Câmara e no Senado a maioria dos ofícios do Supremo é tratada a golpes de barriga. Alguns deles adormecem nas gavetas do Congresso há mais de 15 anos.
Incomodados, os ministros do STF passaram a, por assim dizer, “legislar”. O exemplo mais eloquente foi uma decisão tomada no ano passado.
Refere-se ao direito de greve dos servidores públicos. Um direito reconhecido na Constituição, mas condicionado à regulamentação de uma lei que jamais foi aprovada.
Provocado, o STF decidiu impor ao funcionalismo público, por analogia, as mesmas regras da lei 7.783, que regula as paralisações na iniciativa privada. Um remendo.
“Quem bate à porta do Judiciário tem que ter uma resposta, exista ou não uma lei”, diz Demóstenes Torres.
“Nós reclamamos que o Supremo legisla, mas a verdade é que o Congresso não tem feito a parte que lhe cabe”.
Homem de leis, promotor público licenciado, Demóstenes está na bica de assumir a presidência da Comissão de Constituição e Justiça do Senado.
Antes mesmo de sentar na cadeira, o senador decidiu agir. Quer constituir um grupo de trabalho para esquadrinhar os artigos constitucionais inconclusos.
Demóstenes conversou com os presidentes do Senado, José Sarney, e do STF, Gilmar Mendes. Falou também com o ministério da Justiça. Chegou-se a um acordo.
“Concordamos que é preciso suprir as omissões da Constituição de 88”, Demóstenes conta. “Fiz um levantamento. O Supremo e o ministério farão os seus...”
“...A idéia é fazer uma comissão enxuta, de assessores qualificados do Congresso, do Supremo e do Executivo...”
“À medida que os que projetos forem ficando prontos, vão à discussão. O ideal seria apresentar todos ainda em 2009 e votar pelo menos a metade até o final do ano”.
Demóstenes soa demasiado otimista. O Congresso, casa sem hierarquias, não segue a lógica empresarial.
Ali, as decisões são tomadas no voto, ao sabor das negociações e da formação de maiorias. E muitos dos impasses de 1988 sobrevivem em 2009.
Seja como for, é alentador saber que alguém no Congresso mostra-se preocupado em concluir o repasto de direitos levado à mesa faz mais de duas décadas.

Fonte: Blog do Josias de Souza ( Folha online)

Para Vox Populi o ‘piso’ potencial de Dilma é de 30%

O Planalto saboreia os números de uma pesquisa que acaba de sair do forno. Coisa ainda inédita.
Nacos do levantamento foram trazidos à luz pelo repórter Lauro Jardim. Leia abaixo:

“Uma pesquisa recém-concluída e inédita do Vox Populi cravou o piso da candidatura Dilma Rousseff em torno dos 30%.
Esse total é a soma dos eleitores que votam no PT mais os que votam sem restrições em quem Lula indicar.
Para crescer acima desses 30%, aí, sim, vão pesar a qualidade da campanha e a empatia da candidata, hoje com cerca de 14% das preferências.
João Santana, marqueteiro de Lula e uma das cabeças por trás da modelagem da Dilma-candidata, tem dito no Planalto que o ideal é que sua subida nas pesquisas ocorra lentamente até o início do ano que vem.
Se ela terminar o ano com uns 20%, estará de bom tamanho, segundo avalia”.


Fonte: Blog do Josias de Souza (Folha online)

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Dirigente da Embraer vai a Lula e mantém demissões

Dizia-se que as 4.200 demissões na Embraer haviam tirado Lula do sério. Se irritação houve, já passou.
Nesta segunda, junto com três ministros, Lula reuniu-se com Frederico Fleury Curado, presidente da fábrica de aviões.
Pediu assistência aos demitidos. Mas não apelou por readmissões. Nem adiantaria. Para a Embraer, as dispensas constituem jogo jogado.
Retaliações? Nem pensar. O governo informa que serão mantidas as linhas de financiamento do BNDES à Embraer.
Produziu-se no Planalto uma pantomima. Deve-se ao repórter Elio Gaspari o melhor retrato do embuste.
Sob o título “O Massacre da Embraer foi morte anunciada”, Gaspari levou às páginas da Folha (assinantes) o texto que vai abaixo:

“Há uma semana, diante da notícia do Massacre da Embraer, no qual foram destruídos 4.000 empregos, Lula indignou-se.
Segundo a narrativa de sindicalistas que estavam com ele, Nosso Guia teria dito: 'É um absurdo que uma empresa que recebeu recursos do BNDES ao longo dos últimos anos, ao primeiro sinal de problemas, promova este enorme corte, sem uma única conversa com alguém do governo, sem nos procurar'.
De duas uma: Lula está fazendo teatro (a melhor hipótese), ou disse a verdade, revelando que não tem ideia do que acontece no país e no seu governo. Pior: seus ministros do Trabalho, do Desenvolvimento e da Fazenda também não.
A informação de que a Embraer pretendia demitir 4.000 funcionários era pública desde dezembro do ano passado. Foi revelada pelo repórter Julio Ottoboni, referindo-se a um boletim interno da empresa.
Ottoboni informou o tamanho da carnificina -'4.000 funcionários', e a época, o início de 2009. Lula e seu ministros podem dizer que não leem jornal, mas a informação constou da sinopse que a Radiobrás organiza diariamente.
Os sindicalistas de São José dos Campos sabiam do plano da Embraer e dizem que tentaram negociar com a empresa mecanismos semelhantes aos que têm protegido milhares de empregos.
José Lopez Feijóo, da executiva da CUT, contou que a Embraer chegou a marcar um encontro com o ministro Guido Mantega, mas não apareceu. Discutiriam a qualidade dos sambas-enredo das escolas?
Quem diz que foi surpreendido ofende a quem lhes dá crédito. Com o tempo vai-se saber quem conversou com quem. Por enquanto, fica a possibilidade de ter havido um acordo tácito: a Embraer faz o massacre, eu digo que não sabia, falo mal de seus diretores durante uma semana e depois voltamos às práticas de sempre.
Que práticas? Desde o tempo dos generais a Embraer é uma queridinha do palácio. Se o presidente precisa de um cenário para bombar os avanços tecnológicos de seu governo, marca um evento em São José dos Campos e aparece na foto ao lado de jatos, robôs e máquinas fantásticas.
Quando o tucanato precisou bombar sua publicidade, os marqueteiros selecionaram um plantel de bem-sucedidos para ilustrar anúncios pelo Brasil afora. Na lista, o presidente da Embraer.
A intimidade do Planalto com a Embraer chegou ao apogeu em 2004, quando Nosso Guia encomendou o AeroLula à empresa europeia Airbus, ao preço de US$ 56,7 milhões.
Presidindo um país onde funcionava a quarta maior fábrica de aviões do mundo, teria sido razoável encaminhar o pedido à Embraer. Empregaria 400 pessoas durante seis meses.
Segundo o Planalto, o Airbus era essencial porque sua autonomia permitia voos diretos até Paris ou Nova York. Considerando que esses trajetos não são frequentes, ficava pelo menos a dúvida.
Ela foi desfeita pela Embraer, que se apressou em respaldar a decisão, informando que não produzia o tipo de avião pedido, nem pretendia fazê-lo nos próximos cinco anos. Caso raro de empresa amparando uma preferência pelo concorrente.
George Bush e Henry Paulson, seu secretário do Tesouro, fizeram muitas besteiras, mas nunca lhes passou pela cabeça armar um jogo ao fim do qual pudessem dizer que não sabiam que o banco Lehman Brothers estava quebrado".
Fonte: Blog do Josias de Souza (Folha online)

domingo, fevereiro 22, 2009

Inquérito da PF liga Sarney a ‘desvios’ da Gautama


Pendurada nas manchetes em maio de 2007, a “Operação Navalha” agora só aparece no noticiário de raro em raro.
Mas, em silêncio, a investigação prossegue. A Polícia Federal continua empilhando provas contra Zuleido Veras (foto), o dono da Gautama.
Zuleido, você deve se lembrar, comandava um esquema que fraudava obras públicas. O pedaço ainda inédito do inquérito reúne documentos de arrepiar.
Num trecho do processo, o sobrenome Sarney irrompe com incômoda fluidez.
Os detalhes foram trazidos à luz em reportagem de Otávio Cabral e Diego Escosteguy, de cujo trabalho as informações relatadas aqui foram extraídas.
Entre as obras esquadrinhadas pela PF está a ampliação do aeroporto de Macapá (AP). Foi licitada pela Infraero no final de 2004, depois de um pedido de José Sarney a Lula.
Eleito senador pelo Amapá, o maranhense Sarney tem em Macapá, a capital do Estado, seu principal reduto eleitoral.
Natural, portanto, que se empenhasse para dotar a cidade de um aeroporto mais bem aparelhado. O inusitado veio a seguir.
A Gautama, construtora de Zuleido, sagrou-se vitoriosa na licitação da Infraero. Um certame fraudado, a PF acusa.
O contrato embute, de acordo com a polícia, um superfaturamento de R$ 50 milhões. A PF colecionou provas que permitiram farejar o rateio do butim.
Há no inquérito, por exemplo: comprovantes de depósitos bancários, gravações de diálogos telefônicos e planilhas de pagamento de propina.
Numa das planilhas, recolhida em batida policial na casa de Zuleido, anotou-se a derrama de R$ 500 mil em campanhas eleitorais do Amapá.
A PF suspeita que o rateio tenha sido feito sob orientação de José Sarney, identificado na planilha de Zuleido com a sigla “PR” (presidente).
Há mais: a polícia informa que um personagem identificado como José Ricardo, lobista da Gautama, chegava mesmo a despachar no gabinete do senador Sarney.
Há pior: segundo a PF, um dos encarregados de cobrar os óbulos da Gautama era Ernane Sarney. Vem a ser irmão do atual presidente do Senado.
Ernane Sarney figura no inquérito como beneficiário de um depósito de R$ 30 mil de Zuleido. Não é só.
A voz do irmão do senador Sarney soa num dos diálogos captados por grampos telefônicos realizados pela PF.
A conversa é de abril de 2007. Ernane Sarney falava ao telefone com tesoureiro da Gautama. Ele pediu dinheiro:
“Vocês estão me enrolando. Já não estava tudo na mão? Eu tô com a corda no pescoço aqui, rapaz, o doutor também tá com a corda no pescoço", queixa-se o irmão de Sarney.
Há também nas páginas do inquérito comprovantes de depósitos para assessores de outros três senadores do PMDB:
Renan Calheiros (AL), líder da legenda; Valdir Raupp (RO), ex-líder; e Roseana Sarney (MA), líder de Lula no Congresso.
Há também, segundo a PF, anotações que açulam a suspeita de que Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Lula no Senado, foi beneficiário de repasses monetários da Gautama.
A reportagem de Otávio Cabral e Diego Escosteguy chega nas pegadas da entrevista em que Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) dissera, há uma semana, coisas assim:
1. "Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção";
2. "A maioria de seus quadros se move por manipulação de licitações e contratações dirigidas";
3. O PMDB é "uma confederação de líderes regionais, cada um com seu interesse, sendo que mais de 90% deles praticam o clientelismo, de olho principalmente nos cargos";
4. José Sarney "vai transformar o Senado em um grande Maranhão";
5. Renan Calheiros "não tem nenhuma condição moral ou política para ser senador, quanto mais líder do partido".
Sacudido pelas palavras de Jarbas, a Executiva do PMDB soltou uma nota curiosa. No texto, o partido informa que não daria “maior atenção” à entrevista de Jarbas.
Classificou as declarações de um mero “desabafo”. Alegou que, “em razão da generalidade das alegações”, não havia o que fazer.
Querendo fazer algo, o PMDB pode recorrer à influência que exerce sobre o governo Lula para compulsar as páginas do inquérito da PF.
Fonte: Blog do Josias de Souza (Folha online)

Congresso engaveta leis de moralização da política

Carnaval. Boa hora para esmiuçar o "Samba do Legislativo Doido". É o hino do bloco dos sujos. Serve de enredo para a “Unidos da Desfaçatez”.
Começa com o ruído das ruas. Um batuque algo desconexo. Intima o Congresso ao centro da roda. Põe os parlamentares para rebolar. Súbito, acaba em cinzas.
Vão abaixo três passagens acrescentadas recentemente ao velho samba:
1.Compasso do voto aberto: Em 5 de setembro de 2006, a Câmara aprovou, em primeiro turno, emenda constitucional extinguindo o voto secreto no Legislativo.
Coisa urgente e necessária. Sob a sombra do voto secreto, os deputados tinham acabado de absolver o 11º colega mensaleiro.
Na bica de um reencontro com as urnas, que se daria dali a um mês, a Câmara produziu uma votação apoteótica: 383 a zero.
O voto aberto convertera-se em súbita unanimidade. Faltava apreciar a emenda em segundo turno. Mas a excitação do plenário prenunciava uma barbada. Engano.
Já lá se vão dois anos e cinco meses. E nada da segunda votação. Levada à gaveta ainda na presidência de Aldo Rebelo (PCdoB-SP), a emenda do voto aberto nunca mais viu a luz do Sol.
Sob Arlindo Chinaglia (PT-SP), permaneceu em cativeiro. Em pleno vigor, o voto secreto, depois de socorrer a turma do mensalão, rendeu duas absolvições a Renan Calheiros.
Michel Temer (PMDB-SP), o sucessor de Chinaglia, ainda não fez menção de abrir a gaveta. Natural. As ruas silenciaram.
2.Compasso do suplente: Em 9 de abril de 2008, a comissão de Justiça do Senado aprovou um projeto que impõe limites à farra dos suplentes.
Relator, Demóstenes Torres (DEM-GO) pegara pesado. Sugerira a extinção pura e simples do suplente.
Em casos de vacância, iria à cadeira do Senado o deputado federal mais votado. Mais: senador que aceitasse cargo de ministro teria de renunciar ao mandato.
Não se chegou a tanto. Mas avançou-se. A proposta aprovada na comissão de Justiça manteve os suplentes. Só que converteu-os em “senadores-tampão”.
Morrendo o titular, o suplente ocupa a cadeira no Senado apenas até a eleição seguinte. Mesmo que o pleito seja municipal. Proibiu-se, de resto, o suplente-parente.
A votação se deu sob pressão das ruas. Três meses antes, Edison Lobão Filho (MA) assumira a cadeira de Edison Lobão (PMDB-MA), o pai, convertido em ministro de Lula.
Lobinho chegara como o 174º suplente a ganhar os corredores do Senado sem ter amealhado um mísero voto. E trazia consigo um pegajoso rastro de denúncias.
Pois bem, aprovada na comissão, a proposta foi à mesa de Garibaldi Alves, que presidia o Senado. Dali deveria ter seguido para a votação em plenário. Não seguiu.
Daqui a um mês e meio, a gaveta da suplência fará aniversário de um ano. Sucessor de Garibaldi, José Sarney parece mais propenso a passar a gaveta na chave do que a abri-la.
3. Compasso do ficha suja: Em 8 de julho de 2008, empurrada pelo noticiário, a comissão de Justiça do Senado, de novo ela, aprovou um projeto redentor.
O texto, produzido por Demóstenes Torres, de novo ele, resultara da fusão de 21 propostas. Dormitavam nos escaninhos do Senado.
Eis a principal novidade: políticos de ficha suja seriam impedidos de disputar eleições depois de condenados na primeira instância do Judiciário.
Acabava o lero-lero de que, para inabilitar um candidato picareta, era necessário aguardar pela manifestação de todas as instâncias judiciais –da primeira à última.
A inovação chegava em boa hora. Avizinhavam-se as eleições municipais de 2008. Só no Congresso, havia 88 candidatos a prefeito –11 eram réus em ações penais.
Aprovou-se na comissão de Justiça um requerimento de urgência, para que o projeto fosse direto para o plenário do Senado. Porém...
Porém, ao passar pela mesa de Garibaldi, a proposta escorregou para a gaveta. E lá permanece há seis meses e 22 dias, agora sob Sarney.
Assim se desenrola, em ritimo de partido baixo, o “Samba do Legislativo Doido”. Quando a rua batuca, cantarola-se Noel: "Agora vou mudar minha conduta..."
Mexe daqui, rebola dali, a coisa caminha bem até o instante em que soa a pergunta: "Mas com que roupa?"
Nesse ponto, o Congresso engata o breque. E opta por permanecer nu.
Fonte: Blog do Josias de Souza (Folha online)


sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Ex-marolinha já envenena as estatísticas do IBGE

Ao chegar ao Brasil, no final de 2008, a crise global secou o crédito bancário.
Depois, a crise engoliu o cronograma de investimentos das empresas.
Agora, em seu efeito mais doloroso, a crise mastiga a folha de pagamento.
O veneno começa a aparecer no caldeirão estatístico do IBGE.
Pesquisa realizada nas seis maiores regiões metropolitanas do país constatou:

1. Entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, a taxa de desemprego saltou de 6,8% para 8,2%;

2. A diferença de um mês para o outro –1,4 ponto percentual— é a mais alta desde 2002, quando o levantamento do IBGE começou a ser feito.
Janeiros costumam ser amargos. No primeiro mês de cada ano, vão à rua os empregados temporários admitidos no final do ano anterior.
Esse janeiro de 2009, porém, foi “atípico e mais cruel”, disse Cimar Azeredo, coordenador da pesquisa do IBGE.
"É um janeiro diferente, com muitas dispensas na construção, além do que geralmente é observado no comércio...”
“...Não há dúvidas que existe um cenário econômico que alterou o mercado de trabalho".
Reunido com ministros de áreas sociais, Lula acusou o golpe. Queixou-se da má notícia da véspera: a decisão da Embraer de demitir 4 mil trabalhadores.
Um detalhe tonificou a irritação de Lula: a fábrica de aviões é freguesa de caderneta do BNDES. O que faz do governo uma espécie de sócio das demissões.

Josias de Souza

Fonte: blog do Josias de Souza

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Josias de Souza

05/12/2008
Linguajar de Lula molesta os tímpanos do tucanato

Ao temperar um discurso feito no Rio com expressões de calão raso, Lula eriçou os tímpanos do tucanato.
Nesta sexta (5), o PSDB levou ao seu sítio um texto de reprimenda. Traz declarações de deputados do partido.
Entre eles o líder José Aníbal (SP), para quem Lula adota "comportamento inadequado".
Recorre ao "destempero verbal no trato de uma crise que não é imaginária, mas real".
De resto, diz Aníbal, Lula dá de ombros para o fato de que, levado pela mídia, seu "palavreado chulo e grosseiro" chega "à casa das famílias".
Ex-líder do tucanato na Câmara, Carlos Pannunzio (SP) também reprovou:
"Não é com baixo calão, mau gosto e linguajar de campo de futebol que vai se resolver a crise".
Natural que o PSDB torça os ouvidos. Mas convém lembrar um ensinamento de Nelson Rodrigues, cultor da palavra simples:
"Se eu tivesse que dar um conselho, diria aos mais jovens: Não façam literatice. O brasileiro é fascinado pelo chocalho da palavra".
A "diarréia" e o "sifu" foram os chocalhos do discurso de Lula. E o brasileiro, a julgar pelo que informa o Datafolha, está adorando.

Fonte: folha online