
segunda-feira, junho 29, 2009
domingo, março 15, 2009
No Brasil, 47% dos idosos fazem sexo regularmente- 15/03/2009

Do bolso do microempresário Nélson Oliveira, 66, não sai um tostão para comprar Viagra. E ele garante que, desde que se casou, há 48 anos, transa diariamente com a mulher. Ao lado, Néia, 65, só confirma. "É sim, é sim."
Quando o assunto é desempenho sexual, com frequência se apela a uma testemunha -ainda mais quando quem fala é alguém do sexo masculino e de terceira idade.
Feitas as contas, Oliveira teve com a mulher 17.540 relações nesses quase 50 anos, pontual como um relógio cuco e sem ajuda química.
Esse índice de "abstenção zero" pode gerar polêmica, mas, a julgar pelo Datafolha, a vida sexual após os 60 é mais movimentada do que prega a maledicência popular, que costuma enxergar na terceira idade o fim do erotismo.
Quase metade dos idosos ouvidos na pesquisa declara ter relações sexuais -um quarto deles, uma vez ou mais por semana. Mesmo na faixa dos maiores de 75, 24% se revelaram sexualmente ativos.
Os mais afoitos podem dizer que, com o advento das drogas para disfunção erétil, agora é fácil. Só que 88% dos homens entrevistados dizem nunca ter usado remédio, embora até admitam alguma mudança no desempenho.
Esse índice de "abstenção zero" pode gerar polêmica, mas, a julgar pelo Datafolha, a vida sexual após os 60 é mais movimentada do que prega a maledicência popular, que costuma enxergar na terceira idade o fim do erotismo.
Quase metade dos idosos ouvidos na pesquisa declara ter relações sexuais -um quarto deles, uma vez ou mais por semana. Mesmo na faixa dos maiores de 75, 24% se revelaram sexualmente ativos.
Os mais afoitos podem dizer que, com o advento das drogas para disfunção erétil, agora é fácil. Só que 88% dos homens entrevistados dizem nunca ter usado remédio, embora até admitam alguma mudança no desempenho.
Exemplo: o músico Jurandir Bueno, 62, retratado na capa deste caderno com a namorada, a bailarina Sônia Arakaki, 62, jura que nunca tomou nada e que vai transar até o fim da vida; confia no próprio corpo, diz. Só faz uma ressalva: "O processo é demorado". "Gosto de conhecer bem a pessoa, preciso estar envolvido. Não sou uma máquina!"
Jurandir "pesquisou" a bailarina durante quatro meses, até irem para a cama. "Eu também não estava com pressa. Com a idade, as coisas ficam mais tranquilas", conta Sônia, que foi casada durante 20 anos e tem três filhos.
Reféns do machismo
Em qualquer faixa etária, é previsível uma dose de exagero ou, digamos, de inverdades sobre o desempenho sexual, afirma o geriatra Wilson Jacob Filho, colunista da Folha. Ainda mais quando mexe com alguns tabus da masculinidade. "O que se espera deles é que se mantenham viris, e os que não são suficientemente esclarecidos associam a dificuldade sexual à incompetência, e não a doenças como diabetes, hipertensão, depressão ou problemas na próstata."
Jacob dá um exemplo de como a imagem é fundamental. "Quando o HC tinha o Laboratório da Impotência, atendia dez pessoas. Mudaram o nome para Laboratório da Disfunção Erétil, e o número de pacientes foi para uns 10 mil", conta, rindo.
Em qualquer faixa etária, é previsível uma dose de exagero ou, digamos, de inverdades sobre o desempenho sexual, afirma o geriatra Wilson Jacob Filho, colunista da Folha. Ainda mais quando mexe com alguns tabus da masculinidade. "O que se espera deles é que se mantenham viris, e os que não são suficientemente esclarecidos associam a dificuldade sexual à incompetência, e não a doenças como diabetes, hipertensão, depressão ou problemas na próstata."
Jacob dá um exemplo de como a imagem é fundamental. "Quando o HC tinha o Laboratório da Impotência, atendia dez pessoas. Mudaram o nome para Laboratório da Disfunção Erétil, e o número de pacientes foi para uns 10 mil", conta, rindo.
Na pesquisa Datafolha, a diferença de visão do sexo entre homens e mulheres revela um dado paradoxal: 74% dos homens afirmam ter vida sexual ativa, enquanto 76% das mulheres dizem exatamente o contrário. Considerando que o índice de casados de terceira idade é 47%, com quem eles transam?
Existem várias possibilidades, dizem os especialistas: sozinho (masturbação), com companhias eventuais ou usando outras formas de atingir o orgasmo, sem penetração peniana.
E as esposas "Muitas mulheres consideram sua missão sexual cumprida depois da procriação e acabam consentindo tacitamente que o marido se mantenha ativo", diz Dorli Kamkhagi, da USP.
Embora faça questão de sexo, a cabeleireira Sônia Maria Gonçalves, 63, casada três vezes, três filhos, conta que, com a menopausa, dispensou temporariamente os "serviços" do segundo marido.
E as esposas "Muitas mulheres consideram sua missão sexual cumprida depois da procriação e acabam consentindo tacitamente que o marido se mantenha ativo", diz Dorli Kamkhagi, da USP.
Embora faça questão de sexo, a cabeleireira Sônia Maria Gonçalves, 63, casada três vezes, três filhos, conta que, com a menopausa, dispensou temporariamente os "serviços" do segundo marido.
"Acabou a euforia. Ele foi o homem que mais me ensinou coisas, mas mesmo assim eu não queria saber de sexo. Até disse: 'Pode procurar outra, que comigo não rola'."
Há seis meses, Sônia descobriu um câncer de mama e retirou o seio direito, mas diz que isso não atrapalhou em nada o relacionamento entre ela e o atual marido, que tem 54 anos. "No começo fiquei constrangida, mas ele disse que isso era bobagem e pediu para ver o curativo."A palavra-chave é compreensão, define o empresário Wanderlei Marques, 62, casado há 32 anos. "Quando você é recém-casado, toda hora é hora. É aquela loucura. Mas, como a gente faz muitas vezes, a qualidade fica pra depois."
Ele conta que, em todos esses anos, o período sexual mais difícil foi quando nasceu o primeiro filho. "A mãe, ali, é só da criança. Se você estiver com vontade, vai continuar."
Wanderlei não se incomoda em dizer que usa remédio. "Não adianta dizer que a disposição sexual não cai com a idade. Por sorte, a medicina está a nosso favor."
E manda seu último recado: "Não existe Viagra pra mulher. Então, se você toma o comprimido, mas ela está fria, não adianta nada".
Esta reportagem integra o caderno especial Maioridade, publicado neste domingo pela Folha (íntegra disponível para assinantes UOL e do jornal)
Há seis meses, Sônia descobriu um câncer de mama e retirou o seio direito, mas diz que isso não atrapalhou em nada o relacionamento entre ela e o atual marido, que tem 54 anos. "No começo fiquei constrangida, mas ele disse que isso era bobagem e pediu para ver o curativo."A palavra-chave é compreensão, define o empresário Wanderlei Marques, 62, casado há 32 anos. "Quando você é recém-casado, toda hora é hora. É aquela loucura. Mas, como a gente faz muitas vezes, a qualidade fica pra depois."
Ele conta que, em todos esses anos, o período sexual mais difícil foi quando nasceu o primeiro filho. "A mãe, ali, é só da criança. Se você estiver com vontade, vai continuar."
Wanderlei não se incomoda em dizer que usa remédio. "Não adianta dizer que a disposição sexual não cai com a idade. Por sorte, a medicina está a nosso favor."
E manda seu último recado: "Não existe Viagra pra mulher. Então, se você toma o comprimido, mas ela está fria, não adianta nada".
Esta reportagem integra o caderno especial Maioridade, publicado neste domingo pela Folha (íntegra disponível para assinantes UOL e do jornal)
Fonte: Folha online
No Brasil, 54% dos aposentados ganham um salário mínimo- 15/03/2009

Mais de um quarto deles precisa da ajuda financeira dos filhos, parentes e amigos. Quase um terço dos que se declaram aposentados trabalha para complementar seu benefício, que, na maior parte dos casos, não supera um salário mínimo. E, ainda assim, os idosos brasileiros estão mais protegidos da pobreza que o resto da população -e que os idosos dos países vizinhos.
Eles são os destinatários do maior programa social do país: a previdência pública, cujos gastos somam o equivalente a mais de 20 vezes os do Bolsa Família, principal bandeira do governo. Se, mostra o Datafolha, 54% dos aposentados não ganham mais que o piso salarial nacional, também é verdade que, pela Constituição de 1988, nenhum ganha menos.
David ganha salário mínimo e trabalha para complementar renda dele e da mulher, Dalva (foto),
Trata-se do suficiente para excluir a ampla maioria dos que têm 60 anos ou mais das estatísticas relativas à pobreza e à miséria. Basta dizer que, internacionalmente, convenciona-se classificar a primeira como uma renda abaixo de US$ 2 diários e a segunda, de US$ 1 ao dia; o mínimo atual dá mais de US$ 6.
Escalar alguns degraus na pirâmide social está longe de ser a garantia de uma vida confortável. Apenas 2% dos idosos pertencem à classe A, mesmo percentual da população em geral, enquanto 40% estão nas classes D e E. Segundo o Datafolha, 79% não têm carro, 72% não têm plano de saúde e 63% não têm telefone celular.
Quase a metade (48%) vive em lares onde a renda familiar não ultrapassa os dois salários mínimos, acima dos 42% medidos na população. Em média, os idosos vivem na companhia de 2,4 pessoas, bem abaixo dos 3,8 contabilizados em todas as faixas etárias.
Custo do aposentado
Conforme a leitura, os dados podem alimentar os dois lados da maior polêmica em torno da seguridade social do país: de um lado, critica-se o volume de dinheiro público destinado aos idosos, mais que o dobro, para ficar num só exemplo, dos recursos federais, estaduais e municipais para a educação; de outro, chama-se a atenção para o impacto desses gastos na redução da pobreza e o papel crescente dos idosos no sustento familiar.
O alcance da Previdência brasileira é raro entre países de renda média. Dos pesquisados, 67% afirmaram receber aposentadoria oficial -entre os que têm 70 anos ou mais, a cobertura chega à casa dos 80%. Estudo publicado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em 2007 apontou percentuais bem menores em países como México (19%), Costa Rica (37%), Peru (24%) e Bolívia (14,7%), para a população acima de 65 anos.
Confirma-se, no Datafolha, a precocidade da aposentadoria no país: 57% declararam ter começado a receber os benefícios antes dos 60. Defensores da reforma da Previdência advogam que seja estabelecida uma idade mínima de 65 anos, adotada em diversos países como forma de reduzir os riscos de um colapso financeiro do sistema de seguridade.
Na média, cada aposentado recebe R$ 777,60 mensais, segundo as respostas dos pesquisados. O valor supera o rendimento médio dos trabalhadores apurado pelo IBGE em 2007 nas regiões Norte (R$ 741) e Nordeste (R$ 592).
O salário mínimo, desde a última década, tem recebido reajustes superiores aos de praticamente todas as categorias profissionais. Era de R$ 415 em novembro, quando a pesquisa foi realizada, e, em fevereiro, em plena crise econômica, subiu para R$ 465.
Um trabalho apresentado há dois anos pelo economista Ricardo Paes de Barros estimou uma taxa de pobreza abaixo de 15% entre homens e mulheres com mais de 60 anos de idade, para uma média nacional próxima aos 29%. Pelas estimativas do estudo de Ricardo Barros, não fossem os benefícios previdenciários, a pobreza chegaria a mais de 50% dos idosos.
Fonte: folha online
Eles são os destinatários do maior programa social do país: a previdência pública, cujos gastos somam o equivalente a mais de 20 vezes os do Bolsa Família, principal bandeira do governo. Se, mostra o Datafolha, 54% dos aposentados não ganham mais que o piso salarial nacional, também é verdade que, pela Constituição de 1988, nenhum ganha menos.
David ganha salário mínimo e trabalha para complementar renda dele e da mulher, Dalva (foto),
Trata-se do suficiente para excluir a ampla maioria dos que têm 60 anos ou mais das estatísticas relativas à pobreza e à miséria. Basta dizer que, internacionalmente, convenciona-se classificar a primeira como uma renda abaixo de US$ 2 diários e a segunda, de US$ 1 ao dia; o mínimo atual dá mais de US$ 6.
Escalar alguns degraus na pirâmide social está longe de ser a garantia de uma vida confortável. Apenas 2% dos idosos pertencem à classe A, mesmo percentual da população em geral, enquanto 40% estão nas classes D e E. Segundo o Datafolha, 79% não têm carro, 72% não têm plano de saúde e 63% não têm telefone celular.
Quase a metade (48%) vive em lares onde a renda familiar não ultrapassa os dois salários mínimos, acima dos 42% medidos na população. Em média, os idosos vivem na companhia de 2,4 pessoas, bem abaixo dos 3,8 contabilizados em todas as faixas etárias.
Custo do aposentado
Conforme a leitura, os dados podem alimentar os dois lados da maior polêmica em torno da seguridade social do país: de um lado, critica-se o volume de dinheiro público destinado aos idosos, mais que o dobro, para ficar num só exemplo, dos recursos federais, estaduais e municipais para a educação; de outro, chama-se a atenção para o impacto desses gastos na redução da pobreza e o papel crescente dos idosos no sustento familiar.
O alcance da Previdência brasileira é raro entre países de renda média. Dos pesquisados, 67% afirmaram receber aposentadoria oficial -entre os que têm 70 anos ou mais, a cobertura chega à casa dos 80%. Estudo publicado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em 2007 apontou percentuais bem menores em países como México (19%), Costa Rica (37%), Peru (24%) e Bolívia (14,7%), para a população acima de 65 anos.
Confirma-se, no Datafolha, a precocidade da aposentadoria no país: 57% declararam ter começado a receber os benefícios antes dos 60. Defensores da reforma da Previdência advogam que seja estabelecida uma idade mínima de 65 anos, adotada em diversos países como forma de reduzir os riscos de um colapso financeiro do sistema de seguridade.
Na média, cada aposentado recebe R$ 777,60 mensais, segundo as respostas dos pesquisados. O valor supera o rendimento médio dos trabalhadores apurado pelo IBGE em 2007 nas regiões Norte (R$ 741) e Nordeste (R$ 592).
O salário mínimo, desde a última década, tem recebido reajustes superiores aos de praticamente todas as categorias profissionais. Era de R$ 415 em novembro, quando a pesquisa foi realizada, e, em fevereiro, em plena crise econômica, subiu para R$ 465.
Um trabalho apresentado há dois anos pelo economista Ricardo Paes de Barros estimou uma taxa de pobreza abaixo de 15% entre homens e mulheres com mais de 60 anos de idade, para uma média nacional próxima aos 29%. Pelas estimativas do estudo de Ricardo Barros, não fossem os benefícios previdenciários, a pobreza chegaria a mais de 50% dos idosos.
Fonte: folha online
Aécio inicia no Recife ciclo de viagens de campanha- 15/03/2009

O governador tucano de Minas, Aécio Neves, inicia nesta segunda (16) o prometido ciclo de viagens da pré-campanha de 2010.
Desembarca na cidade do Recife (PE), terra do presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE).
Aécio aproveita-se de um pretexto: o lançamento do livro de Fernando Lyra, um ex-ministro da Justiça que, escolhido por Tancredo Neves, foi herdado por José Sarney.
Mas não esconde que o objetivo central da viagem é arar o terreno presidencial. Busca angariar adesões para a eleição prévia que deseja disputar com José Serra.
“O que nós pretendemos construir agora é a agenda pós-Lula, aquilo que ainda não aconteceu e precisa ocorrer no Brasil”, diz ele.
Acha que, sob FHC, o país experimentou “avanços extraordinários, a começar pela estabilidade econômica”.
Avalia que, sob Lula, avançou-se “nos programas sociais”. Conclui: “Existem méritos em ambos os governos”.
Afirma que, em 2010, “o PSDB tem uma grande oportunidade de voltar ao poder central, mas não basta apenas querer voltar...”
“...É preciso que consolidemos propostas, projetos que voltem a falar à alma, ao coração das pessoas”. Daí as viagens.
Quais serão as próximas escalas do périplo? Aécio diz que a agenda está aberta. Quer fechá-la de comum acordo com o tucanato.
Repisa a tecla de que o melhor seria que José Serra e outras lideranças tucanas –FHC, por exemplo—dividissem o avião com ele.
O curioso é que Aécio põe o pé no asfalto no exato momento em que a oposição acusa Dilma Rousseff de misturar a agenda de ministra à de candidata.
A candidata de Lula protege-se atrás de um escudo administraivo. Diz que percorre o país, inaugurando e inspecionando obras, por dever de ofício.
Aécio nem se perocupa em disfarçar os passos sob uma camada de subterfúgios. Diz explicitamente que está em campanha.
Em jantar com a cúpula do DEM, na útima quinta (12), José Serra dissera que faria o oposto. Governaria São Paulo. A campanha ficaria para mais tarde. Lorota.
Desembarca na cidade do Recife (PE), terra do presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE).
Aécio aproveita-se de um pretexto: o lançamento do livro de Fernando Lyra, um ex-ministro da Justiça que, escolhido por Tancredo Neves, foi herdado por José Sarney.
Mas não esconde que o objetivo central da viagem é arar o terreno presidencial. Busca angariar adesões para a eleição prévia que deseja disputar com José Serra.
“O que nós pretendemos construir agora é a agenda pós-Lula, aquilo que ainda não aconteceu e precisa ocorrer no Brasil”, diz ele.
Acha que, sob FHC, o país experimentou “avanços extraordinários, a começar pela estabilidade econômica”.
Avalia que, sob Lula, avançou-se “nos programas sociais”. Conclui: “Existem méritos em ambos os governos”.
Afirma que, em 2010, “o PSDB tem uma grande oportunidade de voltar ao poder central, mas não basta apenas querer voltar...”
“...É preciso que consolidemos propostas, projetos que voltem a falar à alma, ao coração das pessoas”. Daí as viagens.
Quais serão as próximas escalas do périplo? Aécio diz que a agenda está aberta. Quer fechá-la de comum acordo com o tucanato.
Repisa a tecla de que o melhor seria que José Serra e outras lideranças tucanas –FHC, por exemplo—dividissem o avião com ele.
O curioso é que Aécio põe o pé no asfalto no exato momento em que a oposição acusa Dilma Rousseff de misturar a agenda de ministra à de candidata.
A candidata de Lula protege-se atrás de um escudo administraivo. Diz que percorre o país, inaugurando e inspecionando obras, por dever de ofício.
Aécio nem se perocupa em disfarçar os passos sob uma camada de subterfúgios. Diz explicitamente que está em campanha.
Em jantar com a cúpula do DEM, na útima quinta (12), José Serra dissera que faria o oposto. Governaria São Paulo. A campanha ficaria para mais tarde. Lorota.
Nesta segunda (16), Serra desembarca em Curitiba (PR), informa o Painel. Sob o título “Milhagem”, a seção da Folha anota:
“Enquanto a cúpula do PSDB protesta contra as viagens de Dilma, José Serra irá a Curitiba...”
“...No Palácio das Araucárias, assinará convênio sobre política fiscal com o colega Roberto Requião (PMDB)...”
“...Depois, o prefeito e correligionário Beto Richa o levará para visitar obras -algumas do PAC”.
“Enquanto a cúpula do PSDB protesta contra as viagens de Dilma, José Serra irá a Curitiba...”
“...No Palácio das Araucárias, assinará convênio sobre política fiscal com o colega Roberto Requião (PMDB)...”
“...Depois, o prefeito e correligionário Beto Richa o levará para visitar obras -algumas do PAC”.
Fonte: Blog do Josias de Souza (Folha online)
Arcebispo emérito da PB defende o uso da camisinha- 15/03/2009

José Maria Pires (foto) é arcebispo emérito da Paraíba. Comandou a Arquidiocese do Estado por arrastadas três décadas.
Hoje, aposentado, Dom José Maria faz aniversário de 90 anos. O tempo temperou-lhe a alma.
O raciocínio do velho arcebispo já se autoconcede a prática do vôo livre fora dos limites estritos da doutrina da Igreja.
Ouvido pela repórter Alexsandra Tavares, Dom José Maria referiu-se à camisinha como um mal menor diante da gravidez irresponsável:
Hoje, aposentado, Dom José Maria faz aniversário de 90 anos. O tempo temperou-lhe a alma.
O raciocínio do velho arcebispo já se autoconcede a prática do vôo livre fora dos limites estritos da doutrina da Igreja.
Ouvido pela repórter Alexsandra Tavares, Dom José Maria referiu-se à camisinha como um mal menor diante da gravidez irresponsável:
"O uso do preservativo é algo que merece reflexão. O sexo existe e deve ser usado de acordo com sua finalidade, de aproximar as pessoas, sem destruição da vida...”
“...Na doutrina bíblica a vida tem de ser preservada sempre. Mas se você vai fazer algo errado, que pelo menos proteja a outra pessoa para se evitar um mal maior".
As palavras iluminadas de Dom José Maria chegam no vácuo de uma polêmica.
Envolve o deputado federal e padre Luiz Couto (PT-PB) e o atual Arcebispo da Paraíba, Dom Aldo di Cillo Pagotto.
Em entrevista, o deputado-padre bulira em temas caros à Igreja. “Defendo o uso da camisinha como uma questão de saúde pública”, dissera, por exemplo, Luiz Couto.
Dom Aldo di Cillo cassou-lhe, em 25 de fevereiro, as ordens sacerdotais, privando-o de celebrar missas, batizados, casamentos ou qualquer outra atividade própria de um padre.
O mandachuva da Arquidiocese da Paraíba exigiu de Luiz Couto uma "retratação explícita". Algo que restituísse as “orientações doutrinais, éticas e morais” da Igreja.
Cabe a pergunta: a mão de ferro de Dom Aldo di Cillo pesará também sobre a cabeça do arcebispo emérito José Maria Pires?
“...Na doutrina bíblica a vida tem de ser preservada sempre. Mas se você vai fazer algo errado, que pelo menos proteja a outra pessoa para se evitar um mal maior".
As palavras iluminadas de Dom José Maria chegam no vácuo de uma polêmica.
Envolve o deputado federal e padre Luiz Couto (PT-PB) e o atual Arcebispo da Paraíba, Dom Aldo di Cillo Pagotto.
Em entrevista, o deputado-padre bulira em temas caros à Igreja. “Defendo o uso da camisinha como uma questão de saúde pública”, dissera, por exemplo, Luiz Couto.
Dom Aldo di Cillo cassou-lhe, em 25 de fevereiro, as ordens sacerdotais, privando-o de celebrar missas, batizados, casamentos ou qualquer outra atividade própria de um padre.
O mandachuva da Arquidiocese da Paraíba exigiu de Luiz Couto uma "retratação explícita". Algo que restituísse as “orientações doutrinais, éticas e morais” da Igreja.
Cabe a pergunta: a mão de ferro de Dom Aldo di Cillo pesará também sobre a cabeça do arcebispo emérito José Maria Pires?
Fonte: Blog do Josias de Souza ( Folha online)
FHC profetiza que Dilma subirá a 30% nas pesquisas- 15/03/2009

Presidente de honra do PSDB, Fernando Henrique Cardoso fez um prognóstico alvissareiro para a candidata de Lula à sucessão presidencial.
FHC previu que Dilma Rousseff subirá nas pesquisas. Estimou que ela fecha 2009 nas cercanias dos 20%.
E pode roçar os 30% nos primeiros meses de 2010. uma avaliação que coincide com a do Planalto. Com uma diferença:
Lula vê na taxa de 30% um piso para Dilma. FHC enxerga no percentual um teto do petismo, que só Lula logrou ultrapassar.
Os presságios de FHC foram verbalizados num jantar que levou a nata do DEM à residência oficial do governador de São Paulo, José Serra.
O repasto começou por volta das 21h da última quinta-feira (12). Estendeu-se até o início da madrugada de sexta (13).
O DEM reunira, em São Paulo, o seu Conselho Político. Dezoito lideranças da tribo ‘demo’ trocaram idéias sobre a conjuntura política.
Depois, foram a Serra, para dividir suas impressões. Organizado como uma espécie de beija-mão, o repasto converteu-se num inesperado jogo da verdade.
Serra, cotovelos acomodados sobre uma mesa retangular, se dispôs a ouvir –um por um— todos os ‘demos’ que roçavam garfos com ele.
Despejaram-se sobre a mesa as contas de um rosário de inquietudes. Abaixo algumas delas:
1. Falta ao linguajar de Serra, hoje o presidenciável tucano mais bem-posto nas pesquisas, um tônus oposicionista;
2. É equivocada a estratégia de delegar a outros líderes da oposição a tarefa de estabelecer o contraponto ao governo Lula. O eleitor quer ouvir os candidatos;
3. Serra e o governador mineiro Aécio Neves, o outro presidenciável tucano, deveriam frequentar o noticiário com a cara de candidatos à presidência;
4. A suavidade do discurso da dupla favorece a candidatura oficial de Dilma Rousseff, que desfila sozinha na passarela que leva a 2010;
5. Lula estaria conseguindo passar a idéia de que seu governo nada tem a ver com a crise, uma encrenca que vem de fora;
6. Na visão dos ‘demos’, é certo que a crise nasceu nos EUA. Mas rói o PIB brasileiro além do razoável graças à suposta “incúria” do presidente e de sua equipe;
7. Eis o raciocínio que resume a opinião média dos ‘demos’: Da fase de bonança da economia mundial, o Brasil aproveitou uma parte. Da tempestade desfruta por inteiro;
8. Na seara política, disseram os ‘demos’, o PSDB tem de cuidar para que a refrega entre Serra e Aécio não descambe para a divisão;
9. Avaliou-se que, unindo São Paulo e Minas, os dois maiores colégios eleitorais do país, o tucanato vai a 2010 com alguma chance de êxito. Do contrário, nem tanto.
Os demos que soaram mais enfáticos foram: Rodrigo Maia (presidente), José Agripino Maia (líder no Senado), José Roberto Arruda (governador do DF)...
...Roberto Magalhães (deputado), José Carlos Aleluia (deputado), Roberto Brant (ex-deputado) e Luiz Carlos Santos (ex-coordenador político do governo FHC).
Coube a Luiz Carlos Santos construir a analogia mais impactante da noite. Comparou o Serra-2010 ao Geraldo Alckmin-2008.
Disse que, na campanha municipal do ano passado, Alckmin, que entrara na disputa como favorito, foi à breca por falência de mensagem.
Não conseguiu encarnar nem o discurso de oposição, monopolizado pela petista Marta Suplicy, nem o de governo, que pingava dos lábios do ‘demo’ Gilberto Kassab.
Acrescentou que, para fugir ao vexame de Alckmin, Serra deve apressar-se em ocupar o campo da oposição. Algo que não fará se continuar dando refresco a Lula.
Ao final, depois de ouvir calado às observações dos comensais, Serra serviu uma resposta que desagradou boa parte da audiência.
Disse que não é hora de fazer campanha. Precisa governar São Paulo. Na hora própria, vai ter o que apresentar nos palanques.
Como governador, tem de manter abertos os canais de comunicação institucional com o governo federal.
Quanto a Aécio, está disposto a fazer o que for necessário para deixá-lo em situação política confortável.
Também presente ao jantar, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO) mencionou a idéia de acomodar Aécio como vice na chapa de Serra. Hipótese que Aécio, por ora, rejeita.
O ex-deputado Roberto Brant lembrou que o movimento representado por Aécio é maior do que ele próprio.
Depois de oito anos de FHC e mais oito de Lula, o eleitor de Minas estaria de saco cheio das alternativas presidenciais construídas a partir de São Paulo.
Produziu-se no jantar uma mísera decisão: vai-se usar a propaganda partidária do PSDB, DEM e PPS para levar ao telespectador uma mensagem oposicionista uniforme.
Ventilada pelas lideranças do DEM, a idéia foi acatada por Serra e pelo presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE).
No mais, ficou no ar a impressão de que tão cedo Serra não deve mergulhar na campanha de corpo inteiro. Desagradou à maioria. Mas convenceu a alguns.
“Serra está certo”, concedeu José Carlos Aleluia (DEM-BA). “Precisa governar, par ter o que mostrar mais na frente...”
“...A Dilma antecipa a campanha porque é louca. Não entende nada de política. Está sendo conduzida. Ela não pára na cadeira. O PAC está à deriva. Na campanha, vai mostrar o quê?”
FHC previu que Dilma Rousseff subirá nas pesquisas. Estimou que ela fecha 2009 nas cercanias dos 20%.
E pode roçar os 30% nos primeiros meses de 2010. uma avaliação que coincide com a do Planalto. Com uma diferença:
Lula vê na taxa de 30% um piso para Dilma. FHC enxerga no percentual um teto do petismo, que só Lula logrou ultrapassar.
Os presságios de FHC foram verbalizados num jantar que levou a nata do DEM à residência oficial do governador de São Paulo, José Serra.
O repasto começou por volta das 21h da última quinta-feira (12). Estendeu-se até o início da madrugada de sexta (13).
O DEM reunira, em São Paulo, o seu Conselho Político. Dezoito lideranças da tribo ‘demo’ trocaram idéias sobre a conjuntura política.
Depois, foram a Serra, para dividir suas impressões. Organizado como uma espécie de beija-mão, o repasto converteu-se num inesperado jogo da verdade.
Serra, cotovelos acomodados sobre uma mesa retangular, se dispôs a ouvir –um por um— todos os ‘demos’ que roçavam garfos com ele.
Despejaram-se sobre a mesa as contas de um rosário de inquietudes. Abaixo algumas delas:
1. Falta ao linguajar de Serra, hoje o presidenciável tucano mais bem-posto nas pesquisas, um tônus oposicionista;
2. É equivocada a estratégia de delegar a outros líderes da oposição a tarefa de estabelecer o contraponto ao governo Lula. O eleitor quer ouvir os candidatos;
3. Serra e o governador mineiro Aécio Neves, o outro presidenciável tucano, deveriam frequentar o noticiário com a cara de candidatos à presidência;
4. A suavidade do discurso da dupla favorece a candidatura oficial de Dilma Rousseff, que desfila sozinha na passarela que leva a 2010;
5. Lula estaria conseguindo passar a idéia de que seu governo nada tem a ver com a crise, uma encrenca que vem de fora;
6. Na visão dos ‘demos’, é certo que a crise nasceu nos EUA. Mas rói o PIB brasileiro além do razoável graças à suposta “incúria” do presidente e de sua equipe;
7. Eis o raciocínio que resume a opinião média dos ‘demos’: Da fase de bonança da economia mundial, o Brasil aproveitou uma parte. Da tempestade desfruta por inteiro;
8. Na seara política, disseram os ‘demos’, o PSDB tem de cuidar para que a refrega entre Serra e Aécio não descambe para a divisão;
9. Avaliou-se que, unindo São Paulo e Minas, os dois maiores colégios eleitorais do país, o tucanato vai a 2010 com alguma chance de êxito. Do contrário, nem tanto.
Os demos que soaram mais enfáticos foram: Rodrigo Maia (presidente), José Agripino Maia (líder no Senado), José Roberto Arruda (governador do DF)...
...Roberto Magalhães (deputado), José Carlos Aleluia (deputado), Roberto Brant (ex-deputado) e Luiz Carlos Santos (ex-coordenador político do governo FHC).
Coube a Luiz Carlos Santos construir a analogia mais impactante da noite. Comparou o Serra-2010 ao Geraldo Alckmin-2008.
Disse que, na campanha municipal do ano passado, Alckmin, que entrara na disputa como favorito, foi à breca por falência de mensagem.
Não conseguiu encarnar nem o discurso de oposição, monopolizado pela petista Marta Suplicy, nem o de governo, que pingava dos lábios do ‘demo’ Gilberto Kassab.
Acrescentou que, para fugir ao vexame de Alckmin, Serra deve apressar-se em ocupar o campo da oposição. Algo que não fará se continuar dando refresco a Lula.
Ao final, depois de ouvir calado às observações dos comensais, Serra serviu uma resposta que desagradou boa parte da audiência.
Disse que não é hora de fazer campanha. Precisa governar São Paulo. Na hora própria, vai ter o que apresentar nos palanques.
Como governador, tem de manter abertos os canais de comunicação institucional com o governo federal.
Quanto a Aécio, está disposto a fazer o que for necessário para deixá-lo em situação política confortável.
Também presente ao jantar, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO) mencionou a idéia de acomodar Aécio como vice na chapa de Serra. Hipótese que Aécio, por ora, rejeita.
O ex-deputado Roberto Brant lembrou que o movimento representado por Aécio é maior do que ele próprio.
Depois de oito anos de FHC e mais oito de Lula, o eleitor de Minas estaria de saco cheio das alternativas presidenciais construídas a partir de São Paulo.
Produziu-se no jantar uma mísera decisão: vai-se usar a propaganda partidária do PSDB, DEM e PPS para levar ao telespectador uma mensagem oposicionista uniforme.
Ventilada pelas lideranças do DEM, a idéia foi acatada por Serra e pelo presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE).
No mais, ficou no ar a impressão de que tão cedo Serra não deve mergulhar na campanha de corpo inteiro. Desagradou à maioria. Mas convenceu a alguns.
“Serra está certo”, concedeu José Carlos Aleluia (DEM-BA). “Precisa governar, par ter o que mostrar mais na frente...”
“...A Dilma antecipa a campanha porque é louca. Não entende nada de política. Está sendo conduzida. Ela não pára na cadeira. O PAC está à deriva. Na campanha, vai mostrar o quê?”
Fonte: Blog do Josias de Souza (Folha online)
Caso do Sudão expõe contradições do Itamaraty- 15/03/2009
O caso do Sudão ilustra as contradições da diplomacia brasileira, guiada a princípio pela prevalência dos direitos humanos mas condicionada na prática à tradição de não-ingerência e a metas estratégicas.
O Brasil, signatário do Tribunal Penal Internacional (TPI), se absteve de comentar o mandado de prisão emitido no início do mês contra o ditador sudanês, Omar al Bashir, acusado de crimes de guerra e contra a humanidade em Darfur.
O Itamaraty afirma que ser membro do TPI implica acatar todas as decisões da corte -entre elas a ordem de prender Bashir caso ele pise em território brasileiro- e insiste em que não é obrigado a se pronunciar.
"Uma declaração oficial seria uma consideração política, não jurídica", justifica Antônio Cachapuz de Medeiros, consultor jurídico do Itamaraty.
O silêncio sobre a ordem do TPI sucede a resistência do Brasil em apoiar condenações contra o Sudão no Conselho de Direitos Humanos (CDH) da ONU, criado em 2006 em substituição à Comissão de Direitos Humanos, tida como subordinada às grandes potências e seletiva em suas avaliações.
Segundo o Itamaraty, negociações seriam mais eficazes na resolução do conflito em Darfur do que sanções. O mesmo argumento foi usado quando o Brasil articulou com os países africanos do CDH resolução branda contra a República Democrática do Congo, por atacar civis em áreas rebeldes.
No caso do Irã, que o Brasil também se recusou a criticar no CDH por perseguir minorias, foi alegada a tradição brasileira de "não intervir em assuntos internos".
Para os críticos, a atual diplomacia viola o artigo 4º da Constituição Federal de 1988, pela qual a política externa deve ser conduzida sob a "prevalência dos direitos humanos" -o Itamaraty não quis comentar.
A ONG Conectas cita ainda o apoio velado do Brasil às articulações para evitar que abusos de China, Cuba e Zimbábue sejam objeto de resoluções nos fóruns multilaterais. A organização pressiona o Itamaraty a explicar por que o Brasil foi complacente com Sudão e Congo e condenou na Assembleia Geral violações de direitos na Coreia do Norte e em Mianmar.
Analistas apontam que boa parte das gestões externas do Brasil são norteadas pela ambição de aumentar parcerias comerciais e conseguir um assento permanente no Conselho de Segurança. O governo tende a defender soluções consensuais para crises, com a exceção de países párias -como Mianmar.
Especialista em direitos humanos internacionais, o advogado Joedson Dias diz que o Brasil, apesar das críticas, "é muito respeitado por fazer parte de quase todos os acordos jurídicos internacionais e por receber todos os relatores de órgãos multilaterais".
Em contraste, os EUA, críticos habituais de violações dos direitos humanos em países como Irã e o próprio Sudão, não aderiram ao TPI nem a várias das convenções internacionais sobre o tema.
Fonte: Folha online
O Brasil, signatário do Tribunal Penal Internacional (TPI), se absteve de comentar o mandado de prisão emitido no início do mês contra o ditador sudanês, Omar al Bashir, acusado de crimes de guerra e contra a humanidade em Darfur.
O Itamaraty afirma que ser membro do TPI implica acatar todas as decisões da corte -entre elas a ordem de prender Bashir caso ele pise em território brasileiro- e insiste em que não é obrigado a se pronunciar.
"Uma declaração oficial seria uma consideração política, não jurídica", justifica Antônio Cachapuz de Medeiros, consultor jurídico do Itamaraty.
O silêncio sobre a ordem do TPI sucede a resistência do Brasil em apoiar condenações contra o Sudão no Conselho de Direitos Humanos (CDH) da ONU, criado em 2006 em substituição à Comissão de Direitos Humanos, tida como subordinada às grandes potências e seletiva em suas avaliações.
Segundo o Itamaraty, negociações seriam mais eficazes na resolução do conflito em Darfur do que sanções. O mesmo argumento foi usado quando o Brasil articulou com os países africanos do CDH resolução branda contra a República Democrática do Congo, por atacar civis em áreas rebeldes.
No caso do Irã, que o Brasil também se recusou a criticar no CDH por perseguir minorias, foi alegada a tradição brasileira de "não intervir em assuntos internos".
Para os críticos, a atual diplomacia viola o artigo 4º da Constituição Federal de 1988, pela qual a política externa deve ser conduzida sob a "prevalência dos direitos humanos" -o Itamaraty não quis comentar.
A ONG Conectas cita ainda o apoio velado do Brasil às articulações para evitar que abusos de China, Cuba e Zimbábue sejam objeto de resoluções nos fóruns multilaterais. A organização pressiona o Itamaraty a explicar por que o Brasil foi complacente com Sudão e Congo e condenou na Assembleia Geral violações de direitos na Coreia do Norte e em Mianmar.
Analistas apontam que boa parte das gestões externas do Brasil são norteadas pela ambição de aumentar parcerias comerciais e conseguir um assento permanente no Conselho de Segurança. O governo tende a defender soluções consensuais para crises, com a exceção de países párias -como Mianmar.
Especialista em direitos humanos internacionais, o advogado Joedson Dias diz que o Brasil, apesar das críticas, "é muito respeitado por fazer parte de quase todos os acordos jurídicos internacionais e por receber todos os relatores de órgãos multilaterais".
Em contraste, os EUA, críticos habituais de violações dos direitos humanos em países como Irã e o próprio Sudão, não aderiram ao TPI nem a várias das convenções internacionais sobre o tema.
Filhos de brasileiros são alvo de disputas internacionais- 15/03/2009
Sob um circo na Alemanha, um trapezista paulista conhece uma dançarina ucraniana. Os dois se casam, mudam-se para o Brasil, têm um filho. Alguns anos depois, se separam. Ela volta à Europa e a criança fica com o pai em São Carlos (231 km de SP), mas a disputa de guarda segue na Justiça brasileira. Como é tradição no país, o juiz decide que o filho fique com a mãe.
Um dia (fevereiro deste ano), ela parte para a Ucrânia com o garoto sem autorização do pai, que reclama que precisaria ter sido consultado. Mas o que pode ser feito?
Assim como aconteceu no caso do garoto disputado pelo padrasto carioca e o pai americano --que gera debate diplomático entre Brasil e Estados Unidos-- o artista circense Ricardo Almeida Junior conduz o caso em litígio.
"Mas meu advogado já disse que será difícil conseguir que ele volte", diz.A disputa no interior paulista reflete um quadro comum no Judiciário: em disputas de guarda, a tendência das varas de família de deixar o filho com a mãe costuma se sobrepor a discussões sobre em qual país deve ficar a criança.
"Isso não foi o Brasil que inventou. Ao menos no Ocidente, a tendência dos juízes é deixar os menores com a mãe", diz Eduardo Tess, que preside a comissão de direito internacional da OAB-SP. "A base dessas decisões é um princípio que talvez seja até um pouco machista: o de que o pai ganha dinheiro para o sustento e a mãe fica casa cuidando do filho. Isso está mudando aos poucos, mas ainda domina nas decisões."
Um dia (fevereiro deste ano), ela parte para a Ucrânia com o garoto sem autorização do pai, que reclama que precisaria ter sido consultado. Mas o que pode ser feito?
Assim como aconteceu no caso do garoto disputado pelo padrasto carioca e o pai americano --que gera debate diplomático entre Brasil e Estados Unidos-- o artista circense Ricardo Almeida Junior conduz o caso em litígio.
"Mas meu advogado já disse que será difícil conseguir que ele volte", diz.A disputa no interior paulista reflete um quadro comum no Judiciário: em disputas de guarda, a tendência das varas de família de deixar o filho com a mãe costuma se sobrepor a discussões sobre em qual país deve ficar a criança.
"Isso não foi o Brasil que inventou. Ao menos no Ocidente, a tendência dos juízes é deixar os menores com a mãe", diz Eduardo Tess, que preside a comissão de direito internacional da OAB-SP. "A base dessas decisões é um princípio que talvez seja até um pouco machista: o de que o pai ganha dinheiro para o sustento e a mãe fica casa cuidando do filho. Isso está mudando aos poucos, mas ainda domina nas decisões."
Organização do lar
Para a psicopedagoga Silvia Amaral, não é por acaso que as mães ganham a maioria das ações. "Cada caso é um caso, e o melhor ambiente deve ser buscado, especialmente se a dúvida é entre países. Mas tende-se a achar que, mesmo após a amamentação, a criança precisa de uma organização de lar que em geral é melhor fornecida pela mulher", diz.
Foi o entendimento do juiz no caso recente de uma mãe paulista que se casou na França e trouxe o filho ao Brasil, sem autorização do pai. Alegando que o marido a maltratava, ela conseguiu na Justiça o direito de ficar com o menino. O pai está recorrendo.
Para a psicopedagoga Silvia Amaral, não é por acaso que as mães ganham a maioria das ações. "Cada caso é um caso, e o melhor ambiente deve ser buscado, especialmente se a dúvida é entre países. Mas tende-se a achar que, mesmo após a amamentação, a criança precisa de uma organização de lar que em geral é melhor fornecida pela mulher", diz.
Foi o entendimento do juiz no caso recente de uma mãe paulista que se casou na França e trouxe o filho ao Brasil, sem autorização do pai. Alegando que o marido a maltratava, ela conseguiu na Justiça o direito de ficar com o menino. O pai está recorrendo.
Singularidade
Situações em que não há mãe na disputa tendem a ser ainda mais complexas. É, por exemplo, o que torna singular o caso do menino disputado pelo padrasto brasileiro, João Paulo Lins e Silva, e o pai americano, David Goldman. Bruna Bianchi, a mãe biológica, havia se mudado com o garoto para o Brasil em 2004 dizendo a Goldman que estava apenas visitando a família. O pai tentou a guarda do menino, hoje com oito anos, mas perdeu. Desde que Bruna morreu, no ano passado, ele voltou a pleitear o direito.
No debate diplomático sobre o caso, o governo dos EUA citou a Convenção de Haia de 1980, segundo a qual a criança tirada de um país sem respeito aos direitos de guarda deve retornar. A exceção citada no acordo, do qual o Brasil é signatário, são casos em que a criança já esteja adaptada ao novo país. Com a morte da mãe, a situação se reconfigura e a aplicação da lei ganha mais polêmica.
Situações em que não há mãe na disputa tendem a ser ainda mais complexas. É, por exemplo, o que torna singular o caso do menino disputado pelo padrasto brasileiro, João Paulo Lins e Silva, e o pai americano, David Goldman. Bruna Bianchi, a mãe biológica, havia se mudado com o garoto para o Brasil em 2004 dizendo a Goldman que estava apenas visitando a família. O pai tentou a guarda do menino, hoje com oito anos, mas perdeu. Desde que Bruna morreu, no ano passado, ele voltou a pleitear o direito.
No debate diplomático sobre o caso, o governo dos EUA citou a Convenção de Haia de 1980, segundo a qual a criança tirada de um país sem respeito aos direitos de guarda deve retornar. A exceção citada no acordo, do qual o Brasil é signatário, são casos em que a criança já esteja adaptada ao novo país. Com a morte da mãe, a situação se reconfigura e a aplicação da lei ganha mais polêmica.
Impedir a adoção
Há casos ainda mais complexos, como o da maranhense Civanilde Marques. Mesmo com apoio da diplomacia brasileira, ela não conseguiu impedir na Justiça italiana a adoção de seu filho de 14 anos.
Funcionária pública em São Vicente Ferrer (MA), Civanilde engravidou aos 15 anos, de um homem de 63. Quando o garoto tinha sete anos, ela permitiu que se mudasse para a Itália com a irmã do lado paterno, que havia se casado com um italiano. A relação não deu certo, a irmã acabou em dificuldades e o garoto foi parar em um lar para menores carentes.
"Fui para a Itália duas vezes e tentei impedir a adoção, mas o parecer da psicóloga foi contra a volta do meu filho ao Brasil", ela conta. Depois de tentar "todas as instâncias" na Itália, restou-lhe se conformar. "Hoje, não acho justo pedir que ele volte. Mas vou esperar que ele faça 18 anos e procurá-lo para dizer que ele tem uma mãe."
Há casos ainda mais complexos, como o da maranhense Civanilde Marques. Mesmo com apoio da diplomacia brasileira, ela não conseguiu impedir na Justiça italiana a adoção de seu filho de 14 anos.
Funcionária pública em São Vicente Ferrer (MA), Civanilde engravidou aos 15 anos, de um homem de 63. Quando o garoto tinha sete anos, ela permitiu que se mudasse para a Itália com a irmã do lado paterno, que havia se casado com um italiano. A relação não deu certo, a irmã acabou em dificuldades e o garoto foi parar em um lar para menores carentes.
"Fui para a Itália duas vezes e tentei impedir a adoção, mas o parecer da psicóloga foi contra a volta do meu filho ao Brasil", ela conta. Depois de tentar "todas as instâncias" na Itália, restou-lhe se conformar. "Hoje, não acho justo pedir que ele volte. Mas vou esperar que ele faça 18 anos e procurá-lo para dizer que ele tem uma mãe."
Traumas
Disputas pela guarda podem envolver os filhos em sentimentos ruins, como culpa e rejeição. "Mas é possível preservá-los. Nem todo divórcio é traumático para o filho", diz a psicóloga Maria Luisa Valente, Universidade Estadual Paulista.
Se o fracasso do casamento é inevitável e há disputa judicial, diz ela, a criança fica menos ansiosa quando se sente amada pelos dois lados. "Mesmo as separações em que os pais não se gostam podem ser assimiladas, se a criança entender que isso faz parte da vida -ela também pode brigar com um amiguinho de quem gostava. O que será mais difícil é achar que um dos pais não gosta dela ou que ela foi, de alguma forma, a causa da separação."
Em ex-casais divididos entre países, diz Valente, é preciso aproximar o filho dos dois lados para evitar sensação de abandono. "Com telefone e internet, a criança pode se aproximar do pai e sentir que os adultos se divorciaram entre si, mas não dela."
Para a terapeuta familiar Rosa Maria de Macedo, pais separados costumam "coisificar" a criança disputada, "como se ela fosse um troféu". "Cobrar lealdade da criança e colocá-la para espionar o ex são atitudes comuns que prejudicarão sua formação", diz.
O ziguezague entre países em disputa judicial pode atrapalhar o aprendizado. "Aprender culturas e idiomas é enriquecedor, mas a criança conseguirá fazer isso se estiver segura e estimulada a estudar", diz a psicopedagoga Silvia Amaral. "Isso depende do temperamento da criança, mas sempre vale tomar cuidado."
Disputas pela guarda podem envolver os filhos em sentimentos ruins, como culpa e rejeição. "Mas é possível preservá-los. Nem todo divórcio é traumático para o filho", diz a psicóloga Maria Luisa Valente, Universidade Estadual Paulista.
Se o fracasso do casamento é inevitável e há disputa judicial, diz ela, a criança fica menos ansiosa quando se sente amada pelos dois lados. "Mesmo as separações em que os pais não se gostam podem ser assimiladas, se a criança entender que isso faz parte da vida -ela também pode brigar com um amiguinho de quem gostava. O que será mais difícil é achar que um dos pais não gosta dela ou que ela foi, de alguma forma, a causa da separação."
Em ex-casais divididos entre países, diz Valente, é preciso aproximar o filho dos dois lados para evitar sensação de abandono. "Com telefone e internet, a criança pode se aproximar do pai e sentir que os adultos se divorciaram entre si, mas não dela."
Para a terapeuta familiar Rosa Maria de Macedo, pais separados costumam "coisificar" a criança disputada, "como se ela fosse um troféu". "Cobrar lealdade da criança e colocá-la para espionar o ex são atitudes comuns que prejudicarão sua formação", diz.
O ziguezague entre países em disputa judicial pode atrapalhar o aprendizado. "Aprender culturas e idiomas é enriquecedor, mas a criança conseguirá fazer isso se estiver segura e estimulada a estudar", diz a psicopedagoga Silvia Amaral. "Isso depende do temperamento da criança, mas sempre vale tomar cuidado."
Fonte: Folha online
Morales repassa terras e diz que é "começo do fim do latifúndio" - 15/03/2009
O presidente da Bolívia, Evo Morales, transferiu para agricultores indígenas a posse de milhares de hectares de terras recém-confiscadas de latifundiários.
"Hoje é um dia histórico. A partir de agora estamos começando a por fim ao latifúndio e à escravidão dos (índios) guaranis", disse o presidente ao entregar 34 escrituras de terrenos em solenidade no Alto Parapetí, na Província de Santa Cruz, onde ele enfrenta forte oposição a suas reformas.
Morales afirmou que seu governo vai respeitar a propriedade privada, mas advertiu que os latifundiários "que não estão interessados na igualdade devem mudar sua forma de pensar e se concentrar mais nas necessidades do país do que no dinheiro".
A entrega dos terrenos é feita poucas semanas depois que a Bolívia aprovou uma nova Constituição que limita o tamanho das propriedades e prevê maior controle do Estado sobre os recursos naturais do país. A Carta dá ainda mais direitos para os 36 grupos indígenas da Bolívia.
O documento foi aprovado por cerca de 60% do eleitorado em um referendo em janeiro, mas rejeitado em regiões ricas que se opõem a Morales.
O presidente realizou a cerimônia na antiga fazenda de Ronald Larsen, um cidadão americano que estava entre os ricos proprietários que tiveram suas terras confiscadas no mês passado.
Fonte: Folha online
"Hoje é um dia histórico. A partir de agora estamos começando a por fim ao latifúndio e à escravidão dos (índios) guaranis", disse o presidente ao entregar 34 escrituras de terrenos em solenidade no Alto Parapetí, na Província de Santa Cruz, onde ele enfrenta forte oposição a suas reformas.
Morales afirmou que seu governo vai respeitar a propriedade privada, mas advertiu que os latifundiários "que não estão interessados na igualdade devem mudar sua forma de pensar e se concentrar mais nas necessidades do país do que no dinheiro".
A entrega dos terrenos é feita poucas semanas depois que a Bolívia aprovou uma nova Constituição que limita o tamanho das propriedades e prevê maior controle do Estado sobre os recursos naturais do país. A Carta dá ainda mais direitos para os 36 grupos indígenas da Bolívia.
O documento foi aprovado por cerca de 60% do eleitorado em um referendo em janeiro, mas rejeitado em regiões ricas que se opõem a Morales.
O presidente realizou a cerimônia na antiga fazenda de Ronald Larsen, um cidadão americano que estava entre os ricos proprietários que tiveram suas terras confiscadas no mês passado.
Em encontro entre Lula e Obama, sai o "ponto G" e entra o "pepino"- 15/03/2009
O encontro deveria durar uma hora de um sábado de manhã. Acabou levando duas, das quais Barack Obama e Luiz Inácio Lula da Silva gastaram meia hora apenas os dois e seus intérpretes e falaram 40 minutos à imprensa no Salão Oval, no que um veterano cinegrafista da CNN quantificou como o mais longo evento do tipo que ele cobriu na Casa Branca.
Se o parâmetro são as reuniões anteriores com os primeiros-ministros Taro Aso (Japão) e Gordon Brown (Reino Unido), os dois únicos líderes que antecederam o brasileiro em recepções na Casa Branca desde a posse do democrata, houve química entre os dois. Lula fez piadas, Obama riu e o norte-americano até pediu desculpas por falar muito.
Ouviu de volta, entre risos: "Na América Latina não nos assustamos com quem fala muito, todos falamos muito". Havia a preocupação entre os assessores brasileiros quanto ao primeiro encontro entre os dois líderes, que falaram antes duas vezes ao telefone. Embora tenham trajetórias historicamente semelhantes -o primeiro operário no Planalto, o primeiro negro na Casa Branca-, eles são muito diferentes.
Ou não. Obama reafirmou frase que havia dito na campanha, referindo-se a sua cor: "Sim, sou parecido com os brasileiros. Ouço que tenho alguns amigos por lá". Confirmou também que visitará o país em breve, embora não tenham "a data certa". "Não sabemos quanto tempo vamos ficar, mas essa será só a primeira visita."
Ou não. Obama reafirmou frase que havia dito na campanha, referindo-se a sua cor: "Sim, sou parecido com os brasileiros. Ouço que tenho alguns amigos por lá". Confirmou também que visitará o país em breve, embora não tenham "a data certa". "Não sabemos quanto tempo vamos ficar, mas essa será só a primeira visita."
Na abertura de sua declaração conjunta, o brasileiro repetira o que vem dizendo, que rezava pelo colega por conta da crise. "Rezo mais por ele do que por mim mesmo", disse. "Com apenas 40 dias de mandato [na verdade, 53 dias ontem], ter um pepino desses na mão, eu não queria estar no lugar dele."
O intérprete não traduziu a expressão tipicamente brasileira, dizendo apenas que Lula "não queria estar na sua posição". Obama riu e disse que "você soa como alguém que tem falado com minha mulher". Lula já havia arrancado risadas de George W. Bush na visita deste a São Paulo, em 2006, ao dizer que os dois países ainda não haviam chegado ao "ponto G" nas negociações.
As duas equipes trocaram presentes. A brasileira deu um prisma de pedras preciosas e recebeu uma "Constitution Box", caixa comemorativa com a Constituição norte-americana. Obama levou Lula ao carro, acompanhado só do intérprete. Ouviu atento do brasileiro um pedido por um empenho maior no Fórum dos CEOs, que reúne empresários dos dois países. Por fim, colocou as duas mãos nos ombros de Lula e disse: "Nos vemos em Londres".
Fonte: Folha online
O intérprete não traduziu a expressão tipicamente brasileira, dizendo apenas que Lula "não queria estar na sua posição". Obama riu e disse que "você soa como alguém que tem falado com minha mulher". Lula já havia arrancado risadas de George W. Bush na visita deste a São Paulo, em 2006, ao dizer que os dois países ainda não haviam chegado ao "ponto G" nas negociações.
As duas equipes trocaram presentes. A brasileira deu um prisma de pedras preciosas e recebeu uma "Constitution Box", caixa comemorativa com a Constituição norte-americana. Obama levou Lula ao carro, acompanhado só do intérprete. Ouviu atento do brasileiro um pedido por um empenho maior no Fórum dos CEOs, que reúne empresários dos dois países. Por fim, colocou as duas mãos nos ombros de Lula e disse: "Nos vemos em Londres".
Sem "procuração", Lula discute droga e ignora Cuba e Venezuela em encontro com Obama- 15/03/2009
Apesar de ter chegado ao encontro com o papel informal de porta-voz dos países latino-americanos que não gozam de boas relações com os EUA, como Bolívia, Cuba e Venezuela, o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva disse que não falou especificamente de nenhum país em seu encontro com Barack Obama, pelo menos segundo seu relato posterior a jornalistas na Embaixada do Brasil.
"Eu não tratei de Cuba nem de Venezuela especificamente porque não tenho procuração de nenhum governo para tratar de problemas específicos", disse Lula -o presidente venezuelano, Hugo Chávez, havia dito que tinha dado "autorização" a Lula para que falasse em nome dele com Obama.
"Eu não tratei de Cuba nem de Venezuela especificamente porque não tenho procuração de nenhum governo para tratar de problemas específicos", disse Lula -o presidente venezuelano, Hugo Chávez, havia dito que tinha dado "autorização" a Lula para que falasse em nome dele com Obama.
Na coletiva de ontem, o norte-americano praticamente ignorou o assunto América Latina, apesar de Lula ter dito que sua eleição era historicamente importante para a região já no início. O democrata fez menção ao 5º Encontro das Américas, em Trinidad e Tobago, e só.
Mais tarde, Lula daria outros detalhes. "Eu converso muito com o Chávez e ele tem expectativa sobre o presidente Obama de que possa melhorar a relação, e o Obama tem boa vontade, a mesma coisa com [o presidente boliviano] Evo Morales", relatou. "Podemos construir na América Latina uma nova relação, de confiança."
No geral, seu discurso ao democrata, disse Lula, foi pela não-ingerência. "Eu disse que os EUA precisam ter um olhar para a América Latina de parceria, não de fiscal, de que vai combater o narcotráfico ou de que vai vigiar alguma coisa ou combater a luta armada", afirmou. "Isso não existe mais."
O brasileiro disse ter avisado a Obama que vai propor ao Unasul (União das Nações Sul-Americanas) a criação de um conselho de combate ao narcotráfico similar ao de Defesa, para "não ficar dependendo da ingerência de ninguém numa coisa que nós temos de resolver pelas próprias mãos".
Gerald Herbert/AP
Obama pode aproveitar para visitar o Brasil após 5º Encontro das Américas, em abril
Então, cutucou o país: "Os outros que cuidem de tomar conta dos consumidores, que aí quem sabe a gente pode resolver com mais responsabilidade o narcotráfico". A ideia, segundo Lula, surgiu de uma conversa sua com o presidente colombiano Álvaro Uribe.
Mais tarde, Lula daria outros detalhes. "Eu converso muito com o Chávez e ele tem expectativa sobre o presidente Obama de que possa melhorar a relação, e o Obama tem boa vontade, a mesma coisa com [o presidente boliviano] Evo Morales", relatou. "Podemos construir na América Latina uma nova relação, de confiança."
No geral, seu discurso ao democrata, disse Lula, foi pela não-ingerência. "Eu disse que os EUA precisam ter um olhar para a América Latina de parceria, não de fiscal, de que vai combater o narcotráfico ou de que vai vigiar alguma coisa ou combater a luta armada", afirmou. "Isso não existe mais."
O brasileiro disse ter avisado a Obama que vai propor ao Unasul (União das Nações Sul-Americanas) a criação de um conselho de combate ao narcotráfico similar ao de Defesa, para "não ficar dependendo da ingerência de ninguém numa coisa que nós temos de resolver pelas próprias mãos".
Gerald Herbert/AP
Obama pode aproveitar para visitar o Brasil após 5º Encontro das Américas, em abril
Então, cutucou o país: "Os outros que cuidem de tomar conta dos consumidores, que aí quem sabe a gente pode resolver com mais responsabilidade o narcotráfico". A ideia, segundo Lula, surgiu de uma conversa sua com o presidente colombiano Álvaro Uribe.
O país, um dos maiores produtores de cocaína do mundo, é o maior receptor de ajuda financeira e militar norte-americana na América do Sul. Desde que Morales expulsou a DEA (agência antidrogas norte-americana) da Bolívia, os EUA pedem ao Brasil mais envolvimento no combate ao tráfico de drogas regional.
Lula dava assim seu recado de volta à Casa Branca, de que pretende convencer os países da região a tomar a rédea do assunto, que representa uma das principais áreas de atuação dos EUA no continente. "Aos poucos, os países da América Latina estão percebendo que nós precisamos deixar de ser dependentes, porque fica todo o mundo esperando que o país rico vá lá fazer as coisas que nós deveríamos fazer", disse Lula.
Fonte: Folha online
Lula dava assim seu recado de volta à Casa Branca, de que pretende convencer os países da região a tomar a rédea do assunto, que representa uma das principais áreas de atuação dos EUA no continente. "Aos poucos, os países da América Latina estão percebendo que nós precisamos deixar de ser dependentes, porque fica todo o mundo esperando que o país rico vá lá fazer as coisas que nós deveríamos fazer", disse Lula.
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