quarta-feira, dezembro 27, 2006

Coisas de Família

27/12/2006
No vermelho, empresa de filho de Lula projeta expansão
RUBENS VALENTEda Folha de S.Paulo

A Gamecorp, empresa do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luis Lula da Silva, 31, trabalha com a previsão de zerar seu prejuízo até o segundo semestre de 2007, segundo o diretor-presidente da empresa, Leonardo Badra Eid. Em 2005, a Gamecorp informou ter acumulado prejuízo de R$ 3,47 milhões.Conforme divulgou "O Estado de S. Paulo" na última segunda-feira, a Gamecorp publicou no "Diário Oficial" do Estado o balanço do ano de 2005 no último dia 23, sábado.Por conta do prejuízo, o patrimônio líquido da empresa passou de R$ 5,2 milhões, no início daquele ano, para R$ 1,73 milhão, em dezembro.Em janeiro de 2005, o grupo Telemar investiu R$ 5 milhões na empresa por meio de uma compra de debêntures conversíveis em ações. O capital social da empresa era de apenas R$ 10 mil. Além de Fábio Lula, também era sócio Fernando Bittar, filho do ex-prefeito de Campinas (SP) Jacó Bittar.A operação tornou a Gamecorp alvo de críticas da oposição porque a companhia telefônica Telemar é concessionária do serviço público e fiscalizada pelo governo federal.Mesmo após o prejuízo de 2005, a empresa investiu mais R$ 5 milhões no negócio em 2006, agora em contratos de publicidade.Segundo o presidente da Gamecorp, Leonardo Eid, o prejuízo em 2005 já era "esperado". "Não tem como você começar um negócio inovador já dando lucro. A própria MTV no começo, por exemplo, demorou quatro, cinco anos para ter lucro", disse o executivo."Nós temos uma previsão, e isso estava dentro do nosso planejamento inicial, de estar zerando, de chegar ao "break-even" [ponto de equilíbrio], no segundo semestre de 2007, isso estava previsto desde o começo", afirmou Eid.O diretor-presidente da Gamecorp disse que não poderia revelar quanto cada sócio retirará após eventuais lucros da empresa."Eu não posso te falar, mas garanto que é abaixo do mercado, pelas informações que a gente tem", disse Eid.O diretor-presidente disse que os negócios da empresa deverão crescer no próximo ano."Hoje a gente entra em 2007 já com uma programação consolidada, temos uma previsão forte de receita de interatividade, nossa programação vai ser mais ainda interativa, e algumas receitas marginais também, conteúdo para celular, internet", disse Eid.Eid afirmou que os custos que levaram ao prejuízo em 2005 são "diluídos": "Nosso maior gasto é com mão-de-obra na produção, intensiva. Basicamente [os custos] estão diluídos, não tenho nenhum item significativo".


Fonte: folha online

segunda-feira, dezembro 25, 2006

Kennedy Alencar

21/12/2006
Pacote é tiro no pé

Depois de descer ao inferno político do mensalão e do dossiegate, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reelegeu no segundo turno com votação esmagadora --60,83% dos votos válidos. Pesquisa Datafolha o apontou como o presidente mais bem avaliado da história do país. E o levantamento CNI-Ibope revelou que Lula chegou ao final do primeiro mandato com o melhor índice de avaliação do seu governo.Ora, estava bom demais. Era preciso criar algum fato negativo, tropeçar nas próprias pernas. E Lula não hesitou. Com ajuda do voluntarismo dos defensores do "fim da era Palocci", caiu em duas armadilhas: prometer meta de crescimento de 5% ao ano e elaborar um pacote para "destravar" a economia.Na semana passada, Lula desembarcou dos 5%. Passou a cogitar taxa menor em 2007 para o PIB (Produto Interno Bruto, a soma de todas as riquezas produzidas no país em um ano).Na manhã de terça-feira (19/12), Lula manifestou dúvida em relação ao anúncio do pacote na quinta. Achava que algumas coisas não estavam amarradas. Sabia que seria politicamente desgastante o adiamento. Mas, na quarta, adiou mais uma vez o prometido pacote. Avaliou que pior seria vê-lo destruído pela mídia, transformando-se num fato negativo ainda maior neste final de ano.De acordo com ministros, Lula não está convencido de que as medidas destravarão a economia. Acha que poderia sinalizar afrouxamento fiscal em excesso. E julgou que algumas medidas eram apenas idéias (simplesmente não existiam).Menos mal que tenha adiado. Melhor do que anunciar um pacote inconsistente. Intuitivo, Lula bancou um salário mínimo de R$ 380, desautorizando o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Com isso, fica bem com o povão. Reforça seu capital político e ganha tempo para tentar sair da enrascada em que se meteu.Após a recaída voluntarista, Lula redescobriu que foi a sua política econômica, com seus acertos e erros, que lhe permitiu atender aos pobres nos últimos quatro anos e obter a aprovação que obteve nas urnas e nas pesquisas.

Perguntar não ofende
Uma indagação: se a política econômica de Antonio Palocci Filho era tão ruim assim, por que Lula se reelegeu contra tantas dificuldades?

Sem susto
Uma das melhores heranças econômicas do governo FHC foi o fim das mudanças repentinas na economia. O sucesso do Plano Real acabou com os pacotes que apareciam de repente para infernizar a vida dos cidadãos. Essa idéia de pacote para destravar o crescimento no segundo mandato gerou um grau de incerteza econômica que parecia coisa do passado.Também foi um erro político. Bondades devem ser anunciadas aos poucos. E maldades de uma vez. Esse pacote parecia trabalhar com lógica inversa.

Nunca antes neste país
De acordo com um ensinamento político, não existe ministro da Fazenda fraco. No entanto, o governo Lula inovou mais uma vez. Nunca antes neste país houve um ministro da Fazenda tão fraco como Guido Mantega. Lula decidiu mantê-lo. Talvez justamente por isso.O presidente diz que Mantega lhe foi fiel a vida inteira. Nunca o abandonou, especialmente no tempo das vacas magras. E, mais importante, o obedece cegamente, mesmo que tenha de ser fuzilado politicamente. Ok. São pontos "favoráveis" à sua manutenção.Mais uma perguntinha: ele está à altura da tarefa?

Fonte: folha online

Eliane Cantanhede

20/12/2006
O suicídio do Congresso

A atual legislatura chega ao fim como começou: mesclando escândalos, impunidade e autoconcessão de benesses. Como diz o ditado, "pau que nasce torto..."O aumento de salários é não apenas escandaloso como um conjunto absurdamente inacreditável de erros, inclusive políticos, de avaliação: 1) o índice de 91% é acima de qualquer razoabilidade. 2) foi decidido pelas Mesas da Câmara e do Senado, sem passar pelo plenário. 3)veio combinado com a discussão sobre o salário mínimo, limitada ao corta-não-corta umas migalhas dos miseráveis. 4)e quando a classe média (que faz opinião pública) anda meio desconfiada e sofrendo os desconfortos da crise dos aeroportos nos feriados e no fim de ano.E, enfim, o aumento dos parlamentares veio num momento de enorme descrédito das instituições políticas, coroando quatro anos de mensalões e sanguessugas, em que o Congresso pagou todo o pato, e Lula foi reeleito com 60% dos votos. Ou seja: o Executivo passou incólume. O desgaste de fazer corresponde ao desgaste de terem de desfazer. O Congresso fez, a opinião pública se rebelou, o Supremo desfez, sob alegações menos morais e mais legais. O que acrescenta um novo erro da cúpula parlamentar: além de absurdo e escandaloso, o aumento foi uma ilegalidade cometida justamente por quem vota as leis --e em seu benefício. Estamos no limite do non-sense.Agora, a lambança se completa com o vota-não-vota o aumento no plenário, com o quando vota, com o fica em 20, fica em 18, fica em 16. E isso não muda nada, muito menos reduz o imenso desgaste.O atual Congresso acaba como começou, e o "novo Congresso" vem aí, sem Sigmaringa, sem Delfim, sem Paulo Delgado, sem Sérgio Miranda, sem Denise Frossard, sem José Thomaz Nonô, sem Greenhalgh, sem Jandira Fegalli... Mas com Clodovil e Maluf.Ou seja: as perspectivas não são exatamente alvissareiras. No mínimo, o Congresso tende a continuar igual. E sempre pode piorar.Mais importante do que o fato é o efeito. Enquanto Lula e seu governo passam ao largo de todos os escândalos e denúncias, o Congresso patina na lama. O resultado é que o cidadão está ficando enojado e cada vez mais irado, mas perdoa ou esquece o Executivo e se concentra no Legislativo, como fica evidente principalmente pelo mais novo e poderoso agente político: a internet. As ruas estão calmas, impassíveis. A internet está fervendo.O que se projeta nesse quadro é um fortalecimento do Poder Executivo, com um presidente que "pode tudo", e um esgarçamento do que resta do Poder Legislativo. Foi exatamente isso que ocorreu na Venezuela, na Bolívia, no Equador. Hugo Chávez, Evo Morales e Rafael Correa assumiram o poder com uma força popular extraordinária e a primeira coisa que fizeram foi fechar o Congresso na prática, dourando a pílula com a convocação de uma Constituinte. Equivale a dizer: jogando fora o que está "podre" e reinstalando a república com os seus e a seu jeito.Os motivos existem em profusão. As conseqüências é que são preocupantes.


Folha: folha online

Fernando Henrique Cardoso

24/12/2006
País não tem agenda nem rumo, mas Lula teve sorte, diz FHC
RENATA LO PRETEeditora do Painel da FolhaFERNANDO DE BARROS E SILVAeditor de Brasil da Folha

Aos 75 anos, o ex-presidente diz que seu sucessor não tinha no primeiro e continua sem agenda para o segundo mandato --tem apenas uma "aspiração geral". Fernando Henrique Cardoso ainda vê Luiz Inácio Lula da Silva como um símbolo das possibilidades democráticas e sociais do país, mas um símbolo hoje maculado por escândalos e diminuído pelo exercício do poder "como fruição". FHC entende os governos do PSDB e do PT como um caso de "concertação por antagonismo", ou seja, de continuidade na economia sob a retórica da ruptura e do confronto. Na entrevista que segue, o sociólogo volta a apontar o apego ao Estado como causa e sintoma do capitalismo atrasado que, segundo ele, precisa ser passado a limpo pelo país.

FOLHA - O sr. acha que o presidente Lula estava brincando quando disse que quem é de esquerda depois dos 60 "tem problemas"?
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO - Não foi brincadeira. Foi uma expressão espontânea para um sentimento que é popular. As pessoas dizem: "quando fica mais velho, toma juízo". O Lula disse o que sente sobre a própria trajetória: ficou mais perto do que ele chama de centro. Mas é curioso que o centro, para ele, seja o Delfim Netto.

FOLHA - Por quê?
FHC - Porque o Delfim, para quem lutou contra o regime militar, é simbólico. Ainda mais simbólico para quem lutou contra o arrocho salarial. Não estou acusando o Delfim. Parece-me apenas que o Lula baixou demais a guarda.

FOLHA - O sr. acha que a política brasileira é definida por acordos entre forças vistas como avançadas e outras vistas como atrasadas?
FHC - Sim. Somos um país desigual do ponto de vista econômico e injusto do ponto de vista social. Isso coloca um desafio para quem governa. O setor mais progressista, sintonizado com as formações democráticas e com os avanços da economia, é geralmente minoritário. Mas o problema é outro. É ter ou não capacidade de, ao fazer a aliança, imprimir um rumo. Lula perdeu o rumo. Antes de os escândalos virem a público, já se via que a agenda no Congresso não era renovadora.

FOLHA - O sr. vê alguma mudança substantiva em relação à montagem do segundo mandato?
FHC - Estamos de novo botando o carro antes dos bois. Qual é a proposta? Qual é a agenda? Não está claro. Sem isso, como é que se faz um acordo? Com cargos, com posições nos ministérios. Mas vai fazer o quê? Não se discutiu até agora. Discutiu-se uma vaga aspiração de 5% de crescimento na economia. Se você quer 5%, melhor querer logo 10%. Isso não é agenda. Isso é aspiração geral.
FOLHA - E o pacote econômico, que teve seu anúncio adiado...
FHC - Pois é. Que pacote é esse? Nem o governo sabe. A aliança não foi feita para esse pacote.

FOLHA - Por que nenhum de seus aliados defendeu na campanha as privatizações de seu governo?
FHC - Durante anos o PT bateu na tecla de que a privatização era contra o interesse nacional e que houve "privataria", bandalheira. Isso foi repetido, e não reagimos corretamente.

FOLHA - Por quê?
FHC - Não fizemos a revisão das nossas posições político-ideológicas. Continuamos funcionando na mentirinha, como se fosse possível ter, no mundo moderno, um Estado que se ocupe de tudo o que é investimento produtivo. Como se bom mesmo fosse o capitalismo estatal ou o socialismo estatizante. Esse modelo de Estado onipresente é ainda a ideologia média. As pessoas preferem o Estado ao mercado. Todos. No fundo, nossa ideologia básica, embora não explicitada, é que bom mesmo é uma sociedade igualitária, sem mercado, bancos, juros, onde só tenha Estado. É não-capitalista.

FOLHA - Isso é mais PT ou PSDB?
FHC - É mais evidente no PT, mas quando o PT critica o PSDB, calamos a boca. É preciso retomar o discurso feito pelo Mário Covas de 1989, o do "choque de capitalismo". As pessoas preferem um capitalismo atrasado a um capitalismo avançado --e pensam que é por serem de esquerda. Não se dão conta de que a esquerda não está em jogo aí.

FOLHA - O país pode crescer de forma expressiva com a combinação de juros altos e câmbio apreciado?
FHC - A questão do câmbio é delicada. O governo tem poucos instrumentos. Vai fazer com que o Banco Central compre mais reservas? Aumenta a dívida. Vai fixar o câmbio e ser, de novo, submetido a pressões especulativas? Não vejo como. Seria melhor um câmbio com menos valorização, mas como você chega lá? Aumenta a importação? Afeta a indústria. Talvez pudesse ter sido melhor e não chegar a esse ponto, mas qual é o instrumento que você tem? Tem que aumentar a produtividade. Crescimento é isso: investimento com aumento de produtividade. E essa produtividade tem que ser não só física, mas humana --e aí entra, por exemplo, a educação.

FOLHA - O Lula está num ponto do caminho que o sr. já viveu. Daqui em diante, para onde ele vai?
FHC - Sempre ganhei no primeiro turno, o Lula nunca. Mas o importante é que ganhou. Agora, ninguém sabe o que vai acontecer. O Lula teve mais sorte do que eu. Pegou um vento favorável. Eu peguei contra na situação internacional. E o momento da reeleição foi o pior. Isso não ocorre agora. Não tem problema externo. A questão do segundo mandato é política. Como não tem mais reeleição, a partir do segundo ano todo mundo começa a olhar para a frente.

FOLHA - No petismo, há quem opine reservadamente que não seria absurdo mudar a Constituição para permitir outra reeleição... FHC - No Brasil isso é inviável. Haveria uma oposição muito forte. É possível que o pensamento não democrático exista em alguns setores, mas não acredito que o Lula entre nisso. Não o vejo dessa maneira. Ele gosta do poder. Tudo bem, eu também gosto. Mas o Lula é conservador. Isso implicaria quebrar lanças.

FOLHA - E o exemplo venezuelano?
FHC - O Chávez é um militar. Ele salta as instituições e vai direto às massas. O Lula é um líder sindical, ele mais negocia do que quebra. Setores do PT podem até sonhar com isso. Mas acho que as instituições brasileiras são mais sólidas do que em outros países. Na Argentina, o Menem tentou, mas não conseguiu. Não é fácil.

FOLHA - Resultados eleitorais recentes na América do Sul vão na contramão da agenda que estava em vigor na região quando o sr. foi presidente. O que que aconteceu?
FHC - No que diz respeito ao modelo econômico, não houve mudança. Houve paralisação, não alteração. Chávez não propõe nenhum modelo. O Peru não mudou nada, Colômbia não mudou nada, Argentina tampouco, Uruguai tampouco.

FOLHA - Houve no mínimo uma mudança no perfil dos governantes.
FHC - Isso sim. O que aconteceu foi o seguinte...

FOLHA - A América profunda...
FHC - É um pouco isso, e um pouco também que esses governos se esgotaram no passado. O governo da Venezuela se esgotou. O Chávez é conseqüência do esgotamento do sistema anterior, um sistema que não produziu resultados para o povo, que se desmoralizou. Na Argentina também. Houve, em larga medida, um cansaço. O Menem, no auge do seu neoliberalismo, era popular. A perda de popularidade veio depois, quando o sistema mostrou sua incompetência para gerenciar as questões sociais. Agora, raciocine pelo outro lado: qual é o país que conseguiu manter um modelo econômico de eficiência e melhorar a situação social? O Chile. A redução da pobreza lá é grande. A melhoria da educação é notável. Mas o Chile é assim fazendo reformas, mantendo uma coerência. Não acho que se deva julgar em bloco um vendaval da América Latina.

FOLHA - Nesse quadro, qual é a especificidade do caso brasileiro?
FHC - É curioso. Houve continuidade no setor econômico, apesar da retórica. É como se tivesse uma concertação por antagonismo. É uma questão política, outra vez. E aí o PT teve a virtude de convencer o país de que precisava mudar tudo. Não mudou nada, mas convenceu de que precisava mudar tudo. A política tem sua autonomia. Ela não depende só dos condicionantes econômicos e sociais.

FOLHA - O que caracteriza o Lula?
FHC - Primeiro, simbolicamente, o fato de uma pessoa nordestina, pobre, de origem sindical ter chegado à Presidência. Isso é importante para o Brasil. Acho que esse lado simbólico é uma janela de democracia. Em segundo lugar, o que sobreviveu disso foi o sindicalismo. Quem está no governo hoje? Sindicalistas. Não são os ideológicos do PT. Não é a esquerda católica. Uma boa parte, aliás, foi embora do PT. Ficou o sindicalismo. Não é peronismo nem getulismo. Quando Perón e Getúlio puseram para dentro os sindicatos, havia mudanças muito grandes na sociedade, velocidade de mobilidade social, de crescimento. Agora não há nada disso. Os sindicalistas subiram e não carregaram a classe trabalhadora. Não deixa de ser uma democratização social. Pessoas que nunca tiveram nada a ver com o poder estão no poder. Fazendo algumas bobagens, mas estão lá. Não vejo isso com olhos negativos. Sou democrata. O Brasil precisa de mais igualdade. Tem pessoas que são rudes no manejo, mas...

FOLHA - Lula é um democrata?
FHC - Acho que, basicamente, sim. Mais ou menos. Ele não tem muita noção de certas coisas. Fez há pouco uma declaração agradecendo ao povo, que o elegeu "sem intermediários". Essa não é uma frase democrática. Ele nem sabe que não é. Ele pensa que é genuíno, autêntico. Mas ele não é antidemocrático. Ele pode não saber certas coisas, mas não acho que ele seja uma personalidade anti-institucional, digamos assim.

FOLHA - E o PT?
FHC - O PT é mais antidemocrático, na essência, por causa da visão originária, do espírito revolucionário, leninista. Mais importante é o fim do que os meios. Mas também é diluído. Não há PT, existem vários setores. Mas há um núcleo duro que pensa "pode mudar a Constituição, nunca mais alguém tão bom quanto nós vai estar lá". Essa idéia é antidemocrática, é elitista. É a versão popular da visão tradicional do que é o mando arbitrário.

FOLHA - Os escândalos abalaram o símbolo que o sr. descreveu?
FHC - Lamento que o comportamento do Lula na Presidência, a cada momento, jogue para baixo o símbolo. O envolvimento, não dele, direto, mas muito próximo a ele. Essas facilidades, essa visão do poder como fruição. É ruim, porque esse símbolo devia ter força, não devia se permitir frouxidão. Isso de passar a mão na cabeça do pessoal dele: "Ah, os meninos são aloprados". Como aloprados? São criminosos.Esse espírito de companheirismo, esse é o homem cordial que o Sérgio Buarque de Holanda criticava. É o homem do impulso, não é o homem da regra geral. É contra a democracia.

Fonte:folha online

A evolução da demagogia

25/12/2006
Lula cria vocabulário próprio em discursos
EDUARDO SCOLESEPEDRO DIAS LEITEda Folha de S.Paulo, em Brasília

O "dado concreto" é que "nunca na história deste país" um presidente esteve tão "convencido" de que não existe "mágica na economia", seu governo está fazendo uma "revolução na educação" e o "século 21 será da América Latina" --e tudo isso é "extraordinário".

Os termos e as expressões acima são algumas das mais comuns nas 1.127 falas oficiais, a maioria delas de improviso, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez até o último dia 15 em seu mandato.

Em discursos, pronunciamentos ou declarações, ele recorreu a elas centenas de vezes para embasar sua retórica, diante de platéias tão distintas quanto sem-terra e banqueiros, seja em lançamentos de obras ou balanços de programas.

A média de Lula é próxima a um discurso a cada dia útil da semana. Já houve casos em que o petista falou ao microfone por quatro vezes num intervalo de 12 horas. Neles, adotou artifícios retóricos, amparou-se largamente nas metáforas, principalmente nas futebolísticas, e demonstrou habilidade oratória e espontaneidade ao deixar seu linguajar acessível a todas as classes sociais.

Mas a quantidade de improvisos e de discursos longos, alguns deles com mais de 40 minutos, também acarreta inconvenientes ao presidente, como gafes, inflação de ações e de promessas de governo e descontrole nos ataques à mídia e à oposição. Na semana passada, por exemplo, Lula causou reação negativa em políticos, acadêmicos e personalidades ao dizer que pessoas com mais de 60 anos que permanecem de esquerda têm problemas.

Vocabulário

Expressões como "dar um cheiro", "bala na agulha", "nego pisa na canela", "café no bule" e "colher de chá" são comuns em suas falas, assim como locuções latinas, como "sine qua non", "pari passu" e "sui generis", e um vocabulário específico no qual busca uma sintonia com os presentes, como "bagrinho", "cascudo", "cavoucar", "desgramado", "véio", "véia", "jumbão", "léguas", "matutando", "taco" e "urucubaca".

Lula, por exemplo, repete que "dor de dente é coisa de pobre" e somente são contra a transposição das águas do rio São Francisco aqueles que abrem a geladeira e têm "água francesa Perrier".

Para Célia Ladeira, 60, professora da Faculdade de Comunicação da UnB (Universidade de Brasília) e especialista na análise de discursos, Lula adquiriu um vocabulário próprio ao longo dos anos e o utiliza de forma empírica em suas falas como presidente.

"Não há falsidade em seu jeito de se expressar. De tanto ouvir ou de ler o que foi escrito por seus conselheiros, ele adquiriu um vocabulário próprio, se colocando no mesmo nível social das pessoas.

"Em cima de um palanque, Lula se transforma, principalmente em eventos com a presença de sindicalistas, metalúrgicos e movimentos sociais. É comum iniciar um discurso num tom de voz baixo, prometendo falar pouco e garantindo que apenas lerá algumas palavras sem atacar ninguém.

Mas, passados alguns minutos, o presidente joga o texto fora, discursa aos gritos e de improviso e, em clima de histeria dos presentes, ataca ferozmente seus opositores. "Ele utiliza essa capacidade de dizer o que sente, fazendo isso de forma bem inconsciente, primitiva e autêntica. Outros políticos tentam fazer o mesmo, mas com um objetivo calculado de adotar o estilo para conseguir algo em troca", diz a professora.

Até o portunhol chegou aos discursos. Na América Latina, para buscar aproximação com os presentes às solenidades, Lula costuma usar palavras em castelhano. Exemplos: "Tinham o direito de gritar que estavam com hambre [fome], mas não tinham o direito de comer" e "Vim aqui [na Venezuela] em 2003. Hace [faz] três anos, esta ponte estava apenas começando".

Inês Signorini, 55, professora de lingüística aplicada da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), afirma que Lula se convenceu de que seu modo de falar é adequado e, ao longo dos anos, foi aprimorando seu estilo, sem vestir uma máscara.

"A língua dele está em processo, agregando palavras", diz a professora, que afirma enxergar uma evolução nas falas de Lula, numa comparação com tempos de sindicalismo e de candidato petista nos anos 80 e 90. "Hoje as frases fluem mais, e ele erra menos gramática. O trunfo dele é essa linguagem complexa", declara.

Lula tem o costume de brincar com o público quando adota termos novos. Foi assim, em julho passado, em um evento sobre biodiesel no Planalto, ao falar sobre o trabalho de "transesterificação". "Eu passei três meses para aprender a falar essa palavra sem gaguejar", disse.


Folha: online

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Curtas

Lula saúda mensaleiros
O presidente Lula telefonou nos últimos dias a parlamentares absolvidos das mais diversas acusações, de mensaleiros a sanguessugas, para cumprimentá-los pela “vitória”. Os telefonemas foram precedidos de solicitações de assessores do Palácio do Planalto para que os interlocutores mantivessem sigilo sobre o gesto. Entre os agraciados estiveram o deputado José Janene (PP-PR) e o senador Ney Suassuna (PMDB-PB).

Eles merecem
No Ceará, foram vaiados na diplomação do TRE os deputados petistas José Nobre “Cuecão de Dólares” Guimarães e José “Sanguessuga” Airton.

Escravidão secreta no PR
O jornal inglês The Guardian descobriu uma rede de traficantes de escravos na tríplice fronteira Brasil, Argentina e Paraguai, faturando quase R$ 50 milhões anuais com trabalho ilegal no turismo sexual, adoção de bebês e prostituição infantil. Os chefões se reúnem na piscina do Puerto Iguazú Hotel, perto das famosas cataratas, diz o jornal.

Cassação
Sem citar nomes, o procurador da República Mário Lúcio Avelar diz que parlamentares já diplomados serão cassados por comprarem votos.

Blindados
Pela desenvoltura em aumentar os próprios subsídios, os parlamentares brasileiros acreditam que não têm telhado de vidro, mas de chumbo.

Os números
Deputados recebem R$ 12,8 mil. Com os R$ 15 mil da “verba indenizatória”, são R$ 27,8 mil por mês, além de 13º e 14º. Se o aumento for pela inflação, passam a R$ 31,5 mil; se subir 91%, sem a “verba”, ficam em R$ 24,5 mil.

Mui amigo
O presidente Lula estimulou o deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) a aceitar cargo no governo de José Roberto Arruda, em Brasília. Lula quer abrir vaga na Câmara para o amigo e suplente Sigmaringa Seixas (PT-DF).

Nervosismo
Candidato a presidente da Câmara com apoio dos mensaleiros, Arlindo Chinaglia (PT-SP) está à beira de um ataque de nervos. Chegou a ofender, terça à noite, um jornalista autor de análise que antecipou sua desistência.

Tudo combinado
Ao defender a regionalização do controle do Porto de Santos e da Cia Docas de São Paulo (Codesp), o governador eleito José Serra “tocou de ouvido” com o presidente Lula. Tudo em nome da pretendida “coalizão”.

Canseira
O ministro Eros Grau não esconde dos colegas sua tristeza com a rotina desgastante do Supremo Tribunal Federal. Não será surpresa se pedir o boné já em 2007, mas ele só completará a idade-limite de 70 anos em 2010.

Tormento
Nem só os controladores de vôo tramam contra passageiros indefesos. Os mecânicos das companhias aéreas estão sendo conclamados via e-mail a cruzarem os braços entre os dias 23 e 24. Culpam os baixos salários.

Crise
Diante da iminente saída do ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), a consultora jurídica Lúcia Peluzo, pediu demissão. Sua substituta provoca revolta entre colegas: Gláucia Elaine, antiga assessora de Marta Suplicy.

Lula jacaré
Leonel Brizola se aliou e se distanciou de Lula várias ocasiões. Certa vez, em visita ao governador de Alagoas, Fernando Collor, Brizola o definiu:- Quando apertamos a mão do Lula, sentimos a garra de um jacaré. Se o abraçamos, sentimos em suas costas os miomas de um jacaré. Quando sorri, vemos que ele tem dentes de jacaré... Se ele tem garras de jacaré, pele de jacaré e dentes de jacaré, só pode ser um jacaré. Cuidado com ele.

Fonte:www.claudiohumberto.com.br

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Livros 01


‘Minha vida com a Al Qaeda, história de um espião’

Os amantes das histórias de espionagem não podem perder o livro que acaba de ser lançado nos Estados Unidos. Chama-se “Inside the Jihad: my life with Al Qaeda, a spy’s story” (Por dentro do Jihad: minha vida com a Al Qaeda, história de um espião). Foi escrito por um morroquino, que se identifica pelo pseudônimo Omar Nasiri.
O livro é autobiográfico. Nasiri conta ter espionado grupos terroristas islâmicos, incluindo o de Osama Bin Laden, entre 1994 e 2001. Diz ter agido a soldo dos serviços secretos francês, britânico e alemão. O relato impressiona pela profundidade.

Esparramado ao longo de 440 páginas, o texto assemelha-se ao de uma novela. Mas o autor sustenta que só retratou verdades. Exceto um ou outro detalhe, que teve de modificar para proteger a vida de seus personagens. Incluindo a dele próprio. Escondido atrás de uma nova identidade, Omar Nasiri vive hoje na Alemanha.

Deu-se na Argélia o primeiro contato de Nasiri com um grupo extremista. Infiltrou-se no GIA Argelino. Elaborava o boletim informativo interno do grupo terrorista. Despachava, de resto, ordens para a compra de armas. Em seguida, transferiu-se para o Afeganistão.

Ali, submeteu-se a treinamentos e logo viu-se sob as ordens de alguns dos lugar-tenentes de Bin Laden. Era acompanhado à distância pelo serviço secreto francês, que não o imaginava capaz da façanha. Foi enviado à Europa, com a missão de ajudar a pôr de pé uma célula concebida para atacar bancos e sinagogas.

Em Londres, passou a circular entre estrelas do radicalismo islâmico como Abu Qattaba e Abu Hamza. Reportava-lhes os passos ao serviço secreto britânico. A despeito do esforço do autor para mostrar-se contrário ao terrorismo, Nasiri deixa entrever nas páginas do livro que não passou incólume pelo convívio.

Como no trecho em que retrata os terroristas como “valentes defensores de uma ideologia/religião agredida.” Ou na passagem em que anota: Nos acompamentos, me ensinaram que se deve respeitar os civis, a começar das crianças, das mulheres e dos velhos, que é preciso preservar os edifícios civis, etc.” Em seguida, reconhece: “É verdade que, no campo, cometem-se excessos.

O texto de Nasiri, por detalhista, despertou inúmeras suspeitas. Especialistas ouvidos pela revista Time ruminam uma dúvida: não sabem se estão diante de um personagem real ou de um farsante. Antes de mandar o livro à prensa, a editora Perseus Books submeteu os originais a Michael Scheuer. Trata-se de um ex-diretor da unidade da CIA incumbida de caçar Bin Laden.

“Nunca tinha visto nada sobre esse período (1994 a 2001) que estivesse tão completo e que soasse tão verdadeiro, disse Scheuer ao The New York Times. Referia-se à descrição dos acampamentos de treinamento de terroristas no Afeganistão.


Fonte: blog josias de souza

Conexões do Brasil remoto com o Chile de Pinochet



O destino foi generoso com Augusto Pinochet. Proporcionou-lhe, aos 91, uma morte suave. De quebra, facultou ao velho ditador provar que guardava nos fundões de seu organismo um órgão que, imaginavam todos, ele não possuía: o coração. Por uma dessas ironias da existência, Pinochet foi ao forno crematório nas pegadas de um infarto do miocárdio. Partiu antes da conclusão dos processos judiciais que lhe pesavam sobre os ombros. Uma pena.
Num instante em que ainda soam nas profundezas do inferno as trombetas reservadas à recepção dos grandes titãs do mal, convém lembrar que o Brasil não esteve imune aos tentáculos da ditadura chilena, de triste memória. Comece-se por evocar uma descoberta do cinéfilo Amir Labaki.

Organizador do 9º Festival Internacional de Documentários, ocorrido em 2004, Labaki desencavou dois preciosos minutos de um filme da jornalista francesa Marie-Minique Morin. Chama-se “Esquadrões da Morte-Escola Francesa”. O trecho pescado pela perspicácia de Labaki traz um depoimento do general chileno Manuel Contreras, chefe da engrenagem de moer “subversivos” montada sob Pinochet –a temível DINA.

No depoimento a Morin, Contreras revelou que mandava ao Brasil, em periodicidade bimestral, oficiais da repressão chilena. Para quê? Vinham à busca de treinamento. Passavam pela ESNI (Escola Nacional de Informações), em Brasília. E, antes de retornar a Santiago, faziam escala em Manaus. Ali, bebiam dos ensinamentos de um centro de treinamento militar.

Contreras disse mais: entre os “professores” do curso brasileiro estava o general francês Paul Aussaresses. Vem a ser um veterano da batalha de Dien Bien Phu, no Vietnã. Graduara-se em tortura impondo suplícios a argelinos. Servira como adido militar no Brasil no período de 73 a 75.

Recomenda-se ainda a quem queira saber mais sobre as (boas) relações da ditadura brasileira com a máquina de atrocidades chilena a leitura de “A Ditadura Derrotada”, de Elio Gaspari. O Chile de Pinochet é mencionado à altura da página 352. Ali, recorda-se que a primeira viagem de Pinochet depois de derrubar Salvador Allende, em 11 de setembro de 73, foi ao Brasil. Veio para a posse de Ernesto Geisel.

Gaspari conta também que José Serra, ex-presidente da UNE, era um dos brasileiros que engrossavam a legião de 7.000 pessoas confinadas pelos golpistas no Estádio Nacional de Santiago, o mesmo em que Garrincha ganhara a Copa de 62. Serra deve sua liberação, dois dias depois de preso, a gestões de um embaixador sueco junto ao major responsável pela triagem. Mercê da generosidade e da descoberta de uma até então desconhecida simpatia pela esquerda, o tal major, Ivan Lavanderos, seria passado nas armas mais tarde. Serra contou que, antes de deixar o famigerado estádio, notou a presença de carcereiros que se expressavam em bom português.

Gaspari revela também uma constrangedora página da diplomacia brasileira. Escreve: “As embaixadas que recebiam perseguidos estavam lotadas. Na do Panamá, um pequeno apartamento, entraram 364 asilados. O embaixador panamenho estendeu a extraterritorialidade de sua representação à casa do economista Theotonio dos Santos, protegendo dezenas de brasileiros. No palacete da Argentina, havia 700 asilados, 120 eram brasileiros. Na do Brasil, ninguém. Chefiava-a o embaixador Antônio da Câmara Canto (...).”

Anota ainda o livro de Gaspari: Pinochet associava Câmara Canto ao comportamento da diplomacia brasileira no dia do golpe: “Ainda estávamos disparando, quando chegou o embaixador e comunicou-nos o reconhecimento. Washington, informa o repórter, só reconheceria a ditadura chilena 13 dias depois. “No meio da tarde do dia 11, Câmara Canto festejava atendendo o telefone com a notícia: ‘Ganhamos’. Era um golpista militante.”

Fonte: blog josias de souza

O futuro mora na Chíndia, paraíso de prosperidade


Para certos guias turísticos, Chiníndia é um lugar na Romênia onde Vlad Tepes (na imagem), monarca sanguinário do Século 13, que inspirou o personagem ficcional Drácula, testemunhava a morte de suas vítimas. No universo financeiro, Chíndia é uma terra imaginária, onde as economias de China e Índia se fundem, produzindo prosperidade em nível jamais visto.
As relações entre China e Índia, as duas economias que mais crescem no mundo, são feitas de mordidas e assopros. De uns tempos para cá, a dupla engatou um namoro promissor. Há quem enxergue na aproximação um caminho sem volta. Mas há também os que destilam dúvidas quanto às chances de êxito da parceria.

Seja como for, convém prestar atenção ao balé dos dois gigantes. Pequim e Delhi elegeram 2006 como o “ano da amizade sino-indiana.” Armam-se programas de cooperação que parecem rumar para a Chíndia. As duas caras metades se completam. China é bamba em manufaturas e infra-estrutura. A Índia, em serviços. A China lidera o mercado de hardware. A Índia, o de software. E por aí vai...

Em 1974, o economista Edmar Bacha, um dos pais do Real, cunhara o neologismo Belíndia. Tornou-se sinônimo do flagelo da distribuição de renda no Brasil, um país coabitado por uma pequena Bélgica rica e uma gigantesca Índia paupérrima. Decorridas três décadas, a combinação de Bacha perdeu o sentido. Os dois brasis não desapareceram, embora tenha havido um tênue encurtamento da distância que separa um do outro. Mas a Índia já não é a melhor referência de pobreza. Hoje, o Brasil miserável assemelha-se mais a países como Gana.


Fonte: blog josias de souza

Águas turvas!

El Roto/El Pais

Fonte: blog josias de souza

Josias de Souza


Para imigrante boliviano, Brasil é espécie de EUA

Juan Manuel, o bebê da foto, é filho Beatriz Apaza, uma imigrante ilegal boliviana. Veio ao mundo em 13 de novembro, ajudado pela equipe médica do Hospital Maternidade Leonor Mendes de Barros, de São Paulo. E foi às página da revista Piauí pelas mãos de Vanessa Barbara.

A história do pequeno Juan é mesmo bárbara. O menino pende da árvore genealógica de uma das milhares de famílias que deixam a Bolívia para tentar a sorte no Brasil. Buscam prosperidade. Encontram um cotidiano de barbaridades que inclui do trabalho escravo à moradia insalubre.

Mal comparando, o Brasil tornou-se uma espécie de América do Norte da Bolívia. Os compatriotas de Evo Morales vêm buscar aqui o mesmo que legiões de ilegais brasileiros procuram nos EUA. Normalmente, não acham. Mas vêem-se sem condições de retornar à pátria. E vão ficando.

O signatário do blog recomenda vivamente a leitura da bárbara reportagem de Bárbara. Aliás, recomenda-se também uma passada d’olhos pelas páginas de Piauí. A revista é, ela própria, uma recém nascida. Tem periodicidade mensal. Está no segundo número. Torce-se para que tenha vida longa. Deseja-se o mesmo para o pequeno Juan.

Fonte: olha online

Josias de Souza


De onde veio o dinheiro?

Enquanto aguardam por uma resposta da Polícia Federal, os 22 leitores do blog podem fazer um passeio –virtual ou de corpo presente— ao Museu do Dinheiro do Banco Central. Não há ali nenhuma pista sobre a origem da grana manuseada pelos "aloprados" do dossiê. Mas há um farto material acerca da procedência do dinheiro no mundo e no Brasil.
Fica-se sabendo, por exemplo, que, nos primórdios do Brasil colonial, o meio circulante brasileiro foi constituído aleatoriamente. Havia moedas de nacionalidades diversas. Eram trazidas pelos portugueses, por invasores e pelos piratas que singravam a costa brasileira. Nos primeiros séculos que se seguiram à chegada de Cabral, o Brasil era a terra do escambo.
Como a moeda era escassa, mercadorias faziam as vezes de dinheiro nas transações comerciais. Pagava-se com açúcar, algodão, fumo, ferro, cacau, cravo, etc. Só em 1694 inaugurou-se, na Bahia, a primeira casa da moeda brasileira. Moedas de ouro e prata de procedências variadas foram derretidas e transformadas em moedas provinciais.
Entre as peças expostas no museu do BC há uma galeria de cédulas. É curioso notar o massacre a que foram submetidas várias celebridades por conta da superinflação, de triste memória. A pretexto de venerar a memória de brasileiros ilustres, o Banco Central estampava-lhes as efígies nas cédulas.
Arrancado do túmulo, o sujeito era lançado no mercado com um determinado valor e, no minuto seguinte, enredava-se numa ciranda que o corroía até a morte. Humilhado, era substituído por uma cara nova e devolvido ao pó.

A última vítima do massacre metafórico foi o educador Anísio Teixeira, que ilustrou a nota de mil numa fase em que o dinheiro chamava-se cruzeiro real. Foram tantos os constrangimentos que se optou por interromper a série de ''assassinatos'' patrocinados pelo BC.

Passou-se a imprimir nas notas a imagem de personagens cujas famílias são menos suscetíveis –o beija-flor, a garça, a arara e a onça, por exemplo. Lançado em 94, o real interrompeu a fase de desmoralização monetária. O passeio pela galeria de cédulas constitui excelente passa-tempo. Convém ir devagar. Com mais tempo, quem sabe a PF não responde à fatídica pergunta: De onde veio o dinheiro?


Fonte: folha online

Lula II e Mercado 01

19/12/2006
As angústias do mercado com o pacote de Lula

Sai nesta semana, muito provavelmente na quinta-feira, o pacote de medidas econômicas do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Aquelas prometidas pelo petista para destravar o crescimento da economia brasileira a partir de 2007. O anúncio vai acontecer quase 40 dias depois de terem sido encomendadas por Lula.

Segundo analistas de mercado, o governo pode ter perdido tempo e muito capital político discutindo um pacote que nem deveria ter sido anunciado como tal. Afinal, a avaliação do mercado é que o debate das propostas nesse período trouxe mais inquietação do que certezas sobre o que será o segundo mandato de Lula.

Logo após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a avaliação comum no mercado financeiro era que, tudo bem, não haveria um novo ciclo de reformas. Nada de mudanças profundas na Previdência Social e na legislação trabalhista, mas, em compensação, não haveria nenhuma loucura na economia. Tudo seguiria normalmente, o BC cortando os juros gradualmente, o superávit primário mantido em 4,25% do PIB, a gastança do ano eleitoral seria estancada e o país cresceria mais em 2007.

Aí, Lula, frustrado com o medíocre crescimento da economia previsto para este ano e com mais quatro anos de mandato pela frente, passou a chicotear sua equipe exigindo medidas para garantir uma alta de 5% do PIB (Produto Interno Bruto) no próximo ano.

O humor dos analistas de mercado começou, então, a mudar levemente. Tudo bem, ficou claro para os economistas de bancos nacionais e estrangeiros que realmente não teríamos um novo ciclo de reformas, mas já não dava mais para assegurar que não viria nenhuma loucura.

Começou, em seguida, a profusão de idéias da equipe econômica e dos ministros de infra-estrutura. A cada dia uma nova medida era divulgada na imprensa. A sensação transmitida por alguns membros do governo foi a de que iriam prevalecer propostas que implicam aumento de gastos e perda de receitas. As de corte seriam bem tímidas, nada de idéias amargas para estragar o final de ano de alguns setores.

A ansiedade do mercado só aumentou. O sinal nas mesas de operação é de alerta. Acabou-se criando uma expectativa sobre as medidas a serem divulgadas na quinta que pode, no médio prazo, gerar pequenas turbulências. Nada, a princípio, que provoque tempestades. Não há, no momento, clima para isso. Mas pode estar sendo gestada uma crise para o final do próximo ano.

Apesar das sinalizações negativas emitidas pelo próprio governo, o fato é que o presidente está sendo auxiliado hoje por dois fatores nesse final de ano. Lula ainda tem muito crédito no mercado. A leitura é que foi ele quem bancou a política de responsabilidade fiscal durante todo o primeiro mandato. E o cenário externo é bom, não há previsão de solavancos no mercado internacional. Daí que o fluxo de recursos em direção ao Brasil tende a se manter positivo.

Mesmo que o pacote frustre as expectativas, demonstrando pouca harmonia entre medidas voltadas para o desenvolvimento e as de contenção de gastos, a tendência é que, no curto prazo, as tensões sejam amenizadas e, de certa forma, até relevadas.

O governo pode até reduzir um pouco o superávit primário, deixando que ele fique levemente abaixo dos 4,25% do PIB. Em contrapartida, porém, precisa sinalizar que vai realmente conter a alta dos gastos públicos, evitando que eles cresçam mais do que a variação do PIB. Agindo assim, Lula fará com que o mercado continue acreditando em seu compromisso com a responsabilidade fiscal. Terá, com isso, conseguido vender o que seus ministros devem anunciar nessa semana: um programa de desenvolvimento em harmonia com a austeridade fiscal.

Agora, se o anúncio fizer mais parte de uma peça publicitária e o governo acelerar seus gastos, a ansiedade do mercado, hoje totalmente inofensiva, só vai crescer e provocar muita tensão, perdas e mudar a curva de muita coisa: juros e inflação, em queda, podem voltar a subir.

Ansiedade ministerial

Por falar em ansiedade, a maior está em Brasília, localizada na Esplanada dos Ministérios. Lula ainda não confirmou oficialmente ninguém para o segundo mandato. Apesar de alguns já terem ouvido de sua boca que estarão na equipe no próximo ano, muitos ministros ainda não sabem o que farão em 2007. Sem falar naqueles que estão sonhando com uma convocação, mas ainda aguardam um chamado do Palácio do Planalto. No PMDB, por exemplo, as negociações ainda não começaram.

Lula parece inclinado a deixar tudo, ou pelo menos boa parte, para depois do Natal. No caso da equipe econômica, porém, nada deve mudar. Afinal, não tem muito sentido deixar um grupo de ministros montar um plano para, em seguida, demiti-los e nomear novos integrantes para Fazenda e Planejamento.

Valdo Cruz

Fonte: folha online

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Lulalau o filósofo

13/12/2006 - 20h04
Lula lamenta que "brincadeira" sobre esquerda tenha virado polêmica
ANDREZA MATAISFELIPE NEVESda Folha Online, em Brasília e São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentou minimizar nesta quarta-feira suas polêmicas declarações sobre a ligação entre a imaturidade e a ideologia de esquerda. O petista lamentou que a "brincadeira" tenha sido mal interpretada.

"Eu fiz uma brincadeira. Lamentavelmente, parece que tem gente no Brasil que não gosta mais de humor, que acha que humor é pecado. Nem uma boa brincadeira é considerada uma brincadeira", disse Lula.

"As pessoas perderam o humor. Me desculpe, mas acho que a falta de humor é uma coisa que o país não pode perder", acrescentou o presidente.

Após receber prêmio da revista "IstoÉ", no noite de segunda-feira, Lula relacionou a postura de esquerda à juventude e à imaturidade, arrancando risos e aplausos de uma platéia formada por empresários e intelectuais.

"Se você conhece uma pessoa muito idosa esquerdista, é porque está com problema [risos e aplausos]. Se você conhecer uma pessoa muito nova de direita, é porque também está com problema", afirmou o presidente.Lula explicou que, em sua opinião, as pessoas responsáveis tendem a, conforme amadurecem, abrir mão de suas convicções radicais para alcançar uma confluência. Tal fenômeno ele classificou de "evolução da espécie humana".

"Quem é mais de direita vai ficando mais de centro, e quem é mais de esquerda vai ficando social-democrata, menos à esquerda. As coisas vão confluindo de acordo com a quantidade de cabelos brancos, e de acordo com a responsabilidade que você tem. Não tem outro jeito", acrescentou.

Fonte: folha online

Comentário do Blog:

Voçês lembram daquele provérbio: "ser comunista aos 20 anos é sinal de inteligência.
Ser comunista aos 30 anos é burrice"

Parece que Lulalau resolveu a cada dia escrachar geral. Niguém mais estar´pa livre do seu deboche.
Acorda esquerda. Voçês dão sustentação a um demagogo, debochado, assistencialista, ignorante e corrpupto. E é isso que vai ficar para historia.
Ops; Ficará para história também o ensinamento dessa geração de esquedista, qual seja: "Como vender sua ideológica em troca de cargos e/ou vantagens econômicas e negar isso com a maior cara de pau"

Ruy Otto

As melhores casas do ramo


Fonte:

domingo, dezembro 10, 2006

La vem o Brasil descendo a ladeira

11/12/2006
Classe média em apuros Em terra ou no ar, a classe média brasileira vai mal.
Fernando Canzian

Enquanto seus aviões não decolam ou atrasam, a situação aqui embaixo, no mercado de trabalho, tem sido a pior possível.Nos últimos seis anos, foram criados mais de 8 milhões de empregos formais para a parcela mais pobre da população, as pessoas que ganham até três salários mínimos (R$ 1.050). O rendimento desse pessoal subiu mais de 45% acima da inflação.Para os que estão acima desse patamar, onde começa a classe média, a situação é trágica: 2 milhões de vagas a menos e queda de mais de 46% nos rendimentos.Não é à toa que filhos da classe média recém-saídos de boas universidades encontram, quando muito, salários medíocres ao chegar ao mercado de trabalho.Esses opostos também explicam o mau humor da classe média com Lula e as razões da vitória do presidente por uma margem de 20 milhões de votos concentrada no estrato mais pobre da população.Nos últimos quatro anos, o governo assistencialista e pró-pobre de Lula foi principalmente na direção de quem não tem problemas com o Cindacta de Brasília ou panes em radares. Mas com atrasos sistemáticos em linhas de ônibus populares e assaltos em trens de periferia abarrotados de gente --sem que a mídia faça todo o escarcéu atual.Se Lula de fato tem e quer "sua força no povo", seu governo parece coerente com os resultados que apresenta no mercado de trabalho. Esse, no entanto, é apenas um lado da questão.Dificilmente um país cresce de forma robusta se não tiver uma classe média ascendente em número de participantes e salários.Enquanto a classe média brasileira representa pouco mais de 30% da população, ela é responsável por mais de 50% de todo o consumo, principalmente de produtos com maior valor agregado (mais sofisticados), que são os que puxam o desenvolvimento da indústria e dos serviços que pagam melhores salários.Ao lado do maior vilão, o juro alto, o achatamento da classe média nos últimos anos explica, em boa medida, as taxas de crescimento medíocres que o Brasil vem apresentando. Também dá boas pistas de onde o governo vem tirando grande parte do dinheiro para financiar o assistencialismo aos mais pobres via Previdência e programas como o Bolsa Família.Cerca de 60% do Imposto de Renda das pessoas físicas sai de quem ganha entre R$ 3.000 e R$ 10.000, onde, em termos tributários, se situa a classe média. É esse pessoal que arcou, via IR e impostos sobre o consumo, o grosso do aumento de mais de dez pontos percentuais na carga tributária do governo FHC para cá.A análise recente do mercado de trabalho mostra que o país continua em uma clara transição. Ela é inclusiva do ponto de vista dos empregos baratos e da distribuição da renda, mas de sustentabilidade extremamente duvidosa.

Fonte: folha online

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Sobre a Reeleição de Lulalau

Sensualidade - Estica e Puxa 02

Uma palavra, muitos usos........

A palavra mais rica da língua Portuguesa é a palavra MERDA.Esta versátil palavra pode mesmo ser considerada um curinga da língua portuguesa.

Vejam os exemplos a seguir:

01) Como indicação geográfica 1: Onde fica essa MERDA?

02) Como indicação geográfica 2: Vá a MERDA!

03) Como indicação geográfica 3: 18:00h - vou embora dessa MERDA.

04) Como substantivo qualificativo: Você é um MERDA!

05) Como auxiliar quantitativo: Trabalho pra caramba e não ganho MERDA nenhuma!

06) Como indicador de especialização profissional: Ele só faz MERDA.

07) Como indicativo de MBA: Ele faz muita MERDA.

08) Como sinônimo de covarde: Seu MERDA!

09) Como questionamento dirigido: Fez MERDA, né?

10) Como indicador visual: Não se enxerga MERDA nenhuma!

11) Como elemento de indicação do caminho a ser percorrido: Por que você não vai a MERDA?

12) Como especulação de conhecimento e surpresa: Que MERDA é essa?

13) Como constatação da situação financeira de um indivíduo: Ele está na MERDA...

14) Como indicador de ressentimento natalino: Não ganhei MERDA nenhuma de presente!

15) Como indicador de admiração: Puta MERDA!

16) Como indicador de rejeição: Puta MERDA!

17) Como indicador de espécie: O que esse MERDA pensa que é?

18) Como indicador de continuidade: Na mesma MERDA de sempre.

19) Como indicador de desordem: Tá tudo uma MERDA!

20) Como constatação científica dos resultados da alquimia: Tudo o que ele toca vira MERDA!

21) Como resultado aplicativo: Deu MERDA.

22) Como indicador de performance esportiva: O VASCO e o Flamengo não estão jogando MERDA nenhuma!!!

23) Como constatação negativa: Que MERDA!

24) Como classificação literária: Êta textinho de MERDA!!!

25) Como qualificação de governo: O governo Lula está uma MERDA!

Esta mensagem foi verificada pelo sistema de antivírus e acredita-se estar livre do perigo de dar MERDA.

Fonte: torneimeumebrio.blogspot.com

Sensualidade- Estica e Puxa 01