terça-feira, abril 11, 2006

Coisas de Famíllia


Lulinha também não sabe de nada

A história é mais do que conhecida e comprova as maravilhas do capitalismo: o filho do Presidente da República era um autêntico zero à esquerda. Do dia para a noite, através de um aporte de capital, viu a inexpressiva empresa da qual era sócio se tornar um empreendimento milionário, no exato momento em que as verbas publicitárias se retraiam em todos os setores (por culpa mesma dos escândalos nascidos a partir do partido dos próprios). Uma beleza!
A empresa da qual Lulinha - o filho - é sócio, produz programas de TV dedicados ao mundo dos vídeo-games. Salvo melhor juízo e considerando-se seriamente a hipótese de eu ainda não ter ficado maluco, o público-alvo, tanto dos programas quantos dos vídeo-games, é composto em sua maioria por crianças e adolescentes. E é precisamente às 6 horas da tarde de um sábado que essa parcela da audiência está na frente dos aparelhos de televisão.

Em 01.04.2006 a edição do programa trazia uma mistura de entrevista e disputa de vídeo-game entre a apresentadora e uma convidada. No caso, a ex-prostituta e blogueira conhecida por Bruna Surfistinha, que lançou um livro com as memórias de sua recém-abandonada profissão. O livro vendeu bem, terá continuação e será adaptado para o cinema.

exibido as 18 horas de Sábado, dizia-se:

Apresentadora Luiza: Você já se sentia bem-sucedida no ramo?
Bruna Surfistinha: Não... Ainda não estava realizada profissionalmente.
(...)
Apresentadora Luiza: Quantos clientes você conseguiu através do blog?
Bruna Surfistinha: ...Meu telefone não parava de tocar... Eu fazia seis programas fácil, num dia...
(...)
Apresentadora Luiza: Que tipo de coisa você falava no telefone para conquistar (seus clientes)?
Bruna Surfistinha: ...Eu fazia uma voz sexy, dizia que estava com vontade de fazer sexo...
(...)
Apresentadora Luiza: Tem diferença de preço, pelo homem?
Bruna Surfistinha: Quando a gente percebe que o homem tem dinheiro, a gente faz tudo pra tirar o dinheiro dele (...) Eu dobrava meu cachê...
(...)
Apresentadora Luiza: Quanto custa um programa normal?
Bruna Surfistinha: Custa em média 150 reais. Com “anal”, 200, 250 reais.

O que se assistiu, enfim, foi uma autêntica aula de como se ingressar na lucrativa carreira de garota de programa, algo aparentemente instrutivo para o público-alvo do programa, na visão de seus produtores.

A Telemar, a controladora da Oi, a patrocinadora da Gamecorp, produtora responsável pela entrevista, que entrevistou a ex-prostituta. A missão do Instituto Telemar:

Trechos do artigo de Daniel Santana em 05.04.2006.

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