
domingo, março 15, 2009
FHC profetiza que Dilma subirá a 30% nas pesquisas- 15/03/2009

Presidente de honra do PSDB, Fernando Henrique Cardoso fez um prognóstico alvissareiro para a candidata de Lula à sucessão presidencial.
FHC previu que Dilma Rousseff subirá nas pesquisas. Estimou que ela fecha 2009 nas cercanias dos 20%.
E pode roçar os 30% nos primeiros meses de 2010. uma avaliação que coincide com a do Planalto. Com uma diferença:
Lula vê na taxa de 30% um piso para Dilma. FHC enxerga no percentual um teto do petismo, que só Lula logrou ultrapassar.
Os presságios de FHC foram verbalizados num jantar que levou a nata do DEM à residência oficial do governador de São Paulo, José Serra.
O repasto começou por volta das 21h da última quinta-feira (12). Estendeu-se até o início da madrugada de sexta (13).
O DEM reunira, em São Paulo, o seu Conselho Político. Dezoito lideranças da tribo ‘demo’ trocaram idéias sobre a conjuntura política.
Depois, foram a Serra, para dividir suas impressões. Organizado como uma espécie de beija-mão, o repasto converteu-se num inesperado jogo da verdade.
Serra, cotovelos acomodados sobre uma mesa retangular, se dispôs a ouvir –um por um— todos os ‘demos’ que roçavam garfos com ele.
Despejaram-se sobre a mesa as contas de um rosário de inquietudes. Abaixo algumas delas:
1. Falta ao linguajar de Serra, hoje o presidenciável tucano mais bem-posto nas pesquisas, um tônus oposicionista;
2. É equivocada a estratégia de delegar a outros líderes da oposição a tarefa de estabelecer o contraponto ao governo Lula. O eleitor quer ouvir os candidatos;
3. Serra e o governador mineiro Aécio Neves, o outro presidenciável tucano, deveriam frequentar o noticiário com a cara de candidatos à presidência;
4. A suavidade do discurso da dupla favorece a candidatura oficial de Dilma Rousseff, que desfila sozinha na passarela que leva a 2010;
5. Lula estaria conseguindo passar a idéia de que seu governo nada tem a ver com a crise, uma encrenca que vem de fora;
6. Na visão dos ‘demos’, é certo que a crise nasceu nos EUA. Mas rói o PIB brasileiro além do razoável graças à suposta “incúria” do presidente e de sua equipe;
7. Eis o raciocínio que resume a opinião média dos ‘demos’: Da fase de bonança da economia mundial, o Brasil aproveitou uma parte. Da tempestade desfruta por inteiro;
8. Na seara política, disseram os ‘demos’, o PSDB tem de cuidar para que a refrega entre Serra e Aécio não descambe para a divisão;
9. Avaliou-se que, unindo São Paulo e Minas, os dois maiores colégios eleitorais do país, o tucanato vai a 2010 com alguma chance de êxito. Do contrário, nem tanto.
Os demos que soaram mais enfáticos foram: Rodrigo Maia (presidente), José Agripino Maia (líder no Senado), José Roberto Arruda (governador do DF)...
...Roberto Magalhães (deputado), José Carlos Aleluia (deputado), Roberto Brant (ex-deputado) e Luiz Carlos Santos (ex-coordenador político do governo FHC).
Coube a Luiz Carlos Santos construir a analogia mais impactante da noite. Comparou o Serra-2010 ao Geraldo Alckmin-2008.
Disse que, na campanha municipal do ano passado, Alckmin, que entrara na disputa como favorito, foi à breca por falência de mensagem.
Não conseguiu encarnar nem o discurso de oposição, monopolizado pela petista Marta Suplicy, nem o de governo, que pingava dos lábios do ‘demo’ Gilberto Kassab.
Acrescentou que, para fugir ao vexame de Alckmin, Serra deve apressar-se em ocupar o campo da oposição. Algo que não fará se continuar dando refresco a Lula.
Ao final, depois de ouvir calado às observações dos comensais, Serra serviu uma resposta que desagradou boa parte da audiência.
Disse que não é hora de fazer campanha. Precisa governar São Paulo. Na hora própria, vai ter o que apresentar nos palanques.
Como governador, tem de manter abertos os canais de comunicação institucional com o governo federal.
Quanto a Aécio, está disposto a fazer o que for necessário para deixá-lo em situação política confortável.
Também presente ao jantar, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO) mencionou a idéia de acomodar Aécio como vice na chapa de Serra. Hipótese que Aécio, por ora, rejeita.
O ex-deputado Roberto Brant lembrou que o movimento representado por Aécio é maior do que ele próprio.
Depois de oito anos de FHC e mais oito de Lula, o eleitor de Minas estaria de saco cheio das alternativas presidenciais construídas a partir de São Paulo.
Produziu-se no jantar uma mísera decisão: vai-se usar a propaganda partidária do PSDB, DEM e PPS para levar ao telespectador uma mensagem oposicionista uniforme.
Ventilada pelas lideranças do DEM, a idéia foi acatada por Serra e pelo presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE).
No mais, ficou no ar a impressão de que tão cedo Serra não deve mergulhar na campanha de corpo inteiro. Desagradou à maioria. Mas convenceu a alguns.
“Serra está certo”, concedeu José Carlos Aleluia (DEM-BA). “Precisa governar, par ter o que mostrar mais na frente...”
“...A Dilma antecipa a campanha porque é louca. Não entende nada de política. Está sendo conduzida. Ela não pára na cadeira. O PAC está à deriva. Na campanha, vai mostrar o quê?”
FHC previu que Dilma Rousseff subirá nas pesquisas. Estimou que ela fecha 2009 nas cercanias dos 20%.
E pode roçar os 30% nos primeiros meses de 2010. uma avaliação que coincide com a do Planalto. Com uma diferença:
Lula vê na taxa de 30% um piso para Dilma. FHC enxerga no percentual um teto do petismo, que só Lula logrou ultrapassar.
Os presságios de FHC foram verbalizados num jantar que levou a nata do DEM à residência oficial do governador de São Paulo, José Serra.
O repasto começou por volta das 21h da última quinta-feira (12). Estendeu-se até o início da madrugada de sexta (13).
O DEM reunira, em São Paulo, o seu Conselho Político. Dezoito lideranças da tribo ‘demo’ trocaram idéias sobre a conjuntura política.
Depois, foram a Serra, para dividir suas impressões. Organizado como uma espécie de beija-mão, o repasto converteu-se num inesperado jogo da verdade.
Serra, cotovelos acomodados sobre uma mesa retangular, se dispôs a ouvir –um por um— todos os ‘demos’ que roçavam garfos com ele.
Despejaram-se sobre a mesa as contas de um rosário de inquietudes. Abaixo algumas delas:
1. Falta ao linguajar de Serra, hoje o presidenciável tucano mais bem-posto nas pesquisas, um tônus oposicionista;
2. É equivocada a estratégia de delegar a outros líderes da oposição a tarefa de estabelecer o contraponto ao governo Lula. O eleitor quer ouvir os candidatos;
3. Serra e o governador mineiro Aécio Neves, o outro presidenciável tucano, deveriam frequentar o noticiário com a cara de candidatos à presidência;
4. A suavidade do discurso da dupla favorece a candidatura oficial de Dilma Rousseff, que desfila sozinha na passarela que leva a 2010;
5. Lula estaria conseguindo passar a idéia de que seu governo nada tem a ver com a crise, uma encrenca que vem de fora;
6. Na visão dos ‘demos’, é certo que a crise nasceu nos EUA. Mas rói o PIB brasileiro além do razoável graças à suposta “incúria” do presidente e de sua equipe;
7. Eis o raciocínio que resume a opinião média dos ‘demos’: Da fase de bonança da economia mundial, o Brasil aproveitou uma parte. Da tempestade desfruta por inteiro;
8. Na seara política, disseram os ‘demos’, o PSDB tem de cuidar para que a refrega entre Serra e Aécio não descambe para a divisão;
9. Avaliou-se que, unindo São Paulo e Minas, os dois maiores colégios eleitorais do país, o tucanato vai a 2010 com alguma chance de êxito. Do contrário, nem tanto.
Os demos que soaram mais enfáticos foram: Rodrigo Maia (presidente), José Agripino Maia (líder no Senado), José Roberto Arruda (governador do DF)...
...Roberto Magalhães (deputado), José Carlos Aleluia (deputado), Roberto Brant (ex-deputado) e Luiz Carlos Santos (ex-coordenador político do governo FHC).
Coube a Luiz Carlos Santos construir a analogia mais impactante da noite. Comparou o Serra-2010 ao Geraldo Alckmin-2008.
Disse que, na campanha municipal do ano passado, Alckmin, que entrara na disputa como favorito, foi à breca por falência de mensagem.
Não conseguiu encarnar nem o discurso de oposição, monopolizado pela petista Marta Suplicy, nem o de governo, que pingava dos lábios do ‘demo’ Gilberto Kassab.
Acrescentou que, para fugir ao vexame de Alckmin, Serra deve apressar-se em ocupar o campo da oposição. Algo que não fará se continuar dando refresco a Lula.
Ao final, depois de ouvir calado às observações dos comensais, Serra serviu uma resposta que desagradou boa parte da audiência.
Disse que não é hora de fazer campanha. Precisa governar São Paulo. Na hora própria, vai ter o que apresentar nos palanques.
Como governador, tem de manter abertos os canais de comunicação institucional com o governo federal.
Quanto a Aécio, está disposto a fazer o que for necessário para deixá-lo em situação política confortável.
Também presente ao jantar, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO) mencionou a idéia de acomodar Aécio como vice na chapa de Serra. Hipótese que Aécio, por ora, rejeita.
O ex-deputado Roberto Brant lembrou que o movimento representado por Aécio é maior do que ele próprio.
Depois de oito anos de FHC e mais oito de Lula, o eleitor de Minas estaria de saco cheio das alternativas presidenciais construídas a partir de São Paulo.
Produziu-se no jantar uma mísera decisão: vai-se usar a propaganda partidária do PSDB, DEM e PPS para levar ao telespectador uma mensagem oposicionista uniforme.
Ventilada pelas lideranças do DEM, a idéia foi acatada por Serra e pelo presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE).
No mais, ficou no ar a impressão de que tão cedo Serra não deve mergulhar na campanha de corpo inteiro. Desagradou à maioria. Mas convenceu a alguns.
“Serra está certo”, concedeu José Carlos Aleluia (DEM-BA). “Precisa governar, par ter o que mostrar mais na frente...”
“...A Dilma antecipa a campanha porque é louca. Não entende nada de política. Está sendo conduzida. Ela não pára na cadeira. O PAC está à deriva. Na campanha, vai mostrar o quê?”
Fonte: Blog do Josias de Souza (Folha online)
Caso do Sudão expõe contradições do Itamaraty- 15/03/2009
O caso do Sudão ilustra as contradições da diplomacia brasileira, guiada a princípio pela prevalência dos direitos humanos mas condicionada na prática à tradição de não-ingerência e a metas estratégicas.
O Brasil, signatário do Tribunal Penal Internacional (TPI), se absteve de comentar o mandado de prisão emitido no início do mês contra o ditador sudanês, Omar al Bashir, acusado de crimes de guerra e contra a humanidade em Darfur.
O Itamaraty afirma que ser membro do TPI implica acatar todas as decisões da corte -entre elas a ordem de prender Bashir caso ele pise em território brasileiro- e insiste em que não é obrigado a se pronunciar.
"Uma declaração oficial seria uma consideração política, não jurídica", justifica Antônio Cachapuz de Medeiros, consultor jurídico do Itamaraty.
O silêncio sobre a ordem do TPI sucede a resistência do Brasil em apoiar condenações contra o Sudão no Conselho de Direitos Humanos (CDH) da ONU, criado em 2006 em substituição à Comissão de Direitos Humanos, tida como subordinada às grandes potências e seletiva em suas avaliações.
Segundo o Itamaraty, negociações seriam mais eficazes na resolução do conflito em Darfur do que sanções. O mesmo argumento foi usado quando o Brasil articulou com os países africanos do CDH resolução branda contra a República Democrática do Congo, por atacar civis em áreas rebeldes.
No caso do Irã, que o Brasil também se recusou a criticar no CDH por perseguir minorias, foi alegada a tradição brasileira de "não intervir em assuntos internos".
Para os críticos, a atual diplomacia viola o artigo 4º da Constituição Federal de 1988, pela qual a política externa deve ser conduzida sob a "prevalência dos direitos humanos" -o Itamaraty não quis comentar.
A ONG Conectas cita ainda o apoio velado do Brasil às articulações para evitar que abusos de China, Cuba e Zimbábue sejam objeto de resoluções nos fóruns multilaterais. A organização pressiona o Itamaraty a explicar por que o Brasil foi complacente com Sudão e Congo e condenou na Assembleia Geral violações de direitos na Coreia do Norte e em Mianmar.
Analistas apontam que boa parte das gestões externas do Brasil são norteadas pela ambição de aumentar parcerias comerciais e conseguir um assento permanente no Conselho de Segurança. O governo tende a defender soluções consensuais para crises, com a exceção de países párias -como Mianmar.
Especialista em direitos humanos internacionais, o advogado Joedson Dias diz que o Brasil, apesar das críticas, "é muito respeitado por fazer parte de quase todos os acordos jurídicos internacionais e por receber todos os relatores de órgãos multilaterais".
Em contraste, os EUA, críticos habituais de violações dos direitos humanos em países como Irã e o próprio Sudão, não aderiram ao TPI nem a várias das convenções internacionais sobre o tema.
Fonte: Folha online
O Brasil, signatário do Tribunal Penal Internacional (TPI), se absteve de comentar o mandado de prisão emitido no início do mês contra o ditador sudanês, Omar al Bashir, acusado de crimes de guerra e contra a humanidade em Darfur.
O Itamaraty afirma que ser membro do TPI implica acatar todas as decisões da corte -entre elas a ordem de prender Bashir caso ele pise em território brasileiro- e insiste em que não é obrigado a se pronunciar.
"Uma declaração oficial seria uma consideração política, não jurídica", justifica Antônio Cachapuz de Medeiros, consultor jurídico do Itamaraty.
O silêncio sobre a ordem do TPI sucede a resistência do Brasil em apoiar condenações contra o Sudão no Conselho de Direitos Humanos (CDH) da ONU, criado em 2006 em substituição à Comissão de Direitos Humanos, tida como subordinada às grandes potências e seletiva em suas avaliações.
Segundo o Itamaraty, negociações seriam mais eficazes na resolução do conflito em Darfur do que sanções. O mesmo argumento foi usado quando o Brasil articulou com os países africanos do CDH resolução branda contra a República Democrática do Congo, por atacar civis em áreas rebeldes.
No caso do Irã, que o Brasil também se recusou a criticar no CDH por perseguir minorias, foi alegada a tradição brasileira de "não intervir em assuntos internos".
Para os críticos, a atual diplomacia viola o artigo 4º da Constituição Federal de 1988, pela qual a política externa deve ser conduzida sob a "prevalência dos direitos humanos" -o Itamaraty não quis comentar.
A ONG Conectas cita ainda o apoio velado do Brasil às articulações para evitar que abusos de China, Cuba e Zimbábue sejam objeto de resoluções nos fóruns multilaterais. A organização pressiona o Itamaraty a explicar por que o Brasil foi complacente com Sudão e Congo e condenou na Assembleia Geral violações de direitos na Coreia do Norte e em Mianmar.
Analistas apontam que boa parte das gestões externas do Brasil são norteadas pela ambição de aumentar parcerias comerciais e conseguir um assento permanente no Conselho de Segurança. O governo tende a defender soluções consensuais para crises, com a exceção de países párias -como Mianmar.
Especialista em direitos humanos internacionais, o advogado Joedson Dias diz que o Brasil, apesar das críticas, "é muito respeitado por fazer parte de quase todos os acordos jurídicos internacionais e por receber todos os relatores de órgãos multilaterais".
Em contraste, os EUA, críticos habituais de violações dos direitos humanos em países como Irã e o próprio Sudão, não aderiram ao TPI nem a várias das convenções internacionais sobre o tema.
Filhos de brasileiros são alvo de disputas internacionais- 15/03/2009
Sob um circo na Alemanha, um trapezista paulista conhece uma dançarina ucraniana. Os dois se casam, mudam-se para o Brasil, têm um filho. Alguns anos depois, se separam. Ela volta à Europa e a criança fica com o pai em São Carlos (231 km de SP), mas a disputa de guarda segue na Justiça brasileira. Como é tradição no país, o juiz decide que o filho fique com a mãe.
Um dia (fevereiro deste ano), ela parte para a Ucrânia com o garoto sem autorização do pai, que reclama que precisaria ter sido consultado. Mas o que pode ser feito?
Assim como aconteceu no caso do garoto disputado pelo padrasto carioca e o pai americano --que gera debate diplomático entre Brasil e Estados Unidos-- o artista circense Ricardo Almeida Junior conduz o caso em litígio.
"Mas meu advogado já disse que será difícil conseguir que ele volte", diz.A disputa no interior paulista reflete um quadro comum no Judiciário: em disputas de guarda, a tendência das varas de família de deixar o filho com a mãe costuma se sobrepor a discussões sobre em qual país deve ficar a criança.
"Isso não foi o Brasil que inventou. Ao menos no Ocidente, a tendência dos juízes é deixar os menores com a mãe", diz Eduardo Tess, que preside a comissão de direito internacional da OAB-SP. "A base dessas decisões é um princípio que talvez seja até um pouco machista: o de que o pai ganha dinheiro para o sustento e a mãe fica casa cuidando do filho. Isso está mudando aos poucos, mas ainda domina nas decisões."
Um dia (fevereiro deste ano), ela parte para a Ucrânia com o garoto sem autorização do pai, que reclama que precisaria ter sido consultado. Mas o que pode ser feito?
Assim como aconteceu no caso do garoto disputado pelo padrasto carioca e o pai americano --que gera debate diplomático entre Brasil e Estados Unidos-- o artista circense Ricardo Almeida Junior conduz o caso em litígio.
"Mas meu advogado já disse que será difícil conseguir que ele volte", diz.A disputa no interior paulista reflete um quadro comum no Judiciário: em disputas de guarda, a tendência das varas de família de deixar o filho com a mãe costuma se sobrepor a discussões sobre em qual país deve ficar a criança.
"Isso não foi o Brasil que inventou. Ao menos no Ocidente, a tendência dos juízes é deixar os menores com a mãe", diz Eduardo Tess, que preside a comissão de direito internacional da OAB-SP. "A base dessas decisões é um princípio que talvez seja até um pouco machista: o de que o pai ganha dinheiro para o sustento e a mãe fica casa cuidando do filho. Isso está mudando aos poucos, mas ainda domina nas decisões."
Organização do lar
Para a psicopedagoga Silvia Amaral, não é por acaso que as mães ganham a maioria das ações. "Cada caso é um caso, e o melhor ambiente deve ser buscado, especialmente se a dúvida é entre países. Mas tende-se a achar que, mesmo após a amamentação, a criança precisa de uma organização de lar que em geral é melhor fornecida pela mulher", diz.
Foi o entendimento do juiz no caso recente de uma mãe paulista que se casou na França e trouxe o filho ao Brasil, sem autorização do pai. Alegando que o marido a maltratava, ela conseguiu na Justiça o direito de ficar com o menino. O pai está recorrendo.
Para a psicopedagoga Silvia Amaral, não é por acaso que as mães ganham a maioria das ações. "Cada caso é um caso, e o melhor ambiente deve ser buscado, especialmente se a dúvida é entre países. Mas tende-se a achar que, mesmo após a amamentação, a criança precisa de uma organização de lar que em geral é melhor fornecida pela mulher", diz.
Foi o entendimento do juiz no caso recente de uma mãe paulista que se casou na França e trouxe o filho ao Brasil, sem autorização do pai. Alegando que o marido a maltratava, ela conseguiu na Justiça o direito de ficar com o menino. O pai está recorrendo.
Singularidade
Situações em que não há mãe na disputa tendem a ser ainda mais complexas. É, por exemplo, o que torna singular o caso do menino disputado pelo padrasto brasileiro, João Paulo Lins e Silva, e o pai americano, David Goldman. Bruna Bianchi, a mãe biológica, havia se mudado com o garoto para o Brasil em 2004 dizendo a Goldman que estava apenas visitando a família. O pai tentou a guarda do menino, hoje com oito anos, mas perdeu. Desde que Bruna morreu, no ano passado, ele voltou a pleitear o direito.
No debate diplomático sobre o caso, o governo dos EUA citou a Convenção de Haia de 1980, segundo a qual a criança tirada de um país sem respeito aos direitos de guarda deve retornar. A exceção citada no acordo, do qual o Brasil é signatário, são casos em que a criança já esteja adaptada ao novo país. Com a morte da mãe, a situação se reconfigura e a aplicação da lei ganha mais polêmica.
Situações em que não há mãe na disputa tendem a ser ainda mais complexas. É, por exemplo, o que torna singular o caso do menino disputado pelo padrasto brasileiro, João Paulo Lins e Silva, e o pai americano, David Goldman. Bruna Bianchi, a mãe biológica, havia se mudado com o garoto para o Brasil em 2004 dizendo a Goldman que estava apenas visitando a família. O pai tentou a guarda do menino, hoje com oito anos, mas perdeu. Desde que Bruna morreu, no ano passado, ele voltou a pleitear o direito.
No debate diplomático sobre o caso, o governo dos EUA citou a Convenção de Haia de 1980, segundo a qual a criança tirada de um país sem respeito aos direitos de guarda deve retornar. A exceção citada no acordo, do qual o Brasil é signatário, são casos em que a criança já esteja adaptada ao novo país. Com a morte da mãe, a situação se reconfigura e a aplicação da lei ganha mais polêmica.
Impedir a adoção
Há casos ainda mais complexos, como o da maranhense Civanilde Marques. Mesmo com apoio da diplomacia brasileira, ela não conseguiu impedir na Justiça italiana a adoção de seu filho de 14 anos.
Funcionária pública em São Vicente Ferrer (MA), Civanilde engravidou aos 15 anos, de um homem de 63. Quando o garoto tinha sete anos, ela permitiu que se mudasse para a Itália com a irmã do lado paterno, que havia se casado com um italiano. A relação não deu certo, a irmã acabou em dificuldades e o garoto foi parar em um lar para menores carentes.
"Fui para a Itália duas vezes e tentei impedir a adoção, mas o parecer da psicóloga foi contra a volta do meu filho ao Brasil", ela conta. Depois de tentar "todas as instâncias" na Itália, restou-lhe se conformar. "Hoje, não acho justo pedir que ele volte. Mas vou esperar que ele faça 18 anos e procurá-lo para dizer que ele tem uma mãe."
Há casos ainda mais complexos, como o da maranhense Civanilde Marques. Mesmo com apoio da diplomacia brasileira, ela não conseguiu impedir na Justiça italiana a adoção de seu filho de 14 anos.
Funcionária pública em São Vicente Ferrer (MA), Civanilde engravidou aos 15 anos, de um homem de 63. Quando o garoto tinha sete anos, ela permitiu que se mudasse para a Itália com a irmã do lado paterno, que havia se casado com um italiano. A relação não deu certo, a irmã acabou em dificuldades e o garoto foi parar em um lar para menores carentes.
"Fui para a Itália duas vezes e tentei impedir a adoção, mas o parecer da psicóloga foi contra a volta do meu filho ao Brasil", ela conta. Depois de tentar "todas as instâncias" na Itália, restou-lhe se conformar. "Hoje, não acho justo pedir que ele volte. Mas vou esperar que ele faça 18 anos e procurá-lo para dizer que ele tem uma mãe."
Traumas
Disputas pela guarda podem envolver os filhos em sentimentos ruins, como culpa e rejeição. "Mas é possível preservá-los. Nem todo divórcio é traumático para o filho", diz a psicóloga Maria Luisa Valente, Universidade Estadual Paulista.
Se o fracasso do casamento é inevitável e há disputa judicial, diz ela, a criança fica menos ansiosa quando se sente amada pelos dois lados. "Mesmo as separações em que os pais não se gostam podem ser assimiladas, se a criança entender que isso faz parte da vida -ela também pode brigar com um amiguinho de quem gostava. O que será mais difícil é achar que um dos pais não gosta dela ou que ela foi, de alguma forma, a causa da separação."
Em ex-casais divididos entre países, diz Valente, é preciso aproximar o filho dos dois lados para evitar sensação de abandono. "Com telefone e internet, a criança pode se aproximar do pai e sentir que os adultos se divorciaram entre si, mas não dela."
Para a terapeuta familiar Rosa Maria de Macedo, pais separados costumam "coisificar" a criança disputada, "como se ela fosse um troféu". "Cobrar lealdade da criança e colocá-la para espionar o ex são atitudes comuns que prejudicarão sua formação", diz.
O ziguezague entre países em disputa judicial pode atrapalhar o aprendizado. "Aprender culturas e idiomas é enriquecedor, mas a criança conseguirá fazer isso se estiver segura e estimulada a estudar", diz a psicopedagoga Silvia Amaral. "Isso depende do temperamento da criança, mas sempre vale tomar cuidado."
Disputas pela guarda podem envolver os filhos em sentimentos ruins, como culpa e rejeição. "Mas é possível preservá-los. Nem todo divórcio é traumático para o filho", diz a psicóloga Maria Luisa Valente, Universidade Estadual Paulista.
Se o fracasso do casamento é inevitável e há disputa judicial, diz ela, a criança fica menos ansiosa quando se sente amada pelos dois lados. "Mesmo as separações em que os pais não se gostam podem ser assimiladas, se a criança entender que isso faz parte da vida -ela também pode brigar com um amiguinho de quem gostava. O que será mais difícil é achar que um dos pais não gosta dela ou que ela foi, de alguma forma, a causa da separação."
Em ex-casais divididos entre países, diz Valente, é preciso aproximar o filho dos dois lados para evitar sensação de abandono. "Com telefone e internet, a criança pode se aproximar do pai e sentir que os adultos se divorciaram entre si, mas não dela."
Para a terapeuta familiar Rosa Maria de Macedo, pais separados costumam "coisificar" a criança disputada, "como se ela fosse um troféu". "Cobrar lealdade da criança e colocá-la para espionar o ex são atitudes comuns que prejudicarão sua formação", diz.
O ziguezague entre países em disputa judicial pode atrapalhar o aprendizado. "Aprender culturas e idiomas é enriquecedor, mas a criança conseguirá fazer isso se estiver segura e estimulada a estudar", diz a psicopedagoga Silvia Amaral. "Isso depende do temperamento da criança, mas sempre vale tomar cuidado."
Fonte: Folha online
Morales repassa terras e diz que é "começo do fim do latifúndio" - 15/03/2009
O presidente da Bolívia, Evo Morales, transferiu para agricultores indígenas a posse de milhares de hectares de terras recém-confiscadas de latifundiários.
"Hoje é um dia histórico. A partir de agora estamos começando a por fim ao latifúndio e à escravidão dos (índios) guaranis", disse o presidente ao entregar 34 escrituras de terrenos em solenidade no Alto Parapetí, na Província de Santa Cruz, onde ele enfrenta forte oposição a suas reformas.
Morales afirmou que seu governo vai respeitar a propriedade privada, mas advertiu que os latifundiários "que não estão interessados na igualdade devem mudar sua forma de pensar e se concentrar mais nas necessidades do país do que no dinheiro".
A entrega dos terrenos é feita poucas semanas depois que a Bolívia aprovou uma nova Constituição que limita o tamanho das propriedades e prevê maior controle do Estado sobre os recursos naturais do país. A Carta dá ainda mais direitos para os 36 grupos indígenas da Bolívia.
O documento foi aprovado por cerca de 60% do eleitorado em um referendo em janeiro, mas rejeitado em regiões ricas que se opõem a Morales.
O presidente realizou a cerimônia na antiga fazenda de Ronald Larsen, um cidadão americano que estava entre os ricos proprietários que tiveram suas terras confiscadas no mês passado.
Fonte: Folha online
"Hoje é um dia histórico. A partir de agora estamos começando a por fim ao latifúndio e à escravidão dos (índios) guaranis", disse o presidente ao entregar 34 escrituras de terrenos em solenidade no Alto Parapetí, na Província de Santa Cruz, onde ele enfrenta forte oposição a suas reformas.
Morales afirmou que seu governo vai respeitar a propriedade privada, mas advertiu que os latifundiários "que não estão interessados na igualdade devem mudar sua forma de pensar e se concentrar mais nas necessidades do país do que no dinheiro".
A entrega dos terrenos é feita poucas semanas depois que a Bolívia aprovou uma nova Constituição que limita o tamanho das propriedades e prevê maior controle do Estado sobre os recursos naturais do país. A Carta dá ainda mais direitos para os 36 grupos indígenas da Bolívia.
O documento foi aprovado por cerca de 60% do eleitorado em um referendo em janeiro, mas rejeitado em regiões ricas que se opõem a Morales.
O presidente realizou a cerimônia na antiga fazenda de Ronald Larsen, um cidadão americano que estava entre os ricos proprietários que tiveram suas terras confiscadas no mês passado.
Em encontro entre Lula e Obama, sai o "ponto G" e entra o "pepino"- 15/03/2009
O encontro deveria durar uma hora de um sábado de manhã. Acabou levando duas, das quais Barack Obama e Luiz Inácio Lula da Silva gastaram meia hora apenas os dois e seus intérpretes e falaram 40 minutos à imprensa no Salão Oval, no que um veterano cinegrafista da CNN quantificou como o mais longo evento do tipo que ele cobriu na Casa Branca.
Se o parâmetro são as reuniões anteriores com os primeiros-ministros Taro Aso (Japão) e Gordon Brown (Reino Unido), os dois únicos líderes que antecederam o brasileiro em recepções na Casa Branca desde a posse do democrata, houve química entre os dois. Lula fez piadas, Obama riu e o norte-americano até pediu desculpas por falar muito.
Ouviu de volta, entre risos: "Na América Latina não nos assustamos com quem fala muito, todos falamos muito". Havia a preocupação entre os assessores brasileiros quanto ao primeiro encontro entre os dois líderes, que falaram antes duas vezes ao telefone. Embora tenham trajetórias historicamente semelhantes -o primeiro operário no Planalto, o primeiro negro na Casa Branca-, eles são muito diferentes.
Ou não. Obama reafirmou frase que havia dito na campanha, referindo-se a sua cor: "Sim, sou parecido com os brasileiros. Ouço que tenho alguns amigos por lá". Confirmou também que visitará o país em breve, embora não tenham "a data certa". "Não sabemos quanto tempo vamos ficar, mas essa será só a primeira visita."
Ou não. Obama reafirmou frase que havia dito na campanha, referindo-se a sua cor: "Sim, sou parecido com os brasileiros. Ouço que tenho alguns amigos por lá". Confirmou também que visitará o país em breve, embora não tenham "a data certa". "Não sabemos quanto tempo vamos ficar, mas essa será só a primeira visita."
Na abertura de sua declaração conjunta, o brasileiro repetira o que vem dizendo, que rezava pelo colega por conta da crise. "Rezo mais por ele do que por mim mesmo", disse. "Com apenas 40 dias de mandato [na verdade, 53 dias ontem], ter um pepino desses na mão, eu não queria estar no lugar dele."
O intérprete não traduziu a expressão tipicamente brasileira, dizendo apenas que Lula "não queria estar na sua posição". Obama riu e disse que "você soa como alguém que tem falado com minha mulher". Lula já havia arrancado risadas de George W. Bush na visita deste a São Paulo, em 2006, ao dizer que os dois países ainda não haviam chegado ao "ponto G" nas negociações.
As duas equipes trocaram presentes. A brasileira deu um prisma de pedras preciosas e recebeu uma "Constitution Box", caixa comemorativa com a Constituição norte-americana. Obama levou Lula ao carro, acompanhado só do intérprete. Ouviu atento do brasileiro um pedido por um empenho maior no Fórum dos CEOs, que reúne empresários dos dois países. Por fim, colocou as duas mãos nos ombros de Lula e disse: "Nos vemos em Londres".
Fonte: Folha online
O intérprete não traduziu a expressão tipicamente brasileira, dizendo apenas que Lula "não queria estar na sua posição". Obama riu e disse que "você soa como alguém que tem falado com minha mulher". Lula já havia arrancado risadas de George W. Bush na visita deste a São Paulo, em 2006, ao dizer que os dois países ainda não haviam chegado ao "ponto G" nas negociações.
As duas equipes trocaram presentes. A brasileira deu um prisma de pedras preciosas e recebeu uma "Constitution Box", caixa comemorativa com a Constituição norte-americana. Obama levou Lula ao carro, acompanhado só do intérprete. Ouviu atento do brasileiro um pedido por um empenho maior no Fórum dos CEOs, que reúne empresários dos dois países. Por fim, colocou as duas mãos nos ombros de Lula e disse: "Nos vemos em Londres".
Sem "procuração", Lula discute droga e ignora Cuba e Venezuela em encontro com Obama- 15/03/2009
Apesar de ter chegado ao encontro com o papel informal de porta-voz dos países latino-americanos que não gozam de boas relações com os EUA, como Bolívia, Cuba e Venezuela, o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva disse que não falou especificamente de nenhum país em seu encontro com Barack Obama, pelo menos segundo seu relato posterior a jornalistas na Embaixada do Brasil.
"Eu não tratei de Cuba nem de Venezuela especificamente porque não tenho procuração de nenhum governo para tratar de problemas específicos", disse Lula -o presidente venezuelano, Hugo Chávez, havia dito que tinha dado "autorização" a Lula para que falasse em nome dele com Obama.
"Eu não tratei de Cuba nem de Venezuela especificamente porque não tenho procuração de nenhum governo para tratar de problemas específicos", disse Lula -o presidente venezuelano, Hugo Chávez, havia dito que tinha dado "autorização" a Lula para que falasse em nome dele com Obama.
Na coletiva de ontem, o norte-americano praticamente ignorou o assunto América Latina, apesar de Lula ter dito que sua eleição era historicamente importante para a região já no início. O democrata fez menção ao 5º Encontro das Américas, em Trinidad e Tobago, e só.
Mais tarde, Lula daria outros detalhes. "Eu converso muito com o Chávez e ele tem expectativa sobre o presidente Obama de que possa melhorar a relação, e o Obama tem boa vontade, a mesma coisa com [o presidente boliviano] Evo Morales", relatou. "Podemos construir na América Latina uma nova relação, de confiança."
No geral, seu discurso ao democrata, disse Lula, foi pela não-ingerência. "Eu disse que os EUA precisam ter um olhar para a América Latina de parceria, não de fiscal, de que vai combater o narcotráfico ou de que vai vigiar alguma coisa ou combater a luta armada", afirmou. "Isso não existe mais."
O brasileiro disse ter avisado a Obama que vai propor ao Unasul (União das Nações Sul-Americanas) a criação de um conselho de combate ao narcotráfico similar ao de Defesa, para "não ficar dependendo da ingerência de ninguém numa coisa que nós temos de resolver pelas próprias mãos".
Gerald Herbert/AP
Obama pode aproveitar para visitar o Brasil após 5º Encontro das Américas, em abril
Então, cutucou o país: "Os outros que cuidem de tomar conta dos consumidores, que aí quem sabe a gente pode resolver com mais responsabilidade o narcotráfico". A ideia, segundo Lula, surgiu de uma conversa sua com o presidente colombiano Álvaro Uribe.
Mais tarde, Lula daria outros detalhes. "Eu converso muito com o Chávez e ele tem expectativa sobre o presidente Obama de que possa melhorar a relação, e o Obama tem boa vontade, a mesma coisa com [o presidente boliviano] Evo Morales", relatou. "Podemos construir na América Latina uma nova relação, de confiança."
No geral, seu discurso ao democrata, disse Lula, foi pela não-ingerência. "Eu disse que os EUA precisam ter um olhar para a América Latina de parceria, não de fiscal, de que vai combater o narcotráfico ou de que vai vigiar alguma coisa ou combater a luta armada", afirmou. "Isso não existe mais."
O brasileiro disse ter avisado a Obama que vai propor ao Unasul (União das Nações Sul-Americanas) a criação de um conselho de combate ao narcotráfico similar ao de Defesa, para "não ficar dependendo da ingerência de ninguém numa coisa que nós temos de resolver pelas próprias mãos".
Gerald Herbert/AP
Obama pode aproveitar para visitar o Brasil após 5º Encontro das Américas, em abril
Então, cutucou o país: "Os outros que cuidem de tomar conta dos consumidores, que aí quem sabe a gente pode resolver com mais responsabilidade o narcotráfico". A ideia, segundo Lula, surgiu de uma conversa sua com o presidente colombiano Álvaro Uribe.
O país, um dos maiores produtores de cocaína do mundo, é o maior receptor de ajuda financeira e militar norte-americana na América do Sul. Desde que Morales expulsou a DEA (agência antidrogas norte-americana) da Bolívia, os EUA pedem ao Brasil mais envolvimento no combate ao tráfico de drogas regional.
Lula dava assim seu recado de volta à Casa Branca, de que pretende convencer os países da região a tomar a rédea do assunto, que representa uma das principais áreas de atuação dos EUA no continente. "Aos poucos, os países da América Latina estão percebendo que nós precisamos deixar de ser dependentes, porque fica todo o mundo esperando que o país rico vá lá fazer as coisas que nós deveríamos fazer", disse Lula.
Fonte: Folha online
Lula dava assim seu recado de volta à Casa Branca, de que pretende convencer os países da região a tomar a rédea do assunto, que representa uma das principais áreas de atuação dos EUA no continente. "Aos poucos, os países da América Latina estão percebendo que nós precisamos deixar de ser dependentes, porque fica todo o mundo esperando que o país rico vá lá fazer as coisas que nós deveríamos fazer", disse Lula.
Chávez usará prisão contra os que se opuserem a suas ordens na Venezuela - 15/03/2009

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ameaçou prender governadores opositores que não acatem a transferência da administração de portos e aeroportos ao poder Executivo, aprovada em uma lei de descentralização. Neste domingo, durante seu programa dominical, "Alô Presidente", Chávez ordenou que as Forças armadas do país tomassem todas as bases marítimas e aeroportuárias sob controle da oposição.
A decisão do presidente da Venezuela divulgada neste domingo nada mais é que o cumprimento de uma promessa feita durante a eleição regional de 2008, quando ameaçou usar as Forças Armadas contra os opositores, para, segundo ele, defender o povo e o "governo revolucionário". Chávez advertiu neste domingo que os governadores oposicionistas que se opuserem à decisão correm o risco de ser presos.
A decisão do presidente da Venezuela divulgada neste domingo nada mais é que o cumprimento de uma promessa feita durante a eleição regional de 2008, quando ameaçou usar as Forças Armadas contra os opositores, para, segundo ele, defender o povo e o "governo revolucionário". Chávez advertiu neste domingo que os governadores oposicionistas que se opuserem à decisão correm o risco de ser presos.
A ordem dada por Chávez neste domingo baseou-se em uma lei aprovada na última quinta-feira (12) pelo Congresso --controlado pelo governista PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela), denunciada pela oposição como uma tentativa inconstitucional de concentrar o poder político nas mãos do governo central.
Após a aprovação da lei que permite ao governo nacional tomar o controle do sistema de transportes do país, o governador do Estado de Zulia, o oposicionista Pablo Pérez Alvarez, do partido Um Novo Tempo (UNT), disse que não aceitaria que o processo de descentralização do poder fosse revertido.
"A aprovação do artigo 8º e as alterações que fizeram na Lei de Descentralização e Transferência de Competência, é como colocarmos uma arma na cabeça e dizermos: vejam, administrem o processo de descentralização, mas vamos fazer o que quisermos", disse Pérez Alvarez.
Segundo a Constituição de 1999, promulgada por Chávez, "a administração e o uso das estradas e rodovias, bem como os portos e aeroportos, para uso comercial" são "competência exclusiva dos Estados", em coordenação com o governo nacional.
O governo de Zulia, um dos Estados mais ricos da Venezuela, será um mais afetados pela decisão de Chávez, perdendo o controle do porto de Maracaibo. Outro porto que passará ao comando do governo central será o de Puerto Cabello, em Carabobo, governado por Enrique Salas, do partido oposicionista Projeto Venezuela.
Os dois governadores declararam à imprensa que tentariam "defender" as atribuições que até agora tinham sobre esses portos.
"O que se passa com esses governadores? Será que acham que aqui vão a fazer algo como a divisão do país? Fiquem em seus lugares!", atacou Chávez durante seu programa dominical de TV, "Alô, Presidente!". "Você [Salas Feo] terá que encontrar uma Marinha de guerra, governador, terá que encontrar um Exército. Não sei o que poderá fazer. Ele disse que vai defender Puerto Cabello, com a polícia de Carabobo. Bem, então vai para a prisão",
"Nenhum venezuelano pode se declarar acima da lei; ela aprovada para cumprida, e o governo está obrigado a fazê-la ser cumprida", afirmou o presidente. Chávez alegou que as razões para assumir o controle dos portos de Maracaibo e Puerto Cabello é que neles "há máfias ligadas ao contrabando, ao narcotráfico e à corrupção", sem especificar os casos.
Durante a campanha para as eleições regionais de novembro passado, Chávez liderou vários comícios em favor dos candidatos do PSUV, ameaçando os opositores com prisão e advertindo que a vitória de seus adversários poderia levá-lo a usar as Forças Armadas.
"Se permitirem que a oligarquia volte ao governo [de Carabobo], vou acabar mandando os tanques da brigada blindada para defender o governo revolucionário e para defender o povo ", disse Chávez, em Carabobo, em novembro.
O PSUV manteve o controle da maioria dos Estado, mas a oposição dobrou para seis o número de governos estaduais sob seu controle, e venceu nos três Estados com maior número de eleitores --Zulia (2.141.055), Miranda (1.781.361) e Carabobo (1.338.601).
Logo após a eleição, Chávez ordenou várias mudanças de competência sobre áreas da administração da região metropolitana de Caracas, cujo governo ficou com o líder opositor Antonio Ledezma. O presidente encampou cerca 30 hospitais, o canal Ávila TV, 22 cartórios públicos e todas as 93 escolas da rede metropolitana, esvaziando o poder do adversário antes mesmo de sua posse.
Após a aprovação da lei que permite ao governo nacional tomar o controle do sistema de transportes do país, o governador do Estado de Zulia, o oposicionista Pablo Pérez Alvarez, do partido Um Novo Tempo (UNT), disse que não aceitaria que o processo de descentralização do poder fosse revertido.
"A aprovação do artigo 8º e as alterações que fizeram na Lei de Descentralização e Transferência de Competência, é como colocarmos uma arma na cabeça e dizermos: vejam, administrem o processo de descentralização, mas vamos fazer o que quisermos", disse Pérez Alvarez.
Segundo a Constituição de 1999, promulgada por Chávez, "a administração e o uso das estradas e rodovias, bem como os portos e aeroportos, para uso comercial" são "competência exclusiva dos Estados", em coordenação com o governo nacional.
O governo de Zulia, um dos Estados mais ricos da Venezuela, será um mais afetados pela decisão de Chávez, perdendo o controle do porto de Maracaibo. Outro porto que passará ao comando do governo central será o de Puerto Cabello, em Carabobo, governado por Enrique Salas, do partido oposicionista Projeto Venezuela.
Os dois governadores declararam à imprensa que tentariam "defender" as atribuições que até agora tinham sobre esses portos.
"O que se passa com esses governadores? Será que acham que aqui vão a fazer algo como a divisão do país? Fiquem em seus lugares!", atacou Chávez durante seu programa dominical de TV, "Alô, Presidente!". "Você [Salas Feo] terá que encontrar uma Marinha de guerra, governador, terá que encontrar um Exército. Não sei o que poderá fazer. Ele disse que vai defender Puerto Cabello, com a polícia de Carabobo. Bem, então vai para a prisão",
"Nenhum venezuelano pode se declarar acima da lei; ela aprovada para cumprida, e o governo está obrigado a fazê-la ser cumprida", afirmou o presidente. Chávez alegou que as razões para assumir o controle dos portos de Maracaibo e Puerto Cabello é que neles "há máfias ligadas ao contrabando, ao narcotráfico e à corrupção", sem especificar os casos.
Durante a campanha para as eleições regionais de novembro passado, Chávez liderou vários comícios em favor dos candidatos do PSUV, ameaçando os opositores com prisão e advertindo que a vitória de seus adversários poderia levá-lo a usar as Forças Armadas.
"Se permitirem que a oligarquia volte ao governo [de Carabobo], vou acabar mandando os tanques da brigada blindada para defender o governo revolucionário e para defender o povo ", disse Chávez, em Carabobo, em novembro.
O PSUV manteve o controle da maioria dos Estado, mas a oposição dobrou para seis o número de governos estaduais sob seu controle, e venceu nos três Estados com maior número de eleitores --Zulia (2.141.055), Miranda (1.781.361) e Carabobo (1.338.601).
Logo após a eleição, Chávez ordenou várias mudanças de competência sobre áreas da administração da região metropolitana de Caracas, cujo governo ficou com o líder opositor Antonio Ledezma. O presidente encampou cerca 30 hospitais, o canal Ávila TV, 22 cartórios públicos e todas as 93 escolas da rede metropolitana, esvaziando o poder do adversário antes mesmo de sua posse.
Fonte: Folha online
sábado, março 14, 2009
UM QUÊ DE ABSURDO
Essa história de que Jarbas se preparava ou se posicionava para ser o vice de José Serra surgiu nos meios subjornalísticos — aquela geste esquisita que, na expressão de Millôr, já empregada aqui hoje, é livre como um táxi. É a turma assalariada do oficialismo, que está na folha de pagamentos de empresa pública.
Jarbas ser obrigado a negá-lo tem um quê, ou muitos quês, de absurdo. Por quê? O vice de Serra terá de sair de um partido — o mais provável é que venha do DEM. Poderia sair do PMDB? Ora, claro!, se o PMDB, oficialmente, fosse fechar com o tucano, coisa de que duvido. A menos que haja um cataclismo econômico, que empurre ladeira abaixo a popularidade de Lula — o que é improvável —, o PMDB continuará firmão na base do governo. Até porque uma aliança com a oposição implicaria a desocupação da máquina pública, a entrega de milhares de cargos.
O partido vai em peso para a candidata de Lula? Não! Não vai. Jarbas Vasconcelos é a melhor evidência disso. Grande parte do PMDB de São Paulo, também. Haverá outras defecções, sempre de olho nos números das pesquisas. Ora, não podemos garantir se será o PSDB ou o PT a liderar o próximo governo. A única coisa certa é que o PMDB estará lá. Com Serra ou com Dilma. Se o tucano se consolida e dispara nas pesquisas, o partido cristianiza a petista antes de o galo cantar três vezes. Mas volto.
Ainda que o PMDB viesse a ter o vice na chapa de Serra, Jarbas certamente não seria o homem escolhido pelo partido. Quando essa hipótese foi aventada, procurava-se atribuir à já histórica entrevista do senador concedida à VEJA alguma motivação especial que não a que está lá expressa: o seu inconformismo com a corrupção de valores e a corrupção ela-mesma, que tomam conta da política.
O alcance de suas palavras vai muito além das urnas de 2010. Querer reduzi-las a uma disputa pelo poder corresponde a negar os fatos óbvios que elas denunciam.
Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo (Veja online)
Jarbas declara apoio a Serra, mas nega querer ser vice
O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) negou hoje que possa sair candidato a vice-presidente numa chapa encabeçada pelo governador de São Paulo, José Serra (PSDB), na disputa pela Presidência da República em 2010, em uma eventual aliança PSDB-PMDB. Apesar de declarar apoio ao tucano em uma possível candidatura, Jarbas disse não ter nem 10% de apoio dentro do PMDB e "nem se quisesse" seria candidato a vice. Além disso, apesar das pesadas críticas que tem feito ao seu partido, que acusa de ser fisiológico, descartou a possibilidade de deixar a legenda, a despeito de se sentir desconfortável dentro dela.
"Não, é impossível (ser vice). Mesmo que pretendesse não posso ser porque eu não vou sair do PMDB e o partido não me apoia. Eu não tenho hoje nem 10% de adeptos dentro dele. Essa é uma tese que não prospera", afirmou Jarbas, após participar de palestra Ética, Política e Cidadania, no 1º Encontro Estadual de Agentes Públicos, realizado pelo Instituto do Legislativo Paulista (ILP), em São Paulo. Embora tenha negado a disposição para ser vice de uma eventual candidatura Serra em 2010, o senador admitiu que tem sido sondado sobre a proposta. "Tenho sido perguntado pelas pessoas, têm uns querendo e imaginando. Essa é uma tese incogitável, é impossível."
O senador pernambucano disse que apoiará o governador paulista caso Serra seja confirmado como candidato tucano à Presidência. "Eu defendo Serra. Acho que ele é uma pessoa preparada, um brasileiro capacitado e qualificado para governar o País", afirmou. "Eu já estou articulando dentro do partido. O que eu puder puxar para Serra, eu puxo."
Sem entrar na discussão a respeito da realização de prévias no PSDB, como deseja o governador mineiro Aécio Neves (PSDB), o senador descartou a hipótese de que Aécio deixe o PSDB e passe para o PMDB com o objetivo de disputar as eleições presidenciais de 2010. "Eu não acredito. Se Aécio quer ser candidato a presidente da República, ele não vai entrar em uma legenda que não tem unidade, que não tem conduta uniforme. Como é que ele pode sair do PSDB para vir ao PMDB, onde ele não terá segurança se vai sair como candidato", afirmou.
Quércia
Jarbas participou hoje do debate ao lado do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) e do presidente do PMDB paulista, o ex-governador Orestes Quércia. Questionado, o senador negou que Quércia se encaixe no perfil dos integrantes do PMDB, que criticou justamente por estarem atrás apenas de cargos. "Não, ele (Quércia), pelo que sei, está em oposição ao presidente da República exatamente porque não concorda com o PMDB, com o toma-lá-dá-cá. Por isso, o PMDB de São Paulo é dissidente. Esta é a versão que tenho ouvido", respondeu.
Perguntado sobre se Quércia não fazia, com o governo de São Paulo, o mesmo jogo que a maior parte do PMDB faz com o governo federal, o senador afirmou: "O PSDB deu cargo para eles aqui? Eu não sei", disse. "O PMDB de São Paulo, Orestes Quércia me disse na última vez que estive aqui na campanha municipal, vai apoiar Serra" em 2010, afirmou Jarbas.
Sem se referir à disputa municipal de 2008 na capital paulista, em que PT e PSDB duelaram pelo apoio do PMDB visando obter o maior tempo de campanha na televisão e no rádio, o senador também não fez referência ao fato da atual vice-prefeita de São Paulo, Alda Marco Antônio (PMDB), e diversos membros de seu partido integrarem cargos na prefeitura da cidade.
Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo (Veja online)
VEJA - "Acreditamos em Deus? É sim ou é não".

Dom José Cardoso Sobrinho (foto), bispo de Olinda e Recife, concede entrevista a Juliana Linhares nas Páginas Amarelas. Seguem trechos:
Por que o senhor acha que tantas pessoas, católicas em sua maioria, ficaram revoltadas com a sua posição no caso da excomunhão dos adultos envolvidos no aborto da menina violentada?
Em primeiro lugar, nós temos de colocar essa questão no âmbito religioso. Acreditamos em Deus? É sim ou é não. E eu suponho que a grande maioria das pessoas acredita. E acreditar em Deus significa aceitar que Deus é a origem de tudo e é também o nosso fim. Essa é uma verdade fundamental. É premissa importantíssima para dizer que a lei de Deus está acima de qualquer lei humana. E a lei de Deus não permite o aborto. Então, se uma lei humana está contradizendo uma lei de Deus, no caso, a que permitiu a operação, essa lei não tem nenhum valor. Quanto ao que você afirma, sobre as pessoas estarem revoltadas, tenho de dizer que também houve um clamor grande, eu diria enorme, de autoridades de Roma a meu favor. Tenho sido insultado, claro, mas hoje mesmo recebi uma carta de Giovanni Battista Re, prefeito da Congregação para os Bispos em Roma, em que me elogia.
O que o senhor diria aos católicos que condenaram sua atitude?
Antes de tudo, quero deixar bem claro que não fui eu que excomunguei os médicos que praticaram o aborto e a mãe da menina. Isso é falso. Eu não posso excomungar ninguém. Eu simplesmente mencionei o que está escrito na lei da Igreja, o cânone 1 398, do Código de Direito Canônico, que está aí nas livrarias para qualquer um ler. Por essa lei, qualquer pessoa que comete aborto está excomungada, por uma penalidade que se chama latae sententiae, um termo técnico que significa automática. Então, não foi dom José Cardoso Sobrinho quem os excomungou. Eu simplesmente disse a todos: "Tomem consciência disto". Qualquer pessoa no mundo inteiro que pratique o aborto está incorrendo nessa penalidade – mesmo que ninguém fale nada. Quem é católico sabe que na primeira carta de São Paulo a Timóteo, no capítulo II, está escrito: Deus quer que todos sejam salvos.
Por que estupradores não são também automaticamente excomungados?
A nossa santa Igreja condena todos os pecados graves. O estupro é um pecado gravíssimo para a Igreja, assim como o homicídio. Agora, a Igreja diz que o aborto, isto é, o ato de tirar a vida de um inocente indefeso, é muito mais grave que o estupro, que o homicídio de um adulto. Qualquer pessoa inteligente é capaz de compreender isso. Eu não estou dizendo que o estupro e a pedofilia são coisas boas. Mas o aborto é muito mais grave e, por isso, a Igreja estipulou essa penalidade automática de excomunhão.
Em que outros casos se aplica a excomunhão automática?
No Código de Direito Canônico anterior, promulgado por Bento XV, havia cerca de quarenta motivos para a excomunhão automática. Em 1983, sob a autoridade de João Paulo II, foi publicado um novo Código. O atual os reduziu a apenas nove. São eles: o aborto; a apostasia, que é quando a pessoa abandona a religião; a heresia, que acontece quando uma pessoa nega um dogma da Igreja; a violência física contra a pessoa do papa; a consagração de um bispo sem a licença do papa; o cisma; a absolvição por um sacerdote do cúmplice de um pecado da carne; a violação direta do segredo da confissão; e a profanação das hóstias consagradas
Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo (Veja online)
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