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sexta-feira, setembro 30, 2011

Filme de filho de Glauber Rocha gera polêmica em festival francês-30/09/2011

BIARRITZ, França, 30 Set 2011 (AFP) - O filme "Transeunte", de Eryk Rocha, filho de Glauber Rocha, provocou polêmica no Festival de Biarritz, onde algumas pessoas criticaram sua maneira de filmar e outros consideraram que anuncia um grande cineasta.

O primeiro longa-metragem de ficção do filho do símbolo do Cinema Novo, que disputa o grande prêmio do festival, retrata, em grandes planos e em preto e branco, o renascer de um homem, Expedito, um aposentado solitário que vaga pelo Rio de Janeiro.
"Não gostei, é muito lento. Rocha filma muito de perto, dá para ver os poros da pele do protagonista, as bolsas sob os olhos", criticou a espectadora Lucille Arthaud, para quem as imagens "lembraram demais o que vejo no espelho a cada manhã".
"Não acontece nada, não há uma história, não há diálogos", reclamou uma aluna de uma escola secundária de Biarritz, balneário do País Basco francês.
Mas para o crítico Thierry Garrel, a proposta de Rocha é "inovadora, poética, com uma estética muito original".
"Gostei muito de 'Transeunte', e acredito que anuncia o nascimento de um grande cineasta", disse Garrel.
"No total, 15 a 20% do público deixou a sala, mas isto não importa. Não é um cinema de ação igual a tantos outros, mas que tem uma grande audácia narrativa, e isto representa um verdadeiro desafio para o espectador", completou.
Ao ser questionado pela AFP sobre as críticas após a exibição de seu filme, Rocha afirmou ter consciência de que seu filme "não é fácil".
"Minha maneira de filmar reflete minha maneira de sentir o mundo. Não me interessa reproduzir uma gramática de cinema já estabelecida, esta não é a forma como eu sinto o mundo", explicou o diretor de 33 anos.
"Eu busco um afastamento da narrativa convencional, da linguagem convencional. Se filmo tão de perto é porque quero colocar o espectador na pele do protagonista, quero que sinta sua respiração, que entre em suas sensações".
"Não é um filme sobre um homem, é com um homem, acompanhando-o em seu percurso, sentindo suas sensações, vivendo sua paulatina transformação, ajudado pela música, que o ajuda a renascer", completou.
O jovem cineasta, que tinha apenas três anos quando o pai faleceu, disse que a mãe, a artista plástica colombiana Paula Gaitán, é sua grande influência na visão estética.
"Meu pai é um prazer, um orgulho, uma inspiração através de seus filmes, mas ele não pesa na minha decisão de fazer este tipo de cinema", disse Eryk Rocha.
"Foi minha mãe quem me influenciou, que me formou esteticamente".
"Para mim, o cinema é uma materialização de como você sente o mundo, e eu o sinto em imagens e sons", declarou, antes de enfatizar que considera que "a arte tem a obrigação de criar, e de criar polêmica".
"Mas no Brasil, o cinema agora está muito influenciado pela televisão, praticamente só há espaço para o cinema comercial", criticou.
"Mas existe uma nova geração de cineastas brasileiros, com entre 25 a 35 anos, que está emergindo com muita força, com filmes muito pessoais, com uma busca estética muito forte, alimentada pela relação com o mundo e pela realidade brasileira", concluiu Rocha, com um tom mais otimista.
O Festival de Biarritz, que celebra o cinema da América Latina, termina no sábado com o anúncio da premiação.
Fonte: uol.com.br

sábado, setembro 17, 2011

Cinema americano exibe filme de Xuxa e a descreve como atriz pornô-16/09/2011

A apresentadora Xuxa Meneghel virou atração bizarra do cinema "The CineFamily", em Los Angeles, nos Estados Unidos. O local vai exibir uma mostra de filmes da "rainha dos baixinhos" neste sábado (17).

No site do evento, a loira da Globo é chamada de "atriz de filme pornô-soft" e que se tornou uma apresentadora infantil que conquistou adultos por três décadas devido a sua alta tensão sexualAinda no site, a descrição convida as pessoas a fazerem uma viagem através do filme. O longa que será exibido é "Super Xuxa Contra o Baixo Astral", que no cinema americano é descrito como "Super Xuxa Contra Satanás".

"Superxuxa vs Satanás Dirs. Anna Penido e David Sonnenschein, 1988, apresentação digital, 82 min", diz o cartaz do evento.
O ingresso custa 12dolares.
Fonte:uol.com.br

domingo, setembro 11, 2011

Ataques de 11 de Setembro incentivaram brasileiro a lutar no Iraque-09/09/2011

ALESSANDRA CORRÊA

DA BBC BRASIL, EM WASHINGTON
No dia 11 de setembro de 2008, exatamente sete anos após os atentados contra Nova York e Washington que mataram quase 3 mil pessoas, o brasileiro Bruno Bonaldi desembarcava no Iraque como integrante de um batalhão de fuzileiros navais americanos enviados para lutar no país.
A temporada de sete meses na província iraquiana de Al-Anbar foi a realização de um sonho iniciado ainda na adolescência e que se tornou mais forte com os ataques de 11 de setembro de 2001.

"Quando aconteceu tudo aquilo em 2001 e quando foi confirmado, depois, que foi um ataque, um ato terrorista, eu passei a ter uma vontade ainda maior de me alistar e de poder lutar pelo país", disse Bonaldi, 29 anos, à BBC Brasil.
Dez anos após os atentados, de volta à casa onde vive com a mulher, a também brasileira Ana Paula, em Little Falls, no Estado de Nova Jersey, Bonaldi, que hoje é cidadão americano, diz que os eventos de 11 de setembro o tornaram mais patriota.
"Não nasci aqui, mas eu acho que sou ainda mais patriota hoje do que eu seria (se os atentados não tivessem acontecido)", diz Bonaldi.
TRAJETÓRIA

Nascido em Paranaguá, no Estado do Paraná, Bonaldi chegou aos Estados Unidos aos 11 anos de idade, com a mãe e os irmãos.
"Somos quatro irmãos, eu sou o mais velho. Meu pai já estava aqui havia cerca de oito meses e durante esse período juntou dinheiro para poder mandar nos buscar", relembra.
No início, a adaptação ao novo país foi difícil.
"Eu sempre tinha aquela mentalidade de um dia voltar para o Brasil. Pensava: 'Meus pais ficando ou não aqui, eu vou embora'. Minha vontade era sempre ir embora", diz.
A mudança veio no segundo ano do Ensino Médio, quando o então adolescente assistiu a uma palestra na escola sobre as Forças Armadas e, mais especificamente, os Marines - como os fuzileiros navais são chamados nos Estados Unidos.
"Naquele momento eu já sabia que aquilo era o que eu queria para mim", diz Bonaldi.
Bonaldi terminou o Ensino Médio em 2001, mesmo ano dos atentados. Imediatamente após deixar a escola, começou uma longa trajetória na tentativa de se alistar nas Forças Armadas.
CARTA A BUSH

A realização do sonho, porém, levou vários anos e incluiu algumas decepções. Até 2006, Bonaldi estava em situação ilegal nos Estados Unidos e não podia, portanto, se alistar.
"Desde 2001 tentei inúmeras vezes me alistar, mesmo sendo ilegal, mas sem sucesso", diz.
O soldado conta que chegou a enviar uma carta ao então presidente George W. Bush explicando sua situação e pedindo ajuda.
"Escrevi dizendo qual era a minha intenção e perguntando se alguém podia fazer alguma coisa por mim. Explicando que eu não estava atrás de Green Card, o que eu queria era me alistar mesmo."
Ele diz que recebeu uma resposta da Casa Branca, com a orientação de procurar o serviço de imigração e seguir as regras.
Seus pais acabaram conseguindo o Green Card por meio dos empregadores e, em 2006, Bonaldi finalmente conseguiu regularizar sua situação no país e ingressar nas Forças Armadas.
IRAQUE
Dois anos após entrar para o Corpo de Fuzileiros Navais, Bonaldi foi enviado ao Iraque - país invadido por uma coalizão liderada pelos Estados Unidos como parte da chamada "Guerra ao Terror" lançada após os ataques de 11 de setembro de 2001.
Na província de Al-Anbar, o batalhão do qual fazia parte era responsável pela segurança em um trecho de estrada.
Do período passado no Iraque, Bonaldi guarda a lembrança das longas jornadas em patrulhas à beira da estrada e do contato com a população local.
"O que me impressionou de cara foi a pobreza", afirma.
"Alguns iraquianos mais velhos não acreditavam que Saddam (Hussein) já tinha sido enforcado. Achavam que era uma farsa da mídia, que ele ainda estava escondido, que iria reassumir o poder e tudo ia voltar a ser como era antes."
Torcedor do Flamengo, Bonaldi levava na bagagem uma camisa do clube e diz que muitas vezes usou o futebol como maneira de superar a barreira da língua e se aproximar da população.
"Viam a camisa e já vinham falar de Zico", lembra.
BALANÇO
Passados dez anos dos atentados que levaram à invasão do Iraque - e do Afeganistão - Bonaldi diz que a ação militar da qual fez parte valeu a pena.
"Acho que valeu a pena tanto para mim, porque realizei um sonho, foi um aprendizado enorme, quanto para o próprio país, que está livre de um governo que maltratou muito o povo", afirma.
A morte do líder da Al Qaeda, Osama Bin Laden, em maio deste ano --em uma operação de forças americanas no Paquistão--, reforçou a certeza de que seu esforço no Iraque foi válido.
"O papel que eu cumpri lá (no Iraque) eu acho que valeu a pena. Ele (Bin Laden) foi morto, eu acho que conseguimos tirar um tirano", afirma.
No entanto, Bonaldi diz acreditar que ainda há trabalho pela frente no que diz respeito à luta contra o extremismo. "Ele se foi, a Al Qaeda fica."
Hoje Bonaldi faz parte de um batalhão da reserva, em Nova Jersey. Sobre a dupla cidadania, diz que se sente meio americano e meio brasileiro.
"Eu diria que é meio a meio, porque eu nunca esqueci do Brasil", afirma. "Amo o país onde nasci, mas amo aqui também. É um país que me deu oportunidades e que vai dar oportunidades para a minha família."
Fonte: folha online

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Reinaldo Azevedo

"Por quês" e porquês do caso Paula

Acho que todos temos certa curiosidade: por que Paula agiu como agiu? Havia algum cálculo? Aposta em algum benefício posterior com ações judiciais? Tudo se deu em razão de problemas psicológicos? Mas, se é assim, por que a referência a um partido de direita, com uma plataforma hostil a imigrantes, chamado de “neonazista” por certa imprensa (ou quase isso) brasileira? Havia alguma intenção política no seu ato? Sim, há muitas perguntas para as quais não termos resposta.

E há aquelas indagações que podem ser facilmente respondidas, não é?

- Por que Celso Amorim pagou um dos maiores micros de sua desastrada gestão ao dizer que se tratava de um caso de xenofobia e ao ameaçar denunciar a Suíça à ONU?
RESPOSTA – Em primeiro lugar, porque é incompetente. Em segundo lugar, porque segue a orientação do chefe: vê a relação entre os países como um confronto entre ricos arrogantes e pobres orgulhosos. É, assim, com se houvesse um arranca-rabo de classes planetário.

- Por que boa parte da imprensa caiu na esparrela?
RESPOSTA – Porque está um tanto desacostumada de se ater a fatos e de questionar aparências, preferindo, em lugar disso, fazer justiça social com as próprias mãos — ou com o próprio teclado. Este escriba foi o primeiro e, por um tempo, o único a estranhar que os ferimentos no corpo da moça fossem tão regulares, sem variações de profundidade — o que poderia sugerir que não tinham sido feitos no escuro, em cinco minutos, com a vítima contida à força, certamente debatendo-se... Foi acusado de cruel e, claro, representante da direita.

- Mas qual teria sido, então, o procedimento correto?
RESPOSTA – Divulgar, sim, a sua versão, mas levantar os pontos dignos de estranhamento. O QUE TEMO É QUE ESTE TEMPO JÁ TENHA PASSADO NO BRASIL, E NÃO POSSAMOS MAIS BUSCAR A VERDADE COM RECEIO DE QUE ESTEJAMOS SENDO POLITICAMENTE INCORRETOS. Afinal, como duvidar de uma brasileira atacada por neonazistas na Suíça — e, ainda por cima, grávida?

- Qual foi o maior erro da imprensa?
RESPOSTA – Nem foi, se querem saber, ter acreditado na história de Paula, mas usar o caso para fazer ensaios mancos sobre a ascensão da xenofobia na Europa, em especial na Suíça, que seria especialmente tolerante com neonazistas.

- O que faltou nessa história toda?
RESPOSTA – Em alguns casos, faltou inteligência. Em quase todos, faltou coragem. E ANOTEM: ESTA NÃO SERÁ A ÚLTIMA MENTIRA QUE VAI, COMO DIZ AQUELE CLICHÊ QUE DETESTO, TOMAR "CORAÇÕES E MENTES". Qualquer vigarista que conte a fábula do oprimido, no Brasil, arrasta consigo uma romaria de crédulos. Mais: a acusação de Paula trazia a palavra mágica: "direita". A "direita", a gente sabe, é propensa a fazer as piores coisas, assim como um esquerdista estaria sempre ocupado em praticar generosidades. O verdadeiro mal da imprensa brasileira foi esse lixo mental.

Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo (Veja online)

Imprensa suíça diz que Paula Oliveira confessou farsa

Telejornal da noite na emissora Tele Zurich informou nesta quarta-feira, 18, que a advogada brasileira Paula Oliveira já teria confessado à polícia que inventou o caso da agressão por neonazistas. A informação foi dada também pela revista Weltwoche. Citando fontes da polícia, os dois veículos informam que a advogada teria confessado inclusive ser autora dos ferimentos na própria pele.Paula teria informado que comprou o estilete numa loja chamada Ikea. Os motivos pelos quais a brasileira teria inventado o ataque não foram revelados pela mídia suíça. Nesta quarta-feira, o Ministério Público de Zurique abriu uma investigação criminal contra Paula Oliveira, por suspeita de falso testemunho à polícia. Ela alega ter perdido bebês após ter sido agredida por neonazistas na semana passada.O Itamaraty disse ao estadao.com.br não ter recebido nenhuma informação de que Paula teria inventado o ataque, mas ressaltou que manterá o apoio consular a brasileira ainda que a versão da imprensa suíça seja confirmada. Mais cedo, o chanceler Celso Amorim reafirmou que, se necessário, o País dará assistência jurídica à advogada.Segundo o Ministério Público suíço, a investigação aberta nesta quarta-feira ocorre por Paula ter alegado estar grávida, quando exames provaram o contrário. A Justiça vai intimar Paula para que preste depoimento e após ouví-la deverá liberá-la para que retorne ao Brasil. De acordo com a Procuradoria-Geral de Zurique, um advogado já foi indicado para defender Paula e ela aceitou a oferta.Os promotores querem manter Paula na Suíça, para garantir a presença dela durante a investigação criminal. O passaporte dela e seus documentos legais estão bloqueados. "Esta medida garante que a mulher permaneça na Suíça o tempo que sua presença for necessária para o inquérito e todas as providências da investigação tiverem sido tomadas", afirma o comunicado.Na terça, a advogada recebeu alta do hospital e voltou para casa. Ela deixou o hospital pela porta dos fundos. Paula afirmou ter sido atacada no último dia 9, nas proximidades de uma estação de trem de Zurique por três skinheads, um deles com um símbolo nazista tatuado atrás da cabeça.Segundo essa versão, os agressores usaram um objeto cortante para marcar as siglas do Partido do Povo da Suíça (SVP), de direita, integrante da coalizão governista. Além disso, imagens revelaram vários outros cortes em Paula.O Ministério das Relações Exteriores brasileiro levantou inicialmente a possibilidade de que a brasileira foi vítima de um ataque xenofóbico. Porém a polícia suíça, após uma série de testes, afirmou que ela não estava com três meses de gravidez, como alegou inicialmente.O chefe do setor de medicina forense da Universidade de Zurique, Walter Baer, qualificou o incidente como um "caso clássico" de automutilação. Todos os ferimentos estavam ao alcance da mão de Paula e nenhum era profundo ou em áreas particularmente sensíveis, apontou Baer.

Fonte: Jornal o Estado de São Paulo

sábado, fevereiro 07, 2009

Fomos coniventes com Evo Morales

A capacidade de Evo Morales e Hugo Chávez de tornarem as coisas difíceis para si mesmos e para o resto do continente é diretamente proporcional à incapacidade brasileira de convencê-los de que os caminhos “bolivarianos” levam apenas ao fracasso das economias, ao dissenso interno, à desestabilização política e a conflitos externos absolutamente desnecessários.
Curiosamente, é amplo consenso no Brasil que esses fenômenos – instabilidade econômica e política, conflitos externos – não nos interessam. Não há candidatos sérios à Presidência da República por aqui com plataformas sequer remotamente apegadas à quebra das instituições, rompimento de contratos de longo prazo, repúdio a dívidas, hostilidade a potências estrangeiras, nacionalização, estatização, perseguição de minorias, cerceamento da oposição ou destruição dos outros poderes.
É o que Evo Morales e Hugo Chávez fazem, diante de um governo brasileiro incapaz de articular nossa conduta em função dos nossos interesses de longo prazo. Que interesse podemos ter em vizinhos à beira da guerra civil, como a Bolívia? Que interesse podemos ter num vizinho que ressuscita a Guerra Fria no Caribe como maneira de promover a própria fanfarronice militar, como faz a Venezuela?
Cabe aqui uma pergunta central: qual a capacidade que o Brasil tinha de influenciar acontecimentos nos reinos de Evo Morales e Hugo Chávez? Muita, se tivessemos já há bastante tempo deixado suficientemente claro para ambos que à principal potência regional (o Brasil) não interessa a instabilidade que ambos promovem. É, sim, direito legítimo dos povos da Venezuela e da Bolívia de viver sob o regime político e econômico que bem entenderem.
Mas – e é nesse “mas” que reside nosso problema – não às custas de sacudir o resto. Pode o atual governo brasileiro olhar para a situação boliviana e dizer que se trata de um observador neutro, empenhado em promover algum tipo de conciliação interna baseada no compromisso e entendimento que as partes possam atingir? Claro que não. Fomos coniventes com Morales – “a coisa mais extraordinária” da América do Sul, segundo Lula.
Podemos nos dirigir a Chávez dizendo que, para o Mercosul (um projeto que nasceu não apenas para baixar tarifas aduaneiras), é contraproducente a fabricação de conflitos com outros centros de poder? Claro que não. Assistimos ao jorro de sandices verbais do desequilibrado presidente da Venezuela como se fosse um animador de auditórios – agora que ele não só compra aviões russos mas, também, trata de provocar infantilmente os Estados Unidos promovendo manobras militares com os russos nós vamos bater palmas, rir ou fazer de conta que nada está acontecendo?

Permitam-me aqui um parênteses. Na célebre crise dos mísseis de 1962 (quando Moscou instalou mísseis nucleares em Cuba), Fidel Castro, o maior inspirador de Chávez, foi o principal perdedor. Estados Unidos e União Soviética entenderam-se à revelia do ditador cubano. Não seria difícil imaginar que, na visão de mundo distorcida e peculiar de Chávez, ele talvez possa estar achando que será uma espécie de “vingador” da História, trazendo para a porta dos fundos dos EUA seu velho rival. Arrisca-se a ser, como Fidel, o principal perdedor.
Situações de política externa desfavoráveis aos interesses de um país não são cataclismos meteorológicos, surgidos do nada. Morales e Chávez precisaram ser cultivados, criados, tolerados, precisaram sentir-se livres para agir, incentivados a tentar e convencidos de que podem conseguir. Em momento algum sentiram-se impedidos pelo seu principal vizinho, o Brasil.
Quem os apóia e festeja esse tipo de panacéia retrógrada e perigosa tem motivos para celebrar. Para os interesses do Brasil os acontecimentos na Bolívia e na Venezuela são lamentáveis. Resta esperar que a realidade se imponha – algo que dirigentes ideologizados jamais se dignam a admitir. O preço será pago por um enorme e indesejado sofrimento das populações da Bolívia e da Venezuela.

Fonte: blog do William Wack

segunda-feira, outubro 22, 2007

Lula esteve na vizinhança do inferno das mulheres

Na viagem que fez à África, na semana passada, Lula roçou a grelha que o diabo usa para assar a existência de parte das mulheres africanas. Entre os países visitados pelo presidente brasileiro estava a República do Congo (ou Congo-Brazaville). Não é nenhum Éden dos direitos humanos. Mas o inferno genuíno fica do lado, na vizinha República Democrática do Congo (ou Congo-Kinshasa), ex-Zaire.

A dramaturga Eve Ensler esteve recentemente no Congo que Lula preferiu não visitar. Fundadora do V-Day, um movimento global de apoio a organizações que se opõem à violência, Eve impressionou-se com o que viu. “Volto do inferno”, ela descreveu, em artigo reproduzido no Brasil pela revista eletrônica Via Política desta semana.

Eis um trecho: “A situação não é mais do que um feminicídio, e temos que a reconhecer e analisar como tal. É um estado de emergência. As mulheres são violadas e assassinadas a toda hora. Os crimes contra o corpo da mulher já são horríveis por si. No entanto, há que acrescentar o seguinte: por causa de uma superstição que diz que, se um homem viola mulheres muito jovens ou muito idosas, obtém poderes especiais, meninas de menos de doze anos de idade e mulheres de mais de oitenta anos são vítimas de violação.”
Mais um naco do texto: “Também é necessário acrescentar as violações das mulheres em frente de seus maridos e filhos. Mas a maior crueldade é a seguinte: soldados soropositivos organizam comandos nas aldeias para violar as mulheres, mutilá-las. Há relatos de centenas de casos de fístulas na vagina e no reto causadas pela introdução de paus, armas ou violações coletivas. Essas mulheres já não conseguem controlar a urina ou as fezes. Depois de serem violadas, as mulheres são também abandonadas por sua família e sua comunidade.”



Fonte. blog josias de souza

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Conexões do Brasil remoto com o Chile de Pinochet



O destino foi generoso com Augusto Pinochet. Proporcionou-lhe, aos 91, uma morte suave. De quebra, facultou ao velho ditador provar que guardava nos fundões de seu organismo um órgão que, imaginavam todos, ele não possuía: o coração. Por uma dessas ironias da existência, Pinochet foi ao forno crematório nas pegadas de um infarto do miocárdio. Partiu antes da conclusão dos processos judiciais que lhe pesavam sobre os ombros. Uma pena.
Num instante em que ainda soam nas profundezas do inferno as trombetas reservadas à recepção dos grandes titãs do mal, convém lembrar que o Brasil não esteve imune aos tentáculos da ditadura chilena, de triste memória. Comece-se por evocar uma descoberta do cinéfilo Amir Labaki.

Organizador do 9º Festival Internacional de Documentários, ocorrido em 2004, Labaki desencavou dois preciosos minutos de um filme da jornalista francesa Marie-Minique Morin. Chama-se “Esquadrões da Morte-Escola Francesa”. O trecho pescado pela perspicácia de Labaki traz um depoimento do general chileno Manuel Contreras, chefe da engrenagem de moer “subversivos” montada sob Pinochet –a temível DINA.

No depoimento a Morin, Contreras revelou que mandava ao Brasil, em periodicidade bimestral, oficiais da repressão chilena. Para quê? Vinham à busca de treinamento. Passavam pela ESNI (Escola Nacional de Informações), em Brasília. E, antes de retornar a Santiago, faziam escala em Manaus. Ali, bebiam dos ensinamentos de um centro de treinamento militar.

Contreras disse mais: entre os “professores” do curso brasileiro estava o general francês Paul Aussaresses. Vem a ser um veterano da batalha de Dien Bien Phu, no Vietnã. Graduara-se em tortura impondo suplícios a argelinos. Servira como adido militar no Brasil no período de 73 a 75.

Recomenda-se ainda a quem queira saber mais sobre as (boas) relações da ditadura brasileira com a máquina de atrocidades chilena a leitura de “A Ditadura Derrotada”, de Elio Gaspari. O Chile de Pinochet é mencionado à altura da página 352. Ali, recorda-se que a primeira viagem de Pinochet depois de derrubar Salvador Allende, em 11 de setembro de 73, foi ao Brasil. Veio para a posse de Ernesto Geisel.

Gaspari conta também que José Serra, ex-presidente da UNE, era um dos brasileiros que engrossavam a legião de 7.000 pessoas confinadas pelos golpistas no Estádio Nacional de Santiago, o mesmo em que Garrincha ganhara a Copa de 62. Serra deve sua liberação, dois dias depois de preso, a gestões de um embaixador sueco junto ao major responsável pela triagem. Mercê da generosidade e da descoberta de uma até então desconhecida simpatia pela esquerda, o tal major, Ivan Lavanderos, seria passado nas armas mais tarde. Serra contou que, antes de deixar o famigerado estádio, notou a presença de carcereiros que se expressavam em bom português.

Gaspari revela também uma constrangedora página da diplomacia brasileira. Escreve: “As embaixadas que recebiam perseguidos estavam lotadas. Na do Panamá, um pequeno apartamento, entraram 364 asilados. O embaixador panamenho estendeu a extraterritorialidade de sua representação à casa do economista Theotonio dos Santos, protegendo dezenas de brasileiros. No palacete da Argentina, havia 700 asilados, 120 eram brasileiros. Na do Brasil, ninguém. Chefiava-a o embaixador Antônio da Câmara Canto (...).”

Anota ainda o livro de Gaspari: Pinochet associava Câmara Canto ao comportamento da diplomacia brasileira no dia do golpe: “Ainda estávamos disparando, quando chegou o embaixador e comunicou-nos o reconhecimento. Washington, informa o repórter, só reconheceria a ditadura chilena 13 dias depois. “No meio da tarde do dia 11, Câmara Canto festejava atendendo o telefone com a notícia: ‘Ganhamos’. Era um golpista militante.”

Fonte: blog josias de souza

domingo, novembro 05, 2006

Nós continuamos cabocllos querendo ser ingleses

Brasileiro humilhado

O empresário paulistano Marco Araújo pagou R$ 728 para ser humilhado no consulado dos Estados Unidos, em São Paulo. Com o filho portador de doença congênita, ele descobriu um tratamento terapêutico em Boston, alternativa ao transplante de rins. Marco aguardou seis horas na fila para, em cinco minutos, ter o visto negado por um americano mastigando uma maçã, que nem sequer olhou os laudos médicos por ele apresentados

Indiferença

Ao ouvir que o visto era para tratar o filho nos EUA, o funcionário consular grunhiu: “Não estamos aqui para resolver problemas de saúde. Próximo”.

Fonte:claudiohumberto.com.br

quarta-feira, outubro 18, 2006

Chavez, O Bufon amigo do Ladron, ayuda o xeradon

CHÁVEZ DIZ QUE ATACA A BOLIVIA SE HOUVER UM GOLPE DE ESTADO !

Num gesto sem precedentes, Hugo Chávez, alertou o Exército boliviano que está pronto a mobilizar tropas venezuelanas caso haja alguma ameaça ao governo de Evo Morales. "A Venezuela não vai manter seus braços cruzados se o povo boliviano e seu governo forem atacados por forças internas ou externas", disse o líder venezuelano. Hugo Chávez disse que a Venezuela "se recusaria a reconhecer qualquer governo que viesse por meio de uma insurreição". Acusou a "oligarquia mediática" e a Embaixada dos EUA em La Paz de fomentar o descontentamento entre militares e o aparecimento de greves. Na quarta-feira, o governo boliviano pedira cautela ao embaixador venezuelano em La Paz, depois que este ofereceu "sangue e as vidas" de seus compatriotas para defender "a bela revolução boliviana", o que gerou protestos da oposição boliviana.