terça-feira, abril 11, 2006

Artigo de Glauco Fonseca no site do Jornalista Diego Casagrande, sobre astronauta da Republica da Mentira

LULA E O PÉ DE FEIJÃO
por Glauco Fonseca
A odisséia do astronauta brasileiro por módicos US$ 10 milhões, sem qualquer necessidade técnica ou científica fora a verificação de como se comporta a germinação do feijão na ausência do geotropismo, é a cara do governo Lula. Afora o generoso revestimento de mídia, o ufanismo efêmero convive com uma suspeita sensação de que há algo errado no ar. E há.O astronauta brasileiro é, na verdade, Lula da Silva. Sua aventura espacial começou com a compra de sua espaçonave, o Airbus de 160 milhões de reais. Depois, com sua postura totalmente “off” dos problemas que perturbam o país, seu governo, seu partido e seus amigos, se constata que Lula já habita o mundo da lua desde meados de 2005, pelo menos, coincidindo com a eclosão das denúncias do mensalão. Há pouco surgiu um alter ego, que é o astronauta Marcos Pontes, com quem Lula conversou sobre assuntos interessantíssimos durante a permanência – de ambos – no espaço.Marcos Pontes é passado. Resta ainda na mídia, entretanto, o astronauta Lula, maior sobrevivente do espaço sideral no território nacional.Não me contive em elaborar uma ligação entre a história de João e o pé de feijão com a “experiência” do astronauta brasileiro e as peripécias do astronauta-mor da nação. Na história original, por pura ingenuidade, o menino trocou uma vaca por feijões que eram, supostamente, mágicos. Quando a mãe de João viu as sementes, ficou furiosa e jogou tudo pela janela. Na manhã seguinte, João ficou espantado quando viu uma enorme árvore que ia até o céu. Decidiu subir pelo pé de feijão e ficou maravilhado ao encontrar lá nas nuvens um castelo. Só que lá havia um gigante malvado.O gigante ordenou à sua galinha que pusesse um ovo de ouro, e a sua harpa que tocasse uma bela melodia. Então, o gigante adormeceu em poucos minutos. O menino roubou a galinha e também a harpa. O gigante despertou. João correu e o gigante foi atrás dele. João chegou primeiro ao tronco do pé de feijão no solo e, com um machado, cortou-o, que caiu com um estrondo. Foi o fim do gigante.Lula, como o menino João, trocou sua essência por sementes de feijão, lançou-as, viu-as crescer e escalou o seu tronco. Tudo para estar no topo, nas nuvens, perto de gigantes, ouro e fartura. Mas não contente com isso, Lula, assim como João, é capaz de cortar todas as relações que fez para chegar ao topo, mesmo que isso signifique a solidão. O tronco que sustentava o pé de feijão foi cortado por seu próprio semeador. O mesmo tronco, que sustenta a ânsia de Lula por poder, está prestes a cair também. A castração se aproxima, o castigo se avizinha com reforços freudianos cruéis, somente comparáveis a uma impotência, a um impedimento. A um impeachment.Lula, se tiver ainda um pingo de inteligência e senso de sobrevivência, deve se agarrar à galinha dos ovos de ouro e à harpa, dando a história por encerrada. Tem mais alguns dias para pensar nisso antes que Lulinha, Duda Mendonça ou Paulo Okamotto se juntem a Palocci e Márcio Thomás Bastos, os dois mais recentes gigantes que tiveram seus caules estraçalhados pelo machado afiado de ... um simples caseiro.Publicado em 11/04/2006

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