1- Governador da Paraíba nos anos 70 e aliado do regime militar, Ernane Satyro não era dado a amabilidades. Certa vez, num vôo para Brasília, instalou-se na primeira fila e enterrou o rosto num livro aberto, para evitar conversas indesejáveis.
Um passageiro sentou-se ao seu lado.
- Eis uma ótima chance para conversar com o senhor, governador!
Satyro fechou o livro, levantou-se, olhou o homem e despachou:
- Boa oportunidade para o senhor, não para mim.
E foi procurar outro lugar.
2- Tancredo Neves sustentou nos anos 80, em palestra a estudantes, que às vezes o enfrentamento é necessário. Contou que era vereador em São João Del Rey, e, atacado por um adversário, escreveu uma furiosa carta de três páginas para o adversário.
"Qual foi a reação dele?", perguntou um rapaz.
- Ah, não mandei. No dia seguinte reduzi para uma página.
- E como ele reagiu?
- Não mandei a carta. Achei melhor transformá-la em bilhete.
- Ele ficou irritado?
- Não mandei o bilhete. Optei por um telegrama.
- E como ele reagiu ao telegrama? - os garotos já se impacientavam.
- Pensei bem e vi que aquilo era bobagem. E joguei-o no lixo.
3- Convidado pelo ministro José Dirceu para auxiliar na escolha de nomes para o governo Lula, o secretário de Organização do PT, Silvio Pereira, não é conhecido de boa parte da equipe econômica, de origem tucana. Há dias, ele provocou uma reunião com o presidente do Banco do Brasil para tratar de posições inclusive no fundo de pensão Previ, mas Cássio Casseb não lhe deu a menor bola. Não o conhecia. Sílvio se levantou e foi embora. Quando já estava na garagem do prédio, foi alcançado por Casseb, finalmente informado quem era Sílvio Pereira. Mas o petista se vingou:
- Agora sou eu quem não quer falar com o senhor.
Entrou no carro e foi embora.
4- Prestes a viajar ao exterior, o presidente Juscelino Kubitschek foi advertido pelo seu ministro da Casa Civil, Antonio Balbino: atos pendentes seriam assinados pelo vice, João Goulart. O mais importantes era o preenchimento de uma ambicionada vaga de tabelião de notas no Rio de Janeiro. JK pediu uma lista telefônica de Curitiba, correu os dedos numa página qualquer e se fixou num nome repleto de consoantes. Acrescentou outras e ordenou:
- Faça o ato de nomeação desse sujeito aqui.
- Mas, presidente, ninguém vai encontrar essa pessoa para a posse...JK sorriu, mineiramente:
- Exato. Quando eu voltar, revogarei o decreto e nomearei outro.
5- Nomeado por Jânio Quadros embaixador plenipotenciário na Europa, Roberto Campos empreendeu viagem por todo o Velho Continente assim que foi confirmado no cargo. Levou uma pequena comitiva, que incluía o secretário particular do presidente, Augusto Marzagão. Na volta, Campos e delegação foram recebidos por Jânio, que perguntou:
- Embaixador, de sua comitiva quem mais se destacou na viagem?
Campos apontou o jovem Marzagão e explicou:
- Ele conseguiu ficar calado em sete idiomas.
Fonte: www.claudiohumberto.com.br
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