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quinta-feira, junho 14, 2012

EUA já venderam US$ 50 bilhões em armas em 2012-14/06/2012

Jung Yeon-Je

As vendas militares dos Estados Unidos ao exterior desde o início do ano fiscal de 2012 atingiram o recorde de 50 bilhões de dólares, graças a acordos com Arábia Saudita e Japão para a aquisição de caças, informou nesta quinta-feira uma fonte oficial.
"Hoje posso confirmar que se trata de um ano recordista para as vendas militares ao exterior. Já ultrapassamos os 50 bilhões de dólares em vendas no ano fiscal de 2012", que termina no dia 30 de setembro, explicou em entrevista coletiva Andrew Shapiro, subsecretário de Estado para Assuntos político-militares.
As vendas de material militar a outros países verificou um aumento de 70% sobre o período anterior.
Shapiro destacou que o governo americano espera vender à Índia 22 helicópteros de ataque Apache, por 14 bilhões de dólares, o que aumentará o valor registrado até o momento.
"Evidentemente, a venda à Arábia Saudita foi muito significativa", explicou o especialista, ao citar os 29,4 bilhões de dólares, que incluem 84 caças F-15SA construídos pela Boeing.
"Mas as cifras também incluem a venda do Joing Strike Fighter ao Japão, totalizando 10 bilhões de dólares", acrescentou Shapiro.
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Fonte: veja online

terça-feira, dezembro 20, 2011

Justiça uruguaia investiga morte de subsecretário argentino em hotel -20/12/2011

A Justiça do Uruguai iniciou uma investigação para tentar determinar a causa da morte do subsecretário de Comércio Exterior da Argentina, Ivan Heyn, que participava da cúpula do Mercosul, informaram nesta terça-feira fontes judiciais.

"Aparentemente é um suicídio, embora tenhamos recém começado a investigação" afirmou o juiz Homero da Costa, responsável pelo caso, após inspecionar o quarto do hotel Radisson, em Montevidéu, onde foi encontrado o corpo do político argentino.
"Por enquanto não podemos dar nenhum detalhe da investigação devido ao segredo de Justiça", acrescentou o juiz.
Fontes policiais confirmaram que Heyn, de 33 anos, tirou a própria vida enforcando-se no quarto que ocupava no luxuoso hotel, situado no centro da capital uruguaia e que foi sede de várias reuniões dos ministros de Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai que participam da cúpula do Mercosul.
Heyn chegou a Montevidéu integrando a delegação da presidente argentina, Cristina Kirchner, que na cúpula recebeu das mãos do chefe de governo uruguaio, José Mujica, a Presidência temporária do bloco regional para exercê-la no próximo semestre.

O subsecretário havia assumido seu cargo no último dia 10. Ele era integrante do La Cámpora, partido político jovem do kirchnerismo, criado por Máximo Kirchner, filho do falecido ex-presidente Néstor Kirchner e de sua esposa e sucessora, Cristina Kirchner.
Economista heterodoxo graduado com honras na Universidade de Buenos Aires, Heyn presidiu a Corporação Puerto Madero e foi diretor da produtora de aço Aluar, uma das mais importantes da Argentina.
De pai paraguaio e mãe argentina, ele também foi presidente da Federação de Estudantes da Universidade de Buenos Aires. Sua carreira no governo kirchnerista começou quando ele tinha 28 anos, como assessor da então ministra da Economia Felisa Miceli e depois secretário de Indústria, entre 2008 e 2009.
Após o triunfo eleitoral de Cristina em outubro, a presidente argentina o escolheu como um dos novos líderes jovens dentro do Ministério da Economia, cujo titular é Hernán Lorenzino.
Fonte: folha online

Policiais ocupam TV na Argentina; canal vê "perseguição do governo" -20/12/2011

O juiz federal Walter Bento ordenou, nesta terça-feira, a intervenção na sede da operadora de TV a cabo Cablevisión, do grupo Clarín, o maior do setor de multimídia da Argentina, que interpretou o fato como parte de uma "perseguição" do governo de Cristina Kirchner.

Cinquenta agentes da polícia militar entraram na sede da Cablevisión em Buenos Aires, cumprindo ordens do magistrado da província de Mendoza (oeste), por denúncia de "exercício presumível de concorrência desleal" e "posição dominante".
O juiz designou um "interventor coadministrador" depois da queixa apresentada pela empresa concorrente Vila-Manzano, titular do Supercanal, também de televisão a cabo, segundo Ricardo Mastronardi, advogado do funcionário designado interventor pela Justiça, Enrique Anzoise.
"Não podemos separar este episódio da escalada do governo nacional contra o grupo Clarín", disse o gerente de Comunicações, Martín Echevers.
De acordo com o "Clarín", o grupo de multimídia Vila-Manzano, a que pertence o Supercanal, é um aliado fundamental do governo argentino.

A operação é "considerada sem precedentes, inscrevendo-se numa campanha sistemática de perseguição que o governo nacional realiza contra as empresas do Grupo Clarín", afirmou a Cablevisión em comunicado.

A ação durou cerca de três horas. Membros do Judiciário e policiais se retiraram do local depois que os advogados da empresa reclamaram que eles não tinham jurisdição para tal ação, embora não esteja claro quem ordenou a retirada da polícia, órgão dependente do Ministério da Segurança.
Em defesa da administração federal, o ministro do Interior, Florencio Randazzo, disse que "é um disparate" considerar que a ordem partiu do governo de Cristina Kirchner, sustentando que o Corpo de Gendarmes "atua como auxiliar da Justiça".
CONFRONTOS
O governo Kirchner e o grupo empresarial que publica o jornal "Clarín", o de maior circulação na Argentina, mantêm um confronto que cresceu nos últimos dias.
O fato acontece num momento em que o Senado se prepara para votar uma lei polêmica que declara de interesse público o papel jornal, que tem como único fabricante a Papel Prensa, controlada pelos diários "Clarín" (49% das ações) e "La Nación" (22,49%), os dois maiores da Argentina, enquanto o Estado possui uma participação de 28,08%.
Segundo imagens dos canais de notícias, o interventor Anzoise, que não substituirá o diretor da empresa, foi agredido por empregados ao deixar o prédio da Cablevisión num bairro do sul da capital argentina.
Mastronardi explicou que Anzoise "terá um prazo de 60 dias para analisar toda a documentação" e elaborar um relatório para o juiz Walter Bento.

Já Sandra González, da entidade de defesa do consumidor Adecua, apoiou a decisão judicial assinalando que "quando houver abuso de posição dominante fica caracterizada a concorrência desleal e, lamentavelmente, o grupo em questão não pode fazer o que pretende".

O grupo Clarín administra 60% do mercado da televisão a cabo na Argentina e 90% na área da capital e periferia, que possui 14 milhões de habitantes, segundo o canal de notícias América 24.
A Cablevisión conta com mais de 3.300.000 assinantes distribuídos na Argentina, no Uruguai e no Paraguai. Na Argentina, está presente em 96 cidades e em 12 províncias, informa a empresa em sua página na internet.
SAIBA MAIS
A intenção do governo argentino de legislar sobre a fabricação e a distribuição do papel para jornais e o estabelecimento da Lei de Serviços Audiovisuais, que determina a abertura do setor, são algumas das questões de disputa entre Cristina Kirchner e os donos dos principais jornais do país.
A fábrica Papel Prensa foi fundada em 1972 e adquirida pelos principais jornais argentinos, "Clarín" e "La Nación", durante a ditadura, fato que está sendo investigado pela Justiça por conta das denúncias de que foram cometidas violações aos direitos humanos neste processo.
Para a Adepa (Associação de Entidades Jornalísticas Argentinas), os últimos dois anos foram os mais difíceis para os meios de comunicação argentinos desde a retomada da democracia em 1983.
A entidade alega que jornalistas e diretores de meios de comunicação vêm sofrendo "danos pessoais e injúria" por parte de funcionários ou setores ligados ao governo.
Fonte: mfolha online

segunda-feira, dezembro 19, 2011

Chávez diz que Barack Obama é "farsante"- 19/12/2011

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, chamou nesta segunda-feira de "farsante" o líder americano, Barack Obama, que concedeu uma entrevista na qual critica o governo venezuelano.

"Mister Obama decidiu nos atacar (...) Obama, se meta com tuas coisas, com teu país, que leva ao desastre. Agora quer ganhar votos atacando a Venezuela, não seja irresponsável. Farsante, você é um farsante!", disse Chávez durante uma reunião do gabinete exibida pela TV estatal.
Nesta segunda-feira, o jornal venezuelano "El Universal" publicou uma entrevista com Obama na qual o presidente se diz "preocupado" com o governo Chávez, que tem "restringido os direitos do povo" da Venezuela e "ameaçado os valores democráticos".
Segundo Chávez, o presidente Obama é uma "vergonha" e a "maior decepção" para as comunidades afrodescendente e pobre dos Estados Unidos, que acreditaram nele quando assumiu o poder.
"Você é uma vergonha para toda esta gente, então nos deixe em paz, tranquilos. Busca teus votos aí, cumprindo o que prometeu ao teu povo....", disse Chávez visivelmente irritado.
Caracas e Washington não trocam embaixadores desde 2010 e para os Estados Unidos a relação diplomática com a Venezuela é a mais complicada da América do Sul.
Obama também criticou as relações de Caracas com Havana e Teerã, e estimou que "cedo ou tarde" a Venezuela "terá que determinar que possível vantagem leva mantendo relações com um país que viola os direitos humanos universais e está isolado".
Fonte: folha online

Israelense se nega a sentar na parte traseira de ônibus e vira símbolo- 19/12/2011

Uma mulher israelense se negou a ceder às imposições de ultraortodoxos que queriam obrigá-la a ficar na parte traseira de um ônibus e tornou-se símbolo da luta contra a segregação das mulheres em áreas religiosas do país.

Na última sexta-feira, a engenheira Tanya Rosenblit, 28, tomou um ônibus em sua cidade, Ashdod (sul de Israel), com destino a Jerusalém.
Como sabia que o ônibus passava por bairros religiosos, ela diz ter tomado a precaução de vestir-se de "maneira modesta", para não irritar os demais passageiros.
Tanya diz que, logo depois de sentar-se atrás do motorista, vários homens ultraortodoxos começaram a xingá-la, mandando-a se deslocar para a parte traseira.
"Disse a eles que não estava fazendo nenhuma provocação, e que, se tratando de um ônibus público, todos os cidadãos têm o direito de viajar nele", afirmou Rosenblit.
"Também lhes disse que comprei minha passagem exatamente como eles e que não tinham o direito de me dizer onde sentar."
Os homens afirmavam, segundo a engenheira, que "não poderiam sentar atrás de mulheres" no veículo.
Em Israel, existem 70 linhas de ônibus, predominantemente utilizadas por ultraortodoxos, nas quais é praticada a separação entre homens, que ficam na parte dianteira, e mulheres, que ficam na parte de trás do veículo.
Apesar de protestos de grupos feministas e de grupos de direitos humanos, o fenômeno tornou-se comum em várias regiões do país.
INTERVENÇÃO POLICIAL
Devido à resistência de Rosenblit, os homens impediram o ônibus de prosseguir sua viagem.
O motorista acabou chamando a polícia, que também tentou convencer a mulher a se deslocar para a parte traseira.
Após a discussão, os policiais instruíram o motorista a prosseguir e disseram que quem não concordasse com a decisão "poderia descer do ônibus". Vários dos passageiros ultraortodoxos saíram do veículo, e o ônibus finalmente partiu para Jerusalém.
Depois que a engenheira divulgou a história no Facebook, o incidente rapidamente virou notícia nos principais veículos de comunicação no país.
A imprensa comparou Tanya à americana Rosa Parks, que, em 1955, negou-se a ceder seu lugar no ônibus a um branco, episódio que virou símbolo da luta contra a segregação racial nos Estados Unidos.
A história de Tanya ocorre em meio a uma polêmica crescente em Israel, causada pela exclusão das mulheres de espaços públicos, imposta por ultraortodoxos.
Em Jerusalém, onde grande parte da população é religiosa, não se vê mulheres em outdoors, nem mesmo em propagandas de roupas femininas.
Várias estações de rádio religiosas não transmitem vozes femininas cantando, pois, segundo os preceitos ultraortodoxos, a mulher tem uma voz "obscena", podendo cantar apenas dentro de sua própria casa.
Algumas estações de rádio também pararam de transmitir vozes de mulheres falando.
Na semana passada, homens ultraortodoxos impediram mulheres de participar em uma eleição de lideranças comunitárias, no bairro religioso de Mea Shearim.
Depois que a história de Tanya Rosenblit chegou à mídia, a questão da segregação das mulheres foi discutida na reunião semanal do gabinete israelense.
O primeiro ministro, Binyamin Netanyahu, declarou que "o espaço público deve permanecer aberto e seguro para todos os cidadãos".
Fonte: folha online

Kim Jong-un é apontado como sucessor na Coreia do Norte; saiba mais - 19/12/2011

Kim Jong-un, filho mais novo do ditador norte-coreano, Kim Jong-il, foi anunciado como o "grande sucessor do sistema revolucionário" da Coreia do Norte pela agência estatal KCNA nesta segunda-feira, após o anúncio da morte do pai.
Kim Jong-il morreu no sábado aos 69 anos por conta de um ataque cardíaco, segundo anúncio da agência estatal de notícias feito somente nesta segunda-feira (horário de Brasília). Diante das notícias, lideranças mundiais expressaram condolências e demonstram apreensão quanto ao futuro da Coreia no Norte.

Nascido em 1983 ou em 1984, Kim Jong-un é o filho mais novo do ex-ditador norte-coreano e de sua última mulher, Ko Yong-hui. Pouco se sabe sobre ele, uma vez que o regime da Coreia do Norte tentava preservar ao máximo suas informações.
Há relatos de que a mãe se referia ao garoto como "Morning Star King" (ou, em tradução livre, "Rei da Estrela da Manhã").

Kim Jong-un foi educado na Suíça, como os irmãos, e tentava evitar influências ocidentais, apesar de haver relatos de que ele teria uma página pessoal na rede social Facebook e seria fã da NBA (Liga Americana de Basquete). Ao retornar a Pyongyang, estudou na Universidade Militar de Kim Il-sung.
Inicialmente não considerado como favorito para suceder o pai, a partir de janeiro de 2009 Kim Jong-un passou a receber mais atenção midiática após uma agência da Coreia do Sul informar que o ditador havia escolhido o filho mais novo para ficar no poder quando morresse.
Sua nomeação para a Comissão de Defesa Nacional também foi interpretada como um sinal de que ele estava sendo movido para uma posição de liderança. A Comissão é o órgão do regime da Coreia do Norte mais importante, e Kim Jong-il governava o país como presidente dela.
Em 02 de junho de 2009, a agência de inteligência sul-coreana informou a legisladores do país que as autoridades norte-coreanas tinham recebido ordens para apoiar a escolha de Kim Jong-un como o próximo líder.
Fonte; folha online

Comunista, Coreia do Norte surgiu em meio à Guerra Fria; saiba mais - 19/12/2011

A República Democrática Popular da Coreia, mais conhecida como Coreia do Norte, é um país localizado no leste da Ásia, que ocupa 55% da região norte da península da Coreia.

O país faz fronteira com a República Popular da China, a Rússia e a Coreia do Sul, com quem formou um único país do século 7 até 1910, quando a península foi invadida e transformada em uma colônia do Império Japonês.
Em 1945, com o fim da ocupação japonesa, após a derrota do Japão na Segunda Guerra (1939-1945), a Coreia foi dividida em duas partes, uma sob controle provisório dos Estados Unidos, outra leal à antiga União Soviética.
Os coreanos não foram consultados a respeito da divisão e, embora aprovassem o fim do império japonês, se opunham à presença estrangeira na península. Em 1948, dois governos distintos foram instituídos no norte e no sul, ambos reivindicando o controle central da península.
Tensões crescentes entre o sul e o norte resultaram na Guerra Civil coreana. Em junho de 1950, o Exército da República Popular da Coreia do Norte atravessou a fronteira para reunificar a península sob um regime comunista.
A guerra acabou em 27 de julho de 1953, quando a ONU (Organização das Nações Unidas), o Exército da República Popular Coreana e os Voluntários da República Popular da China assinaram um acordo de armistício. Desde então, uma zona desmilitarizada (DMZ, na sigla em inglês) separa o sul e o norte.
A economia da Coreia do Norte cresceu rapidamente na primeira década depois da Guerra da Coreia, mas depois sofreu um período de estagnação. Nos anos 1990, uma crise financeira atingiu o país, depois da extinção da União Soviética e do colapso do comunismo nos países do Leste Europeu --antigos parceiros comerciais. Além disso, o regime liderado pelo ditador Kim il-Sung fracassou na produção de alimentos para a população.
Sob comando de seu filho e sucessor, Kim Jong-il, o país passou por períodos de extrema falta de comida no final dos anos 1990, o que provocou uma crise humanitária que só foi minimizada com doações externas.
Apesar de uma ligeira recuperação nos últimos anos, o padrão de vida dos norte-coreanos continua baixo --entre os poucos dados disponíveis, calcula-se que a probabilidade de que uma pessoa não sobreviva até os 40 anos é de 10,7%, contra 2,5% na Coreia do Sul. Desde 1995, quando aconteceram grandes enchentes no país, os problemas de falta de alimentos e desnutrição aumentaram.
A esperança de que a Coreia do Norte abandonasse seu isolamento cresceu após encontros entre Kim e líderes da Coreia do Sul, em 2000, e do Japão, em 2002, mas diminuiu devido à preocupação internacional em relação ao programa de armas nucleares do país, revelado em 2002.
No ano seguinte, o governo norte-coreano retirou o país do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares e anunciou que havia alcançado progressos técnicos no desenvolvimento de armas nucleares. No mesmo ano, no entanto, o país aceitou participar de negociações sobre o programa nuclear com a Coreia do Sul, China, Japão, Rússia e os Estados Unidos, mas abandonou as conversações em 2005.
No ano seguinte, a Coreia realizou um teste nuclear e testou mísseis balísticos, mas, após a demonstração de força, retomou as negociações em dezembro.
No ano seguinte, em troca de ajuda internacional e do descongelamento de fundos depositados no exterior, a o governo norte-coreano concordou em começar o fechamento de seu reator nuclear e a permitir a volta de inspetores da ONU ao país. Mas, desde então, o regime comunista tem utilizado ameaças de retrocesso na negociação como forma de mostrar a força da ditadura comunista e seu controle sobre o país.
As tensões com o Sul aumentaram aos níveis mais altos em anos em 2010 com o torpedeamento de um navio de guerra sul-coreano, matando 46 marinheiros. O Sul culpou o ataque a Pyongyang, mas a Coreia do Norte negou qualquer responsabilidade.
Mais tarde naquele ano, o Norte bombardeou uma ilha sul-coreana, o primeiro ataque desse tipo contra alvo civil desde a Guerra da Coreia (1950-1953).
Saiba mais sobre a Coreia do Norte:
Nome: República Democrática Popular da Coreia (Choson-minjujuui-inmin-konghwaguk)
Capital: Pyongyang
Divisão: nove Províncias e duas cidades especiais
População: 23.479.088 (julho de 2008)
Área: 120.540 km quadrados
Idioma: coreano
Moeda: won norte-coreano
Religião: confucionista, minoria budista
Fonte: CIA Fact Book e Enciclopédia Britannica
Fonte: folha online

domingo, dezembro 18, 2011

Ditador norte-coreano, Kim Jong-il, morre aos 6919/12/2011

O ditador norte-coreano, Kim Jong-il, morreu no último sábado aos 69, segundo informou nesta segunda-feira a televisão estatal do país comunista, a KCTV.
Em uma transmissão especial, a emissora informou que Kim morreu às 8h30 locais (21h30 de sexta-feira em Brasília) durante uma viagem de trem, vítima de um "problema cardíaco" devido a uma "grande tensão física e mental".

A emissora de notícias sul-coreana YTN, por sua vez, atribuiu a morte de Kim a um infarto do miocárdio.
Segundo informações da KCTV, o filho mais novo do ditador, Kim Jong-un, irá sucedê-lo no comando do estado comunista.
Kim Jong-un, que teria cerca de 30 anos de idade, já havia consolidado sua posição como futuro líder da Coreia do Norte em setembro do ano passado, quando foi nomeado publicamente general de quatro estrelas e vice-presidente da Comissão Militar Central do Partido dos Trabalhadores.
Especulações sobre o estado de saúde do ditador norte-coreano já vinham ocorrendo há algum tempo. Acredita-se que Kim tenha sofrido um derrame em 2008, no entanto, ele tinha aparecido relativamente saudável em fotos e vídeos em viagens recentes à China, à Rússia e pelo país.
Pouco depois do anúncio da morte de Kim, a Coreia do Sul colocou suas Forças Armadas em "alerta máximo" e o presidente do país, Lee Myung-bak, convocou uma reunião do conselho de segurança nacional.
FUNERAL

O funeral do ditador irá ocorrer no próximo dia 28 em Pyongyang, segundo informou a agência oficial KCNA.
O país comunista permanecerá de luto até um dia mais tarde, 29 de dezembro, acrescentou a agência.
A KCTV, por sua vez, informou que o corpo do ditador deverá ser enterrado no Palácio Memorial de Kumsusan, onde também fica o mausoléu de Kim Il-sung.
PERFIL
Kim Jong-il estava à frente da dinastia comunista hereditária norte-coreana há 17 anos, nos quais governou com mão de ferro um regime baseado no culto à personalidade.
O ditador era visto no Ocidente como um líder de perfil excêntrico. Analistas advertiam no entanto que se tratava de um homem muito hábil e um grande estrategista.
Kim costumava ser ridicularizado por seus hábitos de playboy, sua cabeleira e seus sapatos de salto alto (para compensar a baixa estatura), mas essa imagem seria equivocada ou enviesada. Pária no resto do mundo, o ditador é visto "como um Deus" no país e é chamado de "querido líder".
Kim Jong-il é o primogênito de Kim Il-Sung, fundador da Coreia do Norte comunista e idolatrado no país. Segundo a propaganda oficial, quando Kim Jong-il nasceu, em 16 de fevereiro de 1942, surgiram no céu uma estrela e um arco-íris duplo. Desde então, o monte Paekdu, onde teria nascido, é um lugar sagrado.
Vários analistas, porém, acreditam que ele nasceu num campo de treinamento guerrilheiro russo, a partir de onde seu pai empreendeu a guerra de resistência contra o Japão, até 1945.
Após obter um diploma universitário, em 1964, Kim começou a fazer carreira dentro do Partido dos Trabalhadores. Suas funções incluiriam a organização de atentados, como a explosão de um avião da Korean Airlines, em 1987, que matou 115 pessoas. Ele assumiu o controle do Partido dos Trabalhadores em 1994, no ano da morte do pai.
Fonte: folha online

O homem que "acendeu" a fagulha da Primavera Árabe- 17/12/2011

O homem que acendeu a fagulha do movimento que ficou conhecido como Primavera Árabe não era nenhum revolucionário incendiário.

Mohamed Bouazizi era um jovem vendedor de frutas e legumes que sustentava uma família de oito pessoas com menos de US$ 150 (cerca de R$ 278) por mês.
Sua maior ambição era trocar o carrinho de mão que usava para vender seus produtos por uma caminhonete.
''Naquele dia, Mohmaed saiu de casa para vender seus produtos como sempre fazia'', disse sua irmã Samya.
PROTESTO
''Mas quando ele os colocou à venda, três inspetores do governo pediram propinas. Mohamed se recusou a pagar'', recorda ela.
''Eles apreenderam os produtos e os colocaram dentro de seu carro. Eles tentaram retirar suas balanças, mas Mohamed se recusou a entregá-las, por isso eles bateram nele.''
Há relatos, não confirmados, de que uma fiscal teria insultado Samya e cuspido em seu rosto. Mas quer isso tenha também ocorrido ou não, o fato é que naquele momento algo estalou na cabeça do feirante de 26 anos.
Ele foi à sede do governo local para pedir os seus produtos de volta, mas o governador se recusou a recebê-lo. Então, ele comprou um latão de gasolina, jogou o combustível sobre si mesmo e acendeu um fósforo.
Mohamed Bouazizi foi levado às pressas para um hospital com queimaduras em 90% de seu corpo, mas seu ato de desespero levou multidões enfurecidas às ruas.
ONDA DE SOLIDAREIDADE
Alguma coisa em seu sentimento de desamparo diante da corrupção oficial, da alta de preços e da falta de oportunidades despertou uma onda de solidariedade.
Mesmo tendo sido repreendidos com brutalidade, os manifestantes não recuaram. Pelo contrário, se tornaram mais audaciosos.
Quando Bouazizi morreu em decorrência de seus ferimentos no dia 5 de janeiro de 2011, os protestos se intensificaram. Centenas de pessoas foram mortas, milhares foram presas.
O então presidente da Tunísia, Ben Ali, um autocrata militar no poder há 23 anos, foi à TV pedir calma. ''Desemprego é um problema global'', afirmou. Ele atribuiu a violência a gangues de mascarados, chamando-os de ''terroristas''.
Assim como muitos líderes no mundo árabe, o presidente da Tunísia se via como um bastião contra o extremismo muçulmano. Ele acreditava que esse fato por si só lhe conferia carta branca para esmagar qualquer movimento que tivesse algum traço de democrático.
Mas ele subestimou o ressentimento de seu próprio povo contra o nepotismo, corrupção, privações econômicas e uma gestão pura e simplesmente incompetente.
Apenas nove dias após a morte do feirante, os tunisianos ouviram o primeiro-ministro anunciar que o presidente estava ''impossibilitado de exercer suas funções''.
Na verdade, ele fugiu subitamente com a sua família, primeiro tentando ir para França, que se recusou a deixar que seu avião pousasse. Depois, foi para a Arábia Saudita, que aceitou conceder-lhe asilo desde que ele reunciasse a todas suas atividades políticas.
O governo do presidente Ben Ali estava encerrado. Um processo desencadeado, em uma última instância, pelas ações de um quintandeiro frustrado.
CANÇÕES E POEMAS
Se Mohamed Bouazizi nunca tivesse nascido, muito provavelmente algum outro fator teria provocado a chamada Primavera Árabe, até porque essa erupção vinha se construindo há décadas.
Mas por todo o mundo árabe e até além dele, o nome de Bouazizi vem sendo eternizado em poemas, discursos e canções.
A moldura da ditadura inquestionável foi partida para sempre.
Fonte: folha online

Suposto espião detido no Irã é americano, diz TV - 18/12/2011

Um suposto agente da CIA (agência de inteligência americana), detido em Teerã, é um americano de origem iraniana, noticiou a TV pública iraniana este domingo, em um programa em que o jovem aparece confessando que tinha como missão se infiltrar no ministério da Inteligência.

A emissora o identificou como Amir Mirza Hekmati, nascido no Arizona. Segundo a fonte, ele se alistou no exército americano em 2001 e recebeu formação de serviço secreto durante uma década.
De acordo com a TV, Hekmati foi enviado à base americana de Bagram, no Afeganistão, onde teve acesso a documentos secretos dos serviços de inteligência americanos.
Em seguida, viajou para Teerã para tentar ganhar a confiança dos iranianos e se fazer passar por uma valiosa fonte de informação.
"O plano (deles) era primeiro sacrificar informações úteis, dá-las (aos iranianos) para deixar que o ministério de Inteligência determinasse que se tratava de um bom material para que fizessem contato comigo", disse o jovem, falando um farsi fluente.
Mas as "redes iranianas que vigiam as atividades de Bagram" descobriram sua existência e frustraram a operação, segundo o programa.
A emissora de TV mostrou um carteira de identificação, segundo a qual Hekmati está sob contrato do exército.
Fonte: folha online

quinta-feira, setembro 15, 2011

Taxa de americanos abaixo da linha da pobreza bate recorde e chega a 46 milhões -13/09/2011

O número de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza nos EUA alcançou a cifra recorde de 46,2 milhões em 2010, num momento em que a economia dos Estados Unidos tentava sair da recessão, informou o governo federal nesta terça-feira. A divulgação do número deve aumentar ainda mais a pressão sobre o presidente americano, Barack Obama.

O montante é equivalente à população da Espanha, que tem aproximadamente 46 milhões de habitantes.
Embora os dados sejam impactantes --sobretudo para a maior potência do planeta e especialmente num momento pré-eleitoral e de recuperação ainda muito lenta da crise-- se comparada à realidade brasileira a taxa que define quem é pobre nos EUA é muito generosa.
Segundo o governo americano, em 2010 uma família foi considerada pobre quando os rendimentos da residência totalizavam menos do que US$ 22.113 anuais (R$ 37.952 anuais). Dividindo o valor por 13 (considerando os doze salários mensais mais um décimo terceiro, nos padrões empregatícios do Brasil), os rendimentos mensais da família americana (com quatro pessoas) pobre ficam em US$ 1.701 (R$ 2.920), o equivalente a cerca de R$ 770 mensais per capita.
Para se ter uma ideia, a linha de pobreza utilizada pelo governo brasileiro é de cerca de R$ 140 mensais per capita. Dados do IBGE divulgados em maio revelam que, em 2010, uma em cada sete famílias brasileiras vivia com renda abaixo de R$ 130, equivalente a 25% do salário mínimo da época (R$ 510).
O Bolsa Família entende como pobres no Brasil quem tem renda per capita menor que R$ 140. Em 2010, o programa oferecia uma bolsa-auxílio a 11 milhões de famílias.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social, há cerca de 80 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza no Brasil (43% da população). Já a linha de pobreza extrema (miséria) no Brasil é de menos de R$ 70 mensais per capita. Em maio deste ano, o IBGE revelou que 16,2 milhões de brasileiros (8,4% da população) vivem com menos do que esse valor por mês.
O padrão utilizado pelo Brasil se assemelha ao empregado pelo Banco Mundial, de US$ 1,25 por dia, o que totaliza US$ 45 mensais (R$ 77 mensais) per capita.
AUMENTO PREOCUPA
O Escritório do Censo dos EUA afirmou que a taxa nacional de pobreza subiu pelo terceiro ano consecutivo. O aumento foi de 0,8 %, passando a 15,1% da população. Em 2009, eram 43,6 milhões vivendo na pobreza.
O relatório diz que o número de pobres no país é o maior desde que o órgão federal começou a publicar estimativas sobre a pobreza, há 52 anos. A taxa de empobrecimento é a maior desde 1993.
Segundo o "New York Times", os números divulgados, que avaliam o estado da economia americana um ano depois da saída da recessão, foram mais desanimadores do que a maioria dos economistas previa.
"Esta é mais uma má notícia sobre a economia, e será mais uma cruz a ser carregada pelo governo", disse Ron Haskins, codiretor do Centro de Crianças e Famílias do Instituto Brookings.
DESEMPREGO
Os analistas ouvidos pelo jornal americano reforçam o que os eleitores vêm indicando em debates e o que Obama está tentando reverter com seu plano de geração de empregos e recuperação econômica: a classe média americana ainda não sentiu melhora alguma em suas condições de vida pós-crise de 2008.
"Um ano inteiro após a recuperação, não houve sinais de efeito sobre o bem estar da típica família americana. Até o fim de 2010, a economia esteve 'morta e afundada', e foi ali que ela permaneceu", disse Lawrence Katz, professor de economia da universidade de Harvard.
Segundo o "Times", o principal motor por trás do chocante aumento de americanos vivendo abaixo da linha da pobreza é o desemprego. No ano passado, cerca de 86 milhões de pessoas em idade produtiva não trabalharam sequer uma semana. Em 2009, este número havia ficado em 83 milhões.
"Uma vez que você não trabalha por muito tempo, torna-se muito difícil retomar o curso normal [das finanças familiares]", diz Katz.
O PLANO DE OBAMA
Na semana passada Obama apresentou ao Congresso seu plano para acelerar a recuperação da economia e gerar empregos, no valor de US$ 447 bilhões.
Em seu quinto pronunciamento a uma sessão conjunta do Congresso, reunindo deputados e senadores, Obama apresentou detalhes de seu plano para acelerar a retomada do crescimento da economia americana, que ainda patina após a crise, com a atual taxa de desemprego em 9,1%.
Quando assumiu o poder, em 2008, Obama encontrou um país em recessão no período da crise financeira internacional, e desde então os índices econômicos americanos não tomaram uma rota estável de recuperação. A recessão de 2007 a 2009 durou 18 meses, a mais longa desde a Grande Depressão.
A recuperação econômica é crucial para Obama, que disputa a reeleição em 2012, e analistas relembram que desde Franklin Roosevelt, nenhum presidente americano conseguiu se reeleger com uma taxa de desemprego acima de 7,2%.
Obama, cujo sucesso eleitoral depende de sua habilidade de reduzir a taxa de desemprego, propôs estender o seguro-desemprego a um custo de US$ 49 bilhões, modernizar escolas com gasto de US$ 30 bilhões e investir mais US$ 50 bilhões em infraestutura de transporte.
Fonte:folha online

sábado, agosto 27, 2011

Conexión Caracas-Havana-SP

16/07/2011
CARACAS
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, embarcou neste sábado de volta a Cuba para seguir lá, ao menos por enquanto, o tratamento do seu câncer "na região pélvica".
Antes de partir, ele dirigiu amorosas palavras à presidente Dilma Rousseff e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que defendiam que ele fosse atendido no hospital Sírio-Libanês em São Paulo. Ele não descartou aceitar a oferta, falou de "compatibilizar possibilidades", e confirmou a visita de seu chanceler, Nicolás Maduro, ao hospital.
Não há um detalhado prognóstico de Chávez _quão grave é seu estado, qual o estágio do câncer, etc. Tampouco há uma avaliação desapaixonada sobre as capacidades médicas cubanas a ponto de recomendar uma troca imediata por São Paulo.
Como me dizia um oncologista do Sírio, os médicos cubanos não costumam publicar nas principais revistas científicas do setor nem frequentam simpósios internacionais. É o óbvio: num regime fechado como o cubano pouco se sabe das técnicas, drogas a que eles têm acesso (o embargo americano também envolve veto a patentes de remédios, ainda que com exceções).
O aspecto de regime fechado que levanta dúvidas sobre o tratamento em Havana é, por outro lado, um trunfo importante para Chávez. O presidente não tem nenhum pudor em dizer que "não deve dar detalhes" de sua saúde. Neste sábado, ele foi obrigado a ouvir em rede nacional questionamentos da oposição com esse teor.
Estando em Cuba, o controle de informação a respeito de sua saúde é incomparavelmente maior do que em São Paulo. Na ilha de seu "médico superior" Fidel Castro, ele foi operado num centro médico militar duas vezes. Só 14 dias depois da primeira operação começou a pipocar aqui e ali algo sobre seu estado, citando fontes de inteligência americana.
Um aspecto lateral, mas não desprezível, é o ideológico. Deixar a heróica medicina cubana, desenvolvida em revolução, e recorrer a um dos mais caros e famosos hospitais privados da América do Sul demandaria um ajuste de discurso.
Os opositores não esperaram muito para começar a criticá-lo por isso, citando o caráter "capitalista" claro e também as pontes entre o Sírio e o mais prestigioso centro oncológico do mundo, em Houston. O chefe da oncologia do hospital paulistano, Paulo Hoff, foi uma estrela precoce no Texas até voltar ao Brasil.
Fonte: Blog Pelo Mundo

Cenas de uma ocupação

25/07/2011
BUENOS AIRES

São muitos os casarões e prédios históricos de Buenos Aires, abandonados há anos, que estão ocupados por sem-tetos e imigrantes estrangeiros.
O script é conhecido de outras cidades: chega um, dois, outra família, parentes da mesma família, e a ocupação faz aniversário. As condições quase sempre são precárias.
No turístico e boêmio bairro de San Telmo há muitos casarões ocupados. O mesmo acontece em Once, bairro que virou reduto sobretudo de peruanos. Os moradores reparam o que podem, instalam luz (quase sempre "gato"), TV a cabo e conseguem um mínimo de dignidade.
A prefeitura de Buenos Aires tenta desalojar as famílias, mas a briga, que chegou à Justiça, está longe de terminar.
Fonte: Blog Pelo Mundo

As meninas e o juiz

02/08/2011
BUENOS AIRES

Há alguns dias entrou em vigor na Argentina um decreto aprovado pela presidente Cristina Kirchner que proíbe a publicação de anúncios com ofertas sexuais, tanto em jornais como na internet.
"A oferta sexual não é só um veículo para o delito de exploração de pessoas, mas uma profunda discriminação à mulher", comentou Cristina sobre a medida.
Na semana passada, a ONG La Alameda, responsável por lutar contra a exploração de pessoas, denunciou o juiz Raúl Eugenio Zaffaroni, um dos ministros da Suprema Corte da Argentina, por alugar imóveis em Buenos Aires que eram utilizados como prostíbulos.
Até agora, com a ajuda de uma investigação do jornal "Perfil", descobriram-se seis apartamento de Zaffaroni que eram usados por garotas de programa. Os serviços de "caramelitos y masajes", como eram anunciados na internet, funcionavam em áreas nobres da capital, em endereços na Recoleta e Palermo, dois dos bairros mais caros de Buenos Aires.
Descobriu-se inclusive que uma das meninas que oferecia o serviço era Ana Touché, nome de guerra da atriz considerada uma das estrelas do pornô argentino.
Zaffaroni, denunciado à Justiça pela ONG, disse que não sabia o que faziam os inquilinos. O curioso é que havia prostituição não em um ou dois imóveis do magistrado, mas em seis. Ele afirmou ainda que as denúncias foram formuladas para "desestabilizá-lo".
O ministro é um dos juízes alinhados à Casa Rosada. Simpático ao kirchnerismo, ele é próximo de Cristina e era muito ligado ao ex-presidente Néstor Kirchner (morto em outubro do ano passado). Zaffaroni, inclusive, foi cotado neste ano como um dos prováveis vices da presidente nestas eleições _seu nome acabou descartado.
A oposição pediu a renúncia do ministro. O governo, apesar do decreto contra a prostituição que entrou em vigor dias atrás, nada falou até o momento sobre as denúncias. Como se trata de um juiz considerado kirchnerista, o caso deverá ser tratado como mais uma tentativa de desestabilizar o governo e seus amigos, principalmente agora, no meio da campanha eleitoral.
Fonte: blog Pelo Mundo

A fome e o infiel

15/08/2011
IGOR GIELOW

ENVIADO A ISLAMABAD
São 17h e o celular paquistanês com chip afegão apita. É uma mensagem da operadora, avisando o horário do Iftar em Cabul, para as 18h52. Iftar é o fim do jejum diário do Ramadã, o mês sagrado do islamismo, quando o fiel não pode comer, beber, fumar e fazer sexo enquanto houver luz do sol. O objetivo é demonstrar sua submissão ao poder de Deus.
Eu trabalho em países muçulmanos desde 1996, e peguei o Ramadã em algumas ocasiões. Durante a guerra no Afeganistão de 2001, caímos eu e todos os enviados especiais no meio do mês (que "anda" para trás uns 11 dias todo ano, porque o calendário islâmico é lunar). Fizemos a festa de um sujeito chamado Khalid, que não se importou em abrir o restaurante homônimo para alimentar os infiéis e encher o bolso.
Neste Ramadã, já passei por Paquistão e Afeganistão. O primeiro país tem uma elite com vários hábitos ocidentais, então não é difícil ser servido ao menos de chá com leite ou água durante entrevistas em locais fechados. Mas esqueça de beber ou comer na rua. Não rola.
Nos hotéis, você pode optar pela refeição pré-nascer do sol, chamada Sahri. O problema é que é antes das 5h, e encarar frango apimentado nessa hora é complicado. Ou então ir para o canto reservado aos infiéis nos salões de café-da-manhã, em que pães amanhecidos e chá estão à disposição nos horários regulares.
O que acaba acontecendo, até porque trabalho com um ajudante local, é que esse arremedo de café vira tudo o que você come até a noite. Ele não é exatamente o muçulmano mais estrito do mundo, então ao menos paramos para tomar água discretamente dentro do carro.
Voltando de uma área tribal um dia desses, o Iftar aconteceu no meio da estrada. Ele parou, e como estávamos com outro paquistanês no carro, ambos correram para abrir o porta-malas e fazer uma espécie de refeição com comida estocada. Sobre o capô do veículo, num acostamento.
No Afeganistão, é mais complicado. A observância dos locais é mais incisiva, e meu assistente local faz questão de começar o trabalho às 6h30, 7h, para "aproveitar que ainda não está zonzo". OK, em nome do multiculturalismo, vamos lá. Ao menos perde-se peso, conhece-se mais um aspecto da realidade local.
Mas por que diabos a operadora de celular tinha que lembrar o infiel aqui do jantar uma hora e tanto antes de ele estar disponível?
Fonte: blog pelo Mundo

O homem do tapa-olho

CARACAS

Viver em Caracas é... ver o canal 8, a TV estatal, eternamente. Ao menos se você é jornalista.
Como diria um amigo que me visitou, o canal 8 é uma espécie de instalação de museu na minha sala; A TV nunca está desligada, e sempre há um jingle socialista ou algum anúncio do governo Chávez.
Por que acontece? Porque a cobertura jornalística na Venezuela tem suas idiossincrasias: é o governo na televisão. Agora há pouco, já noite avançada desta terça-feira, o presidente Hugo Chávez falou ao vivo na TV pela terceira vez no dia. E essa é a principal fonte de notícia.
Agora, que ele está recebendo tratamento para câncer, as entradas são telefônicas. De todo modo, a regra não muda. Os ministros, mais que dotes de gestão, tem de saber noções de transmissão ao vivo de TV, caminhar ao lado das câmeras e tascar ao final: "Adelante, Presidente". O "adelante" é a versão local de "É com você, Fátima", que um repórter do "Jornal Nacional" diria.
Meu tema neste post, porém, é um dos programas mais emblemáticos do canal 8, o "Dossier".
Na primeira semana na Venezuela, e já com a TV no canal 8 obviamente, uma música vibrante e sombria _algo como a da abertura do "Globo Repórter"_ me chamou atenção. Então, apareceu na tela um homem de tapa-olho. De terno e tapa-olho, contracenando com um "chroma key" que o projetava em escala natural ao lado da imagem de Hillary Clinton ou Vladimir Putin.
O homem do tapa-olho é o veterano jornalista uruguaio Walter Martínez, mais de três décadas de carreira e quase 20 anos de TV estatal (é anterior à era Chávez).
Ele é ex-correspondente de guerra, adora citar detalhes dos armamentos ou apontar devios de protocolo diplomáticos. Apoia o governo, ataca por vezes jornalistas críticos e tem seus assuntos de obsessão e predileção. Em 2005, ele bateu de frente com o a cúpula chavista porque lhe foi negada uma vaga na equipe que cobriria a Assembleia Geral da ONU naquele ano. Ele criticou a corrupção no chavismo e até as condições de trabalho no canal. Foi tirado do ar. Meses depois, tudo foi contornado. Chávez costuma recomendar o programa, cujo outro fã famoso seria Fidel Castro ("Dossiê" também é transmitido pela rede Telesul).
O programa, sem dúvida, tem momentos e vídeos interessantes. Mas é o mistério do tapa-olho _não se menciona sua origem, se um acidente de trabalho em área de risco ou algo sem qualquer relação_ e os enormes bordões do programa fazem dele pop. Pelo menos acho eu, um par de amigos jornalistas e o anômimo que fez o stencil que ilustra esse post, encontrado numa rua do centro de Caracas.
Martínez sempre começa o programa dizendo que a "nossa querida, contaminada e única nave espacial deu outra volta em torno do seu eixo imaginário" e que ele contará, então, "o pleno desenrolar dos acontecimentos" ou a "pequena grande história das últimas 24 horas". "Disponha das câmeras, senhor diretor", encerra ele, e caminha rumo à tela no estúdio semi-iluminado.
Aqui um par de links para que deem uma olhada.
http://www.vtv.gov.ve/index.php?option=com_content&view=article&id=60911:toda-venezuela&catid=63&Itemid=111
http://dossier-1.blogspot.com/search/label/dossier

Poder e fortuna

LUCAS FERRAZ

DE BUENOS AIRES
A chegada ao poder _será que acontece só na Argentina?_ teve um efeito multiplicador para os Kirchner: em sete anos, o patrimônio da família deu um salto espetacular de quase 1.000%.
Em 2003, quando Néstor Kirchner foi eleito presidente, o patrimônio declarado dele e da mulher era de $ 6,8 milhões _o equivalente a R$ 2,72 milhões, de acordo com o câmbio desta semana.
No ano passado, segundo declaração apresentada por Cristina à Justiça Eleitoral nesta semana, o patrimônio da família era de $ 70,4 milhões (R$ 28,1 milhões). Sim, um incremento de 928%. Entre 2009 e 2010, o aumento foi de 27%.
A explicação da presidente na declaração de bens: o patrimônio cresceu por causa da valorização de algumas ações em empreendimentos que a família possui. E são vários, principalmente na província de Santa Cruz, no sul argentino, feudo eleitoral dos Kirchner.
Um dos empreendimentos é Los Sauces, um hotel-boutique em El Calafate. O que chamou a atenção da oposição é que Cristina Kirchner, nesse empreendimento, tem 45% das ações, avaliadas em pouco mais de $ 1 milhão. Outros 45% estão em nome de seu falecido marido, mas o valor declarado é outro: $ 2,6 milhões.
Apesar dos reclamos, tudo deve seguir sem investigação. No passado, a Justiça chegou a abrir uma ação para apurar a suspeita de enriquecimento ilícito do matrimônio. Mas o caso logo foi encerrado. O juiz, descobriram depois, era amigo.
O milionário patrimônio dos Kirchner, além das ações em empreendimentos turísticos e não-turísticos, é formado ainda por apartamentos em Río Gallegos (capital de Santa Cruz), Buenos Aires, carros e até lotes na Patagônia.
Fonte:Blog pelo Mundo em 27/08/2011

Cuba e a resistência psicológica

02/08/2011
CARACAS

Raúl Castro, que completou cinco anos no poder em Cuba neste mês, encerrou na segunda-feira a sessão da Assembleia Nacional do país com um discurso curto, pontuado por autocrítica e uma advertência: “toda resistência burocrática” às reformas econômicas aprovadas “será inútil”.
Raúl insistiu que o maior obstáculo às mudanças é “a barreira psicológica formada pela inércia, pelo imobilismo, pela simulação ou falsa moral, a indiferença e a insensibilidade”.
O texto lido pelo irmão mais velho de Fidel Castro também cobra tolerância religiosa do Partido Comunista (PC), comentando a demissão de uma funcionária por “ir alguns domingos ao culto da igreja”.
Mas voltemos à ênfase de Raúl à “barreira psicológica”.
Antes dela, as reformas, consideradas pontuais, têm entraves práticos. Por exemplo, no caso do incentivo dos pequenos negócios privados: falta de capital para aplicar na nova pequena economia privada que eles querem fazer emergir, alguns controles e obrigações que afetam a demanda desencorajam os empreendedores...
Mas também há mudanças pouco palatáveis, que podem significar para muitos perda de cotas de poder, e talvez esse seja um ponto referido por Raúl ao falar de “resistência burocrática”.
Um exemplo é a demissão massiva de 500 mil funcionários públicos que o governo desejaria já haver feito até abril desse ano. A meta teve de ser revisada e o próprio Raúl disse em abril que o plano será gradual.
Para analistas, a resistência pelas demissões é tanto por perder os cerca de U$ 20 do salário médio quanto o acesso aos bens produzidos nas empresas públicas, que alimentam o mercado negro.
O equilíbrio precário da frágil economia e da sociedade cubanas em boa parte de assenta nesse sistema estruturado em várias camadas de irregularidades, negócios ilegais e vigilância mútua.
Como disse a especialista americana Julia Sweig, do Council on Foreign Relations, em entrevista à Folha em 2008, esse não é um desafio menor.
“Para sobreviver as pessoas têm de roubar dos locais de trabalho, comprar no mercado negro, e com o tempo há um efeito incrivelmente corrosivo. As pessoas são obrigadas a mentir e dissimular e fazer um monte de coisas terrivelmente negativas para a sociedade. Todo mundo reconhece isso. Quando a sociedade cubana será uma sociedade mais reconhecível, na qual há mais transparência e prestação de contas e as pessoas não precisam se engajar em atividades ilegais para sobreviver? Eu não sei, talvez em 20, 50 anos. É uma grande questão sociológica”

Fonte: blog Pelo Mundo-folha online

O passado da Rússia não é indicativo do futuro do país

JOHN THORNHILL *

DO "FINANCIAL TIMES"
Os russos às vezes dizem que é impossível prever qualquer coisa em seu país --até mesmo o passado. Os heróis de uma era são magicamente apagados da era seguinte. Os avanços ousados de um líder são tachados de esquemas insensatos pelos líderes seguintes. Como escreveu Boris Pasternak certa vez, muitas vezes é difícil distinguir vitórias de derrotas.

Esse caleidoscópio histórico em constante mutação é válido para o putsch fracassado do Partido Comunista de linha dura, em agosto de 1991, que levou rapidamente ao desmoronamento da União Soviética, alguns meses mais tarde. Nos últimos 20 anos, aqueles acontecimentos devastadores --que levaram à desintegração de um império, uma economia, uma ideologia e um regime político-- vêm suscitando controvérsia incessante. Vêm sendo interpretados e reinterpretados interminavelmente na Rússia, sendo vistos como motivo de comemoração, desespero, revolta, desilusão ou vergonha.
Para alguns russos, mais notadamente para Boris Ieltsin, o primeiro líder russo pós-comunista, a implosão da União Soviética foi uma libertação, tanto para os povos da Rússia quanto para os outros 14 países que emergiriam dos escombros do império soviético. O colapso de 74 anos de governo do Partido Comunista abriu o caminho para a emergência de uma sociedade, uma economia e um sistema político mais livres --e também ajudou a entrincheirar Ieltsin no poder.
Mas o sucessor deste, Vladimir Putin, mais moldado por uma visão de mundo típica da KGB, chegou a uma conclusão diferente depois de analisar aqueles acontecimentos e o caos que se seguiu a eles. Para Putin, a implosão do poder soviético foi "a maior catástrofe geoestratégica do século 20", deixando a Rússia como a humilhada e empobrecida parte restante de uma superpotência que, no passado, rivalizara com os Estados Unidos. Não surpreende que sua Presidência tenha sido tão marcada pela preocupação de restabelecer o poder do Kremlin e reafirmar a esfera de influência da Rússia no exterior.
O presidente atual da Rússia, Dmitri Medvedev, 45 anos, parece fazer uma avaliação mais nuançada de 1991. Em entrevista que concedeu ao "Financial Times" em junho, ele rejeitou o parecer de Putin, dizendo que a guerra civil pós-revolucionária de 1917-23 e a Segunda Guerra Mundial, que, juntas, mataram dezenas de milhões de pessoas, foram desastres muito piores para a Rússia.
Medvedev descreveu sua geração como sendo "a mais feliz" da nação, porque conheceu na pele as carências de bens dos tempos soviéticos, mas é suficientemente jovem para ter podido beneficiar-se das oportunidades da era pós-comunista. "Ficou muito feliz por ter vivido nessas duas épocas", disse ele. "Acredito que tudo o que aconteceu representa progresso indiscutível para o país e o povo."
No Ocidente desenvolveu-se uma narrativa muito mais simples sobre o colapso soviético. Para a maioria das pessoas, o desaparecimento do "império do mal" foi visto como uma bênção incondicional, reduzindo o perigo de o mundo acabar em uma conflagração nuclear e oferecendo a atração de um dividendo da paz.
No entanto, a queda do principal rival ideológico dos Estados Unidos provocou abalos posteriores. Incentivou o triunfalismo do tipo "fim da história", segundo o qual os mercados livres e a democracia liberal eram os pontos culminantes da evolução política e econômica do homem. Esse húbris ideológico contribuiu para o fundamentalismo de mercado que levou à derrocada financeira de 2008.
Os historiadores ocidentais também começaram a reinterpretar 1991. Uma das análises mais interessantes vem sendo a de Stephen Kotkin, que, em "Armageddon Averted" (Armageddon evitado), argumentou que o colapso soviético não terminou em 1991, mas prosseguiu ao longo da década, atrapalhando e desacreditando as reformas.
Algumas das instituições do Estado soviético morto continuaram a dar sinais de vida durante anos, frustrando as tentativas ocasionais de Ieltsin de criar algo que se assemelhasse a uma economia de livre mercado ou uma democracia. O imenso complexo industrial militar soviético, construído com indiferença perversa a qualquer espécie de lógica industrial, também revelou-se um ônus enorme à economia.
Kotkin argumenta que, em vista desta escala de desorganização política, econômica e social, é altamente espantoso que o caos da Rússia nos anos 1990 --por mais que o país tenha parecido tumultuado na época-- não tenha sido infinitamente pior. O Armageddon foi evitado de fato. Mas não são apenas as consequências de 1991 que vêm suscitando controvérsia; suas causas também continuam a ser largamente discutidas. Um aspecto do colapso soviético que provoca perplexidade é por que ele não foi mais amplamente previsto de antemão, dado que, visto em retrospectiva, ele parecia tão inevitável.
Como estudante de pós-graduação em política soviética, me recordo de ter assistido a uma conferência em Londres, em 1986, que teve a presença de muitos kremlinólogos destacados. Um participante perguntou se a União Soviética cairia ainda durante nossas vidas. Ainda me recordo das gargalhadas incrédulas: o Partido Comunista era coeso demais, o domínio da KGB era forte demais, os povos soviéticos eram demasiado passivos. Como escreveu em 1995 o veterano diplomata americano George Kennan: "Acho difícil pensar em qualquer acontecimento mais estranho, espantoso e, à primeira vista, mais inexplicável, que a repentina e total desintegração e o desaparecimento do cenário internacional ... da grande potência conhecida sucessivamente como o Império Russo e depois como a União Soviética."
Nosso fracasso constante em prever os fatos na Rússia deveria nos ensinar mais humildade quando se trata de imaginar o futuro do país. É perigosíssimo supor que o futuro da Rússia será meramente uma extrapolação de seu presente.
No início dos anos 1990 era comum ouvir russos lamentarem que seu país precisaria de 40 anos no deserto para conseguir despir-se de sua mentalidade de escravo soviético. Estamos apenas na metade desse caminho. Quem sabe como o país vai evoluir?
Não é apenas o passado que é imprevisível.

*John Thornhill é ex-diretor da sucursal do "Financial Times" em Moscou.
Tradução de Clara Allain

quarta-feira, março 02, 2011

Fernando Canzian

As múmias se mexem
31/01/2011
O gênio político Sandro Mabel (PR-GO), dono das bolachas Mabel (classe C) e candidato a presidir a Câmara dos Deputados, deu a seguinte declaração (vazada sem que ele soubesse) há algumas semanas sobre o aumento do salário mínimo, ainda não decidido pelo governo Dilma:
"Eu sempre sou a favor que se suba o salário mínimo, mas acho que tem que existir sempre uma dosagem. Quanto mais [eles têm], mais exigentes eles ficam. Eles querem mais coisas. Então tem que tomar cuidado", disse o deputado.
Os acontecimentos dos últimos dias em um dos maiores países do mundo árabe, o Egito, pode ser resultado dessa lógica explicitada pela simplicidade mau caráter de Mabel.
O fato é que os egípcios finalmente se manifestam contra uma ditadura de quase 30 anos, que manipula seguidamente eleições e tolhe a liberdade política no país.
O Egito segue o mesmo roteiro de inconformidade e protestos (embora em proporções bem maiores) de outros países da região, como Argélia, Líbia, Jordânia e Iêmen.
Na Tunísia, os protestos populares foram suficientes para derrubar há duas semanas o ditador Zine Ben Ali, que se mantinha no poder há 23 anos.
Foi a Tunísia, aliás, que literalmente pôs fogo no mundo árabe. Ben Ali caiu após protestos que se seguiram à auto imolação com gasolina e fogo de um camelô agredido por policiais após ter sua banca de frutas confiscada.
Longe do radar global, os países do norte da África vêm (assim como os ao sul do Saara) passando por transformações econômicas importantes nos últimos anos.
Na média, é uma das regiões mais dinâmicas do mundo. Isso não tem a ver somente com petróleo e bases comparativas muito baixas.
Mas com as atuais mudanças globais. Com grandes países consumidores como China, Índia e mesmo o Brasil aumentando necessariamente o volume de investimentos e comércio com a região. E com um amadurecimento de políticas macroeconômicas responsáveis.
O Egito cresce ao redor de 5% ao ano desde 2008. A Tunísia, perto dos 4%. Abaixo do Saara, a Nigéria e Angola devem crescer acima de 7% neste ano.
Embora o crescimento desses países seja agora constante, há dois aspectos relevantes sobre eles: desemprego e inflação seguem elevados, o que indica concentração da riqueza que vem sendo gerada; e existe uma tremenda falta de análises, estatísticas e números a respeito dessas economias, seja do FMI ou do Banco Mundial.
Algo de muito novo e relevante ocorre por ali.
Mas, tirando as análises geopolíticas do século passado, quase nada sabemos sobre isso.
Fonte:folha online