terça-feira, setembro 13, 2011

Militares dos EUA enfrentam melhor o terrorismo, mas treinam menos para guerra convencional-05/09/2011

WASHINGTON - Os ataques do 11 de Setembro transformaram o Pentágono ao causar estragos no seu simbólico edifício e criar as condições para duas guerras longas e custosas que reordenaram a forma de combate das Forças Armadas americanas.

Em comparação a dez anos atrás, o Exército hoje é maior, está mais ligado à CIA, mais acostumado a enfrentar terroristas e é mais respeitado pela opinião pública americana. Mas seus membros também estão cada vez mais cansados da guerra, se suicidam num ritmo alarmante e treinam menos para a guerra convencional.
A parte destruída do Pentágono foi recuperada com notável rapidez, depois que o Boeing 757 da American Airlines sequestrado se chocou contra sua ala oeste, o que provocou um incêndio no edifício e a morte de 184 pessoas. Mas se recuperar da tensão de combater no Iraque e no Afeganistão tomará muito mais tempo, possivelmente décadas.
Os líderes do Pentágono terão que se adaptar a uma nova era de austeridade depois de uma década em que o orçamento da defesa dobrou até chegar a cerca de US$ 700 bilhões este ano.

O Exército e a Infantaria da Marinha em particular, ambos comprometidos no Afeganistão, terão que lutar para voltar a treinar, armar e revitalizar suas forças a medida que os orçamentos começam a encolher. E os próprios soldados se deparam com um futuro incerto; muitos estão marcados pela depressão mental decorrente da batalha e alguns enfrentam a transição para a vida civil num momento de crise econômica e desemprego alto. O custo da atenção aos veteranos será mais alto.
Como colocou Robert Gates pouco antes de sua renúncia do cargo de secretário de Defesa há alguns meses, a paz trará seus próprios problemas.
O problema não era a paz em 11 de setembro de 2001. Naquele momento, os militares se concentravam quase que exclusivamente em ameaças externas. As defesas aéreas vigiavam os aviões e mísseis que poderiam atacar de longe; se prestava pouca atenção à possibilidade de que terroristas sequestrassem aviões de passageiros para usá-los como mísseis. Isso mudou com a criação do Comando Norte dos EUA, em 2002, que agora compartilha com o Departamento de Segurança Nacional a responsabilidade de defender o território americano.
O terrorismo não era um desafio novo em 2001, mas a escala dos atentados do 11 de Setembro provocou uma mudança na mentalidade, da defesa ao ataque. Os EUA invadiram o Afeganistão em 7 de outubro numa campanha militar não convencional coordenada juntamente com a CIA. Esse foi o prelúdio de um dos mais profundos efeitos do 11 de Setembro: uma mudança de ênfase, nas Forças Armadas, da luta convencional, em que um exército combate outro, às caçadas de obscuros terroristas, mais secretas e impulsionadas pelos serviços de inteligência. Essa mudança foi importante, mas ocorreu gradualmente, enquanto os serviços militares se aferravam às suas formas de guerra fria.
Até hoje se debate como os talibãs - que haviam protegido Osama Bin Laden e outras figuras da al-Qaeda antes da invasão dos EUA e foram expulsos de Kabul em questão de semanas - conseguiram se recuperar depois, quando os EUA desviaram seu principal foco de atenção para o Iraque, em 2003. O revés no Afeganistão, junto com a luta mais longa do que o esperado no Iraque, mostrou os limites do poder militar americano depois do 11 de Setembro.
Também ressaltou uma das outras lições-chave na última década de guerras: é preciso mais que o músculo militar para se estabelecer a paz. Se requer que o Departamento de Estado, com seu pequeno exército de diplomatas e especialistas em desenvolvimento, junto com outras agências governamentais, colaborem com o Pentágono.
As forças militares aumentaram na última década, mas o crescimento foi desigual. O Exército passou de cerca de 480 mil membros em 2001 para 572 mil este ano. O número de fuzileiros navais passou de 172 mil para 200 mil. A Força Aérea e a Marinha, por outro lado, tiveram suas tropas reduzidas. A Força Aérea perdeu cerca de 20 mil postos desde 2001 e, a Marinha, aproximadamente 50 mil.
Em termos percentuais, o maior crescimento nas Forças Armadas foi nas unidades de elite, secretas, conhecidas como forças de operações especiais. Elas aumentaram vertiginosamente até alcançar a vanguarda da campanha contra o terrorismo dos militares americanos quase imediatamente depois dos atentados de 11 de Setembro. Ajudaram a derrotar os talibãs no fim de 2001 e, em maio de 2011, coroaram seu trabalho com a incursão da equipe Seal, da Marinha, que matou o líder da al-Qaeda, Osama bin Laden, em seu complexo no Paquistão. E, apesar de o alcance global da al-Qaeda ter diminuído, é provável o crescente papel das forças de operações especiais continue.
- Essa é a mudança mais interessante e importante que, provavelmente, durará - afirmou, em uma entrevista, Michael O'Hanlon, analisa de defesa da Instituição Brookings. - Não escutei muitas pessoas sugerindo que podemos ser reduzidos de novo.
Os fuzileiros, que nunca antes tinham acolhido forças desse tipo, agora tem 2.600 homens sob o Comando de Operações Especiais dos EUA. As outras unidades no comando incluem os Seal, os boina verdes e as tropas de assalto do Exército e os operadores especiais da Força Aérea.
Ao todo, essas forças de operações especiais aumentaram de 45.600 em 2001 a 61.000 hoje, segundo o Comando de Operações Especiais.
Uma década de guerras também produziu suas estrelas militares. O general do Exército David Petraeus serviu três vezes no comando do Iraque e uma vez no Afeganistão antes de aceitar a oferta do presidente Barack Obama para suceder Leon Panetta como o próximo diretor da CIA.
O ex-comandante do Exército no Iraque, general Raymond Odierno, está a ponto de se converter no principal general do Exército, e o atual chefe do Exército, o general Martin Dempsey, que serviu duas vezes no Iraque, deve substituir o almirante da Marinha Mike Mullen como o próximo presidente do Estado Maior Conjunto.
As Forças Armadas, em seu conjunto, são vistas mais favoravelmente pela opinião pública americana. Uma pesquisa do Gallup em junho revelou que o Exército é a instituição nacional mais respeitada: 78% dos entrevistados expressaram uma grande confiança na força. Isso representa 11 pontos acima da média histórica do Gallup, que remonta à década de 70.
A nova estrela tecnológica é o avião teledirigido tipo "drone", como os "Predator", que vigiam o campo de batalha e disparam mísseis contra alvos selecionados. Sua popularidade deu lugar a um esforço para o uso de aviões não tripulados para realizar outras missões, como um bombardeio de longo alcance e o uso de helicópteros de carga pesada.
FONTE: OGLOBO ONLINE

Nenhum comentário: