sábado, março 07, 2009

Gilmar ‘manda’ governadora cumprir ordens judicias-05/03;2009


O ativismo político de Gilmar Mendes, presidente do STF, foi das palavras à prática.
O ministro telefonou para a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT).
Gilmar lembrou a Ana Júlia que ordens judiciais precisam ser respeitadas.
Pediu-lhe que dê consequência aos mandados de reintegração de posse de terras invadidas pelo MST.
O presidente do Supremo passou a mão no telefone ao tomar conhecimento de algo que o deixou atônito.
Sob a petista Ana Júlia, a PM paraense vem se esquivando de desalojar invasores do MST.
Há no Pará 111 ordens judiciais de reintegração de posse pendentes de execução.
A informação veio à luz em discurso de Kátia Abreu (DEM-TO), na tribuna do Senado.
Presidente da CNA (Confederação Nacional da Agricultura), a senadora vociferou:
“Há dois anos que governo do Estado do Pará não convoca a Polícia Militar para fazer a reintegração de posse pacífica”.
Disse que a CNA e a Federação de Agricultura do Pará decidiram reagir.
As entidades vão protocolar no Tribunal de Justiça paraense um pedido de intervenção federal no Estado.
Se prosperar, a ação vai bater no STF. E o pedido de Gilmar a Ana Júlia, se desatendido, pode ganhar ares de determinação.
Mais cedo, nesta quarta (4), sob a presidência de Gilmar, o CNJ tomara uma decisão que também diz respeito à temática agrária.
O julgamento de processos que envolvem conflitos fundiários deve ter precedência sobre as outras causas, eis o que decidiu o Conselho Nacional de Justiça.
O despacho foi aos tribunais e às varas de Justiça nos Estados na forma de “recomendação”.
Em entrevista, Gilmar Mendes listou as pendengas alcançadas pela decisão:
"Problemas de reintegração, desapropriação, os casos ligados a crimes decorrentes desse tipo de conflito".
"Queremos priorizar o julgamento dessas causas, de modo a não ter essas acusações de que os processos terminam sem uma dinâmica própria e que, por isso, talvez gere um quadro de impunidade de não resposta por parte do Judiciário".

Fonte: Blog do Josias de Sousa (Folha online)

Gilmar pede a governador de PE que reprima o MST


A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), não foi a única a receber um telefonema do ministro Gilmar Mendes.
O presidente do STF tocou o telefone também para o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). A ligação ocorreu há dois dias.
Gilmar recomendou a Eduardo Campos que não meça esforços na mobilização do aparato policial do Estado contra as ações violentas do MST.
O governador mostrou-se receptivo. Mas ponderou que a resolução da encrenca fundiária depende menos dele e mais da União, responsável pela reforma agrária.
Deu-se no agreste pernambucano, há 15 dias, o episódio que levara o presidente do Supremo a incluir a refrega agrária e o MST no seu rol de preocupações.
O conflito começou em bate-boca e terminou em morte. Um grupo de sem-terra do MST passou nas armas quatro seguranças de uma fazenda.
Foi legítima defesa, alegou a direção do MST. Uma linha de defesa que nem Lula, normalmente brando com os sem-terra, se animou a comprar.
Num instante em que a cena do crime ainda cheirava a pólvora, Jaime Amorim, mandachuva do MST em Pernambuco, fez inconvenientes disparos verbais.
"O que matamos não foram pessoas comuns”, disse Amorim. “Eles foram contratados para matar, eram pistoleiros violentos".
A movimentação de Gilmar é atípica para um magistrado. Normalmente, juízes costumam falar nos autos. Com o atual presidente do Supremo dá-se coisa diversa.
Além de vociferar contra o repasse de verbas públicas a um movimento que ignora as leis, Gilmar pôs-se a telefonar para governadores.
Na ligação para Ana Júlia, conforme noticiado aqui, o ministro aconselhara a governadora a cumprir os mandados de reintegração de posse de terras invadidas.
Há no Pará 111 ordens judiciais pendentes de execução. Algo que açulou em Gilmar a suspeita de que a governadora possa estar fazendo corpo mole com o MST.
Ana Júlia e Eduardo Campos têm em comum, além da simpatia pelo MST, o fato de pertencerem a partidos sócios do consórcio que gravita em torno de Lula.
O mesmo Lula que, durante a semana, travara com Gilmar Mendes, por meio dos jornais, um inusitado duelo verbal.
"Há uma lei que proíbe o governo de subsidiar esse tipo de movimento”, provocara o presidente do Supremo.
“Dinheiro público para quem comete ilícito é também uma ilicitude. Aí a responsabilidade é de quem subsidia".
Lula replicou: "Quero crer que o ministro Gilmar Mendes tenha dado sua opinião como cidadão brasileiro...”
“...Quando houver um processo, ele se pronunciará como presidente do Supremo e dará o seu voto".
E Gilmar treplicou: “Falei como chefe do Judiciário, que tem responsabilidades políticas e institucionais inerentes ao cargo".
Com os telefonemas aos governadores aliados de Lula, Gilmar como que reforça os seus pendores para a vocalização extraprocessual


Fonte: Blog do Josias de Sousa (Folha online)

Olhos


Temer convoca CPI para analisar o ‘caso Protógenes’- 07/03/2009


O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), convocou para esta segunda-feira (9), às 16h, uma reunião com a cúpula da CPI do Grampo.
Deseja discutir as repercussões da divulgação do material recolhido pela Polícia Federal num laptop e num pen drive do delegado Protógenes Queiroz.
Participarão da conversa com Temer os deputados Marcelo Itagiba (PMDB-RJ) e Nelson Pellegrino (PT-BA), respectivamente presidente e relator da CPI.
Também deve participar o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), membro da CPI e vice-presidente da Comissão de Segurança da Câmara.
Vai à mesa a proposta de prorrogação dos trabalhos da CPI, que se preparava para votar, na próxima quarta-feira (12), o seu relatório final.
Diante da revelação de que Protógenes montou, à margem da Satiagraha, uma máquina de espionagem clandestina, o relatório da CPI converteu-se em lixo.
O texto final da CPI fora divulgado por Nelson Pellegrino há dois dias. Descontetara meio mundo. Excluía Protógenes e a ex-cúpula da Abin do rol de indicados.
Deputados de oposição e o próprio presidente da CPI cogitavam levar a voto um relatório paralelo.
Um texto que levasse à lista de encrencados pelo menos o delegado Protógenes e o ex-diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda, hoje embaixador em Portugal.
Depois da descoberta dos movimentos clandestinos de Protógenes, a eventual manutenção do texto de Pellegrino sujeita a Câmara à galhofa.
“Está claro, claríssimo, que, ao lado da Satiagraha, o delegado Protógenes conduziu uma autêntica Operação Satiagraha 2”, diz Jungmann. “É algo que não pode ser ignorado”.
Marcelo Itagiba também se mostra convencido de que a prorrogação da CPI tornou-se inevitável. Até quando? É isso que se vai discutir na reunião com Temer.
De resto, a decisão de prorrogar ou não a CPI do Grampo depende da concordância dos líderes partidários, com os quais Temer deve se reunir na terça (10).

Fonte: Blog do Josias de Souza (Folha online)

Protogenes bisbilhotou até a vida amorosa de Dilma- 07/03/2009


Documentos provam que delegado espionou autoridades.
Ele disse a agentes da Abin que agia a 'pedido' de Lula.

A CPI do Grampo recebeu na última quinta-feira (5) o material extraído de um laptop e de um pen drive do delegado Protógenes Queiroz.
Os equipamentos foram apreendidos pela Polícia Federal, em novembro de 2008, num apartamento utilizado por Protógenes no Rio de Janeiro.
Continham o produto de um surpreendente esquema de espionagem cladestina montado por Protógenes à margem da Satiagraha.
O repórter Expedito Filho manuseou o kit de Protógenes: 63 fotografias, 932 arquivos de áudio, 26 arquivos de vídeo e 439 documentos em texto.
A PF chegou aos arquivos eletrônicos de Protógenes numa batida policial em que buscava provas da ação ilegal do delegado, convertido de investigador em investigado.
O resultado do arrastão policial foi dividido pela PF em duas partes. Numa foram colecionadas peças do inquérito da Satigraha, que investigou Daniel Dantas.
São relatórios policiais, gravações telefônicas, vídeos e transcrições que deveriam estar nos autos do inquérito, não na casa do delegado.
A segunda parte do material reúne o pedaço clandestino da engrenagem de bisbilhotice montada por Protógenes.
Há gravações telefônicas de arapongas da Abin com dirigentes da agência, fotos e imagens de pessoas que não estavam sob investigação.
Há também informes de agentes da Abin sobre a vida íntima e profissional de autoridades como Dilma Rousseff e ex-autoridades como José Dirceu.
Por último, há documentos que, protegidos por senhas de acesso, ainda não foram abertos pela PF. Os títulos revelam os alvos: “Tucano”, “FHC” e “Serra”.
Nos seus contatos com a turma da Abin, empurrada para dentro da Satiagraja com o beneplácito do ex-diretor Geral Paulo Lacerda, o delegado se dizia a serviço de Lula.
Em depoimento à PF (veja documento lá no alto),o araponga Lúcio Fábio Godoy de Sá contou que Protógenes o chamou à sala dele.
Explicou que “tratava-se de uma investigação que envolvia espionagem internacional”. Daí o envolvimento da Abin no caso.
Disse mais: “A investigação era de interesse do presidente da República”.
Disse Pior: Que Lula “queria essa investigação porque até o próprio filho do presidente teria sido cooptado por essa organização criminosa...”
O filho a que se referiu Protógenes é Fábio Luís. A alegada “cooptação” talvez seja uma referência a um contrato de 2004.
Foi celebrado entre a Brasil Telecom, à época controlada por Dantas, e a Gamecorp, empresa do primogênito de Lula. Rendia a Fábio Luís R$100 mil por mês.
Vão abaixo exemplos do que foi extraído do computador e do pen drive de Protógenes:
1. Dilma Rousseff: A chefe da Casa Civil, candidata de Lula à presidência, foi espionada pela equipe de arapongas a serviço de Protógenes. A ação é descrita em documento que descreve, em termos grosseiros, até supostas relações amorosas da ministra. O parceiro de Dilma é identificado no texto.
2. José Dirceu: Os arquivos de Protógenes revelam interesse também pelo antecessor de Dilma. José Dirceu é apelidado nos textos de “Zeca Diabo”. Referência ao pistoleiro da novela O Bem Amado. Traz detalhes da movimentação de Dirceu. Coisas assim: “Embarcou ontem, 17/04, para o Panamá. De lá, segue um roteiro internacional de negócios até 10 de maio”. Há referências a supostos negócios de Dirceu e encontros que ele teria mantido com réus do escândalo do mensalão.
3. Mangabeira Unger: Protógenes e sua equipe escarafuncharam as relações do ministro da secretaria de Planejamento de Longo Prazo com Daniel Dantas. Laços conhecidos, que tiveram de ser desfeitos antes da entrada de Mangabeira no governo. Um dos documentos chama-se “Confidencial e Privilegiado". É datado de 11 de janeiro de 2005. Outro texto, “Caso Mangabeira”, traz cópias de contratos assinados entre o professor e o Opportunity de Dantas. Estampa também planilhas de pagamentos feitos pelo banqueiro a Mangabeira entre 2002 e 2005. Menciona, de resto, viagem Mangabeira a Nova York, em 29 de janeiro de 2004, supostamente para se encontrar com arapongas da Kroll, agência de investigação contratada por Dantas para espionar seus adversários.
4. “Políticos associados”: Os textos apreendidos na máquina de Protógenes incluem nessa cateria de “políticos associados” ao Opportunity de Daniel Dantas Mangabeira Unger e dois senadores: Heráclito Fortes DEM-PI) e ACM Jr. (DEM-BA).
5. Pantomima da foto: Em relatório de 12 de junho, com a logomarca da PF e o carimbo de “confidencial”, Protógenes diz estar sendo “alvo de constantes vigilâncias”. Cita episódio ocorrido na noite da véspera, no restaurante Original Shundi, em Brasília. Conta que jantava no estabelecimento quando entrou Nélio Machado, o advogado de Daniel Dantas. Sentou-se em mesa próxima, junto com "pessoas não identificadas". Diz o texto: "[Os advogados] passaram a se comportar em (sic) atitudes suspeitas, o que por dever de ofício obrigou o DPF Queiroz a sacar o celular e fazer o registro fotográfico das pessoas que ali se encontravam". As fotos foram ao computador de Protógenes. O delegado fez circular a versão de que, entre os acompanhantes de Nélio Machado, estavam assessores do presidente do STF, Gilmar Mendes. Era conversa mole. A PF identificou os personagens das fotos. Não há entre eles nenhum auxiliar de Gilmar Mendes.

Fonte: Blog do Josias de Souza(Folha online, 07/03/2009)

Meninos Levados


CPI do grampo poupa Lacerda, Protógenes e Dantas-06/03/2009


O relator da CPI dos Grampos apresentou nesta quarta (4) o seu relatório final.
O texto contém um feixe de provas cabais, inquestionáveis, irretorquíveis.
Quem atravessa o relatório sai convencido da prática de um crime imperdoável. Que crime?
O delito da embromação. Cometeu-o a própria CPI.
Pelegrino sugeriu o indiciamento de sete pessoas.
Ficaram de fora da lista Paulo Lacerda, Protógenes Queiroz e até Daniel Dantas.
Quanto a esses personagens, o relator decidiu apenas encaminhar os depoimentos ao Ministério Público.
A oposição acena com a hipótese de apresentar um relatório paralelo.
Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), presidente da Comissão, diz que tentará arrastar para o rol de indiciados pelo menos Paulo Lacerda, que prestou “falso testemunho” à comissão.
A votação ocorrerá na semana que vem. Por ora, bóia no ar uma única certeza.
A CPI dos grampos converteu-se em mais uma prova de que as CPIs não são senão o desnecessário levado longe demais.
A propósito, vale mencionar uma outra interrogação irrespondida: Que diabos foi feito do inquérito aberto pela PF para apurar os desvios da Satiagraha?


Fonte: Blog do Josias de Souza (folha online)

Protógenes usou métodos ilegais para investigar autoridades, diz revista- 07/03/2009

Reportagem publicada pela revista "Veja" deste final de semana informa que o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz usou métodos ilegais para investigar diversas autoridades. Entre os alvos de Protógenes estariam os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos), o ex-ministro José Dirceu, o governador José Serra (São Paulo), o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o empresário Fábio Luiz da Silva, entre outras personalidades.
Protógenes ficou conhecido nacionalmente durante a Operação Satiagraha, que prendeu no ano passado o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, o ex-prefeito Celso Pitta e o investidor Naji Nahas. Todos foram soltos depois.
Apesar da projeção nacional, Protógenes foi afastado da investigação e acabou ele mesmo virando alvo de um inquérito da PF que apura eventuais excessos cometidos pelo delegado no curso da Satiagraha. Entre os problemas da investigação estaria a utilização de agentes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) na operação.
De acordo com a reportagem, a PF teria descoberto no computador pessoal e pen drive de Protógenes informações sobre investigações ilegais cometidas pelo delegado. A revista diz que os documentos encontrados na casa de Protógenes há relatórios que levantam suspeitas sobre atividades de ministros do governo, fotos comprometedoras que foram usadas para intimidar autoridades e gravações ilegais de conversas de jornalistas.
Para investigar o filho de Lula, Protógenes teria dito a integrantes de sua equipe que teria recebido uma missão presidencial. A revista diz que um dos espiões teria ouvido de Protógenes que o presidente tinha interesse na investigação porque seu filho teria sido cooptado por uma organização criminosa --referência a Daniel Dantas. A empresa de Lulinha fechou em 2004 um acordo com a Brasil Telecom, que na época era controlada por Dantas.
PF
Em nota, a PF informou que não vai comentar o conteúdo da reportagem "por se tratar de tema de investigação policial sob segredo de justiça".
"O referido inquérito encontra-se na Justiça Federal de São Paulo desde o dia 17 de fevereiro do ano corrente para prorrogação de prazo, e a Polícia Federal aguarda seu retorno para conclusão das apurações, oportunidade na qual se pronunciará oficialmente por meio de relatório final do delegado responsável", diz a PF.

Fonte: Folha online

sexta-feira, março 06, 2009

Collor diz que agenda de Lula é continuação da sua


‘Eu não sou mais puro nem impuro do que ninguém’
‘Na vida pública, todos estamos sujeitos a percalços’
‘O PT enfrentou problemas sérios com o mensalão’
‘O Mercadante foi vitimado pelo caso dos aloprados’


Dezessete anos depois de ter descido ao verbete da enciclopédia como um defunto político, Fernando Collor está de volta.
Retorna numa vitrine modesta: a presidência da comissão de Infraestrutura do Senado. Posto obtido em aliança com José Sarney, sob aplausos de Lula.
O mesmo Sarney a quem chamara de “ladrão”. O mesmo Lula que o tachara de “ladrão”. As ofensas são reduzidas por Collor a meras “circunstâncias históricas”.
Para justificar-se, puxa analogias do baú. Recorda que Carlos Lacerda, depois de personificar a retórica do ódio, viveu o seu instante de reconciliação com o alvo Juscelino Kubitschek.
Cita um clássico do gênero: as pazes que Luiz Carlos Prestes se permitiu fazer com Getúlio Vargas.
Sob Vargas, Prestes amargara nove anos de cárcere. Sua mulher, Olga Benário, fora enviada à morte, na Alemanha nazista.
A despeito de tudo, em 1945, o líder comunista aderiu ao movimento pela permanência de Getúlio na presidência.
Presidente aos 40, Collor tornou-se ex-presidente aos 42. Hoje, com 59 anos, tenta consertar a biografia. Diz que gostaria de ter nascido na pele de Benjamin Button.
Vem a ser o personagem do último filme de Brad Pitt. Um sujeito que nasce com 80 anos e rejuvenesce à medida que o tempo passa.
De resto, sustenta que a agenda de Lula, como a de Fernando Henrique, não é senão uma continuação do programa do governo dele.

“Tudo o que estava preconizado naquela época vem sendo seguido por todos aqueles que vieram depois de mim...”

“...A questão da abertura, a busca do superávit da balança comercial, a inserção competitiva do Brasil no mercado internacional”.

Vai abaixo a entrevista, dividida em dois blocos:

- O que pretende fazer na comissão de Infraestrutura?
Transitam pela comissão, além das obras do PAC, o controle das agências regulatórias, o pré-sal... Ela é mais importante do que se imagina. Quero ter uma agenda e um programa de trabalho para o horizonte de tempo de dois anos.
- Que interferência a comissão terá nas obras do PAC?
Nosso papel é o de fiscalização. Desde que foi lançado o PAC, defendo a iniciativa com entusiasmo. Além dos investimentos e dos benefícios que trarão à população, muito mais importante é a iniciativa do governo de liderar o processo de desenvolvimento, como indutor. Leva a iniciativa privada a acordar.
- Acha que o PAC caminha bem?
Em algumas regiões as obras sofrem atrasos. Em outras elas estão adiantadas. Vamos acompanhar de perto a execução, ajudando a fazer andar. A oposição diz que o PAC é mera carta de intenções. Não é assim. As coisas estão caminhando.
- Já falou com a ministra Dilma Rousseff?
Liguei pra ela. Estava embarcando pra São Paulo. Solicitei audiência tão logo regresse. Quero levar ao conhecimento dela o programa de trabalho da comissão.
- Pretende encontrar-se com o presidente Lula?
Acho necessário. Não irei só. A bancada do PTB tem a intenção de solicitar uma audiência. Vamos, mais uma vez, reafirmar ao presidente o apoio do PTB.
- Como foi a articulação que o levou à presidência da comissão?
Começou lá atrás, na costura da candidatura do presidente Sarney. Desde o início, a coordenação das hostes do governo foi falha. Houve muitas falhas.
- Que falhas?
Dizia-se que havia um entendimento, firmado há dois anos. O PMDB presidiria a Câmara e o PT o Senado. A gente sabe que, em política, esses compromissos de antanho não costumam se consumar. Houve uma precipitação do PT.
- Tião Viana não deveria ter disputado?
Não entro no mérito da qualificação do candidato. Mas eles, que falaram tanto em respeito à proporcionalidade, deveriam ter verificado que cabe à maior bancada do Senado, no caso a do PMDB, indicar o presidente da Casa. O PT, de forma açodada, lançou a candidatura.
- Está dizendo que quem quebrou a praxe da proporcionalidade foi o PT?
Foi precisamente o PT. Nunca tive nenhuma dúvida de que o PMDB lançaria um candidato. Lançou o presidente Sarney, que superava os limites da sua bancada.
- Qual foi o papel do PTB nesse processo?
Nas conversas iniciais, optamos pela candidatura do presidente Sarney e, como todas as outras legendas, fomos buscar nosso espaço.

Fonte: Blog do Josias de Souza( Folha online)- 06/03/2009

A volta dos que não foram


‘Aprovação de Lula mostra que tomei decisão certa’


- Não se constrange de estar na companhia de um Sarney que, no passado, o sr. chamou de ladrão? Não o incomoda apoiar um Lula com quem teve rixas homéricas e que o chamou de ladrão?
Não me constrange. Se olharmos a história do Brasil, veremos que alianças assim já ocorreram. Getúlio com Prestes. Juscelino com Lacerda... São circunstancias históricas que o país vive e que fazem com que os políticos se unam ou se afastem. Quando cheguei aqui, eleito, em 2006, muitos imaginavam que eu sairia atirando. Mas já havia se passado, em relação ao meu embate com Lula, 18 anos. Em relação ao Sarney, 20 anos. Não seria inteligente, pela experiência que acumulei, que eu viesse aqui transbordar sentimentos menos nobres. Além disso, avaliei: a agenda política, social e econômica do presidente Lula começou lá atrás, em 89.
- Acha que a agenda de Lula é continuação da sua?
Sim. Sobretudo na área econômica. Tudo o que estava preconizado naquela época vem sendo seguido por todos aqueles que vieram depois de mim, inclusive o Fernando Henrique Cardoso.
- Que pedaço do seu governo teve sequência nas gestões posteriores?
Tem um discurso do Fernando Henrique, para mim memorável, em que ele tenta desconstruir toda a linha mestra do nosso programa. E ele, logo depois de eleito, adotou esse mesmo programa.
- A que programa se refere?
Eu me refiro, sobretudo, ao programa econômico. A questão da abertura, a busca do superávit da balança comercial, a inserção competitiva do Brasil no mercado internacional. No essencial, tudo o que veio depois é uma mera continuidade.
- Não acha que a aliança entre políticos que se chamavam uns aos outros de ladrão confunde e desalenta o eleitor?
Não penso assim. Se levarmos em consideração a popularidade de que desfruta o presidente Lula, que não é a mesma de dois anos atrás, eu devo ter tomado a atitude correta. O programa de governo dele tem a aprovação de 80% da população.
- Acha que cometeu excessos no passado?
A gente sempre comete excessos. Outro dia assisti no cinema ao filme ‘O Curioso Caso de Benjamin Button’, com o Brad Pitt. E pensei: Como seria bom se a gente nascesse mais velho, com experiência, e fosse regredindo em idade. Seria uma maravilha. A vida real, infelizmente, não é assim. Então, à medida que o tempo vai passando, a gente vai ganhando experiência com base nos tropeços, nos percalços.
- O senador Mercadante afirma que a disputa da comissão de Infraestrutura refez a cena de 20 anos atrás. De um lado PSDB e PT. De outro o PMDB de Renan Calheiros, recém saído de um escândalo, e Collor. O que acha?
É uma leitura de quem olha a política pelo retrovisor. Vejo como uma justificativa para atenuar a derrota a que ele conduziu o partido dele. A condução do processo foi inteiramente equivocada. Ele e o partido dele perderam a presidência do Senado e a comissão. Ele desconsidera que as pessoas, ao longo dos anos, ganharam experiência, conhecimento, têm melhor visão do mundo, fizeram autocrítica, amadureceram.
- Considera-se mais impuro do que o senador Mercadante?
De jeito nenhum. Não sou mais puro nem impuro do que ninguém. Todos nós, que participamos da vida pública, estamos sujeitos a percalços. Ele próprio foi vitimado por um percalço sério, no caso dos aloprados. O partido a que ele pertence enfrentou problemas sérios com o mensalão.
- Acha que essa disputa terá conseqüências?
O senador Mercadante em nada contribui com a conciliação da base de apoio ao governo. No Senado, o governo tem uma maioria fluida. Ele, como líder do partido que lidera a composição das forças de coalizão, não contribui ao fazer essa análise desfocada. Passada a fase da refrega, temos de virar essa página. Quem não sabe virar a página não merece ler o livro. De minha parte, preferia que não tivesse havido a disputa com a senadora Ideli, a quem respeito muito.
- Não foi indelicado ao dizer que a senadora ‘cisca pra dentro’?
É uma expressão típica do Nordeste. Quem é nordestino sabe que, lá, é uma expressão muito usada.
- Usada com que sentido?
Uma galinha ou um galo, quando cisca em busca de alimento, cisca pra fora, afastando as coisas que não interessam. Ciscar pra dentro significa agregar, conciliar. O sentido é positivo. Quando queremos nos referir pejoritivamente a um político dizemos: ‘Esse camarada cisca pra fora o tempo todo’. É desagregador. Não quis ofender.
- Pretende disputar cargos executivos, governo do Estado ou presidência?
Não há pretensão nem previsibilidade de que isso possa acontecer. Meu horizonte agora são os seis anos que me restam de mandato. No final, verei o que fazer.

Fonte: Blog do Josias de Souza (Folha online)

Infância, violência, aborto e uma ‘defesa’ de Deus

Um aviso ao leitor católico, sobretudo ao mais dogmático: interrompa a leitura aqui. O texto contém uma defesa de Deus contra ataques da Igreja.
Sim, sim. Isso mesmo. O repórter tem essa pretensão. Sairá em defesa do Todo Poderoso.
Deus, como se sabe, existe. Mas há muito não vem conseguindo dar expediente em tempo integral.
Num dos momentos de folga de Nosso Senhor, um padrasto do município pernambucano de Alagoinha estuprou a entedeada de 9 anos.
Afora a violência sexual, a menina teve a infância roubada. Pior: viu brotar em seu ventre imaturo uma gravidez. Esperava não um, mas dois bebes.
Vendo que a filha mastigava o pão amassado por Asmodeu, a mãe da menina decidiu pelo aborto. Amparadas por pessoas de bem, mãe e filha foram levadas para o Recife.
Ali, médicos constataram que a gravidez encontrava-se na altura do quarto mês. Ainda era possível interrompê-la. Assim foi feito.
Súbito, o que já era doloroso tornou-se impiedoso. A Igreja pegou em lanças contra o aborto dos dois fetos que habitavam o útero da criança.
Puxa daqui, estica dali o arcebispo de Recife e Olinda, dom José Cardoso Sobrinho, anunciou a excomunhão da mãe da criança e dos médicos que a trataram.
E quanto ao padrasto? Bem, o tarado não procedera direito. Mas o pecado dele, disse dom José Sobrinho, era menos grave do que o cometido pela mãe e pelos médicos.
O arcebispo escorou-se no 6º mandamento do Senhor: ‘Não matarás’. Foi apoiado aqui, pela CNBB; e alhures, pelo Vaticano.
A condenação da Igreja foi feita em nome de Deus. Uma afronta ao 3º mandamento sagrado: ‘Não tomarás o santo nome de Deus em vão’.
Em Êxodo, capítulo 20, versículo seis, o Livro dos livros anota: “Não pronunciarás o nome do Senhor teu Deus em vão, porque o Senhor não deixará impune quem pronunciar seu nome em vão”.
Pois que desçam sobre as cabeças dos clérigos as iras de Jeová. Por misericordioso, o Todo Poderoso não mereve ver o Seu santo nome associado à insensibilidade da Igreja.
Se os sacerdotes continuarem metendo o nome do Padre Eterno em causas assim, tão inglórias, os fiéis acabam se convencendo de que Deus não existe.
Ou, por outra, os cristãos podem ser empurrados para a conclusão de que Deus não merece existir.

Fonte: Blogo do Josias de Souza (Folha online)

Pinups


Policial federal e cinco bandidos morrem em ação em Nova Divinéia

Redação CORREIO
O policial federal Leonardo Maia Fonseca, 30 anos, foi morto a tiros em ação na invasão Nova Divinéia, no bairro do IAPI, na tarde desta quarta-feira (04). Segundo informações policiais, ele foi baleado na rua Conde de Porto Alegre por volta das 16h quando ia entregar uma intimação na localidade. O policial chegou a ser encaminhado ao hospital Ernesto Simões, mas não resistiu aos ferimentos.Durante a ação, cinco homens foram mortos e outros três foram presos. Agentes das policiais federal, civil e militar estão no local realizando rondas.

Fonte: correio online- 04/03/2009

Antes e Depois

Carolina Ferraz

Ainda a Embraer, Lula, demagogia e Napoleão-06/03/3009

O caso das demissões da Embraer se arrasta em demagogia, inconsequência e começa a se tornar um péssimo precedente. A Justiça enrola o caso. Lula, depois de recuar na demagogia, voltou a dizer que o trabalhador não pode ser "punido" com demissões devidas à crise mundial (agora, aliás, também brasileira). "Não me peçam para fazer o trabalhador pagar por essa crise", disse Lula.
Mas o que Lula entende por "crise"? Em última análise (e a mais importante) crise significa desemprego, ponto. Se não houvesse desemprego, não haveria crise alguma. Não faz lé com cré o que diz Lula.
Como escrevi em outro post ("Populismo, Lula e Embraer na Justiça"), é muito difícil saber se uma empresa exagera ou não quando corta salários e empregos (ou deixa de aumentar salários e o número de empregos, em tempos melhores). Como as empresas têm mais poder, a balança pende para o lado dos proprietários. Mas daí a aceitar uma intervenção do Estado, caso a caso, na administração de cada empresa vai uma longa distância. Enfim:
1) Por que apenas a Embraer? Decerto suas demissões são uma massacre, uma razia que vai afetar e muito a avançada economia da região de São José dos Campos e do Estado de São Paulo, o centro industrial e financeiro do país. Nem é preciso lembrar o desastre humano que as milhares de demissões representam. Mas empresas de espécie e tamanho variados estão demitindo. Várias delas até lamentando-se por fazê-lo (não por "humanidade", embora esse possa ser até o caso). Mas empresas que demitem lançam fora também investimentos em treinamento e a cultura acumulada de trabalhadores. Estão deitando fora um ativo. Não são "coitadinhas". É apenas um fato. Em suma, por que não há encrenca com essas outras milhares de empresas? Por demagogia, política midiática etc;
2) A intervenção caso a caso do Estado, além de inviável, não vai resolver o problema da distribuição do produto do trabalho, dos lucros, enfim, dos ganhos de produtividade. Não se trata aqui da defesa de "sagrados" (por quem?) direitos de propriedade (que faz séculos são relativos: normas, "regulação", e impostos são exemplos óbvios da restrição ao direito de propriedade, e é bom que o sejam). Mas o que vai fazer o Estado (por meio do Executivo ou da Justiça)? Administrar as empresas? Todas as milhares de empresas do Brasil?
3) Já que estamos falando de política, por que os sindicatos estão tão desorganizados, divididos e tão pouco ativos nesta crise? Porque ficaram pelegos, com cargos e interesses imbricados aos do governo?
4) Suponha-se que, no limite, empresas como a Embraer sejam proibidas de demitir. Suponha-se também que a Embraer esteja fazendo o que é preciso para a sua sobrevivência saudável. Então, sem demitir, a empresa começa a ficar sem caixa, tal como as montadoras americanas. Como é que vai ser? "Deixa quebrar"? Ou "o governo não pode deixar uma empresa como a Embraer quebrar"? Subsidiar empresa quebrada é uma solução melhor?
5) É irrelevante que a Embraer receba auxílio indireto de fundos públicos, como os financiamentos do BNDES para seus clientes. Ou bem se acha que o BNDES é necessário, dadas as restrições do mercado financeiro brasileiro ou do financiamento para empresas brasileiras, ou deixa-se a empresa se virar sozinha. Ou estatiza-se a empresa (o que não me parece uma boa solução) ou deixa-se que ela se administre. Colocar restrições em regra à atividade de cada empresa vai criar apenas ineficiências e, dado os presentes costumes da maior parte do Estado brasileiro, mais favores e corrupção;
6) Ideias como vincular empréstimos do BNDES à criação ou à manutenção de empregos é outra tolice. Suponha-se que uma empresa pegue dinheiro do BNDES para melhorar sua tecnologia e produtividade. A empresa investe, melhora, torna-se mais produtiva, ganha mercado, mas não cria nenhum emprego. Ou seja, cumpriu a cláusula de "manutenção do emprego" _deixando de criar empregos. O que deveria ter feito? Ficar sem o empréstimo do BNDES, ficar menos eficiente, perder mercado e fechar? Não faz o menor sentido. Com essa mentalidade, ainda estaríamos no tempo em que o algodão e a lã eram fiados em rocas, a tecelagem era caseira e as roupas eram costuradas também em casa. Isto é, antes da Revolução Industrial.
7) O caso Embraer, embora grotesco, é mais um exemplo da falta de rumo, de ideias e princípios da esquerda. A esquerda não discute nada de sério:
a) A esquerda não discute tributação, a multidão de subsídios esquisitos e ineficientes distribuídos a este ou aquele setor;
b) Não discute a melhoria da tributação, que deveria incidir sobre a renda dos mais ricos, e não sobre empregos e sobre produtos consumidos pela maioria pobre;
c) Não discute uma reforma progressista da lei do trabalho, que, no entanto, vai sendo desmontada aos poucos com a anuência das próprias centrais sindicais (lei, aliás, que cobre apenas metade dos trabalhadores, pois o "resto" não tem direito algum, pois são "informais");
d) Não discute o caótico, fantasista e perdulário Orçamento federal, pulverizado em milhares de ações e "programas" perdidos e pulverizados, travado por vinculações ineficientes e outras aberrações;
e) Não discute o horroroso sistema de saúde pública, no qual as pessoas esperam meses por uma consulta urgente;
f) Não discute os milhares de homicídios e outras violências, que na larguíssima maioria dos casos inferniza ou acaba com a vida dos mais pobres.
Seria possível ocupar o alfabeto inteiro e mais um pouco.
Como adendo e de passagem, observe-se que Karl Marx, no "18 Brumário" detonava o cretino Luís Napoleão por criar o caos na gestão da economia capitalista, entre outros motivos. Napoleão, aliás, também tinha "azia" quando lia a imprensa e tinha um monte de amigos que fazia negociatas com o dinheiro público. Como Chávez, fez um plebiscito para ratificar o continuísmo (na verdade, o golpe de Estado que acabou por motivar o livro de Marx). Mas chega de sarcasmo histórico, embora o livro de Marx ainda hoje suscite alguma tentação de paralelismo quando pensamos no presidencialismo bonapartista brasileiro);
ENFIM: ONDE ESTÁ A ESQUERDA? Brincando de maluquices importadas dos Estados Unidos (cotas) e, no caso mais comum, procurando um empreguinho no Estado, ou uma verbazinha para sua ONG e coisas assim. Nem mais política com "p" maiúsculo faz, vide a apatia e peleguismo sindicais (para não dizer coisa pior), o atrelamento dos movimentos sociais restantes ao Estado, a ausência de projetos de reforma etc etc.

Fonte: Blog do Vinicius Torres Freire (Folha online)

Não Tem preço


Urubu malandro e galinha ciscadeira

José Múcio, ministro das Relações Institucionais de Lula, disse que Fernando Collor (PTB, de vasta experiência mensaleira) é "experiente". Collor vai levar sua experiência para presidir a comissão do Senado que cuida da infraestrutura, onde está o dinheiro grosso. Collor tem longa experiência com dinheiro.
Collor assumiu a comissão porque José Sarney (PMDB) devia favores de sua vitoriosa campanha à Presidência do Senado, na qual derrotou Tião Viana, do PT. Campanha tocada com toda a experiência de Renan Calheiros (PMDB). Calheiros deve sua permanência no Senado, entre outras experiências, ao apoio do PT e de Ideli Salvatti, senadora do PT que perdeu a boca da infraestrutura para Collor na votação de ontem no Senado.
Collor chamava o governo Sarney de ladrão. Lula dizia o mesmo dos governos Sarney e Collor. Lula dizia que o governo FHC lhe deixara uma "herança maldita", mas no entanto adotou o básico da política econômica de FHC. Lula não reclama de outra herança deixada por FHC, como a reabilitação política de Renan Calheiros. Calheiros foi ministro da Justiça de FHC.
Para usar a expressão que Collor empregou em seu elogio à senadora Salvatti, todo esse pessoal "cisca para dentro". Segundo Collor, "ciscar para dentro" não significa algo como "costurar para fora". No Nordeste, explicou o experiente senador, "ciscar para dentro" significaria "agregar".
Mas deve haver um erro de espécie nessa discussão toda. Isso tudo parece caso de urubu malandro ("urubu malandro/ tá nervoso e quer dançar/ agarradinho nas cadeiras de iaiá", como dizia um samba de avenida do Rio, ou, na versão clássica de 1918, gravada por Baiano: "Urubu municipá/ Larga o osso por favô/ Vê se come os intendente/ Da mão do bispo, sinhô/ Come, come urubu/ Eu não, sinhô").

Fonte: Blog do Vinicius Torres Freire (Folha online)

quinta-feira, março 05, 2009

Formas


LIBERAÇÃO DAS DROGAS E SEUS EFEITOS! - 04/03/2009

1. A legislação brasileira, na prática, já descriminalizou o consumidor de drogas. Uma nova legislação será apenas para detalhar e controlar a repressão. Fala-se em descriminalizar totalmente o porte de pequenas quantidades para consumo pessoal. Isso apenas irá criar um tráfico formiguinha no varejo. Os países que legislaram sobre a questão, como Portugal e Espanha, criaram uma penalização nova, obrigando o consumidor flagrado a se submeter e comprovar o tratamento com presença em hospitais públicos para "bater o ponto". Cria-se assim, no mínimo, um desconforto. Aqui não se fala nisso. Sem nenhuma penalização, será o estímulo ao consumo com mudanças na distribuição.
2. Cresce a proporção daqueles que defendiam a descriminalização do consumo e que hoje defendem pelo menos para a maconha, a descriminalização total. Com isso a produção e a comercialização da maconha ficarão livres. Não precisa ser economista para saber que o capital procura a maior taxa de lucro e que plantar maconha gera uma taxa de lucro muito maior que arroz, feijão, verduras, legumes... Mesmo que a oferta reduza a taxa de lucro da maconha, por décadas continuará sendo muito maior que a dos alimentos, até porque a demanda também crescerá. O argumento das bebidas nos anos 20 nos EUA prova isso em relação à demanda.
3. Da mesma forma, sendo livre, serão criadas redes de comercialização (MacOnha, King`s Mac...) e os supermercados terão sua sessão de maconha, informando a intensidade de cada tipo. A cada dia os novos tipos de maconha transgênica são de intensidade maior de efeito tóxico, distanciando-se da maconha dos hippies dos anos 60, estimulando a dependência.
4. Desta forma, num país de baixa taxa de poupança e alta de pobreza e fome, haverá um desvio da poupança para a plantação e comercialização da maconha, reduzindo a de alimentos. Isso sem falar nas fronteiras. Se parte da soja passeia pelo Paraguai antes de ser exportada, imaginem-se os registros de produção da maconha contrabandeada. Mas se a maconha é livre, sua importação tenderá a impulsionar legislação igual na Bolívia, Paraguai e Peru por razões econômicas. E para cá virão os consumidores do primeiro mundo e o Brasil terá introduzido o Turismo da Maconha nas praias e bares.
5. O Congresso, quando discutir qualquer nova legislação, deve levar em conta seus efeitos econômicos e não apenas os sanitários. E os ministros, governadores, prefeitos, deputados e editoriais da imprensa que defendem a liberação total ou mesmo parcial, que analisem antes seus efeitos globais, além da doença do pobre consumidor e da ação dos delinquentes.

Fonte: Ex-Blog de Cesar Maia

E O PT?

1. Desapareceu em S. Paulo. Sua bancada federal voltou para a "clandestinidade". Não tem nada a dizer sobre a crise econômica. Seu governo na Bahia é patético. Entregou o Congresso ao PMDB. Entregou Belo Horizonte ao PSB do PSDB. A CUT passou a ser o principal interlocutor na defesa das multinacionais. Seus principais líderes no Congresso empossados em 2003 estão sendo julgados no STF. Nenhum de seus quadros de origem é nome para a presidência. E por aí vai.
2. Indiscutivelmente esta foi a maior proeza do governo Lula: derreter o PT.

Fonte: Ex-Blog de Cesar Maia

Formas

FUNDOS DE PENSÃO ESTATAIS! FALTOU DIZER!- 03/03/3009

A gula do PMDB manteve oculto o personagem principal. Quem manda mesmo nos Fundos de Pensão das Estatais Federais é o Gushiken, amigão do Lula, ex-ministro e mais ministro que nunca, agora fora das câmeras, porém mais ativo do que nunca. Conversem com a associação de engenheiros da Petrobrás ou mesmo com quem conhece o Previ-BB, ou todos...

LULA, PT E OS FUNDOS DE PENSÃO! O PMDB NÃO ESTÁ SÓ!
1. Quem reler a revista Veja do início de 1985 verá uma matéria com Lula onde a revista pergunta a razão do PT não vai votar em Tancredo Neves no colégio eleitoral. A resposta de Lula foi pronta: 1) Queremos aumento do salário mínimo; 2) Queremos que os sindicatos controlem diretamente os fundos de pensão. Ou seja, se Tancredo liberasse os fundos de pensão para a CUT, o PT votaria nele. Essa era a moeda de troca. Gushiken, presidente do sindicato dos bancários, iniciou a partir daí um intenso treinamento para se tornar especialista em fundos de pensão e ser o coordenador da CUT/PT com vistas às mudanças da lei naquela direção. O PT conseguiu uma diretoria para os sindicatos em cada fundo de pensão, em geral a diretoria de benefícios. Mas não ficou por aí. Avançou sobre o FGTS e sobre o FAT-seguro desemprego. Delúbio Soares foi o quadro do PT deslocado para representar a CUT nessas funções. O PT e Lula sempre tiveram em mente a manipulação dos recursos financeiros dito dos trabalhadores como forma de fortalecimento do PT e da própria CUT.
2. Na revista Isto É de 16 de janeiro de 1985, Lula responde a pergunta e sublinha: "Outra coisa fundamental: que os trabalhadores controlem os fundos que são, compulsoriamente, recolhidos em seu nome."

Fonte: Ex-Blog do Cesar Maia

ENTÃO PARA QUE A TV DIGITAL? UMA RAZÃO ERA A ABERTURA DO MERCADO! JÁ ERA!

Coluna do Daniel Castro na FSP de sexta.

Governo proíbe novos canais de TV digital

O governo federal editou ontem norma que proíbe as redes comerciais e as emissoras públicas estaduais de emitirem multiprogramação em suas frequências digitais. Isso impede que um canal digital seja dividido em quatro, sem perda de qualidade dos sinais, uma das vantagens da nova tecnologia.
O ato, assinado pelo ministro Hélio Costa (Comunicações), atende a interesses das grandes redes privadas, que não querem a concorrência de novos canais.

Fonte: Ex-Blog do Cesar Maia

Formas


UM NOVO PARTIDO PARA APOIAR SERRA?

A coincidência da consulta do deputado Miro Teixeira ao TSE sobre a criação de um novo Partido (os deputados e senadores que aderirem não serão enquadrados por infidelidade partidária) e a entrevista do senador Jarbas Vasconcelos à Veja, que será desdobrada em discurso no senado nos próximos dias, aumenta a convicção de seniores da política, que se o TSE autorizar, esse partido será criado e fará parte da base de apoio à candidatura do governador José Serra Presidente da República, liberando-os do apoio a Dilma-Lula em 2010.

Fonte: Ex-Blog de Cesar Maia

Formas

DILMA DE LULA: UMA MIRAGEM!

1. Lula, em seu estilo de fazer política através de relações pessoais, lançou açodadamente o nome de sua ministra Dilma Rousseff à Presidência da República. Entende-se sua aflição pela falta de nomes e as pesquisas pipocando. Entende-se também pela admiração que Lula tem por si mesmo e a certeza de que transferirá os votos. Ilusão treda!

2. O voto, não é oferta, mas demanda, especialmente em países como o nosso, onde a política é despartidarizada. O eleitor vai afirmando a idéia de um personagem ideal e acompanha a oferta dos partidos, que se descoincidir com a demanda do eleitor, provocará um curto-circuito. É claro que esse processo sofre descontinuidades quando um personagem frustra radicalmente as expectativas.

3. Lula ganhou as eleições de 2002 desta forma. E pela intensidade de sua presença e pelo desenho que reforça todos os dias de seu personagem, terminou dificultando a escolha de um candidato a presidente, dada a singularidade do personagem que representa.

4. Jacques Seguelá, assessor de imagem de Mitterrand, dizia: - A cena política parece com a do teatro. Apenas parece. No teatro, quando o ator muda de personagem, continua produzindo emoções. Na política, se o faz, não produz mais emoções.

5. Lula, após o mensalão, passou a vender Dilma, sua nova ministra, como a dama de ferro. De repente, após duas operações plásticas, uma facial e outra em seu personagem anterior, passa a levar Dilma a tiracolo tentando "sertanejizar" sua candidata. Nada mais burlesco. Nada mais equivocado.

6. Dilma pode até subir em pesquisas pré-eleitorais, mas quando entrar no jogo e o eleitor descobrir que o personagem nada tem a ver com Lula, vai sair dele. Abre-se assim espaço para que um Tercius surja e tire do palco do segundo turno a candidata de Lula.

7. Sobre isso, dois fatos a mais criam um ambiente fortemente contrário a Dilma de Lula. Primeiro: A crise (lembre de Carville, assessor de Clinton ao superar o favorito Bush-pai: - É a economia, estúpido). Segundo: O grande empresariado se assustou com a escolha do nome de Dilma, incluindo aqui quase a totalidade da grande mídia.

8. Uma sugestão aos demais candidatos a presidente: Esqueçam Dilma, ela é apenas uma miragem.

Fonte? Ex-Blog de Cesar Maia

terça-feira, março 03, 2009

Jarbas reafirma críticas ao PMDB e diz que não aceita nenhuma comissão indicada pelo partido- 03/02/2009

Em discurso nesta terça-feira (3) no plenário do Senado, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) afirmou que não ficou surpreso ao receber a informação que seria afastado da CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) por orientação do seu partido, ao qual ele fez fortes críticas e acusações de envolvimento com corrupção em uma entrevista à revista "Veja".
Jarbas começou o discurso dizendo que declinava do convite feito pela liderança de seu partido a assumir qualquer outro cargo em uma comissão permanente do Senado. "Não aceito qualquer outra indicação do PMDB para colegiados nessa casa", afirmou. Durante sua fala, ele fez críticas à impunidade na política.
"Não foi com surpresa que o atual líder me afastou mais uma vez, sem sequer me comunicar oficialmente", disse Jarbas referindo-se ao senador Renan Calheiros (PMDB-AL), líder do partido na Casa. Jarbas chamou a retaliação de "mesquinha", e lembrou que já havia sido afastado da CCJ em outubro de 2007, junto com o senador Pedro Simon (PMDB-RS). "Nem mesmo na ditadura tive meus direitos cerceados."
Jarbas começou o discurso dizendo que declinava do convite feito pela liderança de seu partido a assumir qualquer outro cargo em uma comissão permanente do Senado. "Não aceito qualquer outra indicação do PMDB para colegiados nessa casa", afirmou. Durante sua fala, ele fez críticas à impunidade na política."Não foi com surpresa que o atual líder me afastou mais uma vez, sem sequer me comunicar oficialmente", disse Jarbas referindo-se ao senador Renan Calheiros (PMDB-AL), líder do partido na Casa. Jarbas chamou a retaliação de "mesquinha", e lembrou que já havia sido afastado da CCJ em outubro de 2007, junto com o senador Pedro Simon (PMDB-RS). "Nem mesmo na ditadura tive meus direitos cerceados."Em reunião realizada hoje, a bancada do PMDB no Senado avalizou a decisão de Renan Calheiros de afastar Jarbas da CCJ, em represália às declarações do senador. Oficialmente, Renan sustenta que Jarbas será retirado da comissão porque não encaminhou ao partido o pedido para integrar a CCJ.
"Nenhuma vírgula" a mais
O senador disse que não acrescentaria mais "nenhuma vírgula" nas declarações feitas à revista "Veja". "Hoje, volto a acrescentar que não tenho vírgula a acrescentar". "Não sou mesquinho, nem pequeno. O que tinha que dizer já disse. Seria pequeno se acrescentasse mais coisas."
Jarbas não citou nomes de parlamentares que estariam envolvidos em casos de corrupção. "Não vou citar nome, reiterar acusações pessoais". O senador disse que existe a Polícia Federal, o Ministério Público e os tribunais que "exercem com eficiência essa prática". "Nunca tive, não tenho e nem desejo ter vocação para ser paladino da ética", completou o senador. Jarbas disse que não se arrepende das declarações que deu à revista e afirmou que o que fez foi "constatar o óbvio".
O senador disse que os nomes de políticos envolvidos em casos de corrupção "vêm à tona quase que diariamente". "Não preciso mencionar", disse. Vasconcelos afirmou que atingiu seu objetivo ao dar a entrevista, já que conseguiu chamar a atenção da sociedade para os problemas de corrupção. "Compactuar com corrupção não é pré-requisito para a carreira política", complementou.
"Volto a esta tribuna duas semanas depois da entrevista que concedi à 'Veja', na qual analisei o quadro político do Brasil. Nesse período, vi, li e ouvi as mais diversas análises sobre as minhas palavras. Levantaram teorias conspiratórias, tentaram me descredenciar. (...) Não temo esses investigadores, apesar de considerá-los credenciados para tal função, pois de crimes eles entendem", afirmou. "A esses arapongas digo apenas que enfrentei coisas piores quando, na década de 1970, denunciei torturas e violências praticadas pela ditadura militar."
O senador reservou parte de seu discurso também para comentar os problemas gerados pela disputa política em torno do controle do fundo de pensão de Furnas. Jarbas defendeu uma auditoria para investigar a aplicação dos recursos que compõem o fundo de pensão

Fonte: www.uol.com.br

segunda-feira, março 02, 2009

Bono usa palavrão para falar de Chris Martin, do Coldplay, em entrevista- 02/03/2009


O vocalista do U2, Bono, carregou nos adjetivos para falar sobre o vocalista do Coldplay, Chris Martin.

Em entrevista à rádio BBC para divulgar seu novo disco, "No Line on the Horizon", o locutor perguntou a Bono se Martin era um músico tão talentoso quanto o ex-beatle Paul McCartney.
Para surpresa de quem ouvia o programa, Bono chamou utilizou uma palavra de baixo calão para se referir a Martin. Na sequência, ele ainda foi novamente rude com o vocalista do Coldplay. "Ele tem um caráter defeituoso e cretino, mas é um bom melodista", afirmou.
Depois de novas críticas, Bono tentou consertar o que disse ao dizer que estava apenas brincando: "O Coldplay é uma boa banda e Martin uma boa alma".
"No Line on the Horizon"
Ainda para promover seu novo álbum, o U2 parou o trânsito na tarde da última sexta-feira (27) em Londres. A banda tocou quatro músicas --duas do novo álbum "No Line On The Horizon" -- no telhado do teatro da BBC, informa Sylvia Colombo;
Pela manhã, o U2 tocou dentro do teatro para uma pequena plateia. O disco será lançado oficialmente no dia 3 de março.

Fonte: Folha online

Golfinho albino é fotografado nos Estados Unidos; veja a foto

RIO DE JANEIRO (Da Redação Click21), 2 de março – O único golfinho do mundo que tem a pele rosa foi fotografado pela segunda vez em uma praia da Louisiana, Estados Unidos.
O animal é albino, e apareceu pela primeira vez no ano passado no Golfo do México, também nos EUA.
A imagem foi capturada pelo capitão Erik Rue, de 42 anos, que trabalha guiando um barco de carga na região.
“Ele é absolutamente rosa”, declarou o capitão.
Fonte: www.click21.com.br

domingo, março 01, 2009

Imagens Criativas

Constituição de 88 tem 142 artigos por regulamentar


Grupo integrado pelos 3 Poderes tenta resolver problema


O Congresso, como se sabe, é uma casa de conflitos.
No Congresso Constituinte de 88, o dissenso foi levado às fronteiras do paroxismo.
Respirava-se uma atomosfera efervescente.
O país saía de um jejum de 21 anos, imposto pela ditadura militar, para um banquete democrático.
Nesse ambiente, o constituinte de 88 acabou produzindo uma Constituição apegada ao detalhe.
Foram ao texto direitos que bem caberiam em leis ordinárias.
Para complicar, o lufalufa legislativo de 88 resultou em inúmeros consensos imperfeitos, que levaram a acordos possíveis, não ideais.
Sempre que o impasse ameaçou caminhar para o insolúvel, recorreu-se ao artifício de transferir a encrenca para uma lei complementar.
Levantamento feito pelo gabinete do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) revela o seguinte:
1. Há na Constituição 351 artigos cuja vigência é condicionada à aprovação de uma lei que o complemente;
2. A Câmara e o Senado já cuidaram da regulamentação de 209 artigos;
3. Continuam pendentes de aprovação 142 leis previstas no texto constitucional –62 dispõem de projetos já apresentados; para 80 nem projetos há.
Ou seja, a oito meses de fazer aniversário de 21 anos, a Constituição é, ainda, uma obra inacabada.
Na prática, alguns dos direitos servidos no banquete de 88 não podem ser degustados em sua plenitude.
Como que antevendo a encrenca futura, os próprios constituintes incluíram no texto da Constituição um antídoto para o veneno.
Criou-se o mandado de injunção. É um tipo de recurso usado para requerer ao Judiciário que obrigue o Legislativo a regulamentar os artigos inconclusos.
Acionado, o STF já endereçou ao Congresso um sem-número de decisões em que pede pressa na aprovação de leis complementares específicas.
Na Câmara e no Senado a maioria dos ofícios do Supremo é tratada a golpes de barriga. Alguns deles adormecem nas gavetas do Congresso há mais de 15 anos.
Incomodados, os ministros do STF passaram a, por assim dizer, “legislar”. O exemplo mais eloquente foi uma decisão tomada no ano passado.
Refere-se ao direito de greve dos servidores públicos. Um direito reconhecido na Constituição, mas condicionado à regulamentação de uma lei que jamais foi aprovada.
Provocado, o STF decidiu impor ao funcionalismo público, por analogia, as mesmas regras da lei 7.783, que regula as paralisações na iniciativa privada. Um remendo.
“Quem bate à porta do Judiciário tem que ter uma resposta, exista ou não uma lei”, diz Demóstenes Torres.
“Nós reclamamos que o Supremo legisla, mas a verdade é que o Congresso não tem feito a parte que lhe cabe”.
Homem de leis, promotor público licenciado, Demóstenes está na bica de assumir a presidência da Comissão de Constituição e Justiça do Senado.
Antes mesmo de sentar na cadeira, o senador decidiu agir. Quer constituir um grupo de trabalho para esquadrinhar os artigos constitucionais inconclusos.
Demóstenes conversou com os presidentes do Senado, José Sarney, e do STF, Gilmar Mendes. Falou também com o ministério da Justiça. Chegou-se a um acordo.
“Concordamos que é preciso suprir as omissões da Constituição de 88”, Demóstenes conta. “Fiz um levantamento. O Supremo e o ministério farão os seus...”
“...A idéia é fazer uma comissão enxuta, de assessores qualificados do Congresso, do Supremo e do Executivo...”
“À medida que os que projetos forem ficando prontos, vão à discussão. O ideal seria apresentar todos ainda em 2009 e votar pelo menos a metade até o final do ano”.
Demóstenes soa demasiado otimista. O Congresso, casa sem hierarquias, não segue a lógica empresarial.
Ali, as decisões são tomadas no voto, ao sabor das negociações e da formação de maiorias. E muitos dos impasses de 1988 sobrevivem em 2009.
Seja como for, é alentador saber que alguém no Congresso mostra-se preocupado em concluir o repasto de direitos levado à mesa faz mais de duas décadas.

Fonte: Blog do Josias de Souza ( Folha online)

Formas


Ô CANALHA ASSANHADA!

Uuuu... A canalha está excitadíssima. Estimulada, claro, pelo caloteiro assalariado do oficialismo. Os que vivem atacando a Rede Globo agora tomam a entrevista do boxeador ao Esporte Espetacular como a revelação da verdade. Eu a tomo como um dado a mais da equação. Se o boxeador deu a entrevista, ela tinha de ir ao ar. Tenho certa curiosidade de saber quando foi feita. Vale dizer: quando é que Lara falou ao Estadão e quando falou ao programa esportivo, com versões opostas?
Lara disse a verdade ao Estadão ou ao Esporte Espetacular? Pois é... Os discípulos da ratazana se acalmem: as duas falas são do mesmo homem e, em princípio, têm o mesmo peso, embora não sejam igualmente críveis. Reitero: o programa de TV faz o seu trabalho, não é? Eu me dou o pleno direito de duvidar desta nova versão pelos motivos já elencados. Ademais, quer dizer que Lula ou oferece refúgio, numa suposta conversa pessoal, ou os deporta? Ou faz carinho ou chuta o traseiro? Tenham paciência!
Ademais, não custa lembrar: Lara ainda tem familiares em Cuba. E em Cuba inexistem democracia e estado de direito. Os vagabundos tirem o cavalo da chuva. Agora é que as coisas ficaram verdadeiramente complicadas. Afinal, segundo essa nova versão, a concessão de refúgio se tornou um ato de vontade do presidente. E isso é ilegal e mentiroso.
Pois é... Sou chato. Como sabem, desconfio de “verdades óbvias”. Ou devo rememorar aqui o caso de certa brasileira “agredida na Suíça por neonazistas”?
Agora é que o caso dos boxeadores ficou realmente interessante!

Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo (Veja online)

Para Vox Populi o ‘piso’ potencial de Dilma é de 30%

O Planalto saboreia os números de uma pesquisa que acaba de sair do forno. Coisa ainda inédita.
Nacos do levantamento foram trazidos à luz pelo repórter Lauro Jardim. Leia abaixo:

“Uma pesquisa recém-concluída e inédita do Vox Populi cravou o piso da candidatura Dilma Rousseff em torno dos 30%.
Esse total é a soma dos eleitores que votam no PT mais os que votam sem restrições em quem Lula indicar.
Para crescer acima desses 30%, aí, sim, vão pesar a qualidade da campanha e a empatia da candidata, hoje com cerca de 14% das preferências.
João Santana, marqueteiro de Lula e uma das cabeças por trás da modelagem da Dilma-candidata, tem dito no Planalto que o ideal é que sua subida nas pesquisas ocorra lentamente até o início do ano que vem.
Se ela terminar o ano com uns 20%, estará de bom tamanho, segundo avalia”.


Fonte: Blog do Josias de Souza (Folha online)

A Fabrica de Monstros


O PUGILISTA CUBANO E A SUPOSTA CONVERSA COM LULA -01/03/2009

O Esporte Espetacular levou ao ar uma entrevista com o pugilista cubano Erislandy Lara. Segundo diz, ele e o colega Guillermo Rigondeaux, presos no Brasil em 2007, voltaram a Cuba por livre e espontânea vontade (veja aqui). É o contrário do que afirmou em outras entrevistas. Leia, por exemplo, a reportagem de Jamil Chade no Estadão (posts abaixo). Em qual Lara acreditar? Bem, leitores, nesses casos, um certo aporte lógico se faz necessário.
Lara diz agora ter conversado pessoalmente com Lula, que lhe teria oferecido a opção de ficar no Brasil. Sei... Vamos ver:
1 – Lula falou pessoalmente com os cubanos por quê? Isso era atribuição do presidente da República? Lula pode muita coisa, mas não decide, pessoalmente, quem pode e quem não pode ficar no Brasil;
2 – A situação do governo brasileiro ficou de tal sorte delicada no episódio, que o Planalto não teria esperado um ano e meio para revelar a intervenção pessoal de Lula — de resto, descabida ainda que fosse verdadeira;
3 – Os dois cubanos foram verdadeiramente caçados pela Polícia Federal e impedidos de dar entrevistas. Por quê?;
4 – Quer dizer que Lara voltou espontaneamente para Cuba — NUM AVIÃO CEDIDO POR HUGO CHÁVEZ — para se arriscar depois, como se arriscou, a fugir de barco? Mais de 80 mil pessoas já morreram tentando esse caminho...
No dia 10 de agosto de 2007, lia-se na Folha de S. Paulo:
Ao apresentar o termo de deportação para os boxeadores cubanos Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara assinarem, a Polícia Federal cometeu “um equívoco”, afirmou ontem o secretário nacional de Justiça, Antonio Carlos Biscaia."Ele [o delegado da PF] colocou termo de deportação, mas na realidade a saída foi espontânea e, juridicamente, não se trata de uma deportação", disse Biscaia. E completou: "A autoridade policial cometeu um equívoco. Eles não estavam em situação ilegal no país. Também não entraram no Brasil de maneira ilegal. A situação de fato deles é de repatriados", afirmou o secretário.
Se os dois “não estavam em situação ilegal no Brasil”, por que foram implacavelmente caçados pela Polícia Federal? Para quê? Para que Lara pudesse bater um papinho com Lula?

Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo ( Veja online)

Marisa a Inútil


Sobre os cubanos ‘fujões’ e a ‘bandidagem completa’

Fino observador da realidade brasileira –cada vez mais irreal e inacreditável—, Elio Gaspari joga sua lupa sobre episódios da semana.
Vão abaixo dois pedaços da coluna do repórter, recolhidos da Folha (assinantes):
- A voz do Dono: “Com a fuga de Cuba do boxeador Guillermo Rigondeaux, escreveu-se o penúltimo capítulo da uma história iniciada em 2007, quando ele e seu colega Erislandy Lara foram deportados pela polícia do comissário Tarso Genro.
O último será escrito quando se souber com quem Fidel Castro falou no dia em que ele soube do desaparecimento da dupla. Que falou com alguém, falou, pois isso foi contado pelo seu chanceler, Felipe Pérez Roque.
Nas suas palavras, o Comandante pediu ao seu interlocutor ajuda para ‘propiciar e organizar’ o repatriamento dos fujões. Pode demorar, mas um dia a identidade do amigo de Fidel será conhecida”.
--
- ‘Bandidagem’: “A patuleia será eterna devedora ao ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, pelo seu grito de guerra: ‘É uma bandidagem completa’.
Ele disse isso ao repórter Gerson Camarotti no meio da tarde de quarta-feira, referindo-se ao que assegura ser a má administração do fundo Real Grandeza, que cuida dos R$ 3 bilhões das aposentadorias dos funcionários de Furnas.
Lobão estava com o corpo pintado, pronto para a batalha que no dia seguinte defenestraria o presidente da fundação e seu diretor de investimentos (repetindo, investimentos).
Horas depois, calçou as sandálias da humildade e disse que ouviria os argumentos dos seus adversários. Caíra-lhe na cabeça um raio do Planalto, pois Nosso Guia mandara congelar o golpe.
Lobão está certo: ‘É uma bandidagem completa’. Qual, não se pode dizer, mas só há duas possibilidades. A bandidagem é dos administradores do Real Grandeza, ou dele.
Como ministro, poderá respaldar suas palavras e se o fizer chamando o Ministério Público, melhor. É isso ou ir embora.
O mais provável é que não faça uma coisa nem outra. Afinal, ‘é uma bandidagem completa’.”

Fonte: Blogo do Josias de Souza ( Folha online)

Marisa a Inútil

O BRASIL DELES 3

A hora dos cínicos

Na Folha Online de ontem, lia-se o seguinte:Dois dias após o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) ter chamado de ilegal o repasse de recursos federais a movimentos que promovem invasões de terra, ministros saíram em defesa do financiamento de associações ligadas à reforma agrária, dizendo que Gilmar Mendes não apontou nenhum fato concreto.Na quarta-feira, Mendes disse, ao comentar a série de ações dos sem-terra durante o Carnaval, que repassar dinheiro público para quem promove invasões de terra é uma "ilicitude", sendo a responsabilidade, segundo ele, "de quem subsidia", no caso o governo federal.
Em Florianópolis, Dilma Rousseff (Casa Civil) disse que o governo age dentro da lei ao transferir verbas às organizações e que aguarda manifestação "formal" do Judiciário sobre eventuais entidades que recebem recursos públicos e estão envolvidas em invasões.
"Para que alguma coisa se caracterize como legalidade ou ilegalidade, ou há uma prova real ou uma manifestação do Judiciário. Eu estou falando de uma manifestação formal. Ou seja, com fundamento."
O ministro Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário) afirmou que não existe "ilicitude abstrata" e que a pasta não repassa dinheiro ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).
Não existe ilicitude abstrata. É preciso saber se a ilicitude é referente a qual contrato, a qual convênio, a qual repasse, pra que a gente possa corrigir." Segundo Cassel, não existe prova de que entidades como a Anca (Associação Nacional de Cooperação Agrícola) e a Concrab (Confederação das Cooperativas de Reforma Agrária) sejam de fato braços do MST.
Ele diz que "está valendo", sim, a medida provisória, editada em 2001, que veta o repasse de recursos a entidades que promovam invasões de terra.
O MST não existe juridicamente, ou seja, não tem CNPJ e, portanto, não pode receber recursos públicos. Por isso criou entidades paralelas, como a Anca e a Concrab, para receber verbas oficiais. Essas entidades funcionam fisicamente sob o mesmo teto do MST em São Paulo e Brasília.
Questionado se tem alguma dúvida sobre a relação dessas entidades com o MST, Cassel disse: "Não tenho nenhuma comprovação objetiva, documental, de que essas duas entidades sejam ligadas ao MST".
Ao lado do Iterra, outra entidade ligada ao MST, Anca e Concrab receberam do governo petista R$ 41,5 milhões. Desde 2004, porém, esse volume de recursos vem caindo a uma média de 25% ao ano.
Ainda sobre as declarações de Mendes, o ministro Cassel disse que a "criminalização é o caminho mais fácil, aparentemente, e menos eficaz".
Comento
Entenderam? O MST não tem existência legal. As entidades que recebem dinheiro do governo são braços do movimento, o que é público — e, pasmem!, nem mesmo os ditos sem-terra negam o fato. Mas o ministro diz não ter “comprovação objetiva” dessa ligação. E nem poderia, já que, para todos os efeitos, o MST não existe.
Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo (Veja online)

Marisa a Inútil


O BRASIL DELES 2

OUTRO SILVA, OS MESMOS ASSASSINOS

Escrevi o texto abaixo no dia 15 de fevereiro de 2005, três dias depois do assassinato de Dorothy Stang. Acho que vale a releitura ou leitura. Explica, em boa parte, a grita que se vê hoje em dia. Do autor do assassinato de que se fala abaixo, nada mais ficamos sabendo. A vítima não é dessas que despertam a atenção da imprensa estrangeira e dos “humanistas” brasileiros.
Quantos Luiz Pereira da Silva vale uma Dorothy Stang? Como? Você não se lembra, leitor, de Luiz Pereira da Silva? Não o condeno por isso. Ninguém dá bola para um Silva no Brasil, a menos que ele seja adotado pela patrulha politicamente correta, torne-se um burguês sem capital, reproduza o sistema de exclusão que jurou combater e se torne um cronista das injustiças brasileiras, admitido nos salões requintados para exibir o seu humor rombudo.
É verdade, leitor, a mídia também deu pouco destaque a Luiz Pereira da Silva e confere ao assassinato de Dorothy Stang dimensões épicas. Ela, não há como ignorar, é a missionária americana assassinada em Anapu, no Pará, por pistoleiros que estavam a serviço, tudo indica, de grileiros de terra. Um evento sem dúvida bárbaro, que merece o repúdio de que está sendo objeto no Brasil e no mundo. Faz bem o jornalismo brasileiro em se interessar pela questão. Está correto o presidente Luiz Inácio Lula Incluído da Silva ao mobilizar três ministros de Estado para prantear a sua morte e buscar os culpados. Que esse crime não fique impune e que seus autores e mandantes sejam trancafiados. Mas e quanto a Luiz Pereira da Silva?
Ninguém assistiu ao nada formidável enterro de Silva. Ninguém foi regar o seu cadáver na esperança de que estivesse fertilizando uma causa. O Estado brasileiro, por meio do governo, grita seu silêncio cúmplice e covarde diante de seu corpo. Ele não é nada. Ele não adula as culpas dos intelectuais incluídos de esquerda que pretendem teleguiar o movimento de libertação dos oprimidos a partir da universidade; ele não serve à estranha escatologia de Dom Tomás Balduino, este impressionante bispo que responsabiliza o agronegócio pela morte da religiosa; ele não serve à maior empresa jamais criada de produtos ideológicos no país chamada MST; seu corpo não se presta à mística da luta do Bem contra o mal; de seu cadáver seco das lágrimas das ONGs, das lágrimas dos povos da floresta, das lágrimas de Lula, das lágrimas de Miguel Rossetto, ministro da Reforma Agrária, das lágrimas de Márcio Thomaz Bastos, ministro da Justiça, das lágrimas de Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, de seu cadáver seco, enfim, não brota a epifania pagã, não se constroem ideologias finalistas, não se vislumbra o fim dos tempos, não se promove o julgamento dos vivos e dos mortos.
Luiz Pereira da Silva é um morto sem sepultura; Luiz Pereira da Silva é um morto de quinta categoria; Luiz Pereira da Silva confunde as afinidades eletivas dos demagogos brasileiros; Luiz Pereira da Silva pertence àquela estranha categoria de homens que, por mais que sofram, jamais vão se tornar mártires de coisa nenhuma; Luiz Pereira da Silva era pobre demais, desimportante demais, vulgar demais até para ser oferecido em holocausto no altar de fantasmagorias de dom Balduíno; Luiz Pereira da Silva não serve como cordeiro do Deus justiceiro do MST.
Sim, para quem ainda não sabe, é chegada a hora de dizer quem era Luiz Pereira da Silva, doravante agora só conjugado o verbo no passado: “era”, pretérito imperfeito, verbo interrompido pela “luta” dos oprimidos de carteirinha convertidos em assassinos impunes e incensados pelo Estado. Fez-se um “não ser”. Luiz Pereira da Silva era o policial da boa gente pernambucana, um Silva que não fez direito a lição de casa, tornado prisioneiro, torturado e assassinado num assentamento do MST. O episódio se deu no dia 5 de fevereiro na cidade de Quipapá, em Pernambuco.
Outro Silva, Cícero Jacinto, também vítima de tortura, foi feito refém por algumas horas. Ambos estavam no encalço de um assentado convertido em bandido comum. Lula não disse nada. Nilmário Miranda não disse nada. Márcio Thomaz Bastos não disse nada. Miguel Rossetto não disse nada. A própria imprensa não disse quase nada. Dorothy Stang, ao menos, é um ser que se conjuga no futuro. Seu corpo pranteado frutificará. De Silva, dentro em breve, não terá restado senão a memória privada de sua família, uma gente a que também não se dá muita importância. Um dia vai sumir. Historiadores ainda hão de incluir Dorothy Stang no capítulo do que chamam, com aquele vitimismo do triunfo que lhes é bem típico, a “história dos vencidos”. Já o Silva, coitado!, terá sumido na poeira dos tempos: pobre demais para que os “vencedores” se importem com ele; demasiadamente humano para que os vencidos oficiais o transformem em símbolo.
E não me venham acusar de cínico ou impiedoso pela pergunta que abre este texto. A contabilidade macabra não é minha, mas do governo Lula. Quem discrimina cadáveres, atribuindo a uns a santidade política e a outros o desprezo covarde, é o Planalto, não eu. Qualquer morte, reza aquele clichê, belo e profundo ainda assim, nos diminui. A cada uma, é por nós, sem dúvida, que os sinos dobram. A despeito disso, vejo-me compelido a escrever: a do soldado Silva evidencia com mais agudeza alguns riscos que corremos do que a de Dorothy Stang.
Sintomas
Espero que a polícia encontre os responsáveis pelas mortes do policial e da missionária e que, no segundo caso, também sejam presos os mandantes, se houver. Que a Justiça se encarregue deles e lhes dê a pena máxima admitida pela lei brasileira. Assim como jamais condescendi com causas que justificariam o terrorismo, nada, nada mesmo, justifica o homicídio de quem não pode nem mesmo se defender. Não há considerandos a respeito. A questão é absoluta. Mas as duas mortes, conquanto remetam ao mesmo mal, frutificam de forma diferente.
O mal que às duas mortes tem nome: desídia, incompetência do governo federal, que, por ação e omissão, vê explodir a violência no campo. É por ação quando, sabidamente, órgãos do Ministério do Meio Ambiente e do Ministério do Desenvolvimento Agrário (e o Incra é a prova escancarada disso) se transformam em aparelhos da militância política, renunciando àquela que é sua condição imanente — ser um corpo técnico para arbitrar as disputas segundo o bem comum — para se tornarem agência de um dos lados do conflito.
Há dias, Miguel Rossetto foi aplaudir a inauguração de uma escola superior de invasões criada pelo MST. Ali, ouviu impassível o discurso de líderes que, sem receio, advogaram a invasão também de terras produtivas. Age para estimular a violência no campo um governo que, dispondo de uma lei para coibir invasões, decide, de forma consciente e acintosa, não aplicá-la. E os demais Poderes e instâncias da República, a começar pela Justiça e pelo Ministério Público, se calam. Age para estimular a violência no campo um governo que, pela boca de seu ministro da Justiça, prega a acomodação tática da Constituição diante dos abusos óbvios do MST.
Omite-se o governo — e, portanto, estimula a violência no campo — quando permite que, ao arrepio de qualquer controle ou acompanhamento responsável, a questão fundiária se transforme em objeto de disputas de organizações não-governamentais e grupos de pressão que põem seus preconceitos e idiossincrasias acima das necessidades econômicas das comunidades nas quais atuam, elegendo, por critérios que lhes são próprios e alheios a qualquer estratégia pública, os perdedores e os vencedores, satanizando uns, incensando outros, fazendo de uns as bestas do apocalipse e, de outros, os anjos da redenção. Ademais, que se observe: outro cadáver se conta em Anapu: trata-se de Adalberto Xavier Leal, funcionário de um suspeito de ser o mandante da morte da religiosa.
O campo voltou a ser palco de ajuste de contas que estão sendo feitos ao arrepio da polícia e dos poderes constituídos da República. À medida que o Estado brasileiro permite que uma força criminosa promova a indústria de invasões, arma, evidentemente, a mão dos que decidem resistir, que se torna, obviamente, não menos criminosa. A diferença importante é que os mortos de um dos lados desaparecem na poeira do tempo, o que vai acontecer com Leal; os do outro viram mártires. E, nesse caso, é impossível deixar de reconhecer: os mortos tornam-se combustível da causa, fertilizam a terra sangrenta regada com a água benta de alguns bispos e o delírio maoísta de alguns santos do pau oco.
As duas mortes, sem dúvida, envergonham as instituições brasileiras, mas há diferenças, volto ao ponto, que expõem aspectos distintos do mesmo mal. Os assassinos de Dorothy Stang são, sob qualquer ponto de vista, marginais; os assassinos do policial Silva têm o desplante de se dizerem vítimas; os assassinos de Dorothy Stang matam e fogem para o mato, e a polícia terá de caçá-los; os assassinos de Silva, na prática, justificam o seu ato e ainda penduram a conta de sua violência nas costas da sociedade brasileira; os assassinos de Dorothy Stang, com razão, tornam-se párias sociais; os de Silva reivindicam a santidade e o direito à justiça com as próprias mãos como se autodefesa fosse; os assassinos de Dorothy Stang praticam o ato nefando correndo, vá lá, os riscos e por empreitada privada; os assassinos de Silva, na prática, são financiados pelo poder público e sabem que não correm nenhum risco ou perigo; os assassinos de Dorothy Stang não merecem nenhuma consideração ou não têm nenhuma circunstância que atenue o horror praticado — e isso está certo; os assassinos de Silva reivindicam uma inocência inata que explica qualquer horror — e isso está errado.
E há mais: Dorothy Stang, é preciso reconhecer, estava numa luta cujos riscos não ignorava. Movia-se naquele espaço da militância que, sabemos todos, é obrigada a flertar com as franjas da ilegalidade, aonde o Estado ou ainda não chegou ou, como é o caso, por incompetência e decisão do governo, jamais chegará. Sua morte agride qualquer princípio da civilidade e da necessária tolerância, jamais se duvide. Mas, entendo, rebaixa menos a República do que o assassinato daquele policial. Enquanto os Silva, já sabidamente policiais, estavam sendo submetidos à tortura, era o Estado brasileiro que se fazia refém de um grupo que aplica suas próprias leis e tem sua própria compreensão do que seja a justiça.
A morte de Dorothy Stang é a prova de um Estado inepto, ausente e incapaz. A morte de Silva é a prova de um Estado contaminado, conspurcado, seqüestrado, feito ele também refém de alguns grupos de pressão. Quando o corpo de Dorothy Stang tombou, levantava-se justamente a indignação nacional. Quando o corpo de Silva tombou, armou-se apenas o silêncio pusilânime do governo, da mídia e das ONGs.
Tanto o silêncio, num caso, como o alarde, no outro, são sintomas evidentes de que, a essas mortes, outras se seguirão. Um dos corpos, o de Silva, já foi esquecido. O outro, o de Dorothy, é um cadáver que procria, é um cadáver que alimenta a causa, é um cadáver, no fim das contas, útil, é um cadáver cujo sentido é gerar outros cadáveres para que, do acúmulo de mortes e mártires, brote a pátria dos sonhos, que é puro horror, de certos grupos que hoje encabrestam a República.
Não pensem que, à feição do governo, também eu lamente mais uma morte do que outra. Não! Tenho a ambição de ter vergonha na cara. Considero indecente, essencialmente imoral, estabelecer o preço político de uma vida, seja para endeusar os mortos, seja para ignorá-los, justificando, tanto em um caso como no outro, a violência dos vivos.

Fonte: Blogo do Reinaldo Azevedo ( Veja online)

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