01/11/2006 - 10h33
Plano do PT quer "desconcentrar" a mídia
FÁBIO ZANINI
da Folha de S.Paulo, em Brasília
O PT divulgou ontem, dois dias após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, o programa do presidente para "democratizar os meios de comunicação", que inclui mudanças legais para dar mais "equilíbrio e proporção" a eles.
O texto final, discretamente publicado na página da campanha de Lula na internet, promete medidas "vigorosas" para regulamentar e descentralizar a mídia. A versão preliminar do documento, que a Folha divulgou em 28 de agosto, era algo mais dura.
Desapareceram algumas idéias polêmicas, que causaram incômodo dentro da campanha do presidente pelo radicalismo, de acordo com o que a Folha apurou.
Exemplos do que ficou de fora são a exigência de que outorgas e renovações de concessões de rádio e televisão passem pelo crivo de "conselhos populares" e a proposta de criação de uma Secretaria de Democratização das Comunicações, vinculada à Presidência da República.
Também foi excluído do texto trecho que pedia mudanças no sistema de contratação de agências de publicidade pelo governo, que geralmente fica concentrado nas mãos de poucos marqueteiros.
Democratização
O documento, intitulado "Comunicação e Democracia", com 13 páginas, mantém a defesa de um "plano vigoroso e específico de democratização da comunicação social no Brasil". Para o PT, "a democratização dos meios de comunicação deve ser entendida como ponto fundamental para o aprofundamento da democracia".
Um dos colaboradores é o professor da USP (Universidade de São Paulo) Bernardo Kucinski, que há anos escreve uma crítica diária da imprensa para o consumo interno do presidente Lula.
O texto é genérico e não entra em detalhes sobre as mudanças, mas dá pistas do que pode ocorrer nos próximos quatro anos.
O presidente se compromete a elaborar uma Lei Geral de Comunicação Eletrônica, com "mecanismos que coíbam a concentração de propriedade [de emissoras de rádio e TV] e de produção de conteúdos e o desequilíbrio concorrencial garantindo, por outro lado, a competitividade, a pluralidade, a diversidade e a concorrência por qualidade dos serviços".
Haveria o recadastramento das concessões de rádio e televisão no país, com o cancelamento das que não estejam "em conformidade com a lei".
Quanto à mídia impressa, o presidente Lula deve criar um "programa de incentivos legais e econômicos para o desenvolvimento de jornais e revistas independentes".
Foi retirada, no entanto, uma expressão da versão preliminar do texto que determinava que esses jornais "não seriam vinculados aos grandes grupos de comunicação".
Os incentivos à mídia independente seriam bancados por bancos oficiais e agências de fomento, que deverão orientar suas políticas para "a expansão, a regionalização e a democratização da comunicação".
Relação problemática
Durante o primeiro mandato, o presidente teve relação tensa com os meios de comunicação. Deu poucas entrevistas e tomou atitudes como a tentativa de expulsão do país do jornalista Larry Rohter, do "New York Times" --que escreveu uma reportagem sobre um suposto abuso de bebida alcoólica pelo presidente--, e de criar um Conselho Federal de Jornalismo, para regulamentar e fiscalizar o exercício da profissão.
Na campanha à reeleição, o contencioso se agravou.
Petistas reclamaram da cobertura da imprensa sobre o escândalo do dossiê, enxergando uma conspiração para derrotar Lula.
Anteontem, jornalistas foram hostilizados por militantes petistas em frente ao Palácio do Alvorada. O presidente interino do PT e coordenador da campanha de Lula, Marco Aurélio Garcia, condenou a agressão, mas pediu que a mídia faça uma "auto-reflexão" sobre seu desempenho.
O texto final também retirou uma parte em que o PT fazia uma autocrítica sobre sua política de comunicação no primeiro mandato e reconhecia fracassos como o CFJ e a tentativa de criar a Ancinav (Agência Nacional do Audiovisual), para regular a produção de cinema e vídeo.
01/11/2006 - 10h49
Bastos diz que revista pode fazer representação para apurar abuso
LUIZ FRANCISCO
da Agência Folha, em Salvador
Depois de participar da abertura do 50º Congresso da União Internacional dos Advogados, o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) disse ontem à noite, em Salvador, que a revista "Veja" pode fazer uma representação ao ministério para apurar se houve abuso de autoridade cometido por um delegado da Polícia Federal contra jornalistas da Editora Abril.
"Ainda bem que nós temos liberdade de imprensa no Brasil. Eu falei com o editor-chefe da "Veja", disse a ele que, se houvesse qualquer abuso, que o delegado nega, bastava que fizesse uma representação ao próprio ministro da Justiça que a gente iria apurar isso com o máximo cuidado", afirmou.
Segundo o ministro, a liberdade de imprensa "é um valor muito alto e prezado por este governo". "O presidente Lula é um produto da imprensa livre."
Márcio Thomaz Bastos disse que conversou duas vezes com o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati, sobre o tema. "Não pode haver quebra de sigilo de fonte. O sigilo de fonte é um sigilo forte, é como o sigilo do advogado, do padre, e nem foi questionado se se quebrava ou se se não quebrava. O que a PF está fazendo é investigar uma acusação da própria revista "Veja", não contra os repórteres", disse o ministro, que negou sua eventual permanência no segundo mandato do governo do presidente Lula. "Não existe hipótese", disse.
01/11/2006 - 10h04
Vitória de Lula explicita luta dentro do PT
FÁBIO ZANINI
da Folha de S.Paulo, em Brasília
O acerto de contas dentro do PT foi escancarado ontem, após passar meses reprimido em nome do projeto maior de reeleger Luiz Inácio Lula da Silva.
O primeiro movimento partiu de Valter Pomar, secretário de Relações Internacionais. Em artigo no site do PT, ele pediu a saída imediata de Marco Aurélio Garcia da presidência do partido, que exerce interinamente desde o afastamento de Ricardo Berzoini por causa do envolvimento na crise do dossiê.
O primeiro passo do que deve ser um longo processo de disputa interna foi dado ontem com a reunião da Executiva Nacional do partido, em Brasília. Mesmo afastado da presidência, Berzoini foi à reunião.
Para Pomar, não é possível "conciliar a condição de presidente nacional (mesmo que interino) do PT, com a condição de funcionário do governo federal". Isso comprometeria a autonomia do partido com relação ao governo, segundo ele. Garcia não respondeu às declarações.
Desgastada por sucessivos escândalos, a direção petista está fragilizada. Correntes "radicais" como a Articulação de Esquerda, de Pomar, e a Democracia Socialista, do secretário-geral Raul Pont, e até a "centrista" Movimento PT tentam aproveitar o momento de turbulência para tentar abocanhar a presidência da legenda.
Apesar disso, os nomes cotados para o cargo são os do ministro Luiz Dulci, da Secretaria Geral da Presidência, do ex-presidente da Petrobras José Eduardo Dutra e do governador do Acre, Jorge Viana.
01/11/2006 - 09h02
PF intimidou jornalistas, diz revista "Veja"
LILIAN CHRISTOFOLETTI
da Folha de S.Paulo
Após o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva ter afirmado que pretende mudar seu relacionamento com a imprensa, três repórteres da revista "Veja" afirmaram ontem terem sido intimidados, pressionados e constrangidos pelo delegado da PF paulista Moysés Eduardo Ferreira.
Chamados a depor na condição de testemunhas, como autores de uma reportagem sobre supostas ilegalidades cometidas por policiais federais, tiveram de responder sobre o posicionamento político da revista e supostas filiações partidárias.
Os depoimentos ocorreram um dia depois de jornalistas terem sido hostilizados por militantes petistas em Brasília, na chegada do presidente ao Palácio da Alvorada. O presidente nacional do PT, Marco Aurélio Garcia, ao comentar o episódio, disse que a imprensa deveria fazer uma "auto-reflexão" sobre a forma com que havia noticiado o escândalo do mensalão.
Após o segundo turno, Lula falou mais de uma vez que pretende melhorar seu relacionamento com os jornalistas.
O depoimento
A investigação da PF partiu de uma reportagem publicada pela revista "Veja", no dia 18 de outubro, que relatava uma operação montada pela cúpula da PF para tentar abafar o caso do dossiê, que envolvia membros do comitê eleitoral de Lula e de Aloizio Mercadante, então candidato do PT ao governo paulista, na compra de documentos contra candidatos tucanos.
A reportagem, apurada por cinco repórteres, informava que Freud Godoy, ex-assessor especial de Lula, manteve um encontro sigiloso nas dependências da PF com Gedimar Passos, ex-policial federal preso com R$ 1,7 milhão.
Os jornalistas Marcelo Carneiro, Júlia Duailibi e Camila Pereira foram intimados pela PF para falar sobre o texto.
Durante os depoimentos, no entanto, o delegado manifestou sua contrariedade com a reportagem, que chamou de "falácia" e "absurda". "Como vocês têm a coragem de escrever isso contra o dr. Severino?", perguntou, segundo a Folha apurou.
Severino Alexandre é o diretor-executivo da PF paulista, o segundo homem do órgão no Estado. Foi citado pela "Veja" como o intermediário da reunião entre Freud e Gedimar.
O delegado Ferreira, segundo os repórteres, insistiu para saber se a revista tinha algum vínculo político, se o editor era filiado a partido político e o motivo de a revista "fabricar" notícias contra a PF.
Apesar de o procedimento tratar especificamente da suposta "operação abafa", o policial quis saber também sobre outras reportagens, como a divulgação das fotos do dinheiro do caso do dossiê. Perguntou se havia alguma ligação entre a publicação e a proximidade da do primeiro turno da eleição.
"Para surpresa dos repórteres sua inquirição se deu não na qualidade de testemunhas, mas de suspeitos. As perguntas giraram em torno da própria revista que, por sua vez, pareceu aos repórteres ser ela, sim, o objeto da investigação", diz a revista e nota.
Polícia
O superintendente da PF de São Paulo, Geraldo Araújo, disse que não houve intimidação nem pressão sobre os jornalistas. "O delegado Moysés [Ferreira] nem é de São Paulo, é de Piracicaba, foi chamado justamente para fazer uma investigação isenta, distanciada."
O delegado Ferreira enviou carta ao diretor-executivo Severino Alexandre afirmando que agiu com "toda cortesia e urbanidade possíveis" e que as perguntas foram somente sobre fatos ligados à reportagem.
Como prova de "normalidade", disse que os depoimentos foram acompanhados pela procuradora da República Elizabeth Mitiko Kobayashi.
Procurada, Kobayashi informou que não iria se manifestar. Segundo a assessoria do Ministério Público Federal paulista, uma declaração dela, no "calor dos fatos", poderia atrapalhar a investigação, que busca identificar a ação de policiais.
Em nota, a PF disse que, em nenhum momento, os repórteres manifestaram "contrariedade ou discordância com a condução do depoimento, causando surpresa [...] a conotação de suposta arbitrariedade".
quarta-feira, novembro 01, 2006
Noticias
PPS e PV pedem comissão para fiscalizar ação da PF
A Câmara dos Deputados deve constituir uma comissão de parlamentares para acompanhar a denúncia de intimidação da Polícia Federal a repórteres da revista Veja. Requerimento nesse sentido será encaminhado pelo PPS e pelo PV, nesta quarta, ao presidente da Câmara, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP).
O requerimento será assinado pelos deputados Raul Jungmann (PPS-PE) e Fernando Gabeira (PV-RJ). Eles pretendem apresentar também um requerimento à Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara, sugerindo a convocação dos repórteres de Veja, do delegado que os inquiriu nesta terça, do diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, e do próprio ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça).
Os requerimentos de Jungmann e Gabeira são uma reação à nota –“Abusos, ameaças e constrangimentos a jornalistas de Veja”—que a revista veiculou no seu sítio na internet (leia despacho abaixo). O texto relata as circunstâncias que envolveram o interrogatório de três repórteres pelo delegado Moysés Eduardo Ferreira.
Intimados como testemunhas, os repórteres receberam tratamento de suspeitos, diz Veja. “Não houve violência física. O relato dos repórteres e da advogada que os acompanhou deixa claro, no entanto, que foram cometidos abusos, constrangimentos e ameaças em um claro e inaceitável ataque à liberdade de expressão garantida na Constituição”.
Em resposta veiculada no seu portal eletrônico, A PF refuta as acusações. Diz que “os questionamentos às testemunhas foram feitos normalmente.” Afirma que “em nenhum momento os repórteres, ou sua advogada, manifestaram (...) a contrariedade ou discordância com a condução do depoimento.” E arremata: “A PF aguarda manifestação formal dos jornalistas para tomar as providências apuratórias cabíveis”.
Para o deputado Jungmann, o caso “envolve questões relacionadas à liberdade de comunicação e de expressão, que são direitos constitucionais. O Congresso tem de tomar conhecimento dessas coisas, saber que sindicância é essa, ouvir o relato dos jornalistas, instar o delegado, o diretor da PF e o próprio ministro a dar explicações”.
A aprovação do requerimento pedindo convocação dos personagens que têm relação com o episódio pode ser demorada. Daí a iniciativa dos parlamentares de encaminhar também ao presidente da Câmara o pedido de nomeação de uma comissão de deputados para acompanhar imediatamente o desenrolar da sindicância aberta pela PF.
Lula decide manter Paulo Lacerda na Polícia Federal
DPF
O ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), como se sabe, já disse a Lula que não deseja ficar na Esplanada no segundo mandato. O presidente ainda não definiu quem irá para o lugar de Thomaz Bastos. Mas, seja quem for, só será nomeado depois de aceitar uma exigência: manter o delegado Paulo Lacerda na direção da Polícia Federal.
Na opinião de Lula, poucos setores de seu governo operaram com “eficiência” semelhante à da PF. Credita os resultados à “profissionalização” e à “modernização” da polícia. Para não comprometer um trabalho que está dando certo, convenceu-se de que Lacerda deve ser mantido, qualquer que seja o sucessor de Thomaz Bastos.
A avaliação de Lula é compartilhada por Thomaz Bastos. O ministro derrama-se em elogios a Lacerda. Gaba-se de tê-lo nomeado, em 2003. Classifica-o como um “tira profissional.” Diz que cumpriu à risca a diretriz que fixara no início do governo, segundo a qual a PF nem perseguiria nem protegeria ninguém.
A avaliação do ministro é contestada pela oposição. PSDB e PFL acusam a PF, por exemplo, de ter “politizado” as investigações do dossiêgate, retardando-a na fase pré-eleitoral. Em privado, Thomaz Bastos diz que a acusação é “irresponsável e criminosa.” Atinge uma instituição que, sob Lula, pautou-se de forma “irrepreensível”. Como "evidência", o ministro menciona o fato de que a denúncia da "quadrilha dos 40", como o Ministério Público se referiu aos envolvidos no escândalo do mensalão, baseia-se em dados recolhidos de investigação feita pela PF.
“Politizada” ou “irrepreensível”, cabe a Lula decidir o que fazer com a PF no segundo mandato. E o presidente já decidiu. Quer Lacerda do seu lado por mais quatro anos. Ele só não fica se não quiser. O delegado entrou na PF por meio de um concurso realizado em 1975. Tornou-se conhecido nacionalmente sob Collor, quando auxiliou o Ministério Público e a CPI do Collorgate, estrelada por petistas como José Dirceu e Aloizio Mercadante, a puxar o novelo das malfeitorias da República de Alagoas.
Para procuradora, PF não intimidou jornalistas
A procuradora da República Elizabeth Mitiko Kobayashi divulgou nesta quarta uma nota com a sua versão sobre o interrogatório dos repórteres da revista Veja, na sede da Polícia Federal, em São Paulo. Ela esteve presente à oitiva, conduzida pelo delegado Moysés Eduardo Ferreira. Reconhece que houve “imperfeições” na transcrição das declarações dos repórteres. Porém, sustenta que foram “apontadas e sanadas”. Afirma que eventual intimidação da PF aos repórteres, conforme denunciado por Veja, “teria provocado imediata reação de minha parte.” Leia abaixo a íntegra da nota da procuradora:
Como procuradora da República presente aos depoimentos que são alvo de contestação da revista “Veja” e da réplica da Polícia Federal, cumpre esclarecer que:
1) Sobre a nota da revista “Veja”, não é correto afirmar que os jornalistas prestaram depoimentos para uma investigação interna da corregedoria da Polícia Federal. Os jornalistas foram ouvidos como testemunhas em inquérito policial para apurar se houve conduta indevida de policiais no interior da PF em São Paulo. A PF ainda não instaurou procedimento administrativo interno sobre os episódios narrados na revista;
2) No caso específico, as irregularidades verificadas foram prontamente apontadas e sanadas no curso dos depoimentos, da maneira detalhada na nota da revista “Veja”;
3) O papel do MPF no caso é certificar que as declarações tomadas no inquérito policial sejam as mais fiéis possíveis aos depoimentos das testemunhas, fazer perguntas de interesse da investigação não realizadas pela PF, bem como buscar outras provas e evidências para esclarecer o caso, determinando e sugerindo a realização de oitivas, perícias etc., para chegar ao resultado almejado por todos: a verdade.
4)Embora as imperfeições ocorridas durante a redução a termo dos depoimentos tenham sido corrigidas e que no meu entendimento pessoal não tenha havido qualquer ato de intimidação por parte da PF, o que teria provocado imediata reação de minha parte, o MPF está aberto para receber qualquer comunicação formal por parte da revista “Veja”.
Elizabeth Mitiko Kobayashi
Procuradora da República
Também nesta quarta, conforme noticiado aqui no blog na véspera, PPS e PV apresentaram requerimento pedindo a constituição de uma comissão de parlamentares para apurar a denúncia de constrangimento aos repórteres de Veja. O PPS patrocinou também requerimento de convocação de uma audiência pública na Câmara para debater as relações do governo com a imprensa.
Em nota, PPS e PV manifestaram “preocupação com a liberdade de imprensa e expressão no Brasil, ameaçada por uma série de pequenos fatos que, somados, nos fazem soar o alarme democrático”. O texto foi lido em plenário por Raul Jungmann (PPS-PE). “Quem está sendo constrangido não é apenas um órgão de imprensa ou os seus repórteres, mas todo cidadão que preza a liberdade de expressão”, disse o deputado.
Invocando a experiência de quem já “combateu a ditadura militar”, o ex-guerrilheiro Fernando Gabeira (PV-RJ) disse que a liberdade de expressão deve existir “não apenas contra os governos de direita, mas também contra administrações de esquerda.”
Gedimar nega que tenha falado com Freud no cárcere
A Polícia Federal interrogou nesta terça o “aloprado” Gedimar Passos, aquele ex-agente da própria PF preso com o dinheiro do dossiêgate. Inquiriu-o o delegado Moysés Eduardo Ferreira. Apura não o caso do dossiê, mas a denúncia de Veja de que Gedimar teria recebido a visita de Freud Godoy, o ex-assessor de Lula, enquanto esteve recolhido à carceragem da PF.
O depoimento durou quatro horas. Gedimar negou que tenha se avistado com Freud. Informou ao delegado Moysés que só deixou a cela em que se encontrava em duas oportunidades: primeiro, para a acareação com o próprio Freud; segundo, quando foi transferido para a superintendência da PF em Cuiabá.
Segundo a reportagem de Veja, Gedimar teria se avistado com Freud às escondidas. A visita não foi registrada nos apontamentos de entrada e saída da sede da PF em São Paulo. Na conversa, o ex-assessor especial da presidência teria pressionado Gedimar a rever o depoimento que prestara no dia de sua prisão, 15 de setembro, envolvendo-o no caso do dossiê.
Gedimar efetivamente alterou o seu primeiro depoimento. Em ofício encaminhado por seus advogados ao TSE, ele disse ter mencionado Freud depois de ter ouvido do delegado Edmilson Pereira Bruno, aquele que vazou as fotos do dossiê, a falsa promessa de que seria liberado caso colaborasse com as investigações. A sindicância conduzida pelo delegado Moysés Ferreira visa verificar eventuais delitos funcionais praticados por funcionários da PF na alegada visita de Freud a Gedimar.
Fonte: blog do Josias de souza
A Câmara dos Deputados deve constituir uma comissão de parlamentares para acompanhar a denúncia de intimidação da Polícia Federal a repórteres da revista Veja. Requerimento nesse sentido será encaminhado pelo PPS e pelo PV, nesta quarta, ao presidente da Câmara, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP).
O requerimento será assinado pelos deputados Raul Jungmann (PPS-PE) e Fernando Gabeira (PV-RJ). Eles pretendem apresentar também um requerimento à Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara, sugerindo a convocação dos repórteres de Veja, do delegado que os inquiriu nesta terça, do diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, e do próprio ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça).
Os requerimentos de Jungmann e Gabeira são uma reação à nota –“Abusos, ameaças e constrangimentos a jornalistas de Veja”—que a revista veiculou no seu sítio na internet (leia despacho abaixo). O texto relata as circunstâncias que envolveram o interrogatório de três repórteres pelo delegado Moysés Eduardo Ferreira.
Intimados como testemunhas, os repórteres receberam tratamento de suspeitos, diz Veja. “Não houve violência física. O relato dos repórteres e da advogada que os acompanhou deixa claro, no entanto, que foram cometidos abusos, constrangimentos e ameaças em um claro e inaceitável ataque à liberdade de expressão garantida na Constituição”.
Em resposta veiculada no seu portal eletrônico, A PF refuta as acusações. Diz que “os questionamentos às testemunhas foram feitos normalmente.” Afirma que “em nenhum momento os repórteres, ou sua advogada, manifestaram (...) a contrariedade ou discordância com a condução do depoimento.” E arremata: “A PF aguarda manifestação formal dos jornalistas para tomar as providências apuratórias cabíveis”.
Para o deputado Jungmann, o caso “envolve questões relacionadas à liberdade de comunicação e de expressão, que são direitos constitucionais. O Congresso tem de tomar conhecimento dessas coisas, saber que sindicância é essa, ouvir o relato dos jornalistas, instar o delegado, o diretor da PF e o próprio ministro a dar explicações”.
A aprovação do requerimento pedindo convocação dos personagens que têm relação com o episódio pode ser demorada. Daí a iniciativa dos parlamentares de encaminhar também ao presidente da Câmara o pedido de nomeação de uma comissão de deputados para acompanhar imediatamente o desenrolar da sindicância aberta pela PF.
Lula decide manter Paulo Lacerda na Polícia Federal
DPF
O ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), como se sabe, já disse a Lula que não deseja ficar na Esplanada no segundo mandato. O presidente ainda não definiu quem irá para o lugar de Thomaz Bastos. Mas, seja quem for, só será nomeado depois de aceitar uma exigência: manter o delegado Paulo Lacerda na direção da Polícia Federal.
Na opinião de Lula, poucos setores de seu governo operaram com “eficiência” semelhante à da PF. Credita os resultados à “profissionalização” e à “modernização” da polícia. Para não comprometer um trabalho que está dando certo, convenceu-se de que Lacerda deve ser mantido, qualquer que seja o sucessor de Thomaz Bastos.
A avaliação de Lula é compartilhada por Thomaz Bastos. O ministro derrama-se em elogios a Lacerda. Gaba-se de tê-lo nomeado, em 2003. Classifica-o como um “tira profissional.” Diz que cumpriu à risca a diretriz que fixara no início do governo, segundo a qual a PF nem perseguiria nem protegeria ninguém.
A avaliação do ministro é contestada pela oposição. PSDB e PFL acusam a PF, por exemplo, de ter “politizado” as investigações do dossiêgate, retardando-a na fase pré-eleitoral. Em privado, Thomaz Bastos diz que a acusação é “irresponsável e criminosa.” Atinge uma instituição que, sob Lula, pautou-se de forma “irrepreensível”. Como "evidência", o ministro menciona o fato de que a denúncia da "quadrilha dos 40", como o Ministério Público se referiu aos envolvidos no escândalo do mensalão, baseia-se em dados recolhidos de investigação feita pela PF.
“Politizada” ou “irrepreensível”, cabe a Lula decidir o que fazer com a PF no segundo mandato. E o presidente já decidiu. Quer Lacerda do seu lado por mais quatro anos. Ele só não fica se não quiser. O delegado entrou na PF por meio de um concurso realizado em 1975. Tornou-se conhecido nacionalmente sob Collor, quando auxiliou o Ministério Público e a CPI do Collorgate, estrelada por petistas como José Dirceu e Aloizio Mercadante, a puxar o novelo das malfeitorias da República de Alagoas.
Para procuradora, PF não intimidou jornalistas
A procuradora da República Elizabeth Mitiko Kobayashi divulgou nesta quarta uma nota com a sua versão sobre o interrogatório dos repórteres da revista Veja, na sede da Polícia Federal, em São Paulo. Ela esteve presente à oitiva, conduzida pelo delegado Moysés Eduardo Ferreira. Reconhece que houve “imperfeições” na transcrição das declarações dos repórteres. Porém, sustenta que foram “apontadas e sanadas”. Afirma que eventual intimidação da PF aos repórteres, conforme denunciado por Veja, “teria provocado imediata reação de minha parte.” Leia abaixo a íntegra da nota da procuradora:
Como procuradora da República presente aos depoimentos que são alvo de contestação da revista “Veja” e da réplica da Polícia Federal, cumpre esclarecer que:
1) Sobre a nota da revista “Veja”, não é correto afirmar que os jornalistas prestaram depoimentos para uma investigação interna da corregedoria da Polícia Federal. Os jornalistas foram ouvidos como testemunhas em inquérito policial para apurar se houve conduta indevida de policiais no interior da PF em São Paulo. A PF ainda não instaurou procedimento administrativo interno sobre os episódios narrados na revista;
2) No caso específico, as irregularidades verificadas foram prontamente apontadas e sanadas no curso dos depoimentos, da maneira detalhada na nota da revista “Veja”;
3) O papel do MPF no caso é certificar que as declarações tomadas no inquérito policial sejam as mais fiéis possíveis aos depoimentos das testemunhas, fazer perguntas de interesse da investigação não realizadas pela PF, bem como buscar outras provas e evidências para esclarecer o caso, determinando e sugerindo a realização de oitivas, perícias etc., para chegar ao resultado almejado por todos: a verdade.
4)Embora as imperfeições ocorridas durante a redução a termo dos depoimentos tenham sido corrigidas e que no meu entendimento pessoal não tenha havido qualquer ato de intimidação por parte da PF, o que teria provocado imediata reação de minha parte, o MPF está aberto para receber qualquer comunicação formal por parte da revista “Veja”.
Elizabeth Mitiko Kobayashi
Procuradora da República
Também nesta quarta, conforme noticiado aqui no blog na véspera, PPS e PV apresentaram requerimento pedindo a constituição de uma comissão de parlamentares para apurar a denúncia de constrangimento aos repórteres de Veja. O PPS patrocinou também requerimento de convocação de uma audiência pública na Câmara para debater as relações do governo com a imprensa.
Em nota, PPS e PV manifestaram “preocupação com a liberdade de imprensa e expressão no Brasil, ameaçada por uma série de pequenos fatos que, somados, nos fazem soar o alarme democrático”. O texto foi lido em plenário por Raul Jungmann (PPS-PE). “Quem está sendo constrangido não é apenas um órgão de imprensa ou os seus repórteres, mas todo cidadão que preza a liberdade de expressão”, disse o deputado.
Invocando a experiência de quem já “combateu a ditadura militar”, o ex-guerrilheiro Fernando Gabeira (PV-RJ) disse que a liberdade de expressão deve existir “não apenas contra os governos de direita, mas também contra administrações de esquerda.”
Gedimar nega que tenha falado com Freud no cárcere
A Polícia Federal interrogou nesta terça o “aloprado” Gedimar Passos, aquele ex-agente da própria PF preso com o dinheiro do dossiêgate. Inquiriu-o o delegado Moysés Eduardo Ferreira. Apura não o caso do dossiê, mas a denúncia de Veja de que Gedimar teria recebido a visita de Freud Godoy, o ex-assessor de Lula, enquanto esteve recolhido à carceragem da PF.
O depoimento durou quatro horas. Gedimar negou que tenha se avistado com Freud. Informou ao delegado Moysés que só deixou a cela em que se encontrava em duas oportunidades: primeiro, para a acareação com o próprio Freud; segundo, quando foi transferido para a superintendência da PF em Cuiabá.
Segundo a reportagem de Veja, Gedimar teria se avistado com Freud às escondidas. A visita não foi registrada nos apontamentos de entrada e saída da sede da PF em São Paulo. Na conversa, o ex-assessor especial da presidência teria pressionado Gedimar a rever o depoimento que prestara no dia de sua prisão, 15 de setembro, envolvendo-o no caso do dossiê.
Gedimar efetivamente alterou o seu primeiro depoimento. Em ofício encaminhado por seus advogados ao TSE, ele disse ter mencionado Freud depois de ter ouvido do delegado Edmilson Pereira Bruno, aquele que vazou as fotos do dossiê, a falsa promessa de que seria liberado caso colaborasse com as investigações. A sindicância conduzida pelo delegado Moysés Ferreira visa verificar eventuais delitos funcionais praticados por funcionários da PF na alegada visita de Freud a Gedimar.
Fonte: blog do Josias de souza
Noticias
01/11/2006 - 17h08
Duda ganha fama com marketing político
Publicidade
da Folha Online
O publicitário Duda Mendonça, um dos principais "marqueteiros" do país para campanhas eleitorais, ganhou fama também por seu envolvimento com um dos principais escândalos políticos do país em anos recentes: o episódio do "mensalão".
Em agosto de 2005, Duda Mendonça admitiu à CPI dos Correios que foi pago pelo PT por serviços prestados na campanha de 2002 por meio de caixa dois. Segundo o depoimento de Duda à CPI, houve uma longa negociação com o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, para receber os valores, da ordem de R$ 10 milhões. O PT protelava o pagamento. Até que se definiu pelos depósitos ilegais, por meio de caixa dois, na empresa offshore das Bahamas.
O depoimento do publicitário caiu como uma bomba no meio político. À época, chegou-se a especular que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva corria o risco de ser acusado de crime eleitoral. No limite, especularam juristas ouvidos pela Folha, Lula ainda poderia sofrer processo de impeachment e responder a ação penal por prevaricação.
Mensalão tucano
O nome de Duda Mendonça também apareceu nas insvestigações sobre a campanha ao governo de Minas de Eduardo Azeredo (PSDB), em 1998. Ele teria ganho ganho R$ 3,8 milhões "por fora", também por meio de empréstimos do empresário Marcos Valério.
Cláudio Mourão, tesoureiro da campanha, reconheceu que a campanha de Azeredo custou R$ 20 milhões, dos quais apenas R$ 8,5 milhões foram declarados à Justiça Eleitoral. Afirmou que o dinheiro do caixa dois teve origem em empréstimos obtidos por Valério no Banco Rural.
Mourão disse ainda que o pagamento de R$ 3,8 milhões a Duda Mendonça --o valor total do serviço foi de R$ 4,5 milhões-- foi feito de "maneira não-oficial" a pedido do publicitário. Afirmou que os repasses a Duda foram feitos, em espécie, por Valério.
Rinha de galo
Em outubro de 2004, durante as eleições municipais, Duda Mendonça, responsável pela campanha do PT em São Paulo, foi preso em flagrante na noite durante uma operação da Polícia Federal de repressão às rinhas de galo num sítio entre Recreio dos Bandeirantes e Jacarepaguá, zona oeste do Rio de Janeiro.
De acordo com a PF, mais de 200 pessoas estavam no local, entre elas o vereador reeleito no Rio pelo PT, Jorge Babu. Foram encontrados R$ 8.000 em dinheiro e vários cheques em branco. O ingresso para participar, nesta noite, custava R$ 50. O volume médio de apostas por luta é de R$ 50 mil.
No casarão, havia três arenas, duas pequenas e uma grande, além de viveiros. A polícia também recolheu placares e cerca de cem animais, alguns machucados.
Segundo o delegado da Polícia Federal responsável pelo caso, Antonio Carlos Rayol, da Delemaph (Delegacia de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico), Duda Mendonça declarou ser sócio do local. O delegado disse que a operação foi motivada por denúncias de órgãos de defesa dos animais.
A prática é considerada crime ambiental e se enquadra no artigo 32 da legislação ambiental, que prevê pena de detenção de três meses a um ano, além de multa. A pena pode ser aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal.
O artigo condena "o ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos".
De acordo com o delegado-substituto e chefe do setor de Inteligência da Polícia Federal, Lorenzo Pompilio da Hora, 45, Duda Mendonça poderá responder também por formação de quadrilha, conforme prevê o Código Penal.
Paraíba
O escândalo do "mensalão" e a rinha de galo não foram os últimos episódios obscuros em que o publicitário foi envolvido. No início deste ano, o Ministério Público Federal na Paraíba elaborou ação para investigar suposto contrato informal de R$ 800 mil entre a ex-prefeita de Campina Grande Cozete Barbosa (PT) e a agência de Duda. Segundo a ação, o dinheiro foi transferido dos cofres municipais à agência de propaganda, de março de 2003 a abril de 2004, sem que houvesse contrato formal.
A denúncia foi feita no ano passado pela ex-secretária das Finanças de Campina Grande Aleni Rodrigues de Oliveira. Segundo sua versão, esse contrato foi acertado no início de 2003 para serviços de mudança do logotipo da prefeitura e de assessoria para melhoria da imagem da prefeita.
Segundo a denunciante, o dinheiro para o pagamento saía dos cofres da prefeitura, em parcelas de R$ 80 mil. A Justiça chegou a bloquear os bens do publicitário, em uma decisão revogada mais tarde pelo Tribunal da Paraíba.
Na ocasião, a prefeita Cozete Barbosa declarou à Folha que "tudo foi pago dentro da legalidade". Segundo ela, "a história é falsa, a agência de Duda fez uma consultoria à empresa Criare [Propaganda] que era a empresa de comunicação da prefeitura".
Fonte: folha online
Duda ganha fama com marketing político
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da Folha Online
O publicitário Duda Mendonça, um dos principais "marqueteiros" do país para campanhas eleitorais, ganhou fama também por seu envolvimento com um dos principais escândalos políticos do país em anos recentes: o episódio do "mensalão".
Em agosto de 2005, Duda Mendonça admitiu à CPI dos Correios que foi pago pelo PT por serviços prestados na campanha de 2002 por meio de caixa dois. Segundo o depoimento de Duda à CPI, houve uma longa negociação com o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, para receber os valores, da ordem de R$ 10 milhões. O PT protelava o pagamento. Até que se definiu pelos depósitos ilegais, por meio de caixa dois, na empresa offshore das Bahamas.
O depoimento do publicitário caiu como uma bomba no meio político. À época, chegou-se a especular que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva corria o risco de ser acusado de crime eleitoral. No limite, especularam juristas ouvidos pela Folha, Lula ainda poderia sofrer processo de impeachment e responder a ação penal por prevaricação.
Mensalão tucano
O nome de Duda Mendonça também apareceu nas insvestigações sobre a campanha ao governo de Minas de Eduardo Azeredo (PSDB), em 1998. Ele teria ganho ganho R$ 3,8 milhões "por fora", também por meio de empréstimos do empresário Marcos Valério.
Cláudio Mourão, tesoureiro da campanha, reconheceu que a campanha de Azeredo custou R$ 20 milhões, dos quais apenas R$ 8,5 milhões foram declarados à Justiça Eleitoral. Afirmou que o dinheiro do caixa dois teve origem em empréstimos obtidos por Valério no Banco Rural.
Mourão disse ainda que o pagamento de R$ 3,8 milhões a Duda Mendonça --o valor total do serviço foi de R$ 4,5 milhões-- foi feito de "maneira não-oficial" a pedido do publicitário. Afirmou que os repasses a Duda foram feitos, em espécie, por Valério.
Rinha de galo
Em outubro de 2004, durante as eleições municipais, Duda Mendonça, responsável pela campanha do PT em São Paulo, foi preso em flagrante na noite durante uma operação da Polícia Federal de repressão às rinhas de galo num sítio entre Recreio dos Bandeirantes e Jacarepaguá, zona oeste do Rio de Janeiro.
De acordo com a PF, mais de 200 pessoas estavam no local, entre elas o vereador reeleito no Rio pelo PT, Jorge Babu. Foram encontrados R$ 8.000 em dinheiro e vários cheques em branco. O ingresso para participar, nesta noite, custava R$ 50. O volume médio de apostas por luta é de R$ 50 mil.
No casarão, havia três arenas, duas pequenas e uma grande, além de viveiros. A polícia também recolheu placares e cerca de cem animais, alguns machucados.
Segundo o delegado da Polícia Federal responsável pelo caso, Antonio Carlos Rayol, da Delemaph (Delegacia de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico), Duda Mendonça declarou ser sócio do local. O delegado disse que a operação foi motivada por denúncias de órgãos de defesa dos animais.
A prática é considerada crime ambiental e se enquadra no artigo 32 da legislação ambiental, que prevê pena de detenção de três meses a um ano, além de multa. A pena pode ser aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal.
O artigo condena "o ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos".
De acordo com o delegado-substituto e chefe do setor de Inteligência da Polícia Federal, Lorenzo Pompilio da Hora, 45, Duda Mendonça poderá responder também por formação de quadrilha, conforme prevê o Código Penal.
Paraíba
O escândalo do "mensalão" e a rinha de galo não foram os últimos episódios obscuros em que o publicitário foi envolvido. No início deste ano, o Ministério Público Federal na Paraíba elaborou ação para investigar suposto contrato informal de R$ 800 mil entre a ex-prefeita de Campina Grande Cozete Barbosa (PT) e a agência de Duda. Segundo a ação, o dinheiro foi transferido dos cofres municipais à agência de propaganda, de março de 2003 a abril de 2004, sem que houvesse contrato formal.
A denúncia foi feita no ano passado pela ex-secretária das Finanças de Campina Grande Aleni Rodrigues de Oliveira. Segundo sua versão, esse contrato foi acertado no início de 2003 para serviços de mudança do logotipo da prefeitura e de assessoria para melhoria da imagem da prefeita.
Segundo a denunciante, o dinheiro para o pagamento saía dos cofres da prefeitura, em parcelas de R$ 80 mil. A Justiça chegou a bloquear os bens do publicitário, em uma decisão revogada mais tarde pelo Tribunal da Paraíba.
Na ocasião, a prefeita Cozete Barbosa declarou à Folha que "tudo foi pago dentro da legalidade". Segundo ela, "a história é falsa, a agência de Duda fez uma consultoria à empresa Criare [Propaganda] que era a empresa de comunicação da prefeitura".
Fonte: folha online
Noticias
01/11/2006 - 16h06
PT prejudica governo "por burrice e incompetência", diz Kennedy Alencar
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da Folha Online
O jornalista Kennedy Alencar, 39, repórter especial da Sucursal de Brasília e colunista da Folha Online, afirmou nesta quarta-feira que "por burrice e incompetência" o PT continua criando dificuldades ao presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva. Participaram do chat 601 pessoas.
Na opinião de Alencar, Lula "acertou o tom" ao pedir um grande entendimento nacional para o segundo mandato em seu primeiro pronunciamento oficial depois da reeleição. No entanto, explica o jornalista, os ataques de seu partido tanto à imprensa como à política econômica podem prejudicá-lo.
"Mais uma vez, por burrice, incompetência e o viés autoritário e anacrônico de algumas correntes, o PT cria mais problemas para o governo", disse Alencar, que participou de um bate-papo com 608 internautas.
Para o colunista, o país pode esperar do segundo mandato de Lula o "aprofundamento de alguns programas sociais", mas, do ponto vista econômico, ele acredita que "haverá uma mudança mais de discurso do que de prática."
Alencar disse ainda que o entendimento nacional proposto por Lula "seria fundamental para o país avançar mais rapidamente". "Se houver o acerto de uma agenda comum, não é preciso aliança nem governo de coalizão, poderiam aprovar no Congresso muita coisa que um certo 'centro conservador' rejeita", disse.
Escândalos
Segundo o jornalista, a tendência é que existam novos escândalos de corrupção no governo, que é "uma máquina enorme, com muita gente, muitos interesses". "É natural que apareçam novos casos", disse.
Assim, em sua opinião, as crises do primeiro mandato podem até levar a uma banalização da corrupção no país. "Como no primeiro mandato Lula já se desgastou muito nessa área, a influência do mensalão e do dossiegate, creio, será tornar ainda mais custosa a aparição de um caso de corrupção."
O jornalista rechaçou a teoria petista de que a imprensa tenha culpa pelas crises tanto envolvendo membros do governo como do PT.
"Nenhum dos escândalos teve origem na imprensa. Vieram todos de aliados ou de membros do PT. Se a imprensa erra, e ela erra, sim, é algo que deve e merece ser criticado. No entanto, hostilizá-la e julgá-la responsável pela crise é um equívoco. O presidente do PT, Marco Aurélio Garcia, deveria propor uma auto-reflexão não só à mídia, mas, sobretudo, ao seu partido", disse.
Mito
Alencar classificou de "mito" a influência que supostamente os ex-ministros José Dirceu e Antonio Palocci ainda possam ter sobre o governo Lula.
"Dirceu tem força no PT, e luta para tentar provar inocência na Justiça. Não tem energia para influenciar o governo. Palocci deixou boa herança econômica. Creio que será um deputado federal de destaque, com idéias corretas, a meu ver, sobre economia", afirmou.
O jornalista também respondeu a questões sobre a um possível impeachment. Para ele, é bem difícil que aconteça porque, além de ter uma imagem forte junto à população, "não há prova de envolvimento do presidente com crime de responsabilidade ou crime eleitoral."
"Depois de uma crise tremenda em 16 meses, o Lula ter se reelegido como se reelegeu foi grande demonstração de força. Obviamente, não deve confundir isso com perdão de desvios éticos, mas entender que, apesar deles, a maioria da população aprovou a gestão econômica e social", disse.
Resultado das eleições
Na opinião de Alencar, o grande vencedor destas eleições foi justamente o presidente Lula. O PT também se fortaleceu por ter conseguido eleger "governadores importantes, como Jaques Wagner na Bahia e Marcelo Déda em Sergipe".
Já o PFL "perdeu bastante", opinou, enquanto o "PSDB perdeu por um lado, mas elegeu [José] Serra e Aécio [Neves], nomes que, aos olhos de hoje e na minha opinião, despontam como os mais fortes presidenciáveis para 2010."
O jornalista também comentou o fato de Geraldo Alckmin ter obtido menos votos no segundo turno do que na primeira votação. Para ele, mais do que um movimento ideológico em prol do tucano, "Lula recebeu um voto de castigo".
"Parte do eleitorado quis forçar um segundo turno. Essa parcela ficou contrariada com a ausência dele no debate da Globo, não gostou da foto do dinheiro do dossiê. Creio que havia um sentimento mais de rejeição ao Lula naquele momento do que de desejo de eleger o Alckmin", disse.
Fonte: folha on line
PT prejudica governo "por burrice e incompetência", diz Kennedy Alencar
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da Folha Online
O jornalista Kennedy Alencar, 39, repórter especial da Sucursal de Brasília e colunista da Folha Online, afirmou nesta quarta-feira que "por burrice e incompetência" o PT continua criando dificuldades ao presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva. Participaram do chat 601 pessoas.
Na opinião de Alencar, Lula "acertou o tom" ao pedir um grande entendimento nacional para o segundo mandato em seu primeiro pronunciamento oficial depois da reeleição. No entanto, explica o jornalista, os ataques de seu partido tanto à imprensa como à política econômica podem prejudicá-lo.
"Mais uma vez, por burrice, incompetência e o viés autoritário e anacrônico de algumas correntes, o PT cria mais problemas para o governo", disse Alencar, que participou de um bate-papo com 608 internautas.
Para o colunista, o país pode esperar do segundo mandato de Lula o "aprofundamento de alguns programas sociais", mas, do ponto vista econômico, ele acredita que "haverá uma mudança mais de discurso do que de prática."
Alencar disse ainda que o entendimento nacional proposto por Lula "seria fundamental para o país avançar mais rapidamente". "Se houver o acerto de uma agenda comum, não é preciso aliança nem governo de coalizão, poderiam aprovar no Congresso muita coisa que um certo 'centro conservador' rejeita", disse.
Escândalos
Segundo o jornalista, a tendência é que existam novos escândalos de corrupção no governo, que é "uma máquina enorme, com muita gente, muitos interesses". "É natural que apareçam novos casos", disse.
Assim, em sua opinião, as crises do primeiro mandato podem até levar a uma banalização da corrupção no país. "Como no primeiro mandato Lula já se desgastou muito nessa área, a influência do mensalão e do dossiegate, creio, será tornar ainda mais custosa a aparição de um caso de corrupção."
O jornalista rechaçou a teoria petista de que a imprensa tenha culpa pelas crises tanto envolvendo membros do governo como do PT.
"Nenhum dos escândalos teve origem na imprensa. Vieram todos de aliados ou de membros do PT. Se a imprensa erra, e ela erra, sim, é algo que deve e merece ser criticado. No entanto, hostilizá-la e julgá-la responsável pela crise é um equívoco. O presidente do PT, Marco Aurélio Garcia, deveria propor uma auto-reflexão não só à mídia, mas, sobretudo, ao seu partido", disse.
Mito
Alencar classificou de "mito" a influência que supostamente os ex-ministros José Dirceu e Antonio Palocci ainda possam ter sobre o governo Lula.
"Dirceu tem força no PT, e luta para tentar provar inocência na Justiça. Não tem energia para influenciar o governo. Palocci deixou boa herança econômica. Creio que será um deputado federal de destaque, com idéias corretas, a meu ver, sobre economia", afirmou.
O jornalista também respondeu a questões sobre a um possível impeachment. Para ele, é bem difícil que aconteça porque, além de ter uma imagem forte junto à população, "não há prova de envolvimento do presidente com crime de responsabilidade ou crime eleitoral."
"Depois de uma crise tremenda em 16 meses, o Lula ter se reelegido como se reelegeu foi grande demonstração de força. Obviamente, não deve confundir isso com perdão de desvios éticos, mas entender que, apesar deles, a maioria da população aprovou a gestão econômica e social", disse.
Resultado das eleições
Na opinião de Alencar, o grande vencedor destas eleições foi justamente o presidente Lula. O PT também se fortaleceu por ter conseguido eleger "governadores importantes, como Jaques Wagner na Bahia e Marcelo Déda em Sergipe".
Já o PFL "perdeu bastante", opinou, enquanto o "PSDB perdeu por um lado, mas elegeu [José] Serra e Aécio [Neves], nomes que, aos olhos de hoje e na minha opinião, despontam como os mais fortes presidenciáveis para 2010."
O jornalista também comentou o fato de Geraldo Alckmin ter obtido menos votos no segundo turno do que na primeira votação. Para ele, mais do que um movimento ideológico em prol do tucano, "Lula recebeu um voto de castigo".
"Parte do eleitorado quis forçar um segundo turno. Essa parcela ficou contrariada com a ausência dele no debate da Globo, não gostou da foto do dinheiro do dossiê. Creio que havia um sentimento mais de rejeição ao Lula naquele momento do que de desejo de eleger o Alckmin", disse.
Fonte: folha on line
Noticias
01/11/2006 - 18h50
Heloísa diz que proposta de unir partidos no segundo mandato é "cínica"
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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
A senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) fez hoje um duro discurso na tribuna do Senado Federal para condenar o que chamou de "cinismo" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao prometer reunir partidos do governo e da oposição em busca de coalizão em seu segundo mandato. Segundo a senadora, o discurso de união partidária é "ridículo e medíocre", já que os partidos que fazem oposição ao governo não podem ser "cúmplices da roubalheira e do banditismo político".
A senadora disse que o PSOL não está disposto a dialogar com o presidente. "O PSOL não será seduzido nem entrará em nenhum canto do Palácio do Planalto porque os fundadores do PSOL fundaram o partido nos meses de glória do governo por coerência ideológica, porque não aceitaram encobrir a podridão", enfatizou.
Apesar de dizer respeitar a decisão de 58 milhões de eleitores que reelegeram Lula, a senadora afirmou que muitas vezes os brasileiros não sabem escolher bons políticos. "Não sou demagoga a ponto de dizer que qualquer decisão do povo é sábia e soberana. Conversa! Se eu tivesse passado oito anos roubando aqui no Congresso Nacional, sendo cúmplice da roubalheira do presidente Lula, teria tido mais chance de ser eleita", criticou.
Segundo Heloísa Helena, 67 milhões de pessoas disseram "não" ao presidente Lula quando decidiram votar nulo, justificar o voto ou escolher Geraldo Alckmin (PSDB).
Como candidata derrotada ao Palácio do Planalto, a senadora disse que vai retomar sua rotina de professora na Universidade Federal de Alagoas. "Vossas Excelências estarão todos aqui na Casa, e eu estarei na Universidade Federal de Alagoas, dando aula de cabeça erguida de consciência tranqüila, fazendo o bom combate, continuando na construção do PSOL", encerrou.
Fonte: folha online
Heloísa diz que proposta de unir partidos no segundo mandato é "cínica"
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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
A senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) fez hoje um duro discurso na tribuna do Senado Federal para condenar o que chamou de "cinismo" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao prometer reunir partidos do governo e da oposição em busca de coalizão em seu segundo mandato. Segundo a senadora, o discurso de união partidária é "ridículo e medíocre", já que os partidos que fazem oposição ao governo não podem ser "cúmplices da roubalheira e do banditismo político".
A senadora disse que o PSOL não está disposto a dialogar com o presidente. "O PSOL não será seduzido nem entrará em nenhum canto do Palácio do Planalto porque os fundadores do PSOL fundaram o partido nos meses de glória do governo por coerência ideológica, porque não aceitaram encobrir a podridão", enfatizou.
Apesar de dizer respeitar a decisão de 58 milhões de eleitores que reelegeram Lula, a senadora afirmou que muitas vezes os brasileiros não sabem escolher bons políticos. "Não sou demagoga a ponto de dizer que qualquer decisão do povo é sábia e soberana. Conversa! Se eu tivesse passado oito anos roubando aqui no Congresso Nacional, sendo cúmplice da roubalheira do presidente Lula, teria tido mais chance de ser eleita", criticou.
Segundo Heloísa Helena, 67 milhões de pessoas disseram "não" ao presidente Lula quando decidiram votar nulo, justificar o voto ou escolher Geraldo Alckmin (PSDB).
Como candidata derrotada ao Palácio do Planalto, a senadora disse que vai retomar sua rotina de professora na Universidade Federal de Alagoas. "Vossas Excelências estarão todos aqui na Casa, e eu estarei na Universidade Federal de Alagoas, dando aula de cabeça erguida de consciência tranqüila, fazendo o bom combate, continuando na construção do PSOL", encerrou.
Fonte: folha online
Hélio Schwartsman
28/09/2006
Dilema democrático
Comento hoje com um salutar atraso o escândalo do dossiê. Meus piores temores se materializaram. Por não termos sido intransigentes com a ética lá atrás, metemo-nos agora numa bela enrascada. Em princípio, há elementos de sobra para instaurar processos eleitoral e por crime de responsabilidade contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas, ao que tudo indica, dentro de três dias ele será mais uma vez sagrado primeiro mandatário com mais de 60 milhões de votos. Qualquer ação para impedi-lo de exercer um segundo governo terá acintoso caráter antipopular e poderá ser interpretada como um golpe contra a democracia. De modo análogo, fingir que nada ocorreu e que regras fundamentais do jogo republicano não foram quebradas por Lula ou pelo grupo que o cerca também conspira contra o caráter democrático das instituições.
Sinceramente, já nem sei qual atitude seria a menos pior agora. No mundo do dever-ser, a solução se afigura mais fácil. Assim como Fernando Collor de Mello foi legalmente afastado em 1992, deveríamos ter instaurado um processo semelhante contra Fernando Henrique Cardoso em 1997, quando surgiram evidências insofismáveis de que parlamentares foram subornados para votar a emenda constitucional que permitiu a reeleição de presidente, governadores e prefeitos. E a mesma trilha deveria ter sido percorrida no ano passado, assim que ficou patente que a atual administração mantinha um esquema quase institucionalizado de compra de deputados. Só que nada disso aconteceu e provavelmente nada ocorrerá.
É claro que o impeachment é um processo traumático e não isento de riscos. Mas os prejuízos de nossa leniência são incomensuravelmente maiores. Entre mensalões e sanguessugas, estamos com algo como 15% de nossos deputados envolvidos com graves falcatruas --sem mencionar que a maior parte da primeira leva de "julgados" em plenário foi absolvida. Mais do que isso, toleramos um governo que confunde Estado com partido e não cessa de aprontar crimes que, embora não firam de morte, maculam consideravelmente nossa jovem democracia.
O que me assusta no PT já não é o total oblívio do discurso ético que até pouco tempo atrás o diferenciava dos demais partidos --e no qual eu e tantos outros inadvertidamente acreditamos--, mas a incompetência com que se lança em operações fraudulentas e canalhas. Acho que foi o próprio Lula quem disse que o setor de inteligência (sic) da campanha petista havia colocado em risco uma eleição garantida (a dele) para tentar ganhar uma perdida (a de Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo). Se tamanha incapacidade se reproduz nas esferas administrativas, o país está perdendo rios de dinheiro com erros operacionais.
Escolado pelos últimos acontecimentos, não duvido de que tucanos de alta plumagem tenham participado de esquemas corruptos, como sugere o noticiário sobre o dossiê. O caso Azeredo está aí para provar que o PT não inventou nada nessa matéria. Vou até um pouco mais longe e admito que não há crime nem --vá lá-- problema moral em pagar alguém para dizer a verdade. Ainda assim resta a questão da origem dos quase R$ 2 milhões que seriam utilizados para adquirir o pacote dossiê-entrevista. A relutância das autoridades em revelar de onde vem o dinheiro sugere a um só tempo que a Polícia Federal é menos republicana do que se apregoa e que o PT, por seguir empregando os famosos recursos não-contabilizados, não é nem mesmo capaz de aprender com seus próprios erros. De qualquer forma, concordo com a avaliação de que a imprensa deu menos espaço do que deveria à apuração das verdades antitucanas que o papelório possa conter.
Sei que alguns vão me criticar por ter afirmado que deveríamos ter deposto três de nossos últimos quatro presidentes. O impeachment, muitos afirmam, é algo para ser usado uma vez a cada século. Não sei de onde tiraram esse mantra, mas discordo. A sanção política prevista para o crime de responsabilidade do presidente da República deve ser aplicada tantas vezes quantas se faça necessário. Se três de nossos quatro últimos mandatários pisaram na bola, a culpa é deles. Se Collor, FHC e Lula prevaricaram, por ação, omissão ou uma mistura de ambos, não deveriam existir razões para que não fossem afastados. No mundo real, entretanto, o impeachment só se materializa se o governo estiver muito mal avaliado pela população, o que modernamente tem ocorrido muito mais por conta do desempenho da economia global do que por causa de políticas ou decisões da administração.
Uma possível solução para esse problema seria a substituição do presidencialismo pelo parlamentarismo. Umas das principais vantagens deste último é que ele responde bem a situações de crise, pois a troca de gabinete pode ocorrer a qualquer tempo sem traumas maiores. Esse, entretanto, é apenas um lado da questão. Quem, tendo acompanhado o noticiário político-policial dos últimos meses, daria de bom grado mais poderes para o Parlamento?
Como já insisti em várias colunas sobre a reforma política, nosso desafio é fazer as instituições que temos funcionarem, não sonhar com um modelo perfeito que estaria ao alcance da caneta dos legisladores. Todos os sistemas têm pontos positivos e negativos e todos permitem em princípio que se alcance um nível respeitável de fazer política, desde que nos empenhemos seriamente nisso. Não tem sido, infelizmente, o caso.
É aqui que, a meu ver, nossa situação se torna mais sombria. O dilema que hoje enfrentamos em relação ao governo Lula é o corolário de nossos seguidos lapsos de indulgência ética. A contraposição das intenções de voto captadas nas pesquisas com os índices de conhecimento dos escândalos (que são relativamente elevados) indica que boa parte da população comprou o argumento do ator Paulo Betti, segundo o qual não se faz política sem pôr as mãos naquilo que os antigos romanos chamavam de "faeces". Em algum sentido, isso é mesmo verdade. Mas daí não se segue que tudo deva ser tolerado e desculpado. Muito pelo contrário, para que o grau de corrupção na política se torne o menor possível, é preciso punir cada desvio que seja detectado. Aparentemente, é o que desistimos de fazer.
O pior de tudo nessa história é que desde 2003 já não dispomos de um PT para denunciar os crimes do rei.
Dilema democrático
Comento hoje com um salutar atraso o escândalo do dossiê. Meus piores temores se materializaram. Por não termos sido intransigentes com a ética lá atrás, metemo-nos agora numa bela enrascada. Em princípio, há elementos de sobra para instaurar processos eleitoral e por crime de responsabilidade contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas, ao que tudo indica, dentro de três dias ele será mais uma vez sagrado primeiro mandatário com mais de 60 milhões de votos. Qualquer ação para impedi-lo de exercer um segundo governo terá acintoso caráter antipopular e poderá ser interpretada como um golpe contra a democracia. De modo análogo, fingir que nada ocorreu e que regras fundamentais do jogo republicano não foram quebradas por Lula ou pelo grupo que o cerca também conspira contra o caráter democrático das instituições.
Sinceramente, já nem sei qual atitude seria a menos pior agora. No mundo do dever-ser, a solução se afigura mais fácil. Assim como Fernando Collor de Mello foi legalmente afastado em 1992, deveríamos ter instaurado um processo semelhante contra Fernando Henrique Cardoso em 1997, quando surgiram evidências insofismáveis de que parlamentares foram subornados para votar a emenda constitucional que permitiu a reeleição de presidente, governadores e prefeitos. E a mesma trilha deveria ter sido percorrida no ano passado, assim que ficou patente que a atual administração mantinha um esquema quase institucionalizado de compra de deputados. Só que nada disso aconteceu e provavelmente nada ocorrerá.
É claro que o impeachment é um processo traumático e não isento de riscos. Mas os prejuízos de nossa leniência são incomensuravelmente maiores. Entre mensalões e sanguessugas, estamos com algo como 15% de nossos deputados envolvidos com graves falcatruas --sem mencionar que a maior parte da primeira leva de "julgados" em plenário foi absolvida. Mais do que isso, toleramos um governo que confunde Estado com partido e não cessa de aprontar crimes que, embora não firam de morte, maculam consideravelmente nossa jovem democracia.
O que me assusta no PT já não é o total oblívio do discurso ético que até pouco tempo atrás o diferenciava dos demais partidos --e no qual eu e tantos outros inadvertidamente acreditamos--, mas a incompetência com que se lança em operações fraudulentas e canalhas. Acho que foi o próprio Lula quem disse que o setor de inteligência (sic) da campanha petista havia colocado em risco uma eleição garantida (a dele) para tentar ganhar uma perdida (a de Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo). Se tamanha incapacidade se reproduz nas esferas administrativas, o país está perdendo rios de dinheiro com erros operacionais.
Escolado pelos últimos acontecimentos, não duvido de que tucanos de alta plumagem tenham participado de esquemas corruptos, como sugere o noticiário sobre o dossiê. O caso Azeredo está aí para provar que o PT não inventou nada nessa matéria. Vou até um pouco mais longe e admito que não há crime nem --vá lá-- problema moral em pagar alguém para dizer a verdade. Ainda assim resta a questão da origem dos quase R$ 2 milhões que seriam utilizados para adquirir o pacote dossiê-entrevista. A relutância das autoridades em revelar de onde vem o dinheiro sugere a um só tempo que a Polícia Federal é menos republicana do que se apregoa e que o PT, por seguir empregando os famosos recursos não-contabilizados, não é nem mesmo capaz de aprender com seus próprios erros. De qualquer forma, concordo com a avaliação de que a imprensa deu menos espaço do que deveria à apuração das verdades antitucanas que o papelório possa conter.
Sei que alguns vão me criticar por ter afirmado que deveríamos ter deposto três de nossos últimos quatro presidentes. O impeachment, muitos afirmam, é algo para ser usado uma vez a cada século. Não sei de onde tiraram esse mantra, mas discordo. A sanção política prevista para o crime de responsabilidade do presidente da República deve ser aplicada tantas vezes quantas se faça necessário. Se três de nossos quatro últimos mandatários pisaram na bola, a culpa é deles. Se Collor, FHC e Lula prevaricaram, por ação, omissão ou uma mistura de ambos, não deveriam existir razões para que não fossem afastados. No mundo real, entretanto, o impeachment só se materializa se o governo estiver muito mal avaliado pela população, o que modernamente tem ocorrido muito mais por conta do desempenho da economia global do que por causa de políticas ou decisões da administração.
Uma possível solução para esse problema seria a substituição do presidencialismo pelo parlamentarismo. Umas das principais vantagens deste último é que ele responde bem a situações de crise, pois a troca de gabinete pode ocorrer a qualquer tempo sem traumas maiores. Esse, entretanto, é apenas um lado da questão. Quem, tendo acompanhado o noticiário político-policial dos últimos meses, daria de bom grado mais poderes para o Parlamento?
Como já insisti em várias colunas sobre a reforma política, nosso desafio é fazer as instituições que temos funcionarem, não sonhar com um modelo perfeito que estaria ao alcance da caneta dos legisladores. Todos os sistemas têm pontos positivos e negativos e todos permitem em princípio que se alcance um nível respeitável de fazer política, desde que nos empenhemos seriamente nisso. Não tem sido, infelizmente, o caso.
É aqui que, a meu ver, nossa situação se torna mais sombria. O dilema que hoje enfrentamos em relação ao governo Lula é o corolário de nossos seguidos lapsos de indulgência ética. A contraposição das intenções de voto captadas nas pesquisas com os índices de conhecimento dos escândalos (que são relativamente elevados) indica que boa parte da população comprou o argumento do ator Paulo Betti, segundo o qual não se faz política sem pôr as mãos naquilo que os antigos romanos chamavam de "faeces". Em algum sentido, isso é mesmo verdade. Mas daí não se segue que tudo deva ser tolerado e desculpado. Muito pelo contrário, para que o grau de corrupção na política se torne o menor possível, é preciso punir cada desvio que seja detectado. Aparentemente, é o que desistimos de fazer.
O pior de tudo nessa história é que desde 2003 já não dispomos de um PT para denunciar os crimes do rei.
Hélio Schwartsman
05/10/2006
O abacaxi e o chuchu
Lula conseguiu o que se afigurava mais difícil: deixou escapar entre os dedos a vitória no primeiro turno. Tendo obtido 48,61% dos quase 96 milhões de votos válidos, o presidente ficou a 1,3 milhão de sufrágios do necessário para liquidar o pleito no domingo passado. Ele até pode tentar falar em golpe, armação e complô das elites, mas o fato é que devem ser atribuídos ao PT e ao próprio Lula os erros que levaram a eleição ao segundo escrutínio.
Com efeito, o presidente liderava a disputa com boa folga até mais ou menos 15 dias antes do pleito, quando um grupo de petistas foi apanhado tentando negociar com notórios estelionatários um dossiê com acusações contra tucanos. De lá para cá, só se seguiram más notícias para o PT.
Entre os envolvidos, havia gente próxima ao presidente da República.
Ricardo Berzoini, presidente do PT e coordenador da campanha presidencial, teve de ser afastado. Fotos da dinheirama vazaram para a imprensa na antevéspera da jornada eleitoral. (As comparações com as imagens dos seqüestradores de Abílio Diniz vestindo camisetas do PT em 1989 não procedem; aquilo foi uma armação para prejudicar a candidatura Lula, pois os seqüestradores foram obrigados a colocar as camisetas antes de ser fotografados. Agora não, o dinheiro foi realmente encontrado com petistas).
Para tornar tudo um pouco pior, pegou bastante mal o fato de Lula ter-se recusado a participar do último debate presidencial. Tudo isso somado fez com que o presidente não amealhasse os votos necessários para uma vitória antecipada.
Sua situação agora se complica. Lula dá início à segunda etapa da campanha com um sabor de derrota na boca. Já seu adversário, Geraldo Alckmin, desponta como vitorioso, ainda que sua passagem para o segundo turno seja mérito do PT. A próxima bateria de pesquisas eleitorais já deverá colocá-los numa situação de quase empate.
Apesar disso tudo, ainda considero Lula o favorito. Para que ele vença, entretanto, será necessário que o partido e os principais colaboradores do presidente se abstenham de mais uma vez meter os pés pelas mãos, o que está se tornando uma especialidade petista. Decididamente, trata-se de um partido dialético, que já traz em si sua própria oposição.
Voltando a Lula, em princípio ele não teria grande dificuldade para colher entre os quase 10 milhões de eleitores de candidatos menores o 1,3 milhão de votos de que necessita para alcançar a maioria das preferências. Precisa também, evidentemente, conservar os votos que já teve. Aqui podem surgir obstáculos às suas pretensões. Ao que tudo indica, São Paulo e outros Estados do eixo Sul-Sudeste-Centro-Oeste atravessaram uma onda tucana nas 48 horas que antecederam o pleito.
Um bom indicativo dessa hipótese é o fato de Eduardo Suplicy, que, nas pesquisas reinava absoluto nas intenções de voto para o Senado na cadeira paulista, ter vencido por uma diferença muito menor do que a inicialmente estimada. Lula precisa torcer para que esse movimento não se aprofunde nem se espalhe.
Outra fonte potencial de dificuldades são as investigações sobre a origem do dinheiro que compraria o dossiê. A PF já enrolou o quanto pôde na divulgação dos sacadores. Mais cedo ou mais tarde terá de revelar seus nomes, que poderão trazer novos dissabores à candidatura oficial.
O presidente conta, a seu favor, com o fato de já ter suportado denúncias bem mais graves. Muitos analistas estão dizendo que o tempo agora atua contra Lula. Não ousaria desmenti-los, mas não excluo a possibilidade de os mesmos anticorpos que protegeram o presidente de tantos e tamanhos escândalos voltem a atuar, fagocitando as novas acusações. Na hipótese de o "dossiegate" esfriar, não há em princípio razão para que Lula não reconquiste o terreno perdido, da mesma forma que se recuperou da crise provocada pelo mensalão.
A situação de Alckmin, que hoje parece muito boa, não necessariamente continuará assim. Em termos de produto, ele é bem menos carismático que o adversário _e não há nada que se possa fazer a respeito. O presidenciável tucano também poderá sofrer "fogo amigo". Digamos, para ser simpáticos, que algumas das principais lideranças tucanas sentem-se ambivalentes em relação a Alckmin. José Serra e Aécio Neves, que têm a força de governadores eleitos, em primeiro turno, dos dois Estados mais ricos da Federação, não ficariam exatamente decepcionados com uma derrota do companheiro de plumas. Na verdade, seria bem melhor para suas pretensões em 2010 ver Alckmin definitivamente escanteado.
A maior barreira para o projeto alckmista, entretanto, ainda é a eleitoral. Seu desempenho no Nordeste, que reúne 27% do eleitorado, é pífio e, ao que tudo indica, continuará assim. Por lá não passou nem sombra de onda tucana. Muito pelo contrário, as surpresas que houve foram favoráveis ao PT, como a eleição, em primeiro escrutínio, de Jaques Wagner para o governo da Bahia.
Conferir o mapa da votação de Lula e de Alckmin é um interessante exercício sociológico. Acho que a divisão entre ricos e pobres, sulistas (Sul e Sudeste) e nortistas (Nordeste e Norte), instruídos e nem tanto jamais foi tão evidente.
Seria tentador atribuir a forte votação no petista, mesmo após tantos escândalos, à ignorância e à desinformação de seu eleitor. Mas tal análise não resiste aos fatos. Prova-o a constatação de que parlamentares envolvidos nas denúncias terem sido exemplarmente punidos nas urnas: 91% dos 67 deputados sanguessugas perderam os seus mandatos ou por não ter conseguido se reeleger, caso 43, ou por nem ter tentado, como se deu com 18 deles. Apenas seis obtiveram um novo mandato. E, dos três senadores metidos no escândalo, apenas um, Ney Suassuna (PMDB-PB), enfrentou a reeleição. E fracassou miseravelmente, mesmo tendo disputado no que se considera um dos grotões do país.
Sorte semelhante experimentou o ex-presidente da Câmara Severino Cavalcanti (PP-PE), que havia renunciado ao mandato para fugir do processo de cassação depois de ter sido apanhado num caso de extorsão. Severino não volta à Casa como havia planejado.
Com os mensaleiros, porém, o eleitor foi um pouco mais condescendente. Dos 11 que acabaram absolvidos pelo plenário da Câmara, cinco foram reeleitos, dois deles (João Paulo e José Mentor) por São Paulo, numa prova de que estar num dos principais pólos de riqueza e educação formal do país não significa muita coisa.
Parece-me mais adequado analisar o fenômeno Lula como uma manifestação de pragmatismo. O eleitor, ainda que talvez não com detalhes, toma ciência dos descaminhos em que se metem seus representantes. O próprio Lula, convém lembrar, inicialmente sofreu impacto negativo por conta das denúncias de corrupção. Mas o cidadão que simpatiza com o presidente aparentemente colocou na balança as suspeitas e as realizações de seu governo e optou por desconsiderar o aspecto ético. É a versão tupiniquim de os fins justificam os meios.
Resta saber se esse cálculo se manterá na nova fase da campanha ou se Geraldo Alckmin, pela sua incrível capacidade de manter-se inapelavelmente insosso, triunfará valendo-se dos erros do adversário.
O abacaxi e o chuchu
Lula conseguiu o que se afigurava mais difícil: deixou escapar entre os dedos a vitória no primeiro turno. Tendo obtido 48,61% dos quase 96 milhões de votos válidos, o presidente ficou a 1,3 milhão de sufrágios do necessário para liquidar o pleito no domingo passado. Ele até pode tentar falar em golpe, armação e complô das elites, mas o fato é que devem ser atribuídos ao PT e ao próprio Lula os erros que levaram a eleição ao segundo escrutínio.
Com efeito, o presidente liderava a disputa com boa folga até mais ou menos 15 dias antes do pleito, quando um grupo de petistas foi apanhado tentando negociar com notórios estelionatários um dossiê com acusações contra tucanos. De lá para cá, só se seguiram más notícias para o PT.
Entre os envolvidos, havia gente próxima ao presidente da República.
Ricardo Berzoini, presidente do PT e coordenador da campanha presidencial, teve de ser afastado. Fotos da dinheirama vazaram para a imprensa na antevéspera da jornada eleitoral. (As comparações com as imagens dos seqüestradores de Abílio Diniz vestindo camisetas do PT em 1989 não procedem; aquilo foi uma armação para prejudicar a candidatura Lula, pois os seqüestradores foram obrigados a colocar as camisetas antes de ser fotografados. Agora não, o dinheiro foi realmente encontrado com petistas).
Para tornar tudo um pouco pior, pegou bastante mal o fato de Lula ter-se recusado a participar do último debate presidencial. Tudo isso somado fez com que o presidente não amealhasse os votos necessários para uma vitória antecipada.
Sua situação agora se complica. Lula dá início à segunda etapa da campanha com um sabor de derrota na boca. Já seu adversário, Geraldo Alckmin, desponta como vitorioso, ainda que sua passagem para o segundo turno seja mérito do PT. A próxima bateria de pesquisas eleitorais já deverá colocá-los numa situação de quase empate.
Apesar disso tudo, ainda considero Lula o favorito. Para que ele vença, entretanto, será necessário que o partido e os principais colaboradores do presidente se abstenham de mais uma vez meter os pés pelas mãos, o que está se tornando uma especialidade petista. Decididamente, trata-se de um partido dialético, que já traz em si sua própria oposição.
Voltando a Lula, em princípio ele não teria grande dificuldade para colher entre os quase 10 milhões de eleitores de candidatos menores o 1,3 milhão de votos de que necessita para alcançar a maioria das preferências. Precisa também, evidentemente, conservar os votos que já teve. Aqui podem surgir obstáculos às suas pretensões. Ao que tudo indica, São Paulo e outros Estados do eixo Sul-Sudeste-Centro-Oeste atravessaram uma onda tucana nas 48 horas que antecederam o pleito.
Um bom indicativo dessa hipótese é o fato de Eduardo Suplicy, que, nas pesquisas reinava absoluto nas intenções de voto para o Senado na cadeira paulista, ter vencido por uma diferença muito menor do que a inicialmente estimada. Lula precisa torcer para que esse movimento não se aprofunde nem se espalhe.
Outra fonte potencial de dificuldades são as investigações sobre a origem do dinheiro que compraria o dossiê. A PF já enrolou o quanto pôde na divulgação dos sacadores. Mais cedo ou mais tarde terá de revelar seus nomes, que poderão trazer novos dissabores à candidatura oficial.
O presidente conta, a seu favor, com o fato de já ter suportado denúncias bem mais graves. Muitos analistas estão dizendo que o tempo agora atua contra Lula. Não ousaria desmenti-los, mas não excluo a possibilidade de os mesmos anticorpos que protegeram o presidente de tantos e tamanhos escândalos voltem a atuar, fagocitando as novas acusações. Na hipótese de o "dossiegate" esfriar, não há em princípio razão para que Lula não reconquiste o terreno perdido, da mesma forma que se recuperou da crise provocada pelo mensalão.
A situação de Alckmin, que hoje parece muito boa, não necessariamente continuará assim. Em termos de produto, ele é bem menos carismático que o adversário _e não há nada que se possa fazer a respeito. O presidenciável tucano também poderá sofrer "fogo amigo". Digamos, para ser simpáticos, que algumas das principais lideranças tucanas sentem-se ambivalentes em relação a Alckmin. José Serra e Aécio Neves, que têm a força de governadores eleitos, em primeiro turno, dos dois Estados mais ricos da Federação, não ficariam exatamente decepcionados com uma derrota do companheiro de plumas. Na verdade, seria bem melhor para suas pretensões em 2010 ver Alckmin definitivamente escanteado.
A maior barreira para o projeto alckmista, entretanto, ainda é a eleitoral. Seu desempenho no Nordeste, que reúne 27% do eleitorado, é pífio e, ao que tudo indica, continuará assim. Por lá não passou nem sombra de onda tucana. Muito pelo contrário, as surpresas que houve foram favoráveis ao PT, como a eleição, em primeiro escrutínio, de Jaques Wagner para o governo da Bahia.
Conferir o mapa da votação de Lula e de Alckmin é um interessante exercício sociológico. Acho que a divisão entre ricos e pobres, sulistas (Sul e Sudeste) e nortistas (Nordeste e Norte), instruídos e nem tanto jamais foi tão evidente.
Seria tentador atribuir a forte votação no petista, mesmo após tantos escândalos, à ignorância e à desinformação de seu eleitor. Mas tal análise não resiste aos fatos. Prova-o a constatação de que parlamentares envolvidos nas denúncias terem sido exemplarmente punidos nas urnas: 91% dos 67 deputados sanguessugas perderam os seus mandatos ou por não ter conseguido se reeleger, caso 43, ou por nem ter tentado, como se deu com 18 deles. Apenas seis obtiveram um novo mandato. E, dos três senadores metidos no escândalo, apenas um, Ney Suassuna (PMDB-PB), enfrentou a reeleição. E fracassou miseravelmente, mesmo tendo disputado no que se considera um dos grotões do país.
Sorte semelhante experimentou o ex-presidente da Câmara Severino Cavalcanti (PP-PE), que havia renunciado ao mandato para fugir do processo de cassação depois de ter sido apanhado num caso de extorsão. Severino não volta à Casa como havia planejado.
Com os mensaleiros, porém, o eleitor foi um pouco mais condescendente. Dos 11 que acabaram absolvidos pelo plenário da Câmara, cinco foram reeleitos, dois deles (João Paulo e José Mentor) por São Paulo, numa prova de que estar num dos principais pólos de riqueza e educação formal do país não significa muita coisa.
Parece-me mais adequado analisar o fenômeno Lula como uma manifestação de pragmatismo. O eleitor, ainda que talvez não com detalhes, toma ciência dos descaminhos em que se metem seus representantes. O próprio Lula, convém lembrar, inicialmente sofreu impacto negativo por conta das denúncias de corrupção. Mas o cidadão que simpatiza com o presidente aparentemente colocou na balança as suspeitas e as realizações de seu governo e optou por desconsiderar o aspecto ético. É a versão tupiniquim de os fins justificam os meios.
Resta saber se esse cálculo se manterá na nova fase da campanha ou se Geraldo Alckmin, pela sua incrível capacidade de manter-se inapelavelmente insosso, triunfará valendo-se dos erros do adversário.
Hélio Schwartsman
26/10/2006
Saída Taboão
A menos que o PT apronte mais uma bem cabeluda, Luiz Inácio Lula da Silva deverá ser reeleito presidente da República no próximo domingo com uma votação consagradora. Faço então a pergunta que não quer calar: como é possível que Lula e o PT vençam de forma tão clara --61% a 39% pela última pesquisa Datafolha-- mesmo depois do festival de escândalos que se abateu sobre o país?
Comecemos identificando algumas falsas respostas. Não me parece correto afirmar, como vêm fazendo alguns setores das --desculpem-me, mas não resisto-- "elites", que se trate de um problema de desinformação dos menos instruídos. As sondagens mostram que a maioria dos eleitores afirma existir corrupção no governo e atribui ao presidente responsabilidade nos casos. Ainda assim, avalia bem a administração e está disposta a conceder mais quatro anos a Lula.
Uma interpretação possível é concluir que a população aderiu em massa ao "rouba, mas faz". Em algum grau, isso é verdade, mas não necessariamente porque os brasileiros sejamos todos um bando de maus-caracteres que não ligam para a ética na administração pública.
Definir o voto é uma operação complexa que mobiliza as mais diversas faculdades. Estão em jogo aspectos emocionais, como a relação afetiva com o partido de preferência, e racionais, a exemplo de considerações sobre as vantagens ou desvantagens pessoais que determinada proposta implica. O peso que a questão ética vai ter no cálculo de cada eleitor depende da posição relativa que cada um de vários critérios ocupa na hierarquia mental. Nesse contexto, não me parece absurdo desculpar os "deslizes" do PT --que em maior ou menor grau são cometidos por todas as agremiações-- por achar que o atual governo vem fazendo um bom trabalho na redução da desigualdade social, por exemplo.
Não é evidentemente o meu caso. Não discordo de que outras administrações também tenham incorrido em desmandos. Como não dispomos de um corruptômetro, parece-me bobagem tentar estabelecer se foi o PT ou o PSDB quem aprontou mais. O fato é que, no meu mapa mental, é bastante grave o fato de a legenda situacionista ter passado por cima de 20 anos de pregação ética na qual inadvertidamente acreditei. O partido que tentava conquistar simpatias afirmando, com alguma credibilidade, ser diferente de todos os outros hoje se defende de acusações graves dizendo ser igualzinho aos demais.
Outra decepção é com o fato de o governo petista ter-se revelado, pelo menos para mim, um engodo. Talvez ingenuamente eu esperava que, após 20 anos na oposição e contando com um quadro de militantes e simpatizantes qualificados nas mais diversas áreas, o PT tivesse projetos consistentes e "de esquerda" para a educação, a saúde, a ciência. Se os tinha, nem tentou implementá-los. Os integrantes do governo parecem limitar-se a comemorar os "sucessos" obtidos pela política econômica elaborada, aliás, por seus antecessores. Diga-se, de passagem, que o principal esporte dos economistas do PT nas duas décadas anteriores havia sido criticar essa política.
De resto, embora não me considere exatamente um legalista, acho que existe um núcleo de normas fundamentais para cujo cumprimento devemos envidar esforços máximos. Incluo aí as regras que visam a estabelecer uma relação republicana e transparente entre Executivo e Legislativo e a preservar o patrimônio público. Se queremos que essas leis sejam respeitadas, precisamos aplicar as sanções previstas para os que as violam, não importando quem sejam. Deixar de fazê-lo significa não apenas autorizar aquilo que pretendíamos proibir como ainda, num plano mais geral, dizer para toda a sociedade que as normas não precisam ser respeitadas. É a vitória da impunidade, com todos os efeitos que produz não apenas sobre a política mas também sobre a própria criminalidade.
Essas críticas que faço ao PT não me tornam automaticamente um tucano. Na verdade, boa parte de minhas objeções às atitudes petistas valem também para os tucanos. Devo reconhecer-lhes, entretanto, maior capacidade para livrar-se de investigações.
Em respeito à linha apartidária da Folha, abstenho-me de declarar meu voto. Admito, porém, que, neste segundo turno, venho flertando com o que chamo de saída Taboão. Para escapar ao dilema de optar entre duas candidaturas às quais faço fortes restrições, penso em dirigir-me a uma seção eleitoral qualquer de um município próximo --no caso, Taboão da Serra--, de onde possa justificar o não-comparecimento. É uma forma legal e legítima de burlar a absurda e antidemocrática imposição do voto obrigatório.
Reitero que não pretendo que essas minhas reflexões valham para todos. Elas fazem sentido à luz da minha hierarquia de valores, que pouco ou nada tem de universal. Quem recebe o benefício do Bolsa Família tem todas as razões para votar em Lula, assim como os rentistas que se fartam nos juros do governo.
Como esta campanha bem evidenciou, a democracia encerra muitas e graves imperfeições. Um exemplo: o receio de descontentar os eleitores leva todos os candidatos a prudentemente deixar de dizer quais setores perderiam em seu governo. E arbitrar perdas é a primeira e mais inescapável das tarefas de um político. No fundo, é Platão quem tinha razão. Ele condenava a democracia por entregar ao maleável populacho ("hoì pollói"), tão facilmente manipulado pelas palavras melífluas dos demagogos, a responsabilidade de decidir os destinos da nação independentemente de considerações técnicas. Platão, porém, dispunha de uma idéia muito clara do que fosse a Verdade. Podia criticar tudo o que dela se afastasse. Não é o nosso caso.
Até podemos discutir se determinado juízo descreve com precisão um fato, hipótese em que pode ser chamado de verdadeiro. Não temos, entretanto, a mais remota idéia do que possa ser uma verdade política universal. Esse é um terreno em que é melhor deixar a cada um a prerrogativa de estabelecer suas próprias prioridades. Nesse contexto o que Platão via como vícios da democracia converte-se em virtudes. Ao permitir que cada um vote livremente sem justificar-se ante a Verdade, Deus ou a Técnica, criamos um jogo onde todos são iguais. O resultado até pode ser um monstrengo político, a soma de todas as demagogias, mas é um jogo que nos garante a paz social. Em vez de conspirar e matar para chegar ao poder, postulantes aos cargos de comando limitam-se a tentar ludibriar o eleitorado. É o melhor que pudemos alcançar até agora. Hélio Schwartsman, 41, é editorialista da Folha. Bacharel em filosofia, publicou "Aquilae Titicans - O Segredo de Avicena - Uma Aventura no Afeganistão" em 2001. Escreve para a Folha Online às quintas.
Saída Taboão
A menos que o PT apronte mais uma bem cabeluda, Luiz Inácio Lula da Silva deverá ser reeleito presidente da República no próximo domingo com uma votação consagradora. Faço então a pergunta que não quer calar: como é possível que Lula e o PT vençam de forma tão clara --61% a 39% pela última pesquisa Datafolha-- mesmo depois do festival de escândalos que se abateu sobre o país?
Comecemos identificando algumas falsas respostas. Não me parece correto afirmar, como vêm fazendo alguns setores das --desculpem-me, mas não resisto-- "elites", que se trate de um problema de desinformação dos menos instruídos. As sondagens mostram que a maioria dos eleitores afirma existir corrupção no governo e atribui ao presidente responsabilidade nos casos. Ainda assim, avalia bem a administração e está disposta a conceder mais quatro anos a Lula.
Uma interpretação possível é concluir que a população aderiu em massa ao "rouba, mas faz". Em algum grau, isso é verdade, mas não necessariamente porque os brasileiros sejamos todos um bando de maus-caracteres que não ligam para a ética na administração pública.
Definir o voto é uma operação complexa que mobiliza as mais diversas faculdades. Estão em jogo aspectos emocionais, como a relação afetiva com o partido de preferência, e racionais, a exemplo de considerações sobre as vantagens ou desvantagens pessoais que determinada proposta implica. O peso que a questão ética vai ter no cálculo de cada eleitor depende da posição relativa que cada um de vários critérios ocupa na hierarquia mental. Nesse contexto, não me parece absurdo desculpar os "deslizes" do PT --que em maior ou menor grau são cometidos por todas as agremiações-- por achar que o atual governo vem fazendo um bom trabalho na redução da desigualdade social, por exemplo.
Não é evidentemente o meu caso. Não discordo de que outras administrações também tenham incorrido em desmandos. Como não dispomos de um corruptômetro, parece-me bobagem tentar estabelecer se foi o PT ou o PSDB quem aprontou mais. O fato é que, no meu mapa mental, é bastante grave o fato de a legenda situacionista ter passado por cima de 20 anos de pregação ética na qual inadvertidamente acreditei. O partido que tentava conquistar simpatias afirmando, com alguma credibilidade, ser diferente de todos os outros hoje se defende de acusações graves dizendo ser igualzinho aos demais.
Outra decepção é com o fato de o governo petista ter-se revelado, pelo menos para mim, um engodo. Talvez ingenuamente eu esperava que, após 20 anos na oposição e contando com um quadro de militantes e simpatizantes qualificados nas mais diversas áreas, o PT tivesse projetos consistentes e "de esquerda" para a educação, a saúde, a ciência. Se os tinha, nem tentou implementá-los. Os integrantes do governo parecem limitar-se a comemorar os "sucessos" obtidos pela política econômica elaborada, aliás, por seus antecessores. Diga-se, de passagem, que o principal esporte dos economistas do PT nas duas décadas anteriores havia sido criticar essa política.
De resto, embora não me considere exatamente um legalista, acho que existe um núcleo de normas fundamentais para cujo cumprimento devemos envidar esforços máximos. Incluo aí as regras que visam a estabelecer uma relação republicana e transparente entre Executivo e Legislativo e a preservar o patrimônio público. Se queremos que essas leis sejam respeitadas, precisamos aplicar as sanções previstas para os que as violam, não importando quem sejam. Deixar de fazê-lo significa não apenas autorizar aquilo que pretendíamos proibir como ainda, num plano mais geral, dizer para toda a sociedade que as normas não precisam ser respeitadas. É a vitória da impunidade, com todos os efeitos que produz não apenas sobre a política mas também sobre a própria criminalidade.
Essas críticas que faço ao PT não me tornam automaticamente um tucano. Na verdade, boa parte de minhas objeções às atitudes petistas valem também para os tucanos. Devo reconhecer-lhes, entretanto, maior capacidade para livrar-se de investigações.
Em respeito à linha apartidária da Folha, abstenho-me de declarar meu voto. Admito, porém, que, neste segundo turno, venho flertando com o que chamo de saída Taboão. Para escapar ao dilema de optar entre duas candidaturas às quais faço fortes restrições, penso em dirigir-me a uma seção eleitoral qualquer de um município próximo --no caso, Taboão da Serra--, de onde possa justificar o não-comparecimento. É uma forma legal e legítima de burlar a absurda e antidemocrática imposição do voto obrigatório.
Reitero que não pretendo que essas minhas reflexões valham para todos. Elas fazem sentido à luz da minha hierarquia de valores, que pouco ou nada tem de universal. Quem recebe o benefício do Bolsa Família tem todas as razões para votar em Lula, assim como os rentistas que se fartam nos juros do governo.
Como esta campanha bem evidenciou, a democracia encerra muitas e graves imperfeições. Um exemplo: o receio de descontentar os eleitores leva todos os candidatos a prudentemente deixar de dizer quais setores perderiam em seu governo. E arbitrar perdas é a primeira e mais inescapável das tarefas de um político. No fundo, é Platão quem tinha razão. Ele condenava a democracia por entregar ao maleável populacho ("hoì pollói"), tão facilmente manipulado pelas palavras melífluas dos demagogos, a responsabilidade de decidir os destinos da nação independentemente de considerações técnicas. Platão, porém, dispunha de uma idéia muito clara do que fosse a Verdade. Podia criticar tudo o que dela se afastasse. Não é o nosso caso.
Até podemos discutir se determinado juízo descreve com precisão um fato, hipótese em que pode ser chamado de verdadeiro. Não temos, entretanto, a mais remota idéia do que possa ser uma verdade política universal. Esse é um terreno em que é melhor deixar a cada um a prerrogativa de estabelecer suas próprias prioridades. Nesse contexto o que Platão via como vícios da democracia converte-se em virtudes. Ao permitir que cada um vote livremente sem justificar-se ante a Verdade, Deus ou a Técnica, criamos um jogo onde todos são iguais. O resultado até pode ser um monstrengo político, a soma de todas as demagogias, mas é um jogo que nos garante a paz social. Em vez de conspirar e matar para chegar ao poder, postulantes aos cargos de comando limitam-se a tentar ludibriar o eleitorado. É o melhor que pudemos alcançar até agora. Hélio Schwartsman, 41, é editorialista da Folha. Bacharel em filosofia, publicou "Aquilae Titicans - O Segredo de Avicena - Uma Aventura no Afeganistão" em 2001. Escreve para a Folha Online às quintas.
Hélio Schwartsman
02/11/2006
Governo e mídia
Como as pesquisas haviam antecipado, Lula venceu brilhante vitória e deverá permanecer mais quatro anos à frente do Executivo. Até onde a vista alcança, vislumbro mais do mesmo: crescimento econômico medíocre e alguns novos escândalos. Os pobres terão assegurado seu "sopão", consubstanciado no Bolsa Família, e os ricos continuarão se fartando nos gordos juros pagos pelo governo a investidores. A alternativa, isto é, Alckmin, não seria, imagino, muito diferente. Talvez se trocassem dólares na cueca por mimos de alta costura, mas, no essencial, tudo continuaria mais ou menos como antes.
A melhor definição de Brasil que já ouvi é a do embaixador Rubens Ricúpero: "suave fracasso". Nada tão retumbante que provoque uma revolução, mas o suficiente para que o país jamais dê o salto que separa as nações desenvolvidas do restolho do mundo.
Feitas essas ponderações acerca do resultado da jornada eleitoral, passo a meu propósito real na coluna de hoje, que é o de queixar-me do leitor e, "en passant", comentar a relação entre imprensa e governo, que ganhou "momentum" nos últimos dias. Parte significativa das duas centenas de e-mails que recebi por conta da coluna da semana passada recriminava-me por ter afirmado que a Folha é apartidária. Não ignoro que todo texto está repleto intenções e propósitos ocultos, mas penso que as palavras ainda significam alguma coisa. E "apartidário", até prova em contrário, quer dizer apenas "alheio a partidos" ("apud" Aurélio) ou "que não segue um partido" (Houaiss). E foi só isso que eu disse. Não afirmei que a Folha, ou qualquer outro jornal, é neutra, imparcial ou objetiva. Talvez eu vá desapontar alguns de vocês, mas, para sermos rigorosos, neutralidade e objetividade não existem. Podemos apreender seu significado a partir da negação de seus antônimos, mas jamais as encontraremos em estado puro em nenhuma atividade humana.
Com efeito, por mais que nos esforcemos, é impossível escapar a todas as determinações subjetivas que nos são impostas por nossas crenças, posições políticas, hábitos e emoções. A própria escolha do assunto, a forma de escrever ou de editar um texto já implicam decisões idiossincráticas, que não podem ser tomadas como universais.
Antes de avançar, acho que convém, como já fiz em colunas antigas, examinar melhor o conceito de objetividade. Ele próprio, como veremos a seguir, tem uma história que não é lá muito "objetiva".
Até onde consegui chegar, quem pela primeira vez usou o termo "objetivo" foi o filósofo escolástico Duns Scott (1266-1308), designando mais ou menos exatamente o contrário do que significa hoje. Para Scott, "objetivo" é o nome que se dá à idéia ou à representação, em oposição a uma realidade que subsistiria por si mesma. Esse sentido prevaleceu mais ou menos até o século 17.
Como quase sempre, é a partir de Kant que o significado de "objetivo" se aproxima do atual. O filósofo de Königsberg emprega o termo para designar uma coisa que existe independentemente das idéias que tenhamos dela. Só que, vale lembrá-lo, a coisa em si mesma ("noûmenon") --a classe de objetos que comporia a "realidade objetiva"-- é uma mercadoria sem valor no universo kantiano. Muito embora possamos conceber a existência da coisa em si, só podemos abordá-la através de nossa sensibilidade e em nosso entendimento. Para efeitos práticos, vivemos numa realidade divorciada daquela da coisa em si. O que de melhor temos à nossa disposição é o fenômeno, que seria, numa aproximação muito grosseira, uma espécie de interação entre a coisa em si e o sujeito, isto é, entre a realidade objetiva e nossa forma humana, subjetiva, de percebê-la.
É aqui que os alicerces do jornalismo começam a ruir. Se até a intelecção de um objeto simples é mediada pela subjetividade, o que não dizer que não dizer dos complexos encadeamentos entre fatos e hipóteses causais que caracterizam qualquer história, de uma briga de vizinhos, à Guerra de Tróia, passando pela reeleição do presidente Lula? Os puristas podem concluir que o jornalismo é a realização diária de uma impossibilidade teórica.
De minha parte, tenho dois motivos para não abraçar essa tese com muito entusiasmo. O primeiro, mais prosaico, é que essa suposta impossibilidade teórica emite o contracheque que paga minhas contas todos os meses. O segundo, mais filosófico, é que precisamos nos precaver contra as tentações do relativismo. Em pequenas doses, ele é o melhor remédio contra os males do dogmatismo, mas se nos excedermos, corremos o risco de aniquilar a própria possibilidade de estabelecer uma hierarquia de valores. Se todos os sistemas políticos se equivalem, não há diferença entre monarquia absolutista --leia-se, ditaduras hereditárias-- e democracia. Se o que importa numa teoria é apenas sua coerência interna, precisaríamos aceitar como iguais astronomia e astrologia, medicina e xamanismo (desta vez, não vou escrever homeopatia para não passar o resto da semana respondendo a e-mails desaforados).
Voltemos, porém, ao jornalismo e tentemos resgatá-lo do oceano de indefinições em que inadvertidamente o atirávamos. Ora, mesmo reconhecendo que não existe uma verdade absoluta e admitindo que estamos limitados ao mundo fenomênico, ainda assim é forçoso aceitar que existe uma diferença entre a ficção pura e simples (Papai Noel, os "empréstimos" do Delúbio) e a enunciação de eventos verificáveis numa ordem mais ou menos coerente (um relato tão honesto quanto possível de uma história qualquer, isto é, a notícia). É nessa fresta, estreita e epistemologicamente precária, que o jornalismo tenta sobreviver.
No sentido forte, a objetividade é impossível. Não apenas não temos acesso à coisa em si como ainda temos grandes dificuldades para harmonizar os aspectos da subjetividade que variam de um indivíduo para outro. A minha noção de "honesto", por exemplo, não necessariamente bate com a do presidente Lula. Mais uma vez, o caminho é pedregoso. Se não quisermos admitir que o próprio diálogo é impossível, precisamos recorrer à frágil bóia da intersubjetividade. Ainda que jamais venhamos a nos pôr de acordo com as prioridades no Orçamento, podemos estabelecer algumas convenções que nos permitam a comunicação. Quando eu escrevo "cavalo" e "apartidarismo" estou me referindo a cavalo e apartidarismo, e não a girafa e neutralidade, por exemplo. Não é muito, mas é só essa intersubjetividade com tudo o que ela encerra de arbitrário que nos permite falar sobre o mesmo mundo.
Assim, quando proclamamos um texto jornalístico "objetivo" (com várias aspas, vá lá), só o que queremos dizer é que seu autor procurou narrar um encadeamento de fatos pretéritos e não escrever uma peça de ficção. De modo análogo, um texto opinativo --uma coluna, um comentário, um editorial-- é uma peça que já de antemão se assume como subjetiva. Não deve ser lida como uma tentativa do autor de golpear as instituições democráticas ou dominar o mundo, mas apenas como uma interpretação possível --ou nem isso-- da "realidade". Não sei se salvamos muita coisa, mas é, parece-me, o possível.
Voltando ao caso PT, cabem algumas perguntas. Como deveria agir uma mídia "neutra" no caso do mensalão? Deixar de noticiá-lo? Ora, o próprio presidente Lula reconheceu que algo de muito errado aconteceu ali, e chegou a pedir desculpas à população. O procurador-geral da República, nomeado por Lula, foi mais longe e viu no mensalão "uma quadrilha" integrada por membros da cúpula do governo e do PT que agia com o objetivo de "garantir a continuidade do projeto de poder do Partido dos Trabalhadores mediante a compra de suporte político de outros partidos". Um jornal "isento" deveria então ter mencionado o escândalo uma única vez e esquecido a questão ética? Ou, pelo contrário, deveria a cada menção do nome Lula evocar toda a lista de embrulhadas em que o presidente e seu partido se envolveram?
Parece-me que a missão fundamental da mídia apartidária ou independente (agora sem aspas) é escarafunchar nos meandros do governo --não importando sua coloração ideológica ou filiação partidária-- em busca de coisas erradas. Fatalmente as encontrará. A Folha, por exemplo, as achou aos borbotões no governo de Fernando Henrique Cardoso, ocasião em que o jornal era acusado de petista.
Uma relação "saudável" entre jornalistas e governantes será, portanto, sempre tensa. Em certos momentos, como o atual, arroubos retóricos substituem o bom senso. Até onde vejo, atitudes autoritárias de membros do governo em relação à imprensa não constituem ameaça à democracia, assim como as opiniões negativas acerca do primeiro mandato de Lula legitimamente expressas pelo "mainstream" da mídia não subvertem a vontade popular.
Dessas minhas observações não se segue, é claro, que a mídia seja infalível. Muito pelo contrário, ela erra --e muito. Eu diria até que não se esforça tanto quanto poderia em melhorar. De fato, o poder da mídia, que necessariamente opera num poço de subjetividades, de produzir e amplificar injustiças é grande e deve inspirar cautela, mas o poder de um governo não-submetido à crítica é tirânico e tende a ser muito mais danoso. Quem captou muito bem esse dilema foi Thomas Jefferson, um dos "pais fundadores" dos EUA, que afirmou: "Se me fosse dado decidir se devemos ter um governo sem jornais, ou jornais sem um governo, não hesitaria um momento em preferir a última". A assertiva é meio exagerada, mas, como frase de efeito, é boa.
Hélio Schwartsman, 41, é editorialista da Folha. Bacharel em filosofia, publicou "Aquilae Titicans - O Segredo de Avicena - Uma Aventura no Afeganistão" em 2001. Escreve para a Folha Online às quintas.
Governo e mídia
Como as pesquisas haviam antecipado, Lula venceu brilhante vitória e deverá permanecer mais quatro anos à frente do Executivo. Até onde a vista alcança, vislumbro mais do mesmo: crescimento econômico medíocre e alguns novos escândalos. Os pobres terão assegurado seu "sopão", consubstanciado no Bolsa Família, e os ricos continuarão se fartando nos gordos juros pagos pelo governo a investidores. A alternativa, isto é, Alckmin, não seria, imagino, muito diferente. Talvez se trocassem dólares na cueca por mimos de alta costura, mas, no essencial, tudo continuaria mais ou menos como antes.
A melhor definição de Brasil que já ouvi é a do embaixador Rubens Ricúpero: "suave fracasso". Nada tão retumbante que provoque uma revolução, mas o suficiente para que o país jamais dê o salto que separa as nações desenvolvidas do restolho do mundo.
Feitas essas ponderações acerca do resultado da jornada eleitoral, passo a meu propósito real na coluna de hoje, que é o de queixar-me do leitor e, "en passant", comentar a relação entre imprensa e governo, que ganhou "momentum" nos últimos dias. Parte significativa das duas centenas de e-mails que recebi por conta da coluna da semana passada recriminava-me por ter afirmado que a Folha é apartidária. Não ignoro que todo texto está repleto intenções e propósitos ocultos, mas penso que as palavras ainda significam alguma coisa. E "apartidário", até prova em contrário, quer dizer apenas "alheio a partidos" ("apud" Aurélio) ou "que não segue um partido" (Houaiss). E foi só isso que eu disse. Não afirmei que a Folha, ou qualquer outro jornal, é neutra, imparcial ou objetiva. Talvez eu vá desapontar alguns de vocês, mas, para sermos rigorosos, neutralidade e objetividade não existem. Podemos apreender seu significado a partir da negação de seus antônimos, mas jamais as encontraremos em estado puro em nenhuma atividade humana.
Com efeito, por mais que nos esforcemos, é impossível escapar a todas as determinações subjetivas que nos são impostas por nossas crenças, posições políticas, hábitos e emoções. A própria escolha do assunto, a forma de escrever ou de editar um texto já implicam decisões idiossincráticas, que não podem ser tomadas como universais.
Antes de avançar, acho que convém, como já fiz em colunas antigas, examinar melhor o conceito de objetividade. Ele próprio, como veremos a seguir, tem uma história que não é lá muito "objetiva".
Até onde consegui chegar, quem pela primeira vez usou o termo "objetivo" foi o filósofo escolástico Duns Scott (1266-1308), designando mais ou menos exatamente o contrário do que significa hoje. Para Scott, "objetivo" é o nome que se dá à idéia ou à representação, em oposição a uma realidade que subsistiria por si mesma. Esse sentido prevaleceu mais ou menos até o século 17.
Como quase sempre, é a partir de Kant que o significado de "objetivo" se aproxima do atual. O filósofo de Königsberg emprega o termo para designar uma coisa que existe independentemente das idéias que tenhamos dela. Só que, vale lembrá-lo, a coisa em si mesma ("noûmenon") --a classe de objetos que comporia a "realidade objetiva"-- é uma mercadoria sem valor no universo kantiano. Muito embora possamos conceber a existência da coisa em si, só podemos abordá-la através de nossa sensibilidade e em nosso entendimento. Para efeitos práticos, vivemos numa realidade divorciada daquela da coisa em si. O que de melhor temos à nossa disposição é o fenômeno, que seria, numa aproximação muito grosseira, uma espécie de interação entre a coisa em si e o sujeito, isto é, entre a realidade objetiva e nossa forma humana, subjetiva, de percebê-la.
É aqui que os alicerces do jornalismo começam a ruir. Se até a intelecção de um objeto simples é mediada pela subjetividade, o que não dizer que não dizer dos complexos encadeamentos entre fatos e hipóteses causais que caracterizam qualquer história, de uma briga de vizinhos, à Guerra de Tróia, passando pela reeleição do presidente Lula? Os puristas podem concluir que o jornalismo é a realização diária de uma impossibilidade teórica.
De minha parte, tenho dois motivos para não abraçar essa tese com muito entusiasmo. O primeiro, mais prosaico, é que essa suposta impossibilidade teórica emite o contracheque que paga minhas contas todos os meses. O segundo, mais filosófico, é que precisamos nos precaver contra as tentações do relativismo. Em pequenas doses, ele é o melhor remédio contra os males do dogmatismo, mas se nos excedermos, corremos o risco de aniquilar a própria possibilidade de estabelecer uma hierarquia de valores. Se todos os sistemas políticos se equivalem, não há diferença entre monarquia absolutista --leia-se, ditaduras hereditárias-- e democracia. Se o que importa numa teoria é apenas sua coerência interna, precisaríamos aceitar como iguais astronomia e astrologia, medicina e xamanismo (desta vez, não vou escrever homeopatia para não passar o resto da semana respondendo a e-mails desaforados).
Voltemos, porém, ao jornalismo e tentemos resgatá-lo do oceano de indefinições em que inadvertidamente o atirávamos. Ora, mesmo reconhecendo que não existe uma verdade absoluta e admitindo que estamos limitados ao mundo fenomênico, ainda assim é forçoso aceitar que existe uma diferença entre a ficção pura e simples (Papai Noel, os "empréstimos" do Delúbio) e a enunciação de eventos verificáveis numa ordem mais ou menos coerente (um relato tão honesto quanto possível de uma história qualquer, isto é, a notícia). É nessa fresta, estreita e epistemologicamente precária, que o jornalismo tenta sobreviver.
No sentido forte, a objetividade é impossível. Não apenas não temos acesso à coisa em si como ainda temos grandes dificuldades para harmonizar os aspectos da subjetividade que variam de um indivíduo para outro. A minha noção de "honesto", por exemplo, não necessariamente bate com a do presidente Lula. Mais uma vez, o caminho é pedregoso. Se não quisermos admitir que o próprio diálogo é impossível, precisamos recorrer à frágil bóia da intersubjetividade. Ainda que jamais venhamos a nos pôr de acordo com as prioridades no Orçamento, podemos estabelecer algumas convenções que nos permitam a comunicação. Quando eu escrevo "cavalo" e "apartidarismo" estou me referindo a cavalo e apartidarismo, e não a girafa e neutralidade, por exemplo. Não é muito, mas é só essa intersubjetividade com tudo o que ela encerra de arbitrário que nos permite falar sobre o mesmo mundo.
Assim, quando proclamamos um texto jornalístico "objetivo" (com várias aspas, vá lá), só o que queremos dizer é que seu autor procurou narrar um encadeamento de fatos pretéritos e não escrever uma peça de ficção. De modo análogo, um texto opinativo --uma coluna, um comentário, um editorial-- é uma peça que já de antemão se assume como subjetiva. Não deve ser lida como uma tentativa do autor de golpear as instituições democráticas ou dominar o mundo, mas apenas como uma interpretação possível --ou nem isso-- da "realidade". Não sei se salvamos muita coisa, mas é, parece-me, o possível.
Voltando ao caso PT, cabem algumas perguntas. Como deveria agir uma mídia "neutra" no caso do mensalão? Deixar de noticiá-lo? Ora, o próprio presidente Lula reconheceu que algo de muito errado aconteceu ali, e chegou a pedir desculpas à população. O procurador-geral da República, nomeado por Lula, foi mais longe e viu no mensalão "uma quadrilha" integrada por membros da cúpula do governo e do PT que agia com o objetivo de "garantir a continuidade do projeto de poder do Partido dos Trabalhadores mediante a compra de suporte político de outros partidos". Um jornal "isento" deveria então ter mencionado o escândalo uma única vez e esquecido a questão ética? Ou, pelo contrário, deveria a cada menção do nome Lula evocar toda a lista de embrulhadas em que o presidente e seu partido se envolveram?
Parece-me que a missão fundamental da mídia apartidária ou independente (agora sem aspas) é escarafunchar nos meandros do governo --não importando sua coloração ideológica ou filiação partidária-- em busca de coisas erradas. Fatalmente as encontrará. A Folha, por exemplo, as achou aos borbotões no governo de Fernando Henrique Cardoso, ocasião em que o jornal era acusado de petista.
Uma relação "saudável" entre jornalistas e governantes será, portanto, sempre tensa. Em certos momentos, como o atual, arroubos retóricos substituem o bom senso. Até onde vejo, atitudes autoritárias de membros do governo em relação à imprensa não constituem ameaça à democracia, assim como as opiniões negativas acerca do primeiro mandato de Lula legitimamente expressas pelo "mainstream" da mídia não subvertem a vontade popular.
Dessas minhas observações não se segue, é claro, que a mídia seja infalível. Muito pelo contrário, ela erra --e muito. Eu diria até que não se esforça tanto quanto poderia em melhorar. De fato, o poder da mídia, que necessariamente opera num poço de subjetividades, de produzir e amplificar injustiças é grande e deve inspirar cautela, mas o poder de um governo não-submetido à crítica é tirânico e tende a ser muito mais danoso. Quem captou muito bem esse dilema foi Thomas Jefferson, um dos "pais fundadores" dos EUA, que afirmou: "Se me fosse dado decidir se devemos ter um governo sem jornais, ou jornais sem um governo, não hesitaria um momento em preferir a última". A assertiva é meio exagerada, mas, como frase de efeito, é boa.
Hélio Schwartsman, 41, é editorialista da Folha. Bacharel em filosofia, publicou "Aquilae Titicans - O Segredo de Avicena - Uma Aventura no Afeganistão" em 2001. Escreve para a Folha Online às quintas.
quarta-feira, outubro 18, 2006
Curtas
18/10/2006
Pensando bem...
...o ex-policial Gedimar Passos se referia a um tal de “Fraude” e não a Freud Godoy, quando falou do dossiê na PF.
Coisas de Ideli a Podre
18/10/2006
Preconceito
A senadora Ideli Salvatti (PT-SC) acusa de preconceituoso o adesivo que mostra a mão de quatro dedos de Lula. Mas chamava de “manco” o senador Leonel Pavan (PSDB-SC), que se apóia em bengala para andar.
18/10/2006 | 0:00
Stálin faz escola
O rumoroso caso do procurador da AGU no Espírito Santo lembra bem as táticas soviéticas: nenhuma ordem por escrito foi dada para que o advogado desistisse da ação em favor da União. Tudo se deu por telefone.
18/10/2006 | 0:00
Solidariedade
A Associação Nacional dos Advogados da União prepara um desagravo ao procurador da AGU-ES, Álvaro Nunes, ameaçado até de demissão por não desistir de reintegração de posse de terreno da União ocupada por petistas.
18/10/2006 | 0:00
Prerrogativa
É negado a Ricardo Berzoini o direito de não saber das ações da gangue do dossiê. A prerrogativa é exclusiva de Lula, que até o advertiu: “Você, como presidente do partido, tem a obrigação de dar uma resposta à sociedade.”
18/10/2006 | 0:00
Sorte na loteria
O doleiro Hélio Laniado obteve “delação premiada”. Seu advogado, Roberto Podval, defende Sérgio Sombra, envolvido no homicídio de Celso Daniel.
18/10/2006 | 0:00
Forra
Para se vingar da Globo pelo destaque ao caso do dossiê, Lula deve indicar um inimigo da poderosa, André Barbosa, para ser conselheiro da Anatel.
18/10/2006 | 0:00
Serpro: carreata na marra
Ocupantes de cargos de confiança do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) denunciam serem pressionados a sair em carreata de apoio ao PT na hora do almoço, e avisados de que a ausência será “sentida”. O Serpro nega a coação. No DF, esse tipo de denúncia fez o Ministério Público processar a governadora Maria Abadia (PSDB).
18/10/2006 | 8:13
Fã do Cabral
Chefe da campanha de Lula no Rio, Benedita da Silva organizou churrasco para 900 pessoas no feriado, pedindo votos para Sérgio Cabral ao governo. É que Denise Frossard (PPS) ameaça vasculhar governos anteriores.
18/10/2006 | 9:03
Meu nome é Inocêncio
O deputado Inocêncio Oliveira (PE) jura que é inocente da acusação do governador Mendonça Filho que o acusou de condicionar o apoio do seu PL ao PFL à entrega da secretaria de Saúde de Agricultura no futuro governo.
18/10/2006 | 9:24
Trator oposicionista
Com ampla maioria na CPI dos Sanguessugas, a oposição aprovou tudo que quis. Convocou até o ex-presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini. Mas nenhum dos petistas convocados vai depor antes do dia 29.
18/10/2006 | 9:51
Campanha em Miami
Em Miami, na segunda-feira, cerca de trezentas pessoas aguardavam vôos para São Paulo e Manaus/Brasília, quando um deles começou a agitar como bandeira um adesivo de Geraldo Alckmin. Foi ovacionado.
18/10/2006 | 0:00
PF investiga bicheiros
A Polícia Federal realiza diligências, junto a bicheiros, à procura da origem do dinheiro usado pela gangue do dossiê para comprar informações supostamente comprometedoras contra políticos do PSDB. Uma das pistas investigadas leva a PF a chefes do jogo do bicho no Rio, como Antonio Petrus Kalil, o “Turcão”. Segundo informações chegadas à PF e ainda não confirmadas, seria ele a origem de parte dos R$ 1,7 milhão apreendidos.
18/10/2006 | 0:00
Lula pedreiro
O presidente defendeu na TV Cultura que a PF não deixe “pedra sobre pedra” no escândalo do dossiê. Tem razão: a investigação é uma pedreira.
18/10/2006 | 0:00
Boca maldita
O PT adora quando FHC dá entrevista atacando Lula e defendendo Alckmin. As pesquisas mostram que isso tira votos do candidato tucano.
18/10/2006 | 10:53
Números da eleição
Circula na internet um "alerta numerológico" dos adversários de Lula dizendo que para ajudar o Brasil deve-se somar a data da eleição 29+10+06, igual a 45. Diminuindo, dá 13.
18/10/2006 | 10:17
Escadinha
O ex-assessor Hamilton Lacerda não sabe, o senador Aloizio Mercadante também não, o ex-presidente do PT Ricardo Berzoini idem, o ministro da Justiça, idem idem. Os ratos devem mandar no navio do governo, pelo visto.
Fonte: www.claudiohumberto.com.br
Pensando bem...
...o ex-policial Gedimar Passos se referia a um tal de “Fraude” e não a Freud Godoy, quando falou do dossiê na PF.
Coisas de Ideli a Podre
18/10/2006
Preconceito
A senadora Ideli Salvatti (PT-SC) acusa de preconceituoso o adesivo que mostra a mão de quatro dedos de Lula. Mas chamava de “manco” o senador Leonel Pavan (PSDB-SC), que se apóia em bengala para andar.
18/10/2006 | 0:00
Stálin faz escola
O rumoroso caso do procurador da AGU no Espírito Santo lembra bem as táticas soviéticas: nenhuma ordem por escrito foi dada para que o advogado desistisse da ação em favor da União. Tudo se deu por telefone.
18/10/2006 | 0:00
Solidariedade
A Associação Nacional dos Advogados da União prepara um desagravo ao procurador da AGU-ES, Álvaro Nunes, ameaçado até de demissão por não desistir de reintegração de posse de terreno da União ocupada por petistas.
18/10/2006 | 0:00
Prerrogativa
É negado a Ricardo Berzoini o direito de não saber das ações da gangue do dossiê. A prerrogativa é exclusiva de Lula, que até o advertiu: “Você, como presidente do partido, tem a obrigação de dar uma resposta à sociedade.”
18/10/2006 | 0:00
Sorte na loteria
O doleiro Hélio Laniado obteve “delação premiada”. Seu advogado, Roberto Podval, defende Sérgio Sombra, envolvido no homicídio de Celso Daniel.
18/10/2006 | 0:00
Forra
Para se vingar da Globo pelo destaque ao caso do dossiê, Lula deve indicar um inimigo da poderosa, André Barbosa, para ser conselheiro da Anatel.
18/10/2006 | 0:00
Serpro: carreata na marra
Ocupantes de cargos de confiança do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) denunciam serem pressionados a sair em carreata de apoio ao PT na hora do almoço, e avisados de que a ausência será “sentida”. O Serpro nega a coação. No DF, esse tipo de denúncia fez o Ministério Público processar a governadora Maria Abadia (PSDB).
18/10/2006 | 8:13
Fã do Cabral
Chefe da campanha de Lula no Rio, Benedita da Silva organizou churrasco para 900 pessoas no feriado, pedindo votos para Sérgio Cabral ao governo. É que Denise Frossard (PPS) ameaça vasculhar governos anteriores.
18/10/2006 | 9:03
Meu nome é Inocêncio
O deputado Inocêncio Oliveira (PE) jura que é inocente da acusação do governador Mendonça Filho que o acusou de condicionar o apoio do seu PL ao PFL à entrega da secretaria de Saúde de Agricultura no futuro governo.
18/10/2006 | 9:24
Trator oposicionista
Com ampla maioria na CPI dos Sanguessugas, a oposição aprovou tudo que quis. Convocou até o ex-presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini. Mas nenhum dos petistas convocados vai depor antes do dia 29.
18/10/2006 | 9:51
Campanha em Miami
Em Miami, na segunda-feira, cerca de trezentas pessoas aguardavam vôos para São Paulo e Manaus/Brasília, quando um deles começou a agitar como bandeira um adesivo de Geraldo Alckmin. Foi ovacionado.
18/10/2006 | 0:00
PF investiga bicheiros
A Polícia Federal realiza diligências, junto a bicheiros, à procura da origem do dinheiro usado pela gangue do dossiê para comprar informações supostamente comprometedoras contra políticos do PSDB. Uma das pistas investigadas leva a PF a chefes do jogo do bicho no Rio, como Antonio Petrus Kalil, o “Turcão”. Segundo informações chegadas à PF e ainda não confirmadas, seria ele a origem de parte dos R$ 1,7 milhão apreendidos.
18/10/2006 | 0:00
Lula pedreiro
O presidente defendeu na TV Cultura que a PF não deixe “pedra sobre pedra” no escândalo do dossiê. Tem razão: a investigação é uma pedreira.
18/10/2006 | 0:00
Boca maldita
O PT adora quando FHC dá entrevista atacando Lula e defendendo Alckmin. As pesquisas mostram que isso tira votos do candidato tucano.
18/10/2006 | 10:53
Números da eleição
Circula na internet um "alerta numerológico" dos adversários de Lula dizendo que para ajudar o Brasil deve-se somar a data da eleição 29+10+06, igual a 45. Diminuindo, dá 13.
18/10/2006 | 10:17
Escadinha
O ex-assessor Hamilton Lacerda não sabe, o senador Aloizio Mercadante também não, o ex-presidente do PT Ricardo Berzoini idem, o ministro da Justiça, idem idem. Os ratos devem mandar no navio do governo, pelo visto.
Fonte: www.claudiohumberto.com.br
Frases e Causos
É preciso passar o Brasil a limpo. Mas o PT não deixa"
Senador Heráclito Fortes (PFL-PI) sobre o PT esconder a origem do dinheiro do dossiê
Futurologia falha
Magalhães Pinto era um bancário, antes de virar dono do Banco Nacional, quando perdeu o emprego ao assinar o célebre Manifesto dos Mineiros. D. Maricota, sua mãe, ficou preocupada: “O que será de você agora?”
- Não se preocupe, minha mãe – respondeu – Não nasci para ser banqueiro. Seu filho nasceu para ser presidente da República!...
A História mostraria que ele era ruim de prognóstico.
Fonte:www.claudiohumberto.com.br
Senador Heráclito Fortes (PFL-PI) sobre o PT esconder a origem do dinheiro do dossiê
Futurologia falha
Magalhães Pinto era um bancário, antes de virar dono do Banco Nacional, quando perdeu o emprego ao assinar o célebre Manifesto dos Mineiros. D. Maricota, sua mãe, ficou preocupada: “O que será de você agora?”
- Não se preocupe, minha mãe – respondeu – Não nasci para ser banqueiro. Seu filho nasceu para ser presidente da República!...
A História mostraria que ele era ruim de prognóstico.
Fonte:www.claudiohumberto.com.br
Notitas
2008 !
Um levantamento das eleições em vários estados, neste segundo turno, mostra que em todos eles, a disputa para prefeitos das capitais, já começou. O posicionamento das lideranças políticas locais está ocorrendo em função disso. Quem pensava que os eleitos iam descansar, se enganou. Pelo menos se enganou em relação àqueles que estão interessados nas eleições de 2008. SP certamente é um desses exemplos. Marta passou de coordenadora regional, à candidata, dando entrevistas e opiniões como se tivesse em campanha. No Rio, a movimentação do PSDB, aponta na mesma direção. A nota "Saiam da Frente" , na coluna Radar da Veja, afirma que o PT do Rio, movido a Zé Dirceu, traiu Jandira Feghali no primeiro turno,( fato que todos sabiam nos bastidores políticos). Se o fez certamente o foi por 2008 e não apenas pela liderança da esquerda no Rio, como a nota conclui. Isso vale para vários outros estados.
LULA, O PT E A ÉTICA!
Início do artigo de Ferreira Goulart hoje na FSP.
FERREIRA GULLAR
A sina do escorpião
O que mais impressiona na farra de falcatruas do PT é que ela persiste, apesar dos escândalos
SERIA HILARIANTE , se não fosse constrangedor, ouvir Lula dizer que, no segundo turno, iria travar um debate profundo sobre a ética. E não causa menor constrangimento ouvir Tarso Genro afirmando que a eles, petistas, esse debate "interessa muito". E pode-se imaginar quanto, uma vez que o PT nada tem a esconder ou explicar, nesse terreno. Como se sabe, ninguém do PT se envolveu com o valerioduto, o mensalão, dólar na cueca, contratos fajutos, sanguessugas e, particularmente, com a compra de certo dossiê. A declaração desses dois, desculpem-me, lembra Maluf, sorridente, fazendo o V da vitória, ao sair da delegacia de polícia onde fora indiciado.
Um levantamento das eleições em vários estados, neste segundo turno, mostra que em todos eles, a disputa para prefeitos das capitais, já começou. O posicionamento das lideranças políticas locais está ocorrendo em função disso. Quem pensava que os eleitos iam descansar, se enganou. Pelo menos se enganou em relação àqueles que estão interessados nas eleições de 2008. SP certamente é um desses exemplos. Marta passou de coordenadora regional, à candidata, dando entrevistas e opiniões como se tivesse em campanha. No Rio, a movimentação do PSDB, aponta na mesma direção. A nota "Saiam da Frente" , na coluna Radar da Veja, afirma que o PT do Rio, movido a Zé Dirceu, traiu Jandira Feghali no primeiro turno,( fato que todos sabiam nos bastidores políticos). Se o fez certamente o foi por 2008 e não apenas pela liderança da esquerda no Rio, como a nota conclui. Isso vale para vários outros estados.
LULA, O PT E A ÉTICA!
Início do artigo de Ferreira Goulart hoje na FSP.
FERREIRA GULLAR
A sina do escorpião
O que mais impressiona na farra de falcatruas do PT é que ela persiste, apesar dos escândalos
SERIA HILARIANTE , se não fosse constrangedor, ouvir Lula dizer que, no segundo turno, iria travar um debate profundo sobre a ética. E não causa menor constrangimento ouvir Tarso Genro afirmando que a eles, petistas, esse debate "interessa muito". E pode-se imaginar quanto, uma vez que o PT nada tem a esconder ou explicar, nesse terreno. Como se sabe, ninguém do PT se envolveu com o valerioduto, o mensalão, dólar na cueca, contratos fajutos, sanguessugas e, particularmente, com a compra de certo dossiê. A declaração desses dois, desculpem-me, lembra Maluf, sorridente, fazendo o V da vitória, ao sair da delegacia de polícia onde fora indiciado.
Chavez, O Bufon amigo do Ladron, ayuda o xeradon
CHÁVEZ DIZ QUE ATACA A BOLIVIA SE HOUVER UM GOLPE DE ESTADO !
Num gesto sem precedentes, Hugo Chávez, alertou o Exército boliviano que está pronto a mobilizar tropas venezuelanas caso haja alguma ameaça ao governo de Evo Morales. "A Venezuela não vai manter seus braços cruzados se o povo boliviano e seu governo forem atacados por forças internas ou externas", disse o líder venezuelano. Hugo Chávez disse que a Venezuela "se recusaria a reconhecer qualquer governo que viesse por meio de uma insurreição". Acusou a "oligarquia mediática" e a Embaixada dos EUA em La Paz de fomentar o descontentamento entre militares e o aparecimento de greves. Na quarta-feira, o governo boliviano pedira cautela ao embaixador venezuelano em La Paz, depois que este ofereceu "sangue e as vidas" de seus compatriotas para defender "a bela revolução boliviana", o que gerou protestos da oposição boliviana.
Num gesto sem precedentes, Hugo Chávez, alertou o Exército boliviano que está pronto a mobilizar tropas venezuelanas caso haja alguma ameaça ao governo de Evo Morales. "A Venezuela não vai manter seus braços cruzados se o povo boliviano e seu governo forem atacados por forças internas ou externas", disse o líder venezuelano. Hugo Chávez disse que a Venezuela "se recusaria a reconhecer qualquer governo que viesse por meio de uma insurreição". Acusou a "oligarquia mediática" e a Embaixada dos EUA em La Paz de fomentar o descontentamento entre militares e o aparecimento de greves. Na quarta-feira, o governo boliviano pedira cautela ao embaixador venezuelano em La Paz, depois que este ofereceu "sangue e as vidas" de seus compatriotas para defender "a bela revolução boliviana", o que gerou protestos da oposição boliviana.
Onde está Boris Casoy
O PORQUÊ DO SUMIÇO DE BORIS CASOY
> >
> > Agora que todos sabem, após a matéria na Folha de algumas semanas
> >passadas, onde conheci o que lhes escrevo, Boris Casoy foi demitido da
> >Record a mando da cúpula de Lula (claro que ele não sabia), retirando o
> >patrocínio do Banco do Brasil, que era de 1 milhão, passando para 300
>mil,
> >mas com a "condição" de que o Jornal da Record (Boris) nada recebesse.
> > Isto ocorreu porque entenderam os comandados por Lula que, com
> >Boris Casoy falando diariamente da vergonha de se ter aquela quadrilha
> >instalada no planalto, não seria possível a reeleição.
> >
> > Pasmem, o motivo maior foi o fato de Boris Casoy ter perguntado a
> >Lula, durante entrevista no período de campanha, qual era o envolvimento
>ou
> >conhecimento dele com as Farc. Lula não respondeu, deu uma volta ao
>mundo
> >falando das lutas de cada país, falou de Che Guevara, e nasceu naquele
> >momento o ódio mortal que nutre por Boris.
> >
> > Até hoje nenhuma revista semanal fez matéria sobre este assunto,
> >porque ninguém quer ir contra um ditador, é só relembrar o que aconteceu
> >com o caseiro.
> >
> > Enfim, esta matéria que segue deveria ser lida por 160 milhões de
> >brasileiros (pena que somente 1/3 poderá ler).
> > Está em nossas mãos à continuidade ou não do que estamos
>assistindo,
> >sob o sentimento de espanto para alguns, revolta para outros, desânimo
>para
> >aqueles que acreditavam numa mudança e vergonha para aqueles que têm
> >valores morais.
> >
> > Somos o povo que elege, que impede a eleição, que escolhe o que
> >quer para seu futuro.
NÓS É QUE DEVEREMOS MUDAR ESTE PAÍS!
Boris Casoy pede o impeachment de Lula
Em artigo arrasador, na Folha de São Paulo de hoje, o jornalista Boris Casoy pede o impeachment de Lula. Vale a pena ler, reproduzir e enviar para o maior número de pessoas. Vale a pena traduzir e remeter para blogs, sites e jornais do exterior. Junto com o artigo de Miriam Leitão, publicado em O Globo na semana passada (sob o título "Inaceitável"), o texto de hoje de Casoy representa a manifestação indignada da sociedade brasileira aos desmandos de um governo sem legitimidade, que deixou de
ser uma instância pública para se transformar no aparelho de um grupo privado
que se comporta como uma gangue política.
É uma vergonha!
P
Boris Casoy - Folha de S. Paulo
Jamais o Brasil assistiu a tamanho descalabro de um governo. Quem se der ao trabalho de esmiuçar a história do país certamente constatará que nada semelhante havia ocorrido até a gestão do atual ocupante do Palácio do Planalto. Há, desde o tempo do Brasil colônia, um sem número de episódios graves de corrupção e de incompetência. Mas o nível alcançado pelo governo Lula é insuperável.
Não se trata de um ou de alguns focos de corrupção. Vai muito além.
Exibe notável desprezo pelas liberdades e pela democracia.
Manipula a máquina administrativa a seu bel-prazer, de modo a colocar o Estado a
favor de sua inesgotável sanha de poder. Um exemplo mais recente é a ação grotesca contra um simples caseiro, transformado em investigado por dizer a verdade depois de ser submetido a uma ação de provocar náuseas em qualquer stalinista.
Não se investiga o ministro Palocci, acusado de freqüentar um bunker destinado a operar negócios escusos em Brasília e de ter mentido a respeito ao Congresso. Tenta-se, a qualquer preço, desqualificar a testemunha para encobrir o óbvio. E o desespero da empreitada conduziu a uma canhestra operação que agora o governo retende encobrir, inclusive intimidando o caseiro.
Do presidente da República, sob a escusa pueril de dever muito a Palocci (talvez pela conquista do troféu dos juros mais altos do mundo e pelo crescimento ridículo do PIB), só se ouve a defesa pífia dos que não conseguem dissimular a culpa. A única providência das autoridades federais foi um simulacro de investigação, com a cumplicidade da Caixa Econômica Federal. Todos os limites foram ultrapassados; não há como o Congresso postergar um processo de impeachment contra Lula. Ou melhor, a favor do Brasil.
O argumento para não afastar Lula, de que sua gestão vive os últimos meses, é um auto-engano! A proximidade das eleições faz com que o governo use e abuse ainda mais do poder. Desde o início, este governo é envolvido na compra de consciências, na lubrificação da alma de órgãos de comunicação por meio de gigantescas verbas publicitárias e na persegui ção a os que lhe negam aplauso.
Outro argumento usado para não afastar Luiz Inácio Lula da Silva é a sua biografia, a saga do trabalhador, do sindicalista que chegou a presidente.
Ora, aquele metalúrgico já não existe há muito tempo. Sua legenda enferrujou. Foi tragado por sua verdadeira figura, submetido a uma metamorfose às avessas. As razões legais para o processo de impeachment gritam no artigo 85 da Constituição, que versa sobre os crimes de responsabilidade do presidente. Basta ler os seguintes motivos constantes da Carta Magna para que o Congresso promova o processo de impeachment de
Lula: atentar contra o livre exercício do Poder Legislativo, contra o livre
exercício dos direitos individuais ou contra a probidade da administração.
Seguem alguns exemplos ilustrativos.
No "mensalão", fato que Lula tentou transformar em um pecadilho cultural da política brasileira, reside um grave atentado contra o livre funcionamento do Congresso Nacional. A compra de consciências não só interferiu na vida do Poder Legislativo como também demonstrou a disposição petista de romper a barreira entre a democracia e o autoritarismo,utilizando a máxima de que os fins justificam os meios.
Jamais as instituições bancárias estatais foram tão agredidas. O Banco do Brasil teve seu dinheiro colocado a serviço de interesse s escusos; a Caixa Econômica Federal também, demonstrando que o sigilo bancário de seus depositantes foi posto à mercê da pilantragem política.
No escândalo dos Correios, mais que corrupção, foi posto a nu,além do assalto aos cofres públicos, um cuidadosamente urdido esquema de satrapias destinado a alimentar as necessidades pecuniárias de participantes da mesma viagem. Como costuma acontecer nesses casos, o escândalo veio à tona na divisão do botim.
Causa perplexidade, também, a maneira cínica com que o governo tenta se defender, usando todos os truques jurídicos para criar uma carapaça que evite investigações de suspeitas gravíssimas em torno do presidente do Sebrae, o generoso Paulo Okamotto, pródigo em cobrir gastos do amigo Lula sem que ele saiba. Aliás, ele nunca sabe de nada...
Lula passará à história, além de tudo, como alguém que procurou amordaçar a imprensa com a tentativa da criação de um orwelliano "conselho" nacional de jornalismo e com uma legislação para o audiovisual, que tentou calar o Ministério Público pela Lei da Mordaça e que protagonizou uma pueril tentativa de expulsar do país um orrespondente estrangeiro que lhe havia agredido a honra.
Neste momento grave, o Congresso Nacional não pode abdicar de suas esponsabilidades, sob o perigo de passar à história como cúmplice do comprometimento irreversível do futuro do país. As determinantes legais invocadas para o processo de impeachment encontram, todas elas, respaldo nos fatos.
Mas, infelizmente, na Constituição brasileira falta uma razão que bem melhor poderia resumir o que estamos assistindo: Lula seria o primeiro presidente a sofrer impeachment não apenas pela prática de crimes de responsabilidade, mas também pelo ímpar conjunto de sua obra.
Boris Casoy, 65, é jornalista. Foi editor-responsável da Folha de
1974 a 76, e de 1977 a 84. Na televisão, foi âncora do TJ Brasil (SBT) e
do Jornal da Record (Rede Record).
> >
> > Agora que todos sabem, após a matéria na Folha de algumas semanas
> >passadas, onde conheci o que lhes escrevo, Boris Casoy foi demitido da
> >Record a mando da cúpula de Lula (claro que ele não sabia), retirando o
> >patrocínio do Banco do Brasil, que era de 1 milhão, passando para 300
>mil,
> >mas com a "condição" de que o Jornal da Record (Boris) nada recebesse.
> > Isto ocorreu porque entenderam os comandados por Lula que, com
> >Boris Casoy falando diariamente da vergonha de se ter aquela quadrilha
> >instalada no planalto, não seria possível a reeleição.
> >
> > Pasmem, o motivo maior foi o fato de Boris Casoy ter perguntado a
> >Lula, durante entrevista no período de campanha, qual era o envolvimento
>ou
> >conhecimento dele com as Farc. Lula não respondeu, deu uma volta ao
>mundo
> >falando das lutas de cada país, falou de Che Guevara, e nasceu naquele
> >momento o ódio mortal que nutre por Boris.
> >
> > Até hoje nenhuma revista semanal fez matéria sobre este assunto,
> >porque ninguém quer ir contra um ditador, é só relembrar o que aconteceu
> >com o caseiro.
> >
> > Enfim, esta matéria que segue deveria ser lida por 160 milhões de
> >brasileiros (pena que somente 1/3 poderá ler).
> > Está em nossas mãos à continuidade ou não do que estamos
>assistindo,
> >sob o sentimento de espanto para alguns, revolta para outros, desânimo
>para
> >aqueles que acreditavam numa mudança e vergonha para aqueles que têm
> >valores morais.
> >
> > Somos o povo que elege, que impede a eleição, que escolhe o que
> >quer para seu futuro.
NÓS É QUE DEVEREMOS MUDAR ESTE PAÍS!
Boris Casoy pede o impeachment de Lula
Em artigo arrasador, na Folha de São Paulo de hoje, o jornalista Boris Casoy pede o impeachment de Lula. Vale a pena ler, reproduzir e enviar para o maior número de pessoas. Vale a pena traduzir e remeter para blogs, sites e jornais do exterior. Junto com o artigo de Miriam Leitão, publicado em O Globo na semana passada (sob o título "Inaceitável"), o texto de hoje de Casoy representa a manifestação indignada da sociedade brasileira aos desmandos de um governo sem legitimidade, que deixou de
ser uma instância pública para se transformar no aparelho de um grupo privado
que se comporta como uma gangue política.
É uma vergonha!
P
Boris Casoy - Folha de S. Paulo
Jamais o Brasil assistiu a tamanho descalabro de um governo. Quem se der ao trabalho de esmiuçar a história do país certamente constatará que nada semelhante havia ocorrido até a gestão do atual ocupante do Palácio do Planalto. Há, desde o tempo do Brasil colônia, um sem número de episódios graves de corrupção e de incompetência. Mas o nível alcançado pelo governo Lula é insuperável.
Não se trata de um ou de alguns focos de corrupção. Vai muito além.
Exibe notável desprezo pelas liberdades e pela democracia.
Manipula a máquina administrativa a seu bel-prazer, de modo a colocar o Estado a
favor de sua inesgotável sanha de poder. Um exemplo mais recente é a ação grotesca contra um simples caseiro, transformado em investigado por dizer a verdade depois de ser submetido a uma ação de provocar náuseas em qualquer stalinista.
Não se investiga o ministro Palocci, acusado de freqüentar um bunker destinado a operar negócios escusos em Brasília e de ter mentido a respeito ao Congresso. Tenta-se, a qualquer preço, desqualificar a testemunha para encobrir o óbvio. E o desespero da empreitada conduziu a uma canhestra operação que agora o governo retende encobrir, inclusive intimidando o caseiro.
Do presidente da República, sob a escusa pueril de dever muito a Palocci (talvez pela conquista do troféu dos juros mais altos do mundo e pelo crescimento ridículo do PIB), só se ouve a defesa pífia dos que não conseguem dissimular a culpa. A única providência das autoridades federais foi um simulacro de investigação, com a cumplicidade da Caixa Econômica Federal. Todos os limites foram ultrapassados; não há como o Congresso postergar um processo de impeachment contra Lula. Ou melhor, a favor do Brasil.
O argumento para não afastar Lula, de que sua gestão vive os últimos meses, é um auto-engano! A proximidade das eleições faz com que o governo use e abuse ainda mais do poder. Desde o início, este governo é envolvido na compra de consciências, na lubrificação da alma de órgãos de comunicação por meio de gigantescas verbas publicitárias e na persegui ção a os que lhe negam aplauso.
Outro argumento usado para não afastar Luiz Inácio Lula da Silva é a sua biografia, a saga do trabalhador, do sindicalista que chegou a presidente.
Ora, aquele metalúrgico já não existe há muito tempo. Sua legenda enferrujou. Foi tragado por sua verdadeira figura, submetido a uma metamorfose às avessas. As razões legais para o processo de impeachment gritam no artigo 85 da Constituição, que versa sobre os crimes de responsabilidade do presidente. Basta ler os seguintes motivos constantes da Carta Magna para que o Congresso promova o processo de impeachment de
Lula: atentar contra o livre exercício do Poder Legislativo, contra o livre
exercício dos direitos individuais ou contra a probidade da administração.
Seguem alguns exemplos ilustrativos.
No "mensalão", fato que Lula tentou transformar em um pecadilho cultural da política brasileira, reside um grave atentado contra o livre funcionamento do Congresso Nacional. A compra de consciências não só interferiu na vida do Poder Legislativo como também demonstrou a disposição petista de romper a barreira entre a democracia e o autoritarismo,utilizando a máxima de que os fins justificam os meios.
Jamais as instituições bancárias estatais foram tão agredidas. O Banco do Brasil teve seu dinheiro colocado a serviço de interesse s escusos; a Caixa Econômica Federal também, demonstrando que o sigilo bancário de seus depositantes foi posto à mercê da pilantragem política.
No escândalo dos Correios, mais que corrupção, foi posto a nu,além do assalto aos cofres públicos, um cuidadosamente urdido esquema de satrapias destinado a alimentar as necessidades pecuniárias de participantes da mesma viagem. Como costuma acontecer nesses casos, o escândalo veio à tona na divisão do botim.
Causa perplexidade, também, a maneira cínica com que o governo tenta se defender, usando todos os truques jurídicos para criar uma carapaça que evite investigações de suspeitas gravíssimas em torno do presidente do Sebrae, o generoso Paulo Okamotto, pródigo em cobrir gastos do amigo Lula sem que ele saiba. Aliás, ele nunca sabe de nada...
Lula passará à história, além de tudo, como alguém que procurou amordaçar a imprensa com a tentativa da criação de um orwelliano "conselho" nacional de jornalismo e com uma legislação para o audiovisual, que tentou calar o Ministério Público pela Lei da Mordaça e que protagonizou uma pueril tentativa de expulsar do país um orrespondente estrangeiro que lhe havia agredido a honra.
Neste momento grave, o Congresso Nacional não pode abdicar de suas esponsabilidades, sob o perigo de passar à história como cúmplice do comprometimento irreversível do futuro do país. As determinantes legais invocadas para o processo de impeachment encontram, todas elas, respaldo nos fatos.
Mas, infelizmente, na Constituição brasileira falta uma razão que bem melhor poderia resumir o que estamos assistindo: Lula seria o primeiro presidente a sofrer impeachment não apenas pela prática de crimes de responsabilidade, mas também pelo ímpar conjunto de sua obra.
Boris Casoy, 65, é jornalista. Foi editor-responsável da Folha de
1974 a 76, e de 1977 a 84. Na televisão, foi âncora do TJ Brasil (SBT) e
do Jornal da Record (Rede Record).
Arnaldo Jabor
VERDADE ESTÁ NA CARA, MAS NÃO SE IMPÕE!
ARNALDO JABOR
O que foi que nos aconteceu? No Brasil, estamos diante de acontecimentos inexplicáveis, ou melhor, "explicáveis" demais.
Toda a verdade já foi descoberta, todos os crimes provados, todas as mentiras percebidas.
Tudo já aconteceu e nada acontece. Os culpados estão catalogados, fichados, e nada rola. A verdade está na cara, mas a verdade não se impõe.
Isto é uma situação inédita na História brasileira .
Claro que a mentira sempre foi a base do sistema político, infiltrada no labirinto das oligarquias, claro que não esquecemos a supressão, a proibição da verdade durante a ditadura, mas nunca a verdade foi tão límpida à nossa frente e, no entanto, tão inútil, impotente, desfigurada.
Os fatos reais: Com a eleição de Lula, uma quadrilha se enfiou no governo e desviou bilhões de dinheiro público para tomar o Estado e ficar no poder 20 anos.
Os culpados são todos conhecidos, tudo está decifrado, o cheque assinado, as contas no estrangeiro, os tape, as provas irrefutáveis, mas o governo psicopata de Lula nega e ignora tudo. Questionado ou flagrado, o psicopata não se responsabiliza por suas ações.
Sempre se acha inocente ou vítima do mundo, do qual tem de se vingar.
O outro não existe para ele e não sente nem remorso nem vergonha do que faz.
Mente compulsivamente, acreditando na própria mentira, para conseguir poder.
Este governo é psicopata!!!
Seus membros riem da verdade, viram-lhe as costas, passam-lhe a mão nas nádegas.
A verdade se encolhe humilhada, num canto . E o pior é que o Lula, amparado em sua imagem de "povo", consegue transformar a Razão em vilã, as provas contra ele em acusações "falsas", sua condição de cúmplice e comandante em "vítima".
E a população ignorante engole tudo. Como é possível isso?
Simples: o Judiciário paralítico entoca todos os crimes na fortaleza da lentidão e da impunidade. Só daqui a dois anos serão julgados os indiciados - nos comunica o STF.
Os delitos são esquecidos, empacotados, prescrevem. A Lei protege os crimes e regulamenta a própria desmoralização. Jornalistas e formadores de opinião sentem-se inúteis, pois a indignação ficou supérflua. O que dizemos não se escreve, o que escrevemos não se finca tudo quebra diante do poder da mentira desse governo.
Sei que este é um artigo óbvio, repetitivo, inútil, mas tem de ser escrito....
Está havendo uma desmoralização do pensamento . Deprimo-me:
"Denunciar para quê, se indignar com quê? Fazer o quê?". A existência dessa estirpe
de mentirosos está dissolvendo a nossa língua.
Este neocinismo está a desmoralizar as palavras, o raciocínio. A língua portuguesa, os textos nos jornais, nos blogs, na TV, rádio, tudo fica ridículo diante da ditadura do lulo-petismo .
A cada cassado perdoado, a cada negação do óbvio, a cada testemunha, muda, aumenta a sensação de que as idéias não correspondem mais aos fatos!
Pior: que os fatos não são nada - só valem as versões, as manipulações. No último ano, tivemos um único momento de verdade, louca, operística, grotesca mas maravilhosa, quando o Roberto Jefferson abriu a cortina do país e deixou-nos ver os intestinos de nossa política .
Depois surgiram dois grandes documentos históricos: o relatório da CPI dos Correios e o parecer do procurador-geral da República. São verdades cristalinas, com sol a pino.
E, no entanto, chegam a ter um sabor quase de "gafe".
Lulo-petistas clamam: " Como é que a Procuradoria Geral, nomeada pelo Lula, tem o desplante de ser tão clara "!
Como que o Osmar Serraglio pode ser tão explícito, e como o Delcídio Amaral não mentiu em nome do PT?
Como ousaram ser honestos?".
Sempre que a verdade eclode, reagem. Quando um juiz condena rápido, é chamado de "exibicionista". Quando apareceu aquela grana toda no Maranhão (lembram, filhinhos?), a família Sarney reagiu ofendida com a falta de "finesse" do governo de FH, que não teve a delicadeza de avisar que a polícia estava chegando...
Mas agora é diferente. As palavras estão sendo esvaziadas de sentido.
Assim como o stalinismo apagava fotos , reescrevia textos para coonestar seus crimes,
o governo do Lula está criando uma língua nova, uma nova-língua empobrecedora da ciência política, uma língua esquemática, dualista, maniqueísta, nos preparando para o futuro político simplista que está se consolidando no horizonte. Toda a complexidade rica do país será transformada em uma massa de palavras de ordem, de preconceitos ideológicos movidos a dualismos e oposições, como tendem a fazer o populismo e o simplismo.
Lula será eleito por uma oposição mecânica entre ricos e pobres, dividindo o país em "a favor" do povo e "contra", recauchutando significados que não dão mais conta da circularidade do mundo atual.
Teremos o "sim" e o "não", teremos a depressão da razão de um lado e a psicopatia política de outro, teremos a volta da oposição mundo x Brasil, nacional x internacional. A esquematização dos conceitos, o empobrecimento da linguagem visa à formação de um novo ethos político no país, que favoreça o voluntarismo e legitime o governo de um Lula 2 e um Garotinho depois.
Assim como vivemos (por sorte...) há três anos sem governo algum, apenas vogando ao vento da bonança financeira mundial, só espero que a consolidação da economia brasileira resista ao cerco político-ideológico de dogmas boçais e impeça a desconstrução antidemocrática. As coisas são mais democráticas que os homens.
Alguns otimistas dizem: " Não... este maremoto de mentiras nos dará uma fome de verdades!". Não creio.
Vamos ficar viciados na mentira corrente, vamos falar por antônimos.
Ficaremos mais cínicos, mais egoístas, mais burros. O Lula reeleito será a prova de que os delitos compensaram. A mentira será verdade, e a nova-língua estará consagrada!
É amigos. Este texto deve se transformar na maior corrente que a internet já viu. Talvez assim, possamos nós, que não somos burros não, mais uma vez salvar o Brasil.
Passe para quantas pessoas você puder, tem minha autorização. Se você é brasileiro e gosta de seu País, faça algo por ele. Essa é a hora!
ARNALDO JABOR
O que foi que nos aconteceu? No Brasil, estamos diante de acontecimentos inexplicáveis, ou melhor, "explicáveis" demais.
Toda a verdade já foi descoberta, todos os crimes provados, todas as mentiras percebidas.
Tudo já aconteceu e nada acontece. Os culpados estão catalogados, fichados, e nada rola. A verdade está na cara, mas a verdade não se impõe.
Isto é uma situação inédita na História brasileira .
Claro que a mentira sempre foi a base do sistema político, infiltrada no labirinto das oligarquias, claro que não esquecemos a supressão, a proibição da verdade durante a ditadura, mas nunca a verdade foi tão límpida à nossa frente e, no entanto, tão inútil, impotente, desfigurada.
Os fatos reais: Com a eleição de Lula, uma quadrilha se enfiou no governo e desviou bilhões de dinheiro público para tomar o Estado e ficar no poder 20 anos.
Os culpados são todos conhecidos, tudo está decifrado, o cheque assinado, as contas no estrangeiro, os tape, as provas irrefutáveis, mas o governo psicopata de Lula nega e ignora tudo. Questionado ou flagrado, o psicopata não se responsabiliza por suas ações.
Sempre se acha inocente ou vítima do mundo, do qual tem de se vingar.
O outro não existe para ele e não sente nem remorso nem vergonha do que faz.
Mente compulsivamente, acreditando na própria mentira, para conseguir poder.
Este governo é psicopata!!!
Seus membros riem da verdade, viram-lhe as costas, passam-lhe a mão nas nádegas.
A verdade se encolhe humilhada, num canto . E o pior é que o Lula, amparado em sua imagem de "povo", consegue transformar a Razão em vilã, as provas contra ele em acusações "falsas", sua condição de cúmplice e comandante em "vítima".
E a população ignorante engole tudo. Como é possível isso?
Simples: o Judiciário paralítico entoca todos os crimes na fortaleza da lentidão e da impunidade. Só daqui a dois anos serão julgados os indiciados - nos comunica o STF.
Os delitos são esquecidos, empacotados, prescrevem. A Lei protege os crimes e regulamenta a própria desmoralização. Jornalistas e formadores de opinião sentem-se inúteis, pois a indignação ficou supérflua. O que dizemos não se escreve, o que escrevemos não se finca tudo quebra diante do poder da mentira desse governo.
Sei que este é um artigo óbvio, repetitivo, inútil, mas tem de ser escrito....
Está havendo uma desmoralização do pensamento . Deprimo-me:
"Denunciar para quê, se indignar com quê? Fazer o quê?". A existência dessa estirpe
de mentirosos está dissolvendo a nossa língua.
Este neocinismo está a desmoralizar as palavras, o raciocínio. A língua portuguesa, os textos nos jornais, nos blogs, na TV, rádio, tudo fica ridículo diante da ditadura do lulo-petismo .
A cada cassado perdoado, a cada negação do óbvio, a cada testemunha, muda, aumenta a sensação de que as idéias não correspondem mais aos fatos!
Pior: que os fatos não são nada - só valem as versões, as manipulações. No último ano, tivemos um único momento de verdade, louca, operística, grotesca mas maravilhosa, quando o Roberto Jefferson abriu a cortina do país e deixou-nos ver os intestinos de nossa política .
Depois surgiram dois grandes documentos históricos: o relatório da CPI dos Correios e o parecer do procurador-geral da República. São verdades cristalinas, com sol a pino.
E, no entanto, chegam a ter um sabor quase de "gafe".
Lulo-petistas clamam: " Como é que a Procuradoria Geral, nomeada pelo Lula, tem o desplante de ser tão clara "!
Como que o Osmar Serraglio pode ser tão explícito, e como o Delcídio Amaral não mentiu em nome do PT?
Como ousaram ser honestos?".
Sempre que a verdade eclode, reagem. Quando um juiz condena rápido, é chamado de "exibicionista". Quando apareceu aquela grana toda no Maranhão (lembram, filhinhos?), a família Sarney reagiu ofendida com a falta de "finesse" do governo de FH, que não teve a delicadeza de avisar que a polícia estava chegando...
Mas agora é diferente. As palavras estão sendo esvaziadas de sentido.
Assim como o stalinismo apagava fotos , reescrevia textos para coonestar seus crimes,
o governo do Lula está criando uma língua nova, uma nova-língua empobrecedora da ciência política, uma língua esquemática, dualista, maniqueísta, nos preparando para o futuro político simplista que está se consolidando no horizonte. Toda a complexidade rica do país será transformada em uma massa de palavras de ordem, de preconceitos ideológicos movidos a dualismos e oposições, como tendem a fazer o populismo e o simplismo.
Lula será eleito por uma oposição mecânica entre ricos e pobres, dividindo o país em "a favor" do povo e "contra", recauchutando significados que não dão mais conta da circularidade do mundo atual.
Teremos o "sim" e o "não", teremos a depressão da razão de um lado e a psicopatia política de outro, teremos a volta da oposição mundo x Brasil, nacional x internacional. A esquematização dos conceitos, o empobrecimento da linguagem visa à formação de um novo ethos político no país, que favoreça o voluntarismo e legitime o governo de um Lula 2 e um Garotinho depois.
Assim como vivemos (por sorte...) há três anos sem governo algum, apenas vogando ao vento da bonança financeira mundial, só espero que a consolidação da economia brasileira resista ao cerco político-ideológico de dogmas boçais e impeça a desconstrução antidemocrática. As coisas são mais democráticas que os homens.
Alguns otimistas dizem: " Não... este maremoto de mentiras nos dará uma fome de verdades!". Não creio.
Vamos ficar viciados na mentira corrente, vamos falar por antônimos.
Ficaremos mais cínicos, mais egoístas, mais burros. O Lula reeleito será a prova de que os delitos compensaram. A mentira será verdade, e a nova-língua estará consagrada!
É amigos. Este texto deve se transformar na maior corrente que a internet já viu. Talvez assim, possamos nós, que não somos burros não, mais uma vez salvar o Brasil.
Passe para quantas pessoas você puder, tem minha autorização. Se você é brasileiro e gosta de seu País, faça algo por ele. Essa é a hora!
Notas, notas e mais notas
"A HISTÓRIA SE REPETE COMO FARSA OU TRAGÉDIA!”
1. Em 1982, o candidato do PMDB ao governo do RJ -Miro Teixeira fez campanha junto a um grupo que chamou de luas pretas- de esquerda, tentando se desvencilhar do desgaste do governador Chagas Freitas.
2. Em 2006, Cabral do PMDB, faz campanha tentando se desvencilhar do desgaste dos governadores Garotinhos.
3. Em 1986, o candidato Moreira do PMDB, falando de um governo democrático-popular, e de um amplo arco de alianças, agregou do PDS ao PCdoB passando pelo PCB, pelo centro, por todas as alianças regionais possíveis e depois caiu nos braços do grupo-Alerj.
4. Em 2006, Cabral, falando de um governo democrático-popular (a mesma expressão de 20 anos atrás), construiu uma aliança ainda mais ampla onde cabe tudo, de esquerda à direita, de fascistas a proto-comunistas, de ladrões de casaca a mensaleiros...
5. O desastre que se seguiu ao PMDB, nos dois casos, foi terminal só recuperando o poder com uma eleição do PDT - seguido de uma dissidência do Garotinho- e adesão ao PMDB com vistas à ambição presidencial.
6. Miro tentou voltar como candidato a prefeito em 1996, e ficou lá atrás. Moreira tentou voltar como senador em 1998, e ficou lá atrás. Tentou como prefeito de Niterói e desistiu no segundo turno em 2004. E agora desistiu do mandato.
7. Moral da História: O Crime Político Não Compensa!
ESQUERDA, DIREITA...? VOLVER!
1. As últimas eleições na América Latina, estão apontando na direção de uma onda conservadora. Assim foi com o novo Alan Garcia, derrotando o chavista Humala, assim foi com o Calderón, derrotando o chavista Lopes Obrador, e assim foi ontem com Noboa derrotando no primeiro turno (contra todas as pesquisas), o chavista Rafael Correa.
2. Pode ser um sinal de que Chaves, Morales, Cuba, MSTs... já estão sendo incorporados pela população como risco futuro. E que risco!
3. Entrando pelo sul do Brasil, região limítrofe com Argentina, Paraguai, Uruguai, pode ser também, que Yeda Crusius e Osmar Dias, signifiquem a mesma coisa.
4. O que vemos nesse segundo turno presidencial é uma disputa entre candidatos que querem ser a esquerda da vez. Lula e PT enveredaram por uma comunicação -limpa e suja- populista. Geraldo e PSDB passaram a se explicar e dizer que ninguém é mais populista que eles. E toma estadismo, gasto público, assistencialismo... na comunicação e entrevistas dos candidatos.
5. Se são todos parecidos -pensa o eleitor- que deixe como está para ver como é que fica. Afinal Lula e o PT têm muito mais credencial populista, que Geraldo e o PSDB. Aliás, Geraldo nem imagem tem.
6. E se Geraldo inverter o discurso e entrar no trinômio Lei, Ordem e Família? Será que surfaria na onda das três últimas eleições latino-americanas citadas?
7. Mas para isso há a necessidade de se ter ousadia e vacina contra o patrulhamento. Como todos sabem: na América Latina a comunicação liberal é impopular. Mas a comunicação conservadora é muito popular. No Brasil não é diferente.
8. Quem quiser que faça uma pesquisa de régua: num extremo -digamos 90, a ultra-esquerda; em outro digamos 30 - a ultra-direita. E depois as diversas graduações. E poderá medir a popularidade da comunicação conservadora.
RIO E MARANHÃO: DOIS CRITÉRIOS OPOSTOS, POR PARTE DO PSDB!
1. A governadora Roseana Sarney -motivada ainda pela traição que sofreu em 2002- e numa circunstância especial de um segundo turno em um Estado em que Lula tem todos os votos (como aliás em quase todo o Nordeste), definiu o apoio a Lula. O PFL imediatamente formalizou junto à executiva a necessidade de se abrir um processo e se avaliar o procedimento em base ao estatuto do partido.
2. Ontem o PSDB decidiu apoiar Jackson Lago embora este também esteja com Lula.
3. No domingo -o atual secretário geral do PSDB -Paes- e o secretário geral anterior -Fortes- contra a decisão do PSDB-BR e do PSDB-RJ, formalizou o apoio a Cabral.
4. O que fará o PSDB? Nada? Era tudo combinado? Faz parte da lambança eclética que introduziram na campanha no Estado do Rio? Ninguém diz nada? Nem uma palavra? Processo, nem pensar?
5. Fica difícil -para o PSDB- desenvolver campanha assim.
RIO-CAPITAL: O ESTRAGO!
Há tempo mais que suficiente para Geraldo se recuperar no Rio-Capital. Mas o estrago da companhia de Garotinho foi abissal. No sábado/domingo últimos, dias 14 e 15, a eleição para governador estava empatada na Capital. Mas, para presidente, Lula tinha vantagem de 20 pontos.
PERGUNTAR NÃO OFENDE!
1. Se Lula chamou Berzoini é porque sabia que tinha sido coisa do PT e não de militantes avulsos.
2. Se Berzoini tinha obrigação de saber, imagine Lula com PF et caterva.....
Lula no Roda Viva -TV Cultura.
“Chamei o presidente do partido e perguntei: \`Quem fez essa burrice?\` Porque foi de uma sandice inominável”, disse ontem o presidente, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura. “Ele me disse que não sabia. Eu falei: \`Ricardo, você que é o presidente do partido tem obrigação de apresentar para a sociedade brasileira a resposta, Ricardo\`. Ele não deu (a resposta). Na quarta-feira, eu o afastei da coordenação da campanha”, concluiu.
PEOPLE METTER!
Este Ex-Blog recebeu vários e-mails sobre o uso do "people metter" -ou seja um aparelhinho eletronico com dial de 0 a 100, em que os grupos da qualitativa -antes do bate-papo- assistem o programa eleitoral e marcam sua aprovação (até 100), e sua desaprovação (até 0), durante os programas, em função do que veem e ouvem. A curva é das opiniões agregadas, portanto da média do conjunto de eleitores. A cada número corresponde o fato que estavam vendo para que se possa conhecer os pontos -altos e baixos- relacionados às imagens e corrigir nos programas seguintes, ou reafirmá-los.
Fonte: ex-blog cesar maia
1. Em 1982, o candidato do PMDB ao governo do RJ -Miro Teixeira fez campanha junto a um grupo que chamou de luas pretas- de esquerda, tentando se desvencilhar do desgaste do governador Chagas Freitas.
2. Em 2006, Cabral do PMDB, faz campanha tentando se desvencilhar do desgaste dos governadores Garotinhos.
3. Em 1986, o candidato Moreira do PMDB, falando de um governo democrático-popular, e de um amplo arco de alianças, agregou do PDS ao PCdoB passando pelo PCB, pelo centro, por todas as alianças regionais possíveis e depois caiu nos braços do grupo-Alerj.
4. Em 2006, Cabral, falando de um governo democrático-popular (a mesma expressão de 20 anos atrás), construiu uma aliança ainda mais ampla onde cabe tudo, de esquerda à direita, de fascistas a proto-comunistas, de ladrões de casaca a mensaleiros...
5. O desastre que se seguiu ao PMDB, nos dois casos, foi terminal só recuperando o poder com uma eleição do PDT - seguido de uma dissidência do Garotinho- e adesão ao PMDB com vistas à ambição presidencial.
6. Miro tentou voltar como candidato a prefeito em 1996, e ficou lá atrás. Moreira tentou voltar como senador em 1998, e ficou lá atrás. Tentou como prefeito de Niterói e desistiu no segundo turno em 2004. E agora desistiu do mandato.
7. Moral da História: O Crime Político Não Compensa!
ESQUERDA, DIREITA...? VOLVER!
1. As últimas eleições na América Latina, estão apontando na direção de uma onda conservadora. Assim foi com o novo Alan Garcia, derrotando o chavista Humala, assim foi com o Calderón, derrotando o chavista Lopes Obrador, e assim foi ontem com Noboa derrotando no primeiro turno (contra todas as pesquisas), o chavista Rafael Correa.
2. Pode ser um sinal de que Chaves, Morales, Cuba, MSTs... já estão sendo incorporados pela população como risco futuro. E que risco!
3. Entrando pelo sul do Brasil, região limítrofe com Argentina, Paraguai, Uruguai, pode ser também, que Yeda Crusius e Osmar Dias, signifiquem a mesma coisa.
4. O que vemos nesse segundo turno presidencial é uma disputa entre candidatos que querem ser a esquerda da vez. Lula e PT enveredaram por uma comunicação -limpa e suja- populista. Geraldo e PSDB passaram a se explicar e dizer que ninguém é mais populista que eles. E toma estadismo, gasto público, assistencialismo... na comunicação e entrevistas dos candidatos.
5. Se são todos parecidos -pensa o eleitor- que deixe como está para ver como é que fica. Afinal Lula e o PT têm muito mais credencial populista, que Geraldo e o PSDB. Aliás, Geraldo nem imagem tem.
6. E se Geraldo inverter o discurso e entrar no trinômio Lei, Ordem e Família? Será que surfaria na onda das três últimas eleições latino-americanas citadas?
7. Mas para isso há a necessidade de se ter ousadia e vacina contra o patrulhamento. Como todos sabem: na América Latina a comunicação liberal é impopular. Mas a comunicação conservadora é muito popular. No Brasil não é diferente.
8. Quem quiser que faça uma pesquisa de régua: num extremo -digamos 90, a ultra-esquerda; em outro digamos 30 - a ultra-direita. E depois as diversas graduações. E poderá medir a popularidade da comunicação conservadora.
RIO E MARANHÃO: DOIS CRITÉRIOS OPOSTOS, POR PARTE DO PSDB!
1. A governadora Roseana Sarney -motivada ainda pela traição que sofreu em 2002- e numa circunstância especial de um segundo turno em um Estado em que Lula tem todos os votos (como aliás em quase todo o Nordeste), definiu o apoio a Lula. O PFL imediatamente formalizou junto à executiva a necessidade de se abrir um processo e se avaliar o procedimento em base ao estatuto do partido.
2. Ontem o PSDB decidiu apoiar Jackson Lago embora este também esteja com Lula.
3. No domingo -o atual secretário geral do PSDB -Paes- e o secretário geral anterior -Fortes- contra a decisão do PSDB-BR e do PSDB-RJ, formalizou o apoio a Cabral.
4. O que fará o PSDB? Nada? Era tudo combinado? Faz parte da lambança eclética que introduziram na campanha no Estado do Rio? Ninguém diz nada? Nem uma palavra? Processo, nem pensar?
5. Fica difícil -para o PSDB- desenvolver campanha assim.
RIO-CAPITAL: O ESTRAGO!
Há tempo mais que suficiente para Geraldo se recuperar no Rio-Capital. Mas o estrago da companhia de Garotinho foi abissal. No sábado/domingo últimos, dias 14 e 15, a eleição para governador estava empatada na Capital. Mas, para presidente, Lula tinha vantagem de 20 pontos.
PERGUNTAR NÃO OFENDE!
1. Se Lula chamou Berzoini é porque sabia que tinha sido coisa do PT e não de militantes avulsos.
2. Se Berzoini tinha obrigação de saber, imagine Lula com PF et caterva.....
Lula no Roda Viva -TV Cultura.
“Chamei o presidente do partido e perguntei: \`Quem fez essa burrice?\` Porque foi de uma sandice inominável”, disse ontem o presidente, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura. “Ele me disse que não sabia. Eu falei: \`Ricardo, você que é o presidente do partido tem obrigação de apresentar para a sociedade brasileira a resposta, Ricardo\`. Ele não deu (a resposta). Na quarta-feira, eu o afastei da coordenação da campanha”, concluiu.
PEOPLE METTER!
Este Ex-Blog recebeu vários e-mails sobre o uso do "people metter" -ou seja um aparelhinho eletronico com dial de 0 a 100, em que os grupos da qualitativa -antes do bate-papo- assistem o programa eleitoral e marcam sua aprovação (até 100), e sua desaprovação (até 0), durante os programas, em função do que veem e ouvem. A curva é das opiniões agregadas, portanto da média do conjunto de eleitores. A cada número corresponde o fato que estavam vendo para que se possa conhecer os pontos -altos e baixos- relacionados às imagens e corrigir nos programas seguintes, ou reafirmá-los.
Fonte: ex-blog cesar maia
OAB
Depois de assumir Presidência, Lula nunca mais esteve na OAB
Brasília, 17/10/2006 - Ao contrário do que fazia com freqüência quando disputava a Presidência da República nas eleições anteriores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não esteve uma única vez na sede do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) desde que assumiu o comando do Palácio do Planalto, em janeiro de 2003. A última vez que Lula esteve na sede da OAB foi em 19 de dezembro de 2002, já na condição de presidente eleito da República, quando anunciou o nome do advogado criminalista Márcio Thomaz Bastos - ex-presidente do Conselho Federal - para titular da pasta da Justiça. Lula, que foi convidado a debater na OAB seu programa de governo numa eventual reeleição, manteve sua postura de continuar distante da entidade, à qual respondeu negativamente o convite.
“A OAB não mudou, continua onde sempre esteve, isto é, na defesa da cidadania; alguns personagens é que lamentavelmente mudaram de trincheira”, afirmou hoje (17) o presidente nacional da OAB, Roberto Busato. “A OAB sempre foi, é e continuará sendo apartidária, participando da vida política institucional, em prol da cidadania brasileira”, completou Busato.
Durante a campanha eleitoral de 1998, na condição de candidato ao Palácio do Planalto, Lula entregou um documento ao Conselho Federal da OAB, assinado do próprio punho, repleto de elogios à entidade. “Preliminarmente, agradeço a honra que a Ordem dos Advogados do Brasil me conferiu convidando-me a expor diante de seu egrégio Conselho Federal minhas propostas programáticas para o futuro do país, na condição de candidato à Presidência da República pela União do Povo, Muda Brasil”, escreveu Lula à OAB.
No mesmo documento, Lula garantia que, se fosse eleito presidente da República, não utilizaria o instituto das medidas provisórias (MPs) para governar como fizeram os seus antecessores. “Somente irei usar o expediente das medidas provisórias em casos previstos na Constituição Federal, ou seja, em situações de urgência e relevância”, prometeu ele então, no que mais tarde seria confrontado pela entidade, por ter abusado da utilização das MPs.
Ainda durante a campanha presidencial de 1998, Lula aceitou o convite da OAB Nacional e falou dos seus planos de governo caso saísse vitorioso na disputa eleitoral. Os demais candidatos inscritos no TSE naquela época - até mesmo o então presidente Fernando Henrique Cardoso, que disputava a reeleição - também aceitaram o convite e falaram diretamente para os advogados. Nenhum dos candidatos convidados pela OAB fugiu do debate com os advogados.
Para dirigentes da OAB, está nítido que Lula mudou o seu pensamento em relação à entidade depois que recebeu a faixa presidencial. Até mesmo na XIX Conferência Nacional dos Advogados, realizada ano passado em Florianópolis, Lula não esteve presente, apesar de ter sido convidado oficialmente. Nas duas últimas Conferências Nacionais da OAB, no Rio de Janeiro (1998) e em Salvador (2002), ele esteve presente e foi muito aplaudido.
Fonte: informativo on line da OAB nacional
Brasília, 17/10/2006 - Ao contrário do que fazia com freqüência quando disputava a Presidência da República nas eleições anteriores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não esteve uma única vez na sede do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) desde que assumiu o comando do Palácio do Planalto, em janeiro de 2003. A última vez que Lula esteve na sede da OAB foi em 19 de dezembro de 2002, já na condição de presidente eleito da República, quando anunciou o nome do advogado criminalista Márcio Thomaz Bastos - ex-presidente do Conselho Federal - para titular da pasta da Justiça. Lula, que foi convidado a debater na OAB seu programa de governo numa eventual reeleição, manteve sua postura de continuar distante da entidade, à qual respondeu negativamente o convite.
“A OAB não mudou, continua onde sempre esteve, isto é, na defesa da cidadania; alguns personagens é que lamentavelmente mudaram de trincheira”, afirmou hoje (17) o presidente nacional da OAB, Roberto Busato. “A OAB sempre foi, é e continuará sendo apartidária, participando da vida política institucional, em prol da cidadania brasileira”, completou Busato.
Durante a campanha eleitoral de 1998, na condição de candidato ao Palácio do Planalto, Lula entregou um documento ao Conselho Federal da OAB, assinado do próprio punho, repleto de elogios à entidade. “Preliminarmente, agradeço a honra que a Ordem dos Advogados do Brasil me conferiu convidando-me a expor diante de seu egrégio Conselho Federal minhas propostas programáticas para o futuro do país, na condição de candidato à Presidência da República pela União do Povo, Muda Brasil”, escreveu Lula à OAB.
No mesmo documento, Lula garantia que, se fosse eleito presidente da República, não utilizaria o instituto das medidas provisórias (MPs) para governar como fizeram os seus antecessores. “Somente irei usar o expediente das medidas provisórias em casos previstos na Constituição Federal, ou seja, em situações de urgência e relevância”, prometeu ele então, no que mais tarde seria confrontado pela entidade, por ter abusado da utilização das MPs.
Ainda durante a campanha presidencial de 1998, Lula aceitou o convite da OAB Nacional e falou dos seus planos de governo caso saísse vitorioso na disputa eleitoral. Os demais candidatos inscritos no TSE naquela época - até mesmo o então presidente Fernando Henrique Cardoso, que disputava a reeleição - também aceitaram o convite e falaram diretamente para os advogados. Nenhum dos candidatos convidados pela OAB fugiu do debate com os advogados.
Para dirigentes da OAB, está nítido que Lula mudou o seu pensamento em relação à entidade depois que recebeu a faixa presidencial. Até mesmo na XIX Conferência Nacional dos Advogados, realizada ano passado em Florianópolis, Lula não esteve presente, apesar de ter sido convidado oficialmente. Nas duas últimas Conferências Nacionais da OAB, no Rio de Janeiro (1998) e em Salvador (2002), ele esteve presente e foi muito aplaudido.
Fonte: informativo on line da OAB nacional
Outras Notas
CURIOSO O PROGRAMA DE LULA ONTEM A NOITE...
Pela primeira vez fechou o programa, antes da entrada do de Geraldo, com um "comercial" forte insinuando que Geraldo vai privatizar a Petrobrás, Banco do Brasil e CEF. Curioso, pois se as pesquisas de Lula dessem 19 pontos de diferença esse tipo de inserção não seria recomendável, pois dará direito de resposta e mostra preocupação com Geraldo. Curioso!
ABERTURA DO EDITORIAL DA FSP!
Resposta, já
Origem do dinheiro sujo para comprar dossiê contra tucanos precisa ser desvendada antes do pleito, para o bem do país
AINDA DATAFOLHA! NOTÍCIA INTERESSANTE PARA GERALDO!
1. Na pergunta em quem votou no primeiro turno Lula teve 48,5% e Geraldo 34%. Na verdade Lula teve 44% e Geraldo 37%. Ou seja, a diferença dada pela pesquisa atual quanto à memória do eleitor foi de 14 pontos, quando na verdade foi de 7 pontos.
2. Ou o eleitor que vota por votar, responde qualquer coisa, ou é efeito da abstenção/meio de semana, ou desvio de pesquisa.
3. De qualquer forma Geraldo tem aí um ponto de apoio para ganhar fôlego, pois se agregarmos os três elementos, a diferença cai dos 19 pontos para 12 pontos. Como conhecemos a distorção abstenção/meio de semana de 4 pontos que leva o resultado para 15 pontos de diferença, cair mais 3 pontos é coerente e natural com os outros dois elementos.
OUTRA NOTA BOA PARA GERALDO!
A pesquisa DataFolha deu no Sudeste 52% para Lula e 41% para Geraldo. As pesquisas internas nos três grandes estados feitas separadamente deram uma diferença bem menor -veja nos comentários gerais. Apenas essa diferença entre diferenças dá uma redução de uns 4 pontos a nível nacional.
O QUE SERÁ QUE SERÁ, QUE ANDAM MURMURANDO PELAS ALCOVAS...?
Ontem os comentários sobre a designação da esposa do Clésio Andrade para o TCE-MG pelo governador Aécio Neves se multiplicaram. Não por ser esposa do Clésio que é seu vice-governador e suplente de senador eleito. E não por ele ser vice. Afinal é uma questão de capacidade para o exercício do cargo, e não há nada que se possa falar da pessoa em si. Mas como o Clésio Andrade -era sócio do Marcos Valério- tendo comprado/vendido agencia de publicidade entre eles, e implementado a partir daí a montagem de operações chamadas de valerianas que resultaram no valerioduto ou mensalão, que teve origem em MG através da engenhosidade de ambos, ligados a políticos, fica a impressão de que tratar bem o Clésio -a pedido de muitos- poderia ser a razão da designação. Impressão apenas... por enquanto.
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Pela primeira vez fechou o programa, antes da entrada do de Geraldo, com um "comercial" forte insinuando que Geraldo vai privatizar a Petrobrás, Banco do Brasil e CEF. Curioso, pois se as pesquisas de Lula dessem 19 pontos de diferença esse tipo de inserção não seria recomendável, pois dará direito de resposta e mostra preocupação com Geraldo. Curioso!
ABERTURA DO EDITORIAL DA FSP!
Resposta, já
Origem do dinheiro sujo para comprar dossiê contra tucanos precisa ser desvendada antes do pleito, para o bem do país
AINDA DATAFOLHA! NOTÍCIA INTERESSANTE PARA GERALDO!
1. Na pergunta em quem votou no primeiro turno Lula teve 48,5% e Geraldo 34%. Na verdade Lula teve 44% e Geraldo 37%. Ou seja, a diferença dada pela pesquisa atual quanto à memória do eleitor foi de 14 pontos, quando na verdade foi de 7 pontos.
2. Ou o eleitor que vota por votar, responde qualquer coisa, ou é efeito da abstenção/meio de semana, ou desvio de pesquisa.
3. De qualquer forma Geraldo tem aí um ponto de apoio para ganhar fôlego, pois se agregarmos os três elementos, a diferença cai dos 19 pontos para 12 pontos. Como conhecemos a distorção abstenção/meio de semana de 4 pontos que leva o resultado para 15 pontos de diferença, cair mais 3 pontos é coerente e natural com os outros dois elementos.
OUTRA NOTA BOA PARA GERALDO!
A pesquisa DataFolha deu no Sudeste 52% para Lula e 41% para Geraldo. As pesquisas internas nos três grandes estados feitas separadamente deram uma diferença bem menor -veja nos comentários gerais. Apenas essa diferença entre diferenças dá uma redução de uns 4 pontos a nível nacional.
O QUE SERÁ QUE SERÁ, QUE ANDAM MURMURANDO PELAS ALCOVAS...?
Ontem os comentários sobre a designação da esposa do Clésio Andrade para o TCE-MG pelo governador Aécio Neves se multiplicaram. Não por ser esposa do Clésio que é seu vice-governador e suplente de senador eleito. E não por ele ser vice. Afinal é uma questão de capacidade para o exercício do cargo, e não há nada que se possa falar da pessoa em si. Mas como o Clésio Andrade -era sócio do Marcos Valério- tendo comprado/vendido agencia de publicidade entre eles, e implementado a partir daí a montagem de operações chamadas de valerianas que resultaram no valerioduto ou mensalão, que teve origem em MG através da engenhosidade de ambos, ligados a políticos, fica a impressão de que tratar bem o Clésio -a pedido de muitos- poderia ser a razão da designação. Impressão apenas... por enquanto.
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Pesquisas Notas e Notas
DATA-FOLHA DIZ QUE NO PARANÁ E NO ESTADO DO RIO MAIS DA METADE DOS ELEITORES NÃO VIRAM SEQUER UM PROGRAMA NA TV!
1. No Estado do Rio foram 50%. No Paraná foram 55%. Como a pergunta não foi feita para o Brasil todo, este Ex-Blog se permite deduzir que é provável que a não audiência seja maior nos Estados com apenas a eleição presidencial e menor com as duas eleições e 40 minutos seguidos.
2. Isso sugere que:
a) a audiência na reta final tende a aumentar, o que exigirá mais cuidado na TV;
b) nas próximas eleições os programas de presidente e governador no segundo turno deveriam ser em dias alternados com 20 minutos só na casa do eleitor.
DATAFOLHA: ALGUNS ELEMENTOS PARA ANÁLISE!
01. Pode-se discutir a metodologia deste ou daquele instituto de pesquisa, entre os sérios. A metodologia adotada pode implicar em desvios e distorções. A captação das respostas como faz o DataFolha, em pontos de fluxo, no caso -pelo menos- das grandes cidades brasileiras, produz desvios. A rua -em função da preocupação com assaltos- é sempre um local potencialmente tenso nessas grandes cidades. Isso pode levar a que o entrevistado não dê as informações de forma adequada. Talvez por isso temos visto uma diferença -às vezes significativa- entre as porcentagens da pergunta -em quem votou na eleição?- e o resultado da eleição.
02. Mas independente de qualquer coisa, quando um mesmo instituto, com uma mesma metodologia sinaliza claramente uma tendência, é óbvio que esta está certa. Ou seja: se a diferença de Lula para Alckmin era de 11 pontos pelo DataFolha e agora é de 19 pontos, pode-se afirmar que houve um aumento da diferença além da margem de erro.
03. Este Ex-Blog volta a repetir que pesquisas em meio de semana produzem desvios nas áreas metropolitanas, pelo deslocamento espacial da PEA. E que a abstenção afeta mais os que tem sua votação concentrada nos setores de baixa renda. Isso ficou bem demonstrado no primeiro turno. Mesmo com uma abstenção inferior às últimas duas eleições presidenciais no Nordeste, a diferença foi de 4 pontos. Ou seja: se Lula na pesquisa publicada na véspera, tiver 4 pontos de vantagem, Geraldo vence a eleição.
04. Mas aplicando estes 4 pontos -descontando dos 19 pontos de diferença que deu o DataFolha- os 15 pontos líquidos, já são uma enorme diferença.
05. Ontem na gravação que o prefeito Cesar Maia fez e foi colocada neste Ex-Blog, ele com muito cuidado sinalizava que os números que viriam iam ser ruins. Isso foi dito, com muito cuidado para não incomodar tantos.
06. O que ele informou via -youtube- sobre Rio, SP e MG em pesquisas no fim de semana, portanto sem aqueles quase 2 pontos de diferença pela coleta no meio da semana- foi um sinal negativo. Vejamos os números da pesquisa interna do PFL.
07. Em S. Paulo a diferença pró-Geraldo havia caído para 7 pontos: 48% a 41%, muito menor que em outras pesquisas e no dia da eleição. Em Minas Gerais, a diferença se mantinha alta a favor de Lula em 21 pontos, ou 55% a 34%. No Estado do Rio foi mais grave. No penúltimo final de semana Lula ganhava por 22 pontos. No ultimo -dias 14 e 15 de outubro- Lula abria no Estado do Rio 31 pontos: 59% a 28%. Na eleição Lula venceu Geraldo por 20 pontos no Estado do Rio.
08. Com isso o triângulo das bermudas, que seria o trampolim de ultrapassagem, conspirou contra Geraldo. Lula fechou este fim de semana com 43% a 40% nessa área agregando os 3 maiores colégios eleitorais do Brasil e 42% dos eleitores brasileiros.
09. Portanto, mesmo que os 19 pontos possam ser exagerados, e o número adequado seja 15% bruto ou 11% líquido (meio de semana+abstenção) - estaremos falando de uma diferença tão grande que exigiria que o estado maior parasse e avaliasse que mudanças no programa e comerciais são aconselháveis e se o ataque continuará sendo feito por um locutor de terno e gravata em diagonal, e apenas no final do programa, como se houvesse timidez na denúncia. Acompanhemos sem olhar para trás quanto aos erros cometidos pela equipe do Geraldo no início do segundo turno. Aguardemos!
1. No Estado do Rio foram 50%. No Paraná foram 55%. Como a pergunta não foi feita para o Brasil todo, este Ex-Blog se permite deduzir que é provável que a não audiência seja maior nos Estados com apenas a eleição presidencial e menor com as duas eleições e 40 minutos seguidos.
2. Isso sugere que:
a) a audiência na reta final tende a aumentar, o que exigirá mais cuidado na TV;
b) nas próximas eleições os programas de presidente e governador no segundo turno deveriam ser em dias alternados com 20 minutos só na casa do eleitor.
DATAFOLHA: ALGUNS ELEMENTOS PARA ANÁLISE!
01. Pode-se discutir a metodologia deste ou daquele instituto de pesquisa, entre os sérios. A metodologia adotada pode implicar em desvios e distorções. A captação das respostas como faz o DataFolha, em pontos de fluxo, no caso -pelo menos- das grandes cidades brasileiras, produz desvios. A rua -em função da preocupação com assaltos- é sempre um local potencialmente tenso nessas grandes cidades. Isso pode levar a que o entrevistado não dê as informações de forma adequada. Talvez por isso temos visto uma diferença -às vezes significativa- entre as porcentagens da pergunta -em quem votou na eleição?- e o resultado da eleição.
02. Mas independente de qualquer coisa, quando um mesmo instituto, com uma mesma metodologia sinaliza claramente uma tendência, é óbvio que esta está certa. Ou seja: se a diferença de Lula para Alckmin era de 11 pontos pelo DataFolha e agora é de 19 pontos, pode-se afirmar que houve um aumento da diferença além da margem de erro.
03. Este Ex-Blog volta a repetir que pesquisas em meio de semana produzem desvios nas áreas metropolitanas, pelo deslocamento espacial da PEA. E que a abstenção afeta mais os que tem sua votação concentrada nos setores de baixa renda. Isso ficou bem demonstrado no primeiro turno. Mesmo com uma abstenção inferior às últimas duas eleições presidenciais no Nordeste, a diferença foi de 4 pontos. Ou seja: se Lula na pesquisa publicada na véspera, tiver 4 pontos de vantagem, Geraldo vence a eleição.
04. Mas aplicando estes 4 pontos -descontando dos 19 pontos de diferença que deu o DataFolha- os 15 pontos líquidos, já são uma enorme diferença.
05. Ontem na gravação que o prefeito Cesar Maia fez e foi colocada neste Ex-Blog, ele com muito cuidado sinalizava que os números que viriam iam ser ruins. Isso foi dito, com muito cuidado para não incomodar tantos.
06. O que ele informou via -youtube- sobre Rio, SP e MG em pesquisas no fim de semana, portanto sem aqueles quase 2 pontos de diferença pela coleta no meio da semana- foi um sinal negativo. Vejamos os números da pesquisa interna do PFL.
07. Em S. Paulo a diferença pró-Geraldo havia caído para 7 pontos: 48% a 41%, muito menor que em outras pesquisas e no dia da eleição. Em Minas Gerais, a diferença se mantinha alta a favor de Lula em 21 pontos, ou 55% a 34%. No Estado do Rio foi mais grave. No penúltimo final de semana Lula ganhava por 22 pontos. No ultimo -dias 14 e 15 de outubro- Lula abria no Estado do Rio 31 pontos: 59% a 28%. Na eleição Lula venceu Geraldo por 20 pontos no Estado do Rio.
08. Com isso o triângulo das bermudas, que seria o trampolim de ultrapassagem, conspirou contra Geraldo. Lula fechou este fim de semana com 43% a 40% nessa área agregando os 3 maiores colégios eleitorais do Brasil e 42% dos eleitores brasileiros.
09. Portanto, mesmo que os 19 pontos possam ser exagerados, e o número adequado seja 15% bruto ou 11% líquido (meio de semana+abstenção) - estaremos falando de uma diferença tão grande que exigiria que o estado maior parasse e avaliasse que mudanças no programa e comerciais são aconselháveis e se o ataque continuará sendo feito por um locutor de terno e gravata em diagonal, e apenas no final do programa, como se houvesse timidez na denúncia. Acompanhemos sem olhar para trás quanto aos erros cometidos pela equipe do Geraldo no início do segundo turno. Aguardemos!
quarta-feira, outubro 11, 2006
Pesquisa após debate
LULA 51% X GERALDO 40%! PESQUISA DATAFOLHA: ALGUMAS ANOTAÇÕES!
1. Todos os fatores citados pelo DataFolha que explicam os três pontos a menos de Geraldo em relação à primeira pesquisa, apontam em duas direções. Primeiro o eleitor típico de Heloisa Helena no primeiro turno. Neste segmento Geraldo perdeu nove pontos ou quase um ponto nacional, provavelmente concentrado no Estado do Rio, onde ela obteve mais de 30% de seus votos. O eleitor de Heloisa Helena foi basicamente de classe média, de nível superior, e politizado de esquerda. Todos os números de perda de Geraldo no Data-Folha cruzam com este tipo de eleitor. Típico de HH, mas não apenas dela. Certamente a foto com Garotinho foi fator decisivo para o eleitor de HH no Rio decidir.
2. Em segundo lugar, a primeira semana de Geraldo após a eleição. Tudo errado. Ele vinha crescendo no primeiro turno, passo a passo, um pouco acelerado no final pelo dossiê. Este Ex-Blog lembra que a opinião pública vai sendo alcançada pelos contatos diretos, progressivamente, a partir dos que procuram informações, até chegar aos que tem a mídia apenas como entretenimento. No dia seguinte ele teria que ter reforçado sua presença nas ruas tomando cafezinho em várias capitais. Mas ficou cravado em S. Paulo e Brasília tratando de conchavos políticos e fotos desabonadoras. Com isso a curva de crescimento se interrompe, pois o noticiário muda de foco.
3. O resultado da pesquisa realizada -em média- 36 horas depois do debate, simplesmente confirmou o que este Ex-Blog vem dizendo. Para efeito do voto não se ganha debate: perde-se quando a derrapagem for forte. Não foi o caso, e portanto a vitória de Geraldo no debate não afetaria a pesquisa 48 horas depois.
4. Na pesquisa, 39% afirmam que viram o debate todo ou em parte. Para estes 43% dão vitória a Geraldo e 41% a Lula. Como este Ex-Blog já informou, o eleitor tende a ver seu candidato como o melhor. Como Lula teve na pesquisa 51%, no debate ele caiu para 41%. Geraldo na pesquisa teve 40%, e com o debate voltou a seu número anterior na pesquisa, ou 43%. Um bom resultado. Entre os que não viram, mas souberam, Geraldo ganha de 30% a 28%, outro bom resultado, sendo este melhor ainda e que confirma o primeiro.
5. Pelo nível de instrução, assistiram o debate 61% dos de nível superior, 43% de nível médio e 31% com primeiro grau. Alckmin teve menos entre os de nível superior do que tem na pesquisa. Mas qualquer conclusão é apressada ao comparar com estas faixas na pesquisa de intenção de voto. Primeiro porque é um eleitor mais interessado, mais politizado. Segundo porque os que não viram confirmam o resultado do debate com vitória de Geraldo.
Fonte: ex-blog Cesar Maia
1. Todos os fatores citados pelo DataFolha que explicam os três pontos a menos de Geraldo em relação à primeira pesquisa, apontam em duas direções. Primeiro o eleitor típico de Heloisa Helena no primeiro turno. Neste segmento Geraldo perdeu nove pontos ou quase um ponto nacional, provavelmente concentrado no Estado do Rio, onde ela obteve mais de 30% de seus votos. O eleitor de Heloisa Helena foi basicamente de classe média, de nível superior, e politizado de esquerda. Todos os números de perda de Geraldo no Data-Folha cruzam com este tipo de eleitor. Típico de HH, mas não apenas dela. Certamente a foto com Garotinho foi fator decisivo para o eleitor de HH no Rio decidir.
2. Em segundo lugar, a primeira semana de Geraldo após a eleição. Tudo errado. Ele vinha crescendo no primeiro turno, passo a passo, um pouco acelerado no final pelo dossiê. Este Ex-Blog lembra que a opinião pública vai sendo alcançada pelos contatos diretos, progressivamente, a partir dos que procuram informações, até chegar aos que tem a mídia apenas como entretenimento. No dia seguinte ele teria que ter reforçado sua presença nas ruas tomando cafezinho em várias capitais. Mas ficou cravado em S. Paulo e Brasília tratando de conchavos políticos e fotos desabonadoras. Com isso a curva de crescimento se interrompe, pois o noticiário muda de foco.
3. O resultado da pesquisa realizada -em média- 36 horas depois do debate, simplesmente confirmou o que este Ex-Blog vem dizendo. Para efeito do voto não se ganha debate: perde-se quando a derrapagem for forte. Não foi o caso, e portanto a vitória de Geraldo no debate não afetaria a pesquisa 48 horas depois.
4. Na pesquisa, 39% afirmam que viram o debate todo ou em parte. Para estes 43% dão vitória a Geraldo e 41% a Lula. Como este Ex-Blog já informou, o eleitor tende a ver seu candidato como o melhor. Como Lula teve na pesquisa 51%, no debate ele caiu para 41%. Geraldo na pesquisa teve 40%, e com o debate voltou a seu número anterior na pesquisa, ou 43%. Um bom resultado. Entre os que não viram, mas souberam, Geraldo ganha de 30% a 28%, outro bom resultado, sendo este melhor ainda e que confirma o primeiro.
5. Pelo nível de instrução, assistiram o debate 61% dos de nível superior, 43% de nível médio e 31% com primeiro grau. Alckmin teve menos entre os de nível superior do que tem na pesquisa. Mas qualquer conclusão é apressada ao comparar com estas faixas na pesquisa de intenção de voto. Primeiro porque é um eleitor mais interessado, mais politizado. Segundo porque os que não viram confirmam o resultado do debate com vitória de Geraldo.
Fonte: ex-blog Cesar Maia
Notas
AH... POR ISSO TIVERAM QUE AFASTÁ-LO DA PRESIDÊNCIA DO PT! JÁ SABIAM!
Correio Brasiliense.
CPI: Berzoini mandou comprar o dossiê
Integrante da CPI dos Sanguessugas, o deputado Júlio Delgado diz que as investigações da Polícia Federal sobre o caso desmontam a hipótese de operação desastrada para virar a eleição em São Paulo. Armação teria começado antes de agosto e contaria com aval do então presidente do PT. Ao ser informado do dossiê antitucano, Berzoini teria autorizado Lorenzetti a levantar o dinheiro para comprá-lo. A origem dos R$ 1,7 milhão é a informação que falta para a PF fechar o cerco aos petistas.
O QUE ESTARÃO DIZENDO LÁ EM CIMA, BRIZOLA, PRESTES, APOLONIO DE CARVALHO...?
Globo
DELFIM NETTO É ACLAMADO POR PETISTAS EM EVENTO DE CAMPANHA
Demonizado pelo PT no passado, o ex-deputado federal Delfim Netto foi aclamado na noite desta terça por uma platéia de petistas durante evento de campanha do presidente Lula no Clube de Regatas Tietê. Aplaudido ao discursar, Delfim afirmou que este é o momento "de resistir à volta da política que destruiu este país e impediu o seu desenvolvimento".
Lula fez a defesa de Delfim, ministro da Fazenda no regime militar, que não conseguiu se reeleger deputado federal pelo PMDB na eleição deste ano. Para o presidente, Delfim recebeu apenas 38.805 votos porque foi vítima "do preconceito da elite". "O Delfim é um dos homens mais fortes deste país. Não se elegeu deputado federal porque acharam que ele foi um traidor. Ele não foi eleito por vingança de um conjunto, de uma elite de São Paulo, porque ele defendia a nossa política", disse. Segundo Lula, o ex-ministro foi alvo das mesmas críticas que receberam os seus aliados da esquerda.
Correio Brasiliense.
CPI: Berzoini mandou comprar o dossiê
Integrante da CPI dos Sanguessugas, o deputado Júlio Delgado diz que as investigações da Polícia Federal sobre o caso desmontam a hipótese de operação desastrada para virar a eleição em São Paulo. Armação teria começado antes de agosto e contaria com aval do então presidente do PT. Ao ser informado do dossiê antitucano, Berzoini teria autorizado Lorenzetti a levantar o dinheiro para comprá-lo. A origem dos R$ 1,7 milhão é a informação que falta para a PF fechar o cerco aos petistas.
O QUE ESTARÃO DIZENDO LÁ EM CIMA, BRIZOLA, PRESTES, APOLONIO DE CARVALHO...?
Globo
DELFIM NETTO É ACLAMADO POR PETISTAS EM EVENTO DE CAMPANHA
Demonizado pelo PT no passado, o ex-deputado federal Delfim Netto foi aclamado na noite desta terça por uma platéia de petistas durante evento de campanha do presidente Lula no Clube de Regatas Tietê. Aplaudido ao discursar, Delfim afirmou que este é o momento "de resistir à volta da política que destruiu este país e impediu o seu desenvolvimento".
Lula fez a defesa de Delfim, ministro da Fazenda no regime militar, que não conseguiu se reeleger deputado federal pelo PMDB na eleição deste ano. Para o presidente, Delfim recebeu apenas 38.805 votos porque foi vítima "do preconceito da elite". "O Delfim é um dos homens mais fortes deste país. Não se elegeu deputado federal porque acharam que ele foi um traidor. Ele não foi eleito por vingança de um conjunto, de uma elite de São Paulo, porque ele defendia a nossa política", disse. Segundo Lula, o ex-ministro foi alvo das mesmas críticas que receberam os seus aliados da esquerda.
Curtíssimas
FALTOU UM NO PROCESSO DOS 40 LADRÕES! FALTOU UM MENSALEIRO, FLAGRADO AGORA!
Painel da Folha de SP.
Painel da Folha de SP.
Vivo.
No decorrer das investigações a respeito do dossiê, a PF recebeu a informação de que Freud Godoy, ex-assessor de Lula, sacou R$ 150 mil em dinheiro em março de 2004.
BISCAIA PERDE O MANDATO DE DEPUTADO E CORRE ATRÁS DE UM EMPREGO NO GOVERNO!
Estado de SP.
Biscaia faz 'operação abafa' na CPI dos Sanguessugas, acusa oposição
Presidente da comissão encerrou rapidamente, por falta de quórum, reunião que votaria pedidos de convocação. O presidente da CPI dos Sanguessugas, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), transformou-se ontem em alvo dos oposicionistas, que o acusam de patrocinar uma 'operação abafa' para evitar a convocação dos envolvidos no escândalo do dossiê Vedoin. Eles consideraram 'estranho' o comportamento de Biscaia, que terminou rapidamente a reunião da CPI ontem de manhã, evitando, dessa forma, a votação dos requerimentos de convocação. O clima de confronto na CPI ficou patente depois que o petista também se negou a fazer uma reunião extraordinária à tarde para votar os cerca de 200 requerimentos. Parlamentares acabaram batendo boca e trocando acusações.
No decorrer das investigações a respeito do dossiê, a PF recebeu a informação de que Freud Godoy, ex-assessor de Lula, sacou R$ 150 mil em dinheiro em março de 2004.
BISCAIA PERDE O MANDATO DE DEPUTADO E CORRE ATRÁS DE UM EMPREGO NO GOVERNO!
Estado de SP.
Biscaia faz 'operação abafa' na CPI dos Sanguessugas, acusa oposição
Presidente da comissão encerrou rapidamente, por falta de quórum, reunião que votaria pedidos de convocação. O presidente da CPI dos Sanguessugas, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), transformou-se ontem em alvo dos oposicionistas, que o acusam de patrocinar uma 'operação abafa' para evitar a convocação dos envolvidos no escândalo do dossiê Vedoin. Eles consideraram 'estranho' o comportamento de Biscaia, que terminou rapidamente a reunião da CPI ontem de manhã, evitando, dessa forma, a votação dos requerimentos de convocação. O clima de confronto na CPI ficou patente depois que o petista também se negou a fazer uma reunião extraordinária à tarde para votar os cerca de 200 requerimentos. Parlamentares acabaram batendo boca e trocando acusações.
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