Meu personagem do ano era, até pouco tempo atrás, apenas um morador de rua: Robson Mendonça. Mas, em 2011, ele deu uma lição de criatividade, conexão tecnológica e responsabilidade comunitária. Aqui, no Brasil, ninguém me chamou tanto a atenção.
Quando morava na rua, Robson adorava ler livros. Decidiu então colocar numa bicicleta uma caixa de livros e criou uma biblioteca ambulante na região de São Paulo. Virou notícia não apenas nacional, mas internacional.
Foi roubado. Sumiu a bicicloteca, que já vinha recebendo milhares de doações de livros. Foi feita então uma caça ao tesouro na cidade, formando uma rede de pistas sobre o paradeiro da bicicloteca. Acharam.
E agora tudo ficou mais interessante. Nesta semana, a bicicleta não só ficou elétrica, mas ganhou um painel solar, que alimenta um computador wireless, criando também um telecentro móvel.
Num ano com tantas notícias de corrupção e um sentimento generalizado de ceticismo, Robson mostra como apenas um indivíduo, com tão poucos recursos, pode fazer a diferença. É um caso a ser estudado de empreendedorismo - um espírito que faz falta em nosso país, onde se fala mais em direitos do que deveres, e sempre se espera a solução dos governos.
Personagens como ele fazem da minha volta a São Paulo, com todo o seu caos, um prazer.
Fonte: folha online
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sábado, dezembro 17, 2011
domingo, setembro 04, 2011
Gilberto Dimenstein
Rio ou São Paulo? Bobagem
Leio na última edição da revista "The Economist" um artigo intitulado "Rio ou São Paulo?", retratando um clima de disputa entre as duas cidades aos o olhos de investidores estrangeiros. Depois de longa estagnação, o Rio voltaria a atrair empresas, disputando investimentos. Isso suscita o ambiente, ultrapassado, de disputa entre as duas cidades. É uma bobagem.
Sou paulistano e considero uma das melhores notícias do Brasil a recuperação do Rio que, em muito aspectos, tem revelado uma visão mais avançada do que a cidade de São Paulo. Basta ver, por exemplo, o polo tecnológico focado no petróleo e a agência criada para atrair negócios, entre outras inovações.
A melhoria do Rio é ótima para o Brasil e melhor ainda para São Paulo. Afinal, são mais negócios que se abrem para a cidade de São Paulo. São economias complementares. São Paulo tende a ser um dos polos mundiais da economia criativa pela combinação do ensino superior, dos recursos e por atrair o capital humano mais sofisticado do país. Podia ser muito, mas muito mais, se os poderes públicos se articulassem mais e gerassem um clima mais favorável à inovação como Londres, Nova York, Boston, São Francisco, Barcelona ou Berlin.
Quando (e se) criarem uma linha de trem de alta velocidade, as duas cidades serão quase apenas uma cidade.
Portanto, quanto melhor o Rio, melhor São Paulo. O resto é bobagem provinciana.
Fonte: folha online 03/09/2011
Leio na última edição da revista "The Economist" um artigo intitulado "Rio ou São Paulo?", retratando um clima de disputa entre as duas cidades aos o olhos de investidores estrangeiros. Depois de longa estagnação, o Rio voltaria a atrair empresas, disputando investimentos. Isso suscita o ambiente, ultrapassado, de disputa entre as duas cidades. É uma bobagem.
Sou paulistano e considero uma das melhores notícias do Brasil a recuperação do Rio que, em muito aspectos, tem revelado uma visão mais avançada do que a cidade de São Paulo. Basta ver, por exemplo, o polo tecnológico focado no petróleo e a agência criada para atrair negócios, entre outras inovações.
A melhoria do Rio é ótima para o Brasil e melhor ainda para São Paulo. Afinal, são mais negócios que se abrem para a cidade de São Paulo. São economias complementares. São Paulo tende a ser um dos polos mundiais da economia criativa pela combinação do ensino superior, dos recursos e por atrair o capital humano mais sofisticado do país. Podia ser muito, mas muito mais, se os poderes públicos se articulassem mais e gerassem um clima mais favorável à inovação como Londres, Nova York, Boston, São Francisco, Barcelona ou Berlin.
Quando (e se) criarem uma linha de trem de alta velocidade, as duas cidades serão quase apenas uma cidade.
Portanto, quanto melhor o Rio, melhor São Paulo. O resto é bobagem provinciana.
Fonte: folha online 03/09/2011
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