A Máscara Do Mal
Em minha parede há uma escultura de madeira japonesa
Máscara de um demônio mau, coberta de esmalte dourado.
Compreensivo observo
As veias dilatadas da fronte, indicando
Como é cansativo ser mal
Acredite Apenas
Acredite apenas no que seus olhos vêem e seus ouvidos
Ouvem!
Também não acredite no que seus olhos vêem e seus
Ouvidos ouvem!
Saiba também que não crer algo significa algo crer!
As Boas Ações
Esmagar sempre o próximo
não acaba por cansar?
Invejar provoca um esforço
que inchas as veias da fronte.
A mão que se estende naturalmente
dá e recebe com a mesma facilidade.
Mas a mão que agarra com avidez
rapidamente endurece.
Ah! que delicioso é dar!
Ser generoso que bela tentação!
Uma boa palavra brota suavemente
como um suspiro de felicidade!
Fonte:culturabrasil.org
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segunda-feira, setembro 05, 2011
terça-feira, julho 21, 2009
José bem poderia servir-se do recesso para ler ‘José’

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse
....Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?
Carlos Drummond de Andrade
Fonte: Blog do Josias de Souza (Folha online) 21/07/2009
segunda-feira, fevereiro 16, 2009
Elisa Lucinda
"Só de sacanagem"
Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova? Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro.
Do meu dinheiro, do nosso dinheiro, Que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nós. Para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais. Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais? É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz. Mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração tá no escuro. A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó E dos justos que os precederam: “Não roubarás”. “Devolva o lápis do coleguinha”. “Esse apontador não é seu, minha filha”.
Pois bem, se mexeram comigo, Com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, Então agora eu vou sacanear: Mais honesta ainda vou ficar!
Só de sacanagem! Dirão: “Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba” E eu vou dizer: “Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez”. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos. Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês.
Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau. Dirão: “É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”. E eu direi: “Não admito, minha esperança é imortal”. E eu repito: “Ouviram? IMORTAL!
”Sei que não dá para mudar o começo Mas, se a gente quiser, Vai dar para mudar o final!
Fonte: http://www.jornaldapoesia.jor.com.br/
Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova? Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro.
Do meu dinheiro, do nosso dinheiro, Que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nós. Para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais. Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais? É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz. Mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração tá no escuro. A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó E dos justos que os precederam: “Não roubarás”. “Devolva o lápis do coleguinha”. “Esse apontador não é seu, minha filha”.
Pois bem, se mexeram comigo, Com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, Então agora eu vou sacanear: Mais honesta ainda vou ficar!
Só de sacanagem! Dirão: “Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba” E eu vou dizer: “Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez”. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos. Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês.
Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau. Dirão: “É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”. E eu direi: “Não admito, minha esperança é imortal”. E eu repito: “Ouviram? IMORTAL!
”Sei que não dá para mudar o começo Mas, se a gente quiser, Vai dar para mudar o final!
Fonte: http://www.jornaldapoesia.jor.com.br/
sábado, dezembro 06, 2008
Poesia
Humberto de Campos (1886 - 1934), brasileiro, nasceu em Miritiba, Maranhão.A sua obra literária, de estilo fácil, sem artifícios nem retumbâncias, consta de poesia, crónicas, ensaios e contos. Foi membro da Academia Brasileira de Letras.DOR
Há de ser uma estrada de amarguras
a tua vida. E andá-la-ás sozinho,
vendo sempre fugir o que procuras
disse-me um dia um pálido advinho.
No entanto, sempre hás de cantar venturas
que jamais encontraste... O teu caminho,
dirás que é cheio de alegrias puras,
de horas boas, de beijos, de carinho..."
E assim tem sido... Escondo os meus lamentos:
É meu destino suportar sorrindo
as desventuras e os padecimentos.
E no mundo hei de andar, neste desgosto,
a mentir ao meu íntimo, cobrindo
os sinais destas lágrimas no rosto!
HUMBERTO DE CAMPOS
domingo, novembro 16, 2008
Poesia
Impressões do CrepúsculoO sino da minha aldeia,
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro de minh'alma.
E é tão lento o teu soar,
Tão como triste da vida,
Que já a primeria pancada
Tem um som de repetida.
Por mais que me tanjas perto
Quando passo triste e errante,
És para mim como um sonho
-Soas-me sempre distante...
A cada pancada tua,
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto
Fernando Pessoa
E é tão lento o teu soar,
Tão como triste da vida,
Que já a primeria pancada
Tem um som de repetida.
Por mais que me tanjas perto
Quando passo triste e errante,
És para mim como um sonho
-Soas-me sempre distante...
A cada pancada tua,
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto
Fernando Pessoa
quinta-feira, abril 13, 2006
Poesia
No caminho
Na primeira noite
Eles se aproximam
E colhem uma Flor
Do nosso jardim
E não dizemos nada.
Na segunda noite,
Já não se escondem:
Pisam as flores
Matam nosso cão,
E não dizemos nada.
Até que um dia
O mais frágil delesEntra sozinho em nossa casa,
Rouba-nos a lua e,
Conhecendo nosso medo,
Arranca-nos a voz da garganta
E porque não dissemos nada,
Já não podemos dizer nada.
Maiakoviski
Na primeira noite
Eles se aproximam
E colhem uma Flor
Do nosso jardim
E não dizemos nada.
Na segunda noite,
Já não se escondem:
Pisam as flores
Matam nosso cão,
E não dizemos nada.
Até que um dia
O mais frágil delesEntra sozinho em nossa casa,
Rouba-nos a lua e,
Conhecendo nosso medo,
Arranca-nos a voz da garganta
E porque não dissemos nada,
Já não podemos dizer nada.
Maiakoviski
Poesia
Quem foi Maiakovski
POR QUE MAIAKOVSKI?
“Sou poeta.
É justamente por isto que sou interessante”. (Maiakovski, Eu mesmo).
Maiakovski foi o primeiro poeta russo moderno a engajar política e ideologia à poesia. Despiu a arte poética para refazê-la na medida exigida pela linguagem comum de milhares de homens e mulheres trabalhadores, com seus assuntos diários – para Maiakovski, apaixonantes, tanto que os acolheu como “mandato social”, no seu entender condição sine qua non para o fazer poético.
Porém, por maior que seja esta a característica marcante da obra de Maiakovski, é mais verdadeiro dizer que sua arte ia muito além da busca de soluções poéticas para os problemas do povo. Ele era um poeta não apenas diferente, mas original, um criador por excelência, inventor do futuro das idéias, hábil manipulador dos signos e das palavras. Desses instrumentos de trabalho fez sua oficina e desta saíram escritos e imagens que desafiaram um tempo implacável em que dominava a “mediocridade burguesa”. Usou de todas as formas e conteúdos para expressar seu mandato social – de levar à classe operária a palavra poética disposta em ritmo, imagem e grafia revolucionários.
Poemas como diamantes dos quais extraía versos duros e repartidos refletiam cada instante vivido. Seu tema estava nas ruas e na vitória do proletariado. Em suas “reservas poéticas” Maiakovski investia uma técnica elaboradíssima para obter, finalmente, a extraordinária estrutura desejada. Passou distante de qualquer possibilidade de vulgarização, mesmo nos tempos em que sua poesia foi essencialmente de propagação política. Interessante, também, é o registro da coerência de sua obra, presente do início ao fim.
Contudo, Maiakovski não foi completamente aceito (ou “assimilado”), fosse pelos intelectuais, membros do partido ou até mesmo pelos operários, para quem recitava pessoalmente suas poesias. A intelectualidade (e, principalmente, os editores) abominava o realismo exagerado, com palavrões e tudo o mais, que Maiakovski desejava levar a público. Sua exposição Vinte Anos de Atividades de Maiakovski foi boicotada) e os funcionários do partido reclamavam que o poeta fugia, às vezes, ao cumprimento do seu mandato. E os operários nem sempre entendiam o que ele dizia.
Mas nem poderia ter sido de outra maneira. Afinal, Maiakovski era um indivíduo, e como todo indivíduo vivia em subjetividade, não obstante a ênfase maior do seu viver fosse dirigida à sociedade. Portanto, além de não agradar a muitos devido a sua rebeldia, seu comportamento ideológico de esquerda e suas tendências excessivamente inovadoras (a chamada "arte de esquerda", que por sua vez opunha-se à ideologia revolucionária), também não obteve muita compreensão como ser humano.
A maior parte do que se sabe de Maiakovski é a de que ele “foi um poeta da revolução russa”, e esta imagem foi tão distorcida com o passar dos tempos que chegou ao ponto dele ser tido como mero decorador de campanha política, um sujeito que fabricou um manual que ensinava a fazer versos engajadinhos no processo revolucionário. Daí também se originou grande parte da literatura “mal-engajada”, que passou a ser produzida no mundo todo. Sem dúvida Maiakovski pretendia uma poesia de massa, e muito assim o fez, com toda a força e energia que dispunha. Mas o fez lucidamente, obreiramente, profissionalmente, quiçá sinceramente. “Eu sou uma fábrica”, disse ele. E ele foi, de fato, um operário da palavra e não um produto de um certo meio e certa contingência histórica. Fez um discurso prático e não estético; foi útil e não usado; declamou, não reclamou. Em suma, foi um homem de realidade nua e crua e não dos costumes e das modas, ainda que tivesse tudo para ser um mito (inclusive uma bela constituição física).
Trecho do artigo de Xenia Antunes. www.xenia.com.br
“Sou poeta.
É justamente por isto que sou interessante”. (Maiakovski, Eu mesmo).
Maiakovski foi o primeiro poeta russo moderno a engajar política e ideologia à poesia. Despiu a arte poética para refazê-la na medida exigida pela linguagem comum de milhares de homens e mulheres trabalhadores, com seus assuntos diários – para Maiakovski, apaixonantes, tanto que os acolheu como “mandato social”, no seu entender condição sine qua non para o fazer poético.
Porém, por maior que seja esta a característica marcante da obra de Maiakovski, é mais verdadeiro dizer que sua arte ia muito além da busca de soluções poéticas para os problemas do povo. Ele era um poeta não apenas diferente, mas original, um criador por excelência, inventor do futuro das idéias, hábil manipulador dos signos e das palavras. Desses instrumentos de trabalho fez sua oficina e desta saíram escritos e imagens que desafiaram um tempo implacável em que dominava a “mediocridade burguesa”. Usou de todas as formas e conteúdos para expressar seu mandato social – de levar à classe operária a palavra poética disposta em ritmo, imagem e grafia revolucionários.
Poemas como diamantes dos quais extraía versos duros e repartidos refletiam cada instante vivido. Seu tema estava nas ruas e na vitória do proletariado. Em suas “reservas poéticas” Maiakovski investia uma técnica elaboradíssima para obter, finalmente, a extraordinária estrutura desejada. Passou distante de qualquer possibilidade de vulgarização, mesmo nos tempos em que sua poesia foi essencialmente de propagação política. Interessante, também, é o registro da coerência de sua obra, presente do início ao fim.
Contudo, Maiakovski não foi completamente aceito (ou “assimilado”), fosse pelos intelectuais, membros do partido ou até mesmo pelos operários, para quem recitava pessoalmente suas poesias. A intelectualidade (e, principalmente, os editores) abominava o realismo exagerado, com palavrões e tudo o mais, que Maiakovski desejava levar a público. Sua exposição Vinte Anos de Atividades de Maiakovski foi boicotada) e os funcionários do partido reclamavam que o poeta fugia, às vezes, ao cumprimento do seu mandato. E os operários nem sempre entendiam o que ele dizia.
Mas nem poderia ter sido de outra maneira. Afinal, Maiakovski era um indivíduo, e como todo indivíduo vivia em subjetividade, não obstante a ênfase maior do seu viver fosse dirigida à sociedade. Portanto, além de não agradar a muitos devido a sua rebeldia, seu comportamento ideológico de esquerda e suas tendências excessivamente inovadoras (a chamada "arte de esquerda", que por sua vez opunha-se à ideologia revolucionária), também não obteve muita compreensão como ser humano.
A maior parte do que se sabe de Maiakovski é a de que ele “foi um poeta da revolução russa”, e esta imagem foi tão distorcida com o passar dos tempos que chegou ao ponto dele ser tido como mero decorador de campanha política, um sujeito que fabricou um manual que ensinava a fazer versos engajadinhos no processo revolucionário. Daí também se originou grande parte da literatura “mal-engajada”, que passou a ser produzida no mundo todo. Sem dúvida Maiakovski pretendia uma poesia de massa, e muito assim o fez, com toda a força e energia que dispunha. Mas o fez lucidamente, obreiramente, profissionalmente, quiçá sinceramente. “Eu sou uma fábrica”, disse ele. E ele foi, de fato, um operário da palavra e não um produto de um certo meio e certa contingência histórica. Fez um discurso prático e não estético; foi útil e não usado; declamou, não reclamou. Em suma, foi um homem de realidade nua e crua e não dos costumes e das modas, ainda que tivesse tudo para ser um mito (inclusive uma bela constituição física).
Trecho do artigo de Xenia Antunes. www.xenia.com.br
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