sábado, novembro 15, 2008

Curiosidades


30/10/2008 - 14h48
John Travolta e lobo mau "inspiram" cães às vésperas do Dia das Bruxas
da Folha Online


O Dia das Bruxas é amanhã (31), mas os cães já estão a caráter. Há fantasias para todos os gostos e raças. Criativos, os donos se inspiraram em sucessos do cinema e contos para fantasiar seus cachorros.
Em Nova York (EUA), Topino fez sucesso ao homenagear John Travolta. O chihuahua foi a um concurso de fantasias de Halloween no último domingo vestido de Danny Zuko, do longa-metragem "Grease - Nos Tempos da Brilhantina". Não faltou nem o cigarro atrás da orelha.
Outro colega de raça de Topino lembrou a velha fábula "Chapeuzinho Vermelho". De óculos e lenço na cabeça, Bugsy compareceu ao evento com, digamos, a fantasia de uma fantasia: ele representou o lobo mau disfarçado de vovozinha.
Bem longe dali, em Manila (Filipinas), o cão Mondex ganhou um concurso com sua fantasia de pirata. De tranças e lenço na cintura, homenageou Jack Sparrow, personagem de Johnny Depp em "Piratas do Caribe".


Fonte: folha online

Curiosidades



14/11/2008 - 13h06
Cão é levado ao veterinário após ter boca colada na Inglaterra
da Folha Online


Um scottish terrier muito prestativo acabou com problemas ao ajudar sua dona com a correspondência na Inglaterra. Cymbeline teve sua boca colada depois de pegar um cardápio de fast-food que estava junto com as cartas de Kimberly Fisher, 41.
O cão é treinado para pegar a correspondência na frente da casa, em Colchester, Essex. "Ele me trouxe os papéis, mas não conseguiu soltar o cardápio", contou Kimberly ao jornal "The Sun".


Cymbeline ficou nervoso e tentou soltar o papel, mas seus dentes ficavam cada vez mais presos ao material. "Em segundos, o cardápio colou a mandíbula e ele não pôde abrir a boca", relatou a dona.
Kimberly levou o cachorro ao veterinário, que demorou mais de 20 minutos para abrir a boca do terrier.
"Nunca vi nada assim em 20 anos", disse o veterinário Ben Bennett. "O material virou praticamente um papel-marchê na boca dele."


Fonte: folha online

Eliane Cantanhêde

15/10/2008
Golpe baixo

A campanha de São Paulo enveredou por caminhos surpreendentes -- e preocupantes.
Quando uma psicóloga e sexóloga como Marta Suplicy aceita e avaliza uma insinuação grosseira de homossexualismo contra seu opositor, entra-se numa guerra sem limites éticos, políticos, minimamente civilizados.
Logo ela, Marta, mulher que cresceu na política e se tornou nacionalmente conhecida justamente por defender causas nobres, como a igualdade e o respeito à liberdade de opção sexual. Logo ela, Marta, que tem um comportamento de vanguarda e, por isso, tem sido vítima de preconceito. Como alguém que sofre preconceito pode recorrer a preconceito contra um adversário político? É inaceitável.
Marta deu um exemplo de coragem pessoal e política ao se separar de uma figura admirada como o senador Eduardo Suplicy, já na condição de prefeita da principal capital do país. Foi educativo, uma mensagem clara de que aos políticos devem se cobrar decisões e resultados que visem o bem comum, não decisões de foro íntimo, decisões puramente pessoais.
Se Marta teve essa função educativa como prefeita, agora deseduca e confunde ao fazer justamente o oposto, cobrando de seu opositor, não compromissos e decisões que visem o bem comum, mas explicações sobre sua vida privada, íntima, que a ninguém interessa.
Foi um erro de campanha desses que custam caríssimo, porque o preço não vem apenas nas urnas, nos votos. O preço fica carimbado em biografias para sempre, não nas dos "estrategistas", mas na do candidato, ou da candidata. Campanhas passam, biografias ficam. Será que valeu a pena?
COMO REFLEXÃO: Ok que as maiores potências precisavam, efetivamente, socorrer os seus bancos para evitar um colapso financeiro planetário. Mas a pergunta que não quer calar é: e se essas mesmas potências despejassem os mesmos US$ 2,5 trilhões (mais do dobro do PIB anual do Brasil) em gente? Ou seja, em educação, saúde, saneamento, alimentação? O mundo talvez ficasse muito melhor, e dependendo muito menos dos bancos.

Fonte: folha online

Eliane Cantanhêde

22/10/2008
Caso de polícia, essa polícia

Lindemberg Alves Fernandes, 22, não tinha antecedentes criminais. Mas tinha um revólver, que usou a queima-roupa para matar a ex-namorada Eloá Cristina Pimentel, 15, com um tiro na cabeça e para acertar a amiga de ambos Nayara Rodrigues da Silva, com outro em pleno rosto.
Roberto Costa Jr., 28, era motorista da família Sendas e filho do motorista pessoal e funcionário de quase três décadas do empresário Arthur Antônio Sendas, 73. Costa Jr. também não tinha antecedentes criminais. Mas, como Lindemberg, tinha um revólver e não titubeou em matar o patrão dele e do pai com um tiro no rosto.
Daniel Pereira de Souza, 22, tinha sido detido por tráfico de drogas e andava armado. Desde que saiu da cadeia, três meses atrás, ele insistia que queria retomar o relacionamento com Camila Silva Araújo, 16, com quem tinha um filho de um ano e meio. Camila foi irredutível. Recebeu um tiro na cabeça e morreu.
Você não acha que foi tudo muito fácil? Lindemberg, Roberto e Daniel foram ali na esquina e compraram suas armas, entraram nas casas de suas vítimas e brincaram com a vida e a morte. Assim, determinarem o destino de famílias inteiras.
Um fator decisivo dessas tragédias é, evidentemente, o perfil frio e descontrolado dos três assassinos. Mas um outro, que não pode passar despercebido, é a facilidade com que qualquer um pode comprar armas neste país, a qualquer hora, por qualquer motivo, a qualquer preço. Ninguém sabe, ninguém viu.
Lindemberg, Roberto e Daniel, entre milhares de outros, são os assassinos que puxaram o gatilho. Mas ninguém pergunta pelos assassinos que lhes venderam as armas. Quem são? Onde estão? Quem serão suas próximas vítimas?
Esse é um típico caso de polícia. Mas com essa polícia que nós temos por aqui...

Fonte: folha online

Cometário do blog:

A articulista, a depeito da fazer uma análise correta numa pespectiva geral, simplifica nossa dram. Armas podem ser compradas, com relativa facilidade, em qualquer lugar do mundo. Nos EUA com a polícia mais eficiente do mundo, o aceso à armas é totalmente facilitado. Nosso drama não são os personagens trágicos por ela citados, é a incompetência crônica e genética da nossa organização policial. Os delitos acima não seriam cometidos se no inconsciente dos agressores houvesse o temor objetivo de que seriam punidos e que seus direitos seriam retirados. O termor da certeza da punição inibe ações, pensamentos e impétos criminósos.
A polícia que nões temos é desorganizada por natureza. Combate o crime dividida. Seleciona oferecendo salários mentirosos, e por isso seleciona`apenas os menos incompetentes, pois quem se preparou não tem qualquer estímulo para ingressar numa carreira que pode lhe tirar a vida sem qualquer recompensa.
Parafresando um certo demágogo, NUNCA ANTES NESTE PAÍS foi tão necessária a óbvia unificação das polícias como agora. Entretanto nada se discute, niguém quer mexer neste vespeiro.
Enquanto isso sigo perguntado, os avanços econômiocos alcançados e capitalizados pelo atual governo, na verdade não passam de consequência da estabilidade da economia desde 1994 ? o que permitiu que as pessoas pudessem planejar suas vidas.
Essa é a nossa realidade. A frouxidão moral que nos abateu desde o mensalão passou a idéia de tudo é permitido, de o jeitinho brasioliero é legítimo, que vale qualquer coisa para levar vantagem.
Pra que estudar, todos se acham merecedores de ganhos sociais e econômicos sem que haja qualquer alusão ao merecimento, a regra é "eu sou pobre, eu mereço".
O governo segue dizendo que as causas da criminalidade são sociais, culpando os pobres pelo crime, como se sendo pobre será um criminoso, ao mesmo tempo preconceituando e legitimando.
Ruy Otto

Eliane Cantanhêde

12/11/2008
O castigo não vem a cavalo

Primeiro, o socorro de trilhões de dólares e euros para os bancos. Agora, a corrida para salvar empresas pelo mundo afora.
O principal alvo são as montadoras de automóveis, que tiveram um boom lá fora e principalmente aqui dentro do Brasil e agora estão com muito estoque no pátio e um medão danado de não ter compradores na mesma proporção.
Quem abre os jornais se depara com uma enxurrada de anúncios de carros, desde as primeiras até as últimas páginas. Praticamente nenhuma editoria passa incólume. E, se no início a propaganda era em cima da qualidade do veículo, agora já é sobre as vantagens do financiamento. Juros zero!
Nos EUA, o republicano Bush e o democrata Obama desenham uma aliança para salvar as montadoras, especialmente a GM, que está mal das pernas --ou melhor, das rodas. Já se fala até --quem diria?!-- em estatizar parte das empresas. O castigo para a ganância do capitalismo sem freios, portanto, não vem a cavalo. Vem a mais de 100 km/h, sobre rodas.
Em São Paulo, o tucano José Serra e o petista Guido Mantega repetem democratas e republicanos e também "somam esforços", nas palavras do governador, para liberar uma linha de crédito de R$ 4 bilhões para financiar a compra de veículos de todo o país. É o mesmo valor que o governo federal botou na praça na semana passada para tentar segurar o efeito da crise financeira na chamada "vida real", ou seja, no setor produtivo, que é o que gera emprego, renda e voto.
Em Minas, Aécio Neves não corre atrás de Serra apenas pela indicação do PSDB para disputar a Presidência em 2010. No mesmo dia do paulista, a última terça-feira, o mineiro colocou R$ 470 milhões à disposição de empréstimos para as empresas, enquanto simultaneamente ampliava o prazo para pagamento de impostos. No alvo, também a construção civil, outro setor que pode desabar.
A crise começou com a inadimplência do setor de imóveis nos EUA, atingiu em cheio os bancos, varou fronteiras e está chegando à economia mundial. É aquela onde se situam as pessoas que produzem, comem, moram, vestem e criam seus filhos para a posteridade. E é aí, portanto, que mora todo o perigo.

Fonte: folha online

Celebridades




15/11/2008
Militantes jogam farinha na atriz Lindsay Lohan, que usava casaco de pele



da France Presse, em Paris
Militantes da Peta (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais, da sigla em inglês) despejaram um saco de farinha sobre a cabeça da atriz norte-americana Lindsay Lohan, na madrugada deste sábado (15), em uma boate parisiense para protestar contra o uso de casacos de pele.


Fontes da boate confirmaram o "ataque". Cerca de 10 ativistas da organização jogaram farinha na atriz aos gritos de "Lindsay, monstro das peles".
Lohan não se machucou, mas seu casaco de pele ficou branco com a farinha dos manifestantes. Depois, a direção do estabelecimento ajudou a atriz a se limpar e ela manteve sua programação noturna.
Em um comunicado, o grupo --que realiza "atentados" contra personalidades que usam casacos de pele-- afirma que sua intenção era "castigar a atriz, que nos últimos dias usou pelo menos dois casacos de peles de animais".
"Esperamos que um pouco de farinha ajude Lohan a desistir das peles de uma vez por todas", declarou um membro da Peta na França, Nicolas Gresset.


Fonte: folha online

Reflexões

09/11/2008
Casamento gay, esquerda e caretice

Vi muita gente argumentar que o sinal de vitória sobre o conservadorismo dado pela eleição de Barack Obama teria sido manchado pela derrota do casamento gay na Califórnia, na Flórida e em outros Estados.
De fato, tudo indica que os mesmos eleitores negros e latinos que votaram maciçamente em Obama também votaram em sua maioria contra o casamento gay _mas note-se, não contra a união civil de homossexuais, que continuará existindo nesses Estados, nem a favor de muitos projetos submetidos a referendo ou plebiscito que visavam restringir o direito ao aborto e que foram derrotados.
Eu acho esse raciocínio furado por dois motivos.
Em primeiro lugar, porque casamento gay nunca foi o sinal básico da diferença entre direita e esquerda em nenhuma parte. Como diz um clássico do italiano Norberto Bobbio, e como ensina a história, a diferença entre direita e esquerda é dada pela valorização de um mínimo de igualdade e justiça social como requisito para o desenvolvimento de uma sociedade verdadeiramente democrática.
Nos Estados Unidos, cuja tradição política vem dos filósofos liberais do século 18, essa valorização da igualdade é expressada no eufemismo, tantas vezes repetido por Obama em seus discursos, da "igualdade de oportunidades". Isso é traduzido, entre outras coisas, na defesa de um sistema de impostos mais progressivo para "espalhar a riqueza", na frase do presidente eleito a Joe, o encanador que foi tão atacada pela campanha de McCain como sinal de "socialismo".
Os conservadores nos Estados Unidos valorizam sobretudo as chamadas "liberdades negativas", o direito das pessoas de não serem importunadas por governos ou outros, em detrimento das "liberdades positivas", entre elas os direitos à educação, à saúde, ao emprego. Claro que também os conservadores são os primeiros a minar as liberdades individuais que dizem prezar quando o alvo é o inimigo, seja ele "comunista" (lembrem-se do macartismo) ou "terrorista" (lembrem-se do Ato Patriótico sob Bush).
Foram os conservadores americanos que inventaram, nas "guerras culturais" a partir de Richard Nixon, que a diferença entre direita e esquerda eram os chamados "valores morais". Com isso, tiraram o foco das mudanças que viriam a implantar na estrutura básica da sociedade, no sentido de redução das oportunidades (ou da igualdade). Hoje, os Estados Unidos têm a sociedade mais desigual entre os países ricos.
Nesse sentido, a vitória de Obama foi sim um repúdio ao conservadorismo que desde Ronald Reagan vem pregando que, se você beneficiar o topo da pirâmide econômica, a riqueza vai automaticamente se espalhar para a base, sem que sejam necessários um governo ou uma coletividade trabalhando para que isso aconteça.
Em segundo lugar, eu acho muito questionável a idéia de que os gays que querem se casar no papel estão sendo intrinsecamente "progressistas".
Se por um lado há a idéia de igualdade de direitos, por outro eles só estão reivindicando o direito de ser conservadores, de terem a "aprovação" da sociedade.
Eu ainda sou do tempo em que casar no papel era sinal de caretice. Estou casada de fato há 20 anos com um homem que amo, tenho dois filhos quase adultos lindos, e nunca tive paciência para ir ao cartório. Nunca achei que esse ritual valesse um minuto da minha vida.

Escrito por Claudia Antunes

Fonte: folha online

Reflexões


Uma das discussões fundamentais entre intelectuais e historiadores sobre esta eleição americana é se ela constitui uma eleição de realinhamento, como são chamadas as escolhas que inauguram uma nova era ideológica no país, independentemente de o presidente de turno ser democrata ou republicano.
Para ficar só no século 20 e neste, o consenso entre historiadores é que a eleição de Franklin Delano Roosevelt em 1932 inaugurou uma "era liberal (progressista)", em que o governo teve papel ativo para garantir direitos sociais e civis. Essa era durou grosso modo até 1968, quando, como já citei aqui, Richard Nixon venceu um Partido Democrata dividido apelando para a "maioria silenciosa", majoritariamente branca, sulista e socialmente conservadora.
A "era conservadora" se consolidou com a eleição de Reagan, em 1980, e incluiu o governo de Bill Clinton _que obviamente não era um conservador social como George W. Bush, mas endossou, com sua Terceira Via, muitos dos paradigmas econômicos conservadores, como a liberalização financeira e a redução do Estado de bem-estar.
Pois hoje dois artigos muito bons discutem se a eleição de Obama vai inaugurar uma nova era. O primeiro, longo e excelente (imprimam para ler com calma), é de George Packer e foi publicado na edição desta semana da "New Yorker".
Packer começa citando Roosevelt e sua visão de que, em meio à Grande Depressão, os Estados Unidos precisavam de um líder "cujos interesses não fossem especiais mas gerais, alguém que entendesse e tratasse o país como um todo", e que não fosse "nem conservador nem radical". Que fosse, na definição dele, "liberal", que "reconhecesse a necessidade de novos mecanismos, mas também trabalhasse para controlar o processo de mudanças, a fim de que o rompimento com o padrão antigo não fosse muito violento".
Packer prossegue então dizendo que, pela primeira vez desde Lyndon Johnson (sucessor de Kennedy e antecessor de Nixon), na campanha deste ano "a idéia de que o governo deve adotar ações incisivas para criar oportunidades iguais para todos os cidadãos não teve que ser explicada em murmúrios defensivos". Discute, depois, se Barack Obama estará à altura do desafio histórico de consolidar "um novo liberalismo", lembrando que, na campanha, houve dois Obamas, o "progressista" e o "pós-partidário".
"Existe alguma tensão entre essas duas abordagens", escreve Packer, "e ele terá que reconciliar as duas se quiser cumprir a ambição de trazer mudança para este país".
O outro artigo é de Jay Cost, analista do site Real Clear Politics. Mais atento aos mapas do Colégio Eleitoral produzidos por eleições desde o século 19, Cost questiona primeiro a própria noção de eleição de realinhamento e conclui que, mesmo que a idéia esteja correta, os números da eleição de Obama não chegaram nem perto de produzir a virada política que ficou clara, por exemplo, no mapa americano pós-Roosevelt, em 1932.
Eu acho, de todo modo, que é cedo demais para dizer se um realinhamento político nos Estados Unidos vai ser duradouro. Mas não tenho dúvidas de que, muito por causa da crise econômica, esta campanha representou sim a derrota da era conservadora.
Claro que a coalizão que elegeu Obama não é homogênea, e seu governo vai ser julgado a partir de suas escolhas de que interesses vai privilegiar. Tenho ainda menos ilusões a respeito da política externa de um governo Obama do que a respeito da política interna. Mas, como diz o filósofo esloveno Slavov Zizek em artigo publicado no domingo no caderno "Mais" da Folha, por mais que você seja cético, as palavras importam e são importantes sinais dos tempos.
Fonte: folha online

sexta-feira, novembro 14, 2008

Pilantropia


O procurador da República Pedro Antonio de Oliveira Machado cogita mover uma ação civil pública contra a medida provisória 446.
Trata-se da MP que, a pretexto de aperfeiçoar o modelo de gestão da filantropia, concedeu anistia a mais de 2.000 entidades envolvidas em desvios de verba pública.

Desvios estimados em R$ 2 bilhões. Dinheiro de contribuições e tributos. Verba que deveria ter sido aplicada no socorro a brasileiros carentes.

Pedro Machado integra uma força-tarefa do Ministério Público criada para esquadrinhar os meandros da pseudofilantropia.

Integram o grupo outros três procuradores federais: Lívia Tinoco, Carlos Henrique Martins e Anna Carolina Resende.

Em suas primeiras análises, Pedro Machado identificou na medida provisória que Lula acaba de editar uma afronta à Constituição.

O texto ofende o artigo 195 da Constituição, que trata do financiamento da seguridade social. O parágrafo 7º desse artigo anota o seguinte:

“São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei”.

Diz o procurador: “Ora, se o governo concede anistia sem analisar os processos pendentes de julgamento, deixa de verificar se as entidades cumprem as exigências legais...”

“Portanto, há desrespeito à Constituição, que condiciona a concessão de isenção tributária ao cumprimento do que determina a lei”.

De resto, o procurador pensa questionar a “urgência” e a “relevância” da medida provisória.

“Nesse caso, os conceitos estão invertidos. O que é relevante e urgente não é a anistia, mas o julgamento dos processos de entidades em situação flagrantemente irregular”.

Para Pedro Machado, a medida provisória do trem da alegria filantrópico lançou no ar uma pergunta cuja resposta é óbvia.

A pergunta: “A quem beneficia essa medida provisória?”

A resposta: “O alvo são as filantrópicas envolvidas em irregularidades. As entidades sérias não precisam de anistia. Essas teriam os seus certificados renovados”.

Pedro Machado participou de várias audiências públicas no Congresso. Discutiu-se nessas reuniões um projeto de lei de autoria do próprio governo.

Proposta elaborada justamente para mudar o modelo de controle público das filantrópicas. Numa das audiências, o procurador festejara um comentário do então ministro da Previdência, Luiz Marinho, hoje prefeito eleito de São Bernardo.

“O ministro disse que o governo poderia ter baixado uma medida provisória. Mas preferiu o projeto de lei porque o assunto merecia ser debatido com a sociedade...”

“...Disse que a opção pelo projeto era uma homenagem ao Congresso. De repente, surge essa medida provisória”.

O projeto a que se refere o procurador, agora superado pela MP, não continha a anistia às filantrópicas de fancaria.
Fonte: blog josias de souza

Materialismo Histórico


Em entrevista a cinco jornais italianos, Lula declarou:
1. "Depois de mim, quero que o Brasil seja governado por uma mulher”;

2. “A pessoa certa é Dilma Rousseff. Proporei ao PT indicá-la como candidata";

3. "Mas vencer não será fácil. Na política os cenários mudam rapidamente. E ainda faltam dois anos".

O presidente poderia ter acresentado mais uma trinca de frases. Coisas assim:

1. “Em um mandato e meio, mantive a estabilidade da moeda. Consegui isso porque reneguei teses do passado e resisti às pressões para retomá-las”;

2. “A crise financeira que nos infelicita exige um rigor fiscal que, por antipático, talvez dificulte a eleição da mulher de minha preferência”;

3. “A partir de 2009, talvez eu tenha que fazer, por pressão, coisas que não fiz por obrigação. Se tiver de optar entre a solidez da moeda e a eleição da Dilma, fico com a solidez da moeda”.

A eleição de 2010 será, desde 1989, a primeira disputa presidencial sem o nome de Lula na cédula.

Única palmeira do gramado petista, Lula indicará o nome que bem entender. Se optou por Dilma, será Dilma.

No afã de elegê-la, Lula pode ceder à tentação de jogar para a galera. Nesse caso, piscaria para a inflação e flertaria com o naufrágio.

Dono de um patrimônio político imensurável, Lula aproxima-se perigosamente da hora da decisão.

Apostando contra si próprio, Lula facilita a vida de Dilma. Mas envenena a própria administração.

Se Lula não apostar contra Lula, pode eleger ou não Dilma. Mas desce ao verbete da enciclopédia como presidente que pôs o país aidante do interesse eleitoral.
Fonte: blog do josias de souza

quarta-feira, novembro 12, 2008

O NAZISMO NO BRASIL

02.09.2008

Dilma cita nazismo em crítica a excesso de gramposA ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, parafraseou ontem um poema do teólogo alemão e militante antinazista Martin Niemöller para criticar a proliferação no Brasil dos grampos telefônicos.

- É aquela história sobre o nazismo. Primeiro, foram os judeus; depois, os opositores ao regime; na sucessão, o povo inteiro, disse Dilma.

A ministra, porém, afirmou que o Brasil ainda não chegou a atingir o grau de Estado policialesco, como se referiu o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, alvo de supostas escutas clandestinas.

Para Dilma, é necessário aperfeiçoar os mecanismos que regem as interceptações telefônicas

- É necessário regulamentar as condições em que a Justiça define a possibilidade de se fazer as escutas e ao mesmo tempo as condições em que elas são divulgadas, disse a ministra.

Dilma ressaltou que é importante evitar excessos, invasões de privacidade e ofensas às instituições da República.

- Foi o caso desse absurdo grampo do STF, que deve ser repudiado em todas as dimensões. Não há desculpas, não há justificativas, disse.

Questionada sobre a suspeita de que ela própria teria sido grampeada, Dilma afirmou que não tem conhecimento, mas ressaltou: "as coisas que eu falo ao telefone são absolutamente passíveis de serem escutadas". Ela disse, porém, que se deve condenar não só os grampos nas autoridades, "mas sobretudo no cidadão comum".

Comentário do Minuto:
Quem grampeou foi a Abin. A Abin é diretamente subordinada ao presidente Lula. E quem a ele é subordinado jamais iria investigar o chefe maior de um dos outros dois poderes da República sem a ordem expressa do chefe. Mas a especialidade deste presidente é arranjar aloprados para pagarem por suas mazelas.A ministra está certa: este é o governo mais nazista da história republicana brasileira.


Fonte: http://www.minutopolitico.blogspot.com/

Humor


A Boa


Imperador Chávez

A Venezuela apoiará grupos de resistência armada na Bolívia caso adversários do presidente Evo Morales dêem um golpe de Estado, disse na quinta-feira o presidente venezuelano Hugo Chávez, que assegurou que iniciaria qualquer tipo de operação para restituir ao poder aliados que sejam derrubados.

A Bolívia atravessa uma profunda crise política e social, em meio a violentas manifestações de oposição aos planos socialistas de Morales. Conflitos entre partidários do governo e da oposição já deixaram pelo menos três mortos e afetaram as exportações de gás natural para Argentina e Brasil.

Se matarem Evo, acreditem os golpistas que estariam me dando luz verde para apoiar qualquer movimento armado na Bolívia. Eu não teria nenhum problema", disse Chávez em um ato transmitido pela televisão.

Chávez acusa os Estados Unidos e movimentos locais de oposição em países aliados como Bolívia e Equador de orquestrar uma "ofensiva imperialista continental" para destruir suas políticas socialistas

"Se a oligarquia, dirigida, financiada e armada pelo Império, derrubar algum governo nosso teríamos luz verde para iniciar operações de qualquer tipo, para restituir o poder ao povo nestes países irmãos", acrescentou.

Entretanto, críticos dos governantes de esquerda acusam Chávez de tomar ações ditatoriais e de buscar imitar o comunismo cubano.

O próprio presidente venezuelano ordenou na quarta-feira a investigação de um suposto complô para assassiná-lo, depois que um programa da televisão estatal levou ao ar gravações de supostos militares aposentados que estariam organizando um plano para tirá-lo do poder e até matá-lo.(Por Enrique Andrés Pretel)

Fonte: http://www.minutopolitico.blogspot.com/

Comentário do Blog:

Mais um factóide do bufão. Chavez agora pretende criar "ameaças" no seu quintal, sim, seu quintal, pois Evito Morales, que recebe segurança pessoal foenecida por Chavez, e bilhões de dolares a fundo perdido, não está nem aí pra soberania da Bolívia quando se trata da Venezuela.
A realidade é que como aqui, nestas plagas, lá também se tem mais demagógos com um confuso e delirante discurso de esquerda que só pensam em se locupletar com o dinheiro do povão, este povão que recebe uns trocados do governo populista e ladrão, e quer que o mundo se dane.
Não há digniade nesta política atuyal da américa latina, só um festival de ladrões empunhando bandeiras de políticas sociais que sequer foram eles que idealizaram. Chavez, Evo e Lula não passam de estelionatários políticos, cujo objetico é e sempre foi se dar bem as custas de um discursinho popular para enganar ignorantes.

Na década de 80 a militancia de esquerda dizia que a ignorancia era alimentada pela burguesia para manter o "status quo", hoje são estes figuras ridiculas, que só atrasam o desenvolvimento de qualquer cultura que se destacam.

Aqui como lá a esquerda intelectual se vendeu. Artistas que antes se destacavam pela posições corajosas, hoje se vendem por financiamentos de peças e e filmes, de fatguramento estranho: jornalistas são agraciados com indicações para si próprios ou para parentes; músicos se vendem por qualqre financiamento de projetos invisóveis.

E assim se vai: 13 bilhões para alimentar os famintos, mais alguns bilhões para financiar artistas; mais alguns agrados aos jornalistas; mais refinanciamentos para jornais, revistas e tvs; um bom e saudável aumento aos funcionários públicos.

O Brasil, hoje, tem a cara do Brasil, não passamos de uma país pobre e ignorante dominada por uma elite que vis apenas se locupletar não importa quem esteja no poder.

Curtas

‘PAC da Segurança’ é um fracasso

A 48 dias do final do ano, o governo Lula aplicou irrisórios 21% dos R$ 1,4 bilhão previstos no Orçamento de 2008 para o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), lançado com pompa em agosto de 2007 no Planalto como o “PAC da Segurança”. A idéia foi do ministro Tarso Genro (Justiça), que depositou no programa a chance de viabilizar sua candidatura a presidente. Ambos os projetos fracassaram.

PSDB pede investigação sobre ações da PF e da Abin na Satiagraha

O PSDB vai ingressar com um pedido de investigação no Ministério Público Federal sobre as atividades da Polícia Federal e da Agência Brasileira de Inteligência durante a Operação Satiagraha. No requerimento que será encaminhado ao MPF, o partido afirma que “houve conduta ilícita” dos agentes públicos e pede uma investigação para esclarecer o funcionamento dos serviços de inteligência do governo na condução de escutas telefônicas. O objetivo é apurar, além da execução das escutas, a disputa interna entre a PF e a Abin em torno da Satiagraha. Os tucanos também defendem que as autoridades dos dois órgãos prestem novos depoimentos à CPI dos Grampos. O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), confirmou as intenções do partido.

Adeus, Milan

Ontem o presidente Lula pôs seus gélidos pés no caminho do Milan: na Itália, foi recepcionado por craques brasileiros do time. Adeus, título.

Jango será indenizado no sábado

Durante a Conferência Nacional dos Advogados, em Natal (RN), sábado (15), aniversário da República, a Comissão Itinerante de Anistia deve aprovar a concessão de indenização post mortem para João Goulart. A questão é histórica: a comissão apreciará o primeiro pedido de um ex-presidente. O processo é patrocinado pelos advogados Gilmar Stello e Osmar Paixão, representantes da viúva, d. Maria Tereza, e da família.

Supremo mantém infidelidade partidária

O Supremo Tribunal Federal decidiu manter a resolução do Tribunal Superior Eleitoral sobre fidelidade partidária: nove dios onze ministros votaram a favor e apenas dois contra a resolução. O julgamento na Suprema Corte durou pouco mais de duas horas. Para o TSE, deputados federais e estaduais e vereadores que mudaram de partido depois de 27 de março de 2007, e senadores, após 16 de outubro do mesmo ano, podem ser obrigados a devolver os mandatos para os partidos que os elegeram. Só foram contrários à resolução do TSE os ministros Eros Grau e Marco Aurélio Mello.


Citação infeliz

Causou calafrios a citação do jurista alemão Carl Schmitt pelo juiz Fausto de Sanctis, ao afirmar que a Constituição é só um papel e que os valores “somos nós”. Está no Google: o nazista Schmitt foi do Partido Nacional-Socialista e morreu muitos anos após Adolf Hitler. E nunca se retratou.

Dinheiro vivo

A compra da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil enfrenta um impasse: o desconfiado governador José Serra quer dinheiro vivo, à vista. O BB propõe uma troca de ações e parcelar em três anos a parte em dinheiro.

Barbado de molho

Lula acompanha com especial interesse a crise na indústria automobilística. Do jeito que a coisa vai, em 2010 vai ser difícil conseguir emprego para torneiro mecânico desempregado.

Pensando bem...

...depois do Bolsa-família para os pobres, nasce o "Bolsa Fom-fom" para as ricas montadoras de automóveis.

segunda-feira, novembro 10, 2008

Charadinhas

1- O que o ponteiro grande do relógio disse para o ponteiro pequeno?

Resposta: Um minuto, por favor.

2- Qual a diferença do viagra para o vinagre?

Resposta: O vinagre pra verdura, o viagra pra ver duro.

3- Por que fábrica de calçados não funciona em Brasília?

Resp: Por falta de couro parlamentar

4- Um casal de noivos conversava. Ele argumentava que só se casaria se ela fosse virgem. Ela dizia que isto era irrelevante diante do amor existente entre eles. Qual o nome do filme?

Resp: Independe Se Dei.

5- Onde a mulher tem o cabelo mais crespo?

Resp: Na África.

6- Qual é o animal que não vale mais nada?

Resp: O javali.

7- que nasce a soco e morre a facada?

Resp: O pão.

8- O que todo mundo tem, mas quando precisa vai ao mercado comprar?

Resp: Canela.

9- Como se chamava o homem que criou o presépio?

Resp: Armando Nascimento de Jesus

10- O que Deus falou depois de ter feito o homem?

Resp: Eu posso fazer coisa melhor!

Humor


Diogo Mainardi


Como foi que eu me tornei um Nando Mericoni?


Nando Mericoni é o personagem de Alberto Sordi em Um americano em Roma. Nota de rodapé número 1: o filme é de 1954. Nota de rodapé número 2: foi feito por Steno, um dos diretores mais subestimados de todos os tempos, aquele que fez os melhores filmes de Totó. Nota de rodapé número 3: um de seus roteiristas é Ettore Scola, bem antes de os franceses o estragarem, convencendo-o a abandonar a comédia. E agora chega de notas de rodapé.


trama de Um americano em Roma é elementar. Aliás, já está perfeitamente resumida no título. Nando Mericoni, um inútil que mora com os pais num bairro popular de Roma, mitifica patologicamente os Estados Unidos. Seu sonho é se transferir para lá. Ele imita os americanos em tudo. Usa jeans e boné de beisebol. Prega nas paredes cartazes de Joe di Maggio. Com sua motocicleta, na periferia de Roma, finge ser um policial de Kansas City. Fala uma língua macarrônica, que mistura o dialeto romano com um ou outro termo equivocado em inglês.


Uma noite, Nando Mericoni chega em casa esfaimado. Em vez de comer a macarronada preparada pela "mommie", ele mistura num prato geléia, iogurte, mostarda e leite frio porque, segundo ele, comendo isso os americanos "Jim e Joe" derrotaram os apaches. Depois de cuspir enojado a primeira colherada, ele decide atacar impetuosamente a macarronada, com seus modos de caubói, dizendo: "Você me provocou, eu te destruo, macaroni. Verme, vou te comer". É uma das cenas mais manjadas - e mais reprisadas - da história do cinema italiano.


E eu? Como pude regredir tanto assim, passando do americanismo erudito de Tocqueville e Raymond Aron, de 20 anos atrás - ou de 25 anos atrás -, ao meu atual estilo Nando Mericoni? Quando enfiei o uniforme de policial de Kansas City e me transformei nessa espécie de americano em Ipanema? Os Estados Unidos haviam acabado de libertar a Itália de Nando Mericoni da tirania nazista. Hoje em dia, deve haver alguém igual a ele na periferia de Faluja, no Iraque, mascando chiclete e com bracelete de couro. O meu caso é mais peculiar. Com o empobrecimento do debate político, só me restou defender a imagem idealizada e simplificada do sistema americano. Sou o Nando Mericoni da geopolítica.


No fim de Um americano em Roma, o personagem de Alberto Sordi sobe no Coliseu e promete suicidar-se caso não o levem para os Estados Unidos. Eu estou como ele, metaforicamente pendurado no parapeito da janela, tentando migrar para um universo imaginário, onde Jim e Joe sempre derrotam os apaches.


Fonte: vejaonline

Humor


Diogo Mainardi

Barack Obama ganhou. Eu perdi

Barack Obama ganhou. John McCain perdeu. Eu perdi com ele. Estou acostumado a perder. Meus candidatos quase sempre perdem. Quando um deles ganha, sempre dá um jeito de me envergonhar imediatamente. Por isso, é melhor assim. É melhor perder.

Barack Obama ganhou de John McCain em praticamente todas as categorias sociais: eleitores com mais escolaridade, eleitores com menos escolaridade, negros, latino-americanos, mulheres casadas, mulheres solteiras. Ele só perdeu entre os homens brancos. Alguém muito tolo poderia acusá-los de racismo. Mas nos Estados Unidos o que acontece é exatamente o contrário: é o homem branco votar num candidato mulato apesar de acreditar que o candidato branco se sairia melhor no papel de presidente. Alguém muito tolo poderia imaginar que os homens brancos de Indiana, depois de fechar suas farmácias e suas lojas de ferramentas, colocam um capuz pontudo e saem por aí linchando os negros. Repito: alguém muito tolo. O debate racial nos Estados Unidos está mais para A Mancha Humana, de Phillip Roth, do que para O Homem Invisível, de Ralph Ellison. O que menos importa em Barack Obama é sua mulatice. Ele próprio acredita nisso. Ridiculamente, ele está sendo tratado por todos como um Nelson Mandela, e os Estados Unidos, como uma África do Sul dos tempos do "apartheid". Calma. Muita calma.

Em seu primeiro discurso, na noite em que foi eleito, Barack Obama se comprometeu a resolver todos os conflitos internacionais sem recorrer ao poderio militar americano. Se a Igreja Católica se arrependeu publicamente de ter queimado Giordano Bruno, agora os Estados Unidos se arrependeram publicamente de ter enforcado Saddam Hussein, o herege copernicano das arábias.

A imprensa americana errou na guerra do Iraque, publicando os relatórios passados pela Casa Branca e pelo Pentágono sem checá-los, sem apurá-los, sem investigá-los. Com Barack Obama, ela repetiu o mesmo erro. A imprensa pode apoiar um candidato, como apoiou Barack Obama, mas sem permitir que esse apoio interfira na cobertura dos fatos. O partidarismo dos jornais e das TVs contra os republicanos me incomodou tanto que, a certa altura, eu já estava defendendo apaixonadamente o Criacionismo.

Quando Barack Obama foi eleito, protestei dormindo com um abajur aceso. Pensei que meu ato ajudaria a derreter a calota polar, inundando a sala de estar de um ou dois colunistas do New York Times. Depois me lembrei que eu também moro no litoral. E desliguei o abajur. Fui derrotado. Outra vez

Fonte: vejaonline

Reinaldo Azevedo

ELEIÇÕES NOS EUA: DE FATO E DE FICÇÃO

Eu poderia começar o texto assim: “Fico impressionado que a decisão de tratar Barack Obama como um político do establishment americano seja considerada ou um erro de análise ou uma forma de subestimar o Advento”. Mas, de fato, isso não me impressiona. Joyce dizia que o escritor pode fazer uma história extraordinária a partir de um evento banal; o jornalista, coitado, segundo ele, faz o inverso: transforma o extraordinário numa banalidade. Parece haver muita gente tentando escapar da, sei lá, maldição joyciana: nestes dias, o jornalismo foi para o brejo. E estamos às voltas com muita literatura — má literatura. E é má porque a sacada de Joyce é boa, mas errada. O que faz o bom texto literário não é a história, banal ou não, mas a linguagem. E jornalistas quase nunca são bons ficcionistas.
Vi ontem Diogo Mainardi no bom time do Manhattan Connection, acrescido do convidado Pedro Bial, esforçando-se para tratar Barack Obama como um político comum, que tem começo e meio — origem e presente —, mas, naturalmente, ainda sem fim. Mesmo naquela equipe bastante treinada, parecia pesar no ar certa suspeita de que ele se esforçava para ser “do contra”, para não reconhecer o tal “fato histórico”. Nos jornais brasileiros deste domingo, não há dúvida: o mundo não será mais o mesmo depois da eleição de Obama. Já há gente especulando sobre a herança que deixará!!! Neste blog, há a turma de sempre, acrescida, neste particular, de outros tantos, que me acusam de não admitir uma revolução óbvia.
E qual é o ponto em que tenho insistido aqui desde sempre, especialmente depois que se conheceu o resultado das urnas e que ficou claro que, caso se faça a clivagem do eleitorado pela cor da pele, Obama foi eleito pelos brancos? Obama não mudou nem está mudando a América. A América já havia mudado — só seus detratores não viam — e, por isso mesmo, elegeu o democrata. E, como toda mudança virtuosa, não se tratou de nenhuma revolução, mas de uma reforma lenta.
DE MANEIRA COMPROVADA, para uma larga parcela (quase metade) da esmagadora maioria branca que votou, a cor da pele é irrelevante quando se trata de governar o país: 43% escolheram Obama. Mas atenção: deve-se supor que, entre os 55% desse grupo que votaram em McCain, há quem o tenha feito por fidelidade ao partido e porque o considerava mais competente e preparado. A suposição de que tenham escolhido o republicano só porque Obama é “bronzeado”, como diria Belusconi, faz supor que o democrata era o dono natural do voto e que só o desvio e a má fé levariam alguém a sufragar outro nome. Ora...
Sabem o que existe de realmente formidável nessa história, não estivessem os jornalistas e pensadores tão empenhados em fazer má literatura? O propalado “racismo” nos EUA se tornou, no que concerne à política ao menos, residual. Não é possível precisar quantos brancos votaram em McCain só porque ele é branco. Mas é possível saber que 95% dos negros que votaram escolheram Obama: quantos o terão feito porque ele é negro? Quantos o terão feito porque ele lhes parecia mais competente? Em casos assim, sempre pergunto: fui claro ou preciso desenhar?
Os argumentos falaciosos vão se multiplicando na imprensa, e o mau hábito de se deixar pautar pelo politicamente correto torna os jornalistas ligeiros. Outra tolice é sustentar que, não fosse o desastre do governo Bush, não se elegeria um negro de jeito nenhum. É o que chamei aqui de coisa de “vigaristas da dialética”. Paremos um pouco para pensar as implicações de tal hipótese:- ora, fosse o governo Bush considerado bom, talvez não se elegesse é um democrata: preto, branco ou vermelho;- por que uma situação de crise extrema favoreceria um negro?
Hipótese A – Racismo virtuoso: negros são mais hábeis em situações de crise;
Hipótese B – Racismo vicioso: Bush foi tão ruim, que decidiram eleger um negro só pra lhe aplicar uma lição.
O que boa parte da imprensa está fazendo até agora é abanar a cauda (ver post abaixo) para os lemas publicitários do democrata. É claro que uma das mensagens implícitas em seu “change” aludia à cor da sua pele, e isso criou um fenômeno de massa que talvez se tenha propagado na forma de uma interrogação moral: “Você deixaria de votar nele só porque é negro?” Como se não se pudesse deixar de fazê-lo porque, por exemplo, ele era (é) inexperiente. Esse “change” foi assumindo os mais variados significados: Bush é belicista, Obama prefere a paz; Bush gosta de guerra, Obama prefere a diplomacia; Bush prejudica a imagem dos EUA no exterior, Obama vai recuperá-la; Bush é ignorante, Obama é intelectual. E, de fato, acima de todas as outras: Bush fez a crise econômica; Obama vai resolvê-la.
E note o leitor que o barulho que se faz no mundo com a eleição de Barack Obama não é exatamente eco do que se deu na América. O sistema eleitoral permite a vitória acachapante em número de delegados, mas não custa lembrar que o candidato mais midiático da história americana obteve apenas 52,6% dos votos totais, contra 46,1% de McCain, o “velho”, que tinha uma vice “idiota” e que encarnava a “continuidade” do governo Bush. Isso quer dizer que quase a metade dos americanos não se deixou arrastar pela avalanche. Como é que Obama, lembrando seu próprio discurso, vai unir os americanos? Será que vai cumprir a pauta imaginária da turma do miolo mole, que o confunde com uma pomba da paz?
Vai aqui só uma questão do que eu chamaria de lógica complexa: é bem provável que ele busque acenar mais para aqueles 46% que o rejeitaram do que para os 52% que o elegeram. Num sinal evidente de que a América mudou, felizmente, para ficar igual. Porque, de fato, já havia mudado.
Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo na Veja